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Amigo de Deus

Ele vivia com sua família numa terra idólatra até o dia em que Deus lhe chama para sair daquele lugar. Ele sai sem saber pra onde está indo. Pura fé. É como andar no escuro e, ainda assim, estar cheio de confiança. Tudo o que ele tinha era algumas promessas. Era nelas que ele colocava os pés no meio da escuridão.

Quem é esse Abraão? Sabemos pouco sobre ele. Era filho de um homem chamado Tera, irmão de Naor e Harã e tinha uma mulher chamada Sarai. Isso é tudo o que sabemos. Talvez porque Deus goste de fazer história com os anônimos desse mundo.

Quem é esse Deus? Abraão sabe pouco sobre Ele. O último registro de uma intervenção sua na história foi há cerca de 2.500 anos, no evento da Torre de Babel. Quando Deus chama Moisés, Ele se apresenta como o “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”. Havia informações sobre Ele. Mas com Abraão, é um Deus desconhecido, sem muitos vestígios na história e que, agora, faz uma promessa absurda. Absurdo maior é perceber que Abraão crê. Pura fé.

Abraão recebe a promessa de que seria pai de uma grande nação aos 75 anos. Aos 86, nasce Ismael. Ele não era o filho da promessa. Ismael era a tentativa humana de fazer os planos de Deus se concretizarem. Quando Abraão tinha 100 anos e Sara 90, finalmente nasceu o menino Isaque. Depois disso tudo, alguns anos depois, como se não bastasse, Deus diz a Abraão: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.” (Gn.22:2) Mais uma proposta absurda. Absurdo maior é perceber que Abraão sobe ao monte para sacrificar o menino. Pura fé que beira à loucura. Nós sabemos o fim da história.

Quero terminar o post lhe fazendo algumas perguntas. Elas dizem respeito às coisas que podemos aprender com a vida de Abraão:

1) QUEM É ou O QUE É o “Ismael” da sua história? Aquilo que Deus nunca desejou na sua vida, mas que agora faz parte dela. Ismael era coisa de Abraão. O sonho de Deus sempre foi Isaque. Ou você acha que tudo que existe na sua vida, Deus vê e vibra?

2) QUEM É ou O QUE É o “Isaque” da sua história? Aquilo que foi Deus mesmo quem lhe concedeu e que se tornou tão valioso e precioso que ocupou o lugar Dele na sua vida, ficando “maior” e “mais importante” do que o próprio Deus. É quando a bênção fica maior do que o abençoador. O que existe na sua vida que você não imagina perder de maneira nenhuma e que se isso acontecer, todos os seus sonhos e projetos de vida se desmoronam? Foi exatamente isso que Deus pediu para Abraão sacrificar. Acho que você entendeu.

3) Quando lemos a história, parece que Deus está testando o coração de Abraão. Tem gente que brinca dizendo que quando Deus pede Isaque, na verdade, Ele quer Abraão. O que faz sentido. Mas essa é a maneira superficial de ler a história. A grande descoberta, consiste no fato de que quem estava à prova no monte Moriá não era Abraão, mas o próprio Deus. A pergunta não é “O quanto Abraão confia em Deus?”. A pergunta é “Quão confiável é esse Deus?”

Porque no fim de tudo, quando sobrar somente você e Deus, talvez a pergunta Dele seja apenas uma:

Por que você não confiou em mim?

Nessa hora, vai faltar argumentos àqueles que pretendem provar que Deus não era confiável ou digno da nossa confiança. Como afirmar isso olhando para o Filho de Deus que, enquanto sangra na cruz, olha nos seus olhos e diz: “Foi por você…”?

A obediência revela nosso temor (Gn22:12). O temor abre a porta para a intimidade (Sl.25:14). A intimidade faz a reputação de Deus cair sobre aqueles que lhe são íntimos e singulariza a relação com Deus. Foi assim com Abraão. Porque filhos de Deus, existem muitos. Servos de Deus, milhares na história.

Abraão era mais do que filho, muito mais do que servo. Abraão era amigo de Deus.

Quem é descrito dessa maneira nas Escrituras com tamanha singularidade?

Só existe um homem nas Escrituras chamado de “amigo de Deus”! Sua história pode ser descrita como pura fé.

Quando a fé é demais, ela beira à loucura.

Mas louco mesmo é imaginar Deus te chamando de amigo…

Um grande abraço!!!

O post de hoje é a síntese de uma palestra que fiz aqui em Brasília no domingo passado. A palestra não foi totalmente transcrita aqui no blog. Várias informações foram cortadas. Vale a pena estudar sobre a vida desse homem chamado Abraão.

Não entendi

Quando fui estudar sobre “Inerrância da Bíblia”, acabei descobrindo um princípio muito legal sobre hermenêutica. Todo texto bíblico permite que se faça conjecturas sobre ele, desde que você não altere o sentido original ou a essência do texto. Eu uso muito isso. Conjecturas em palestras, estudos e até no post de hoje. Vamos a ela.

“Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, perguntou Filipe.

Jesus lhe respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não tendes me conhecido? Quem vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?”

“Você está no Pai e o Pai está em você? Não entendi. Acho que tenho dificuldade com paradoxos.”

Paradoxos e mais paradoxos.

Assim é a vida cristã.

Só ganha a vida quem perde. O maior é o menor. E a loucura de Deus é assim, cheia de sabedoria.

Quem me dera, ao menos uma vez, explicar o que ninguém consegue entender. Que o que aconteceu ainda está por vir e o futuro não é mais como era antigamente.

Se você pensar de maneira minuciosa nas palavras ditas pelo Renato Russo na música “Indios”, o mais razoável é a conclusão de quem diz: “Não entendi!” 

Afinal, o que falar do anseio de querer explicar o que ninguém consegue entender?

Jesus era o “Mestre do Paradoxo”. Deus ama paradoxos. A Bíblia é o livro dos paradoxos e o nosso mundo parece ser o grande palco onde o dramático paradoxo de Deus se manifesta. A fé, que é um pré-requisito para quem deseja viver com Deus, não resolve o dilema do paradoxo. Ela o acolhe sem desejar desembaraçar-se dele. Não se propõe a explicá-lo. Ela simplesmente o abraça, tornando o paradoxo vivível.

Os tolos tentam explicar os paradoxos. Aprendi com Kierkegaard que, sempre que o entendimento sente piedade do paradoxo e começa a tentar ajudá-lo para que chegue a uma explicação, o paradoxo se retira por saber que, se for explicado, deixa de existir.

Não é preciso ter fé quando somos confrontados com certezas inabaláveis. A fé se faz necessária nos momentos crepusculares onde o mundo está cheio de incertezas, quando a noite é fria por causa do silêncio de Deus. E a sua função não é substituir as interrogações por certezas e seguranças, mas ensinar-nos a viver num mundo imbuído de incógnitas.

Acho que é isso, pessoal. Vou parando por aqui porque sei que Jesus é Deus. Sei também que Jesus é Filho de Deus. Jesus é Filho Dele mesmo?

“Não entendi!”

Um grande abraço!!!

Ideias extraídas do livro “Paciência com Deus”, de Tomás Halík.

 

Customização da Fé

Depois de um tempo razoavelmente longo, essa semana voltei a sentir um prazer que já havia produzido saudade. Voltei a dar estudos bíblicos e percebi o quanto meu coração se alegra com isso. Foi exatamente no meio do estudo que ouvi um dos meninos dizer de jeito totalmente convicto: “Eu vou para o céu e não tenho a menor dúvida!” Ele até justificou sua opinião, mas o que quero frisar é outra coisa. Ao dizer que ia para o céu, aquele jovem de 14 anos não revelava uma inequívoca certeza de salvação. Ele era, na verdade, a representação perfeita da sociedade e do mundo em que vivemos.

Se você ainda não notou, gostaria de lhe dar as boas vindas à era da Customização da Fé. Adequamos a fé ao nosso próprio gosto ou às nossas necessidades. A fé contemporânea vem sob encomenda e é elaborada sob medida. Fé customizada.

O Deus do séc.XXI é, de todos os períodos da história, o Deus mais pessoal e subjetivo. A expressão “o meu Deus” é recorrente. A oração deixa de ser “Pai Nosso” e se torna “meu Pai”. É o menos autoritário e menos exigente que já existiu. Ninguém acredita que vai ser condenado. Na Idade Média, a grande maioria da população acreditava que iria para o inferno. Hoje em dia, o inferno está fechando as portas por falta de candidatos. Todos se julgam dignos do paraíso. A lista de nomes de deputados e senadores do Congresso Nacional é praticamente o Livro da Vida. Fé customizada.

A conduta é abominável. O discurso é “Deus me entende”. Fé customizada.

Deixa eu ver se eu entendi. Você se define como uma pessoa cristã, tem vida sexual ativa, mas não é casada?

É que a fé é customizada, sob medida, lembra? Ahhhh, sim… Tô entendendo!

Santo Agostinho disse que a pessoa que seleciona das Escrituras o que quer e rejeita o que não quer, acredita em si e não nas Escrituras.

A fé customizada é representada por expressões do tipo: “Eu rezo do meu jeito”, “Deus no comando” ou “Blessed”(que significa ‘abençoado’, porque vai que o teu inglês consegue ser pior do que o meu).

A vida é uma fábrica de tosquices, só que no Natal eu posto no Facebook um versículo sobre o nascimento de Jesus e na Páscoa eu publico no Instagram uma fotinha sobre o Messias crucificado, entendeu?

Até quando eu vou me esquivar de um papo reto com Deus?

Um papo em que me coloco disposto a ouvir respostas de perguntas do tipo:

Meu jeito de rezar tá certo, Deus?

O Senhor tá de fato no comando da minha vida?

Minha vida se assemelha àqueles que o Senhor define como os teus abençoados?

Ao ouvir aquele menino de 14 anos dizendo que iria para o céu, minha sugestão foi imediata: “Deus te disse isso ou é você quem está dizendo?”

Ele parou para pensar. Minha oração é que ele não customize a fé. Isso requer andar com ele. Ninguém deixa de customizar a fé sem auxílio. Esse é todo o meu anseio. Semana que vem vamos para o capítulo 2.

Um grande abraço!!!

 

O quarto de …

Acabo de assistir o filme “o quarto de Jack”. Algumas coisas me chamaram a atenção, no entanto quero me ater a um detalhe que me pegou. A história de um menino que só conhece o mundo com 5 anos de idade, pois até então só conhecia um pequeno quarto onde ele e sua mão eram mantidos encarcerados. Fiquei me perguntando quantos de nós, cristãos, estamos há 5, 10, 20 anos vivendo no nosso “quarto da fé”. Imaginamos um mundo grandioso, mas não vivemos nada, ou quase nada, na realidade da fé.
Quando olho para a história tenho certeza que a fé viva não nos permite viver em um “quarto”. A fé viva nos leva ao movimento,aventuras, desafios. Vejo isso com Abraão sendo convidado a sair de sua tenda para ver as estrelas e ouvir de Deus uma grande promessa.Vejo isso em Moisés que teve que encarar o maior imperador da época. Vejo isso em Jabez, orando para que Deus alargue suas fronteiras. Vejo isso com Pedro, sendo convidado a sair do barco e andar sobre as águas. Vejo isso com Ester tendo que conversar com Rei, podendo perder sua vida. Vejo isso com Elias , tendo que enfrentar 400 profetas de Baal. Vejo isso com Paulo através de toda a sua caminhada cheia de marcas físicas. Vejo isso com George Miller que tinha no salmo 81:10 sua promessa de vida: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e Eu a encherei.”
O quanto você tem aberto sua boca?
O quanto você tem movimentado sua fé?
Quais são os passos mais recentes?
Você está disposto a olhar para o céu para ver as estrelas?
Onde você vive, no quarto ou no maravilhoso mundo?

Jack aprendeu a ampliar seu mundo. E, quando desejoso de visitar o antigo quarto, notou o quanto era pequeno!

Vale a pena viver por fé!

Que possamos nos desafiar em Cristo.

Um abraço e até a próxima!

A cadeira

CadeiraUma moça pediu ao padre da cidade que fosse orar com o seu pai que estava à beira da morte. Quando o sacerdote chegou, encontrou o homem com a cabeça apoiada sobre dois travesseiros e uma cadeira vazia ao seu lado. Pensou que o doente havia sido avisado de sua visita. Então perguntou:

– Acho que o senhor estava me esperando.

– Não. Quem é o senhor?

– Sou o novo padre da sua paróquia. Quando vi a cadeira vazia, pensei que o senhor soubesse que eu estava para chegar.

– Ah, a cadeira. O senhor se importaria de fechar a porta? 

Intrigado com aquilo, o padre fechou a porta. E o homem continuou:

– Nunca falei a ninguém sobre isso, nem mesmo para a minha filha, mas passei a vida inteira sem saber orar. Nas missas de domingo, eu ouvia o padre falar sobre oração, mas não conseguia entender. Até que um dia, sentindo-me extremamente frustrado, eu disse ao padre: “Não entendo nada de suas homilias sobre oração.”

“Aqui”, disse o padre, enquanto abria a última gaveta da escrivaninha. “Leia este livro escrito por este teólogo suíço. É o melhor livro sobre oração contemplativa já publicado no século vinte.”

– Bom, padre, eu levei o livro para casa e tentei ler. Mas logo nas 3 primeiras páginas tive de consultar 12 palavras no dicionário. Devolvi o livro ao sacerdote, agradeci e disse comigo mesmo: “Não adianta”.

E o homem continuou:

– Desisti de tentar orar, até que um dia, faz uns 4 anos, meu melhor amigo me disse: “João, orar é simplesmente uma questão de conversar com Jesus. Vou sugerir-lhe uma coisa: sente-se numa cadeira, coloque outra cadeira vazia na sua frente e, pela fé, veja Jesus sentado ali. Não há mistério. Ele deseja ouvi-lo e sua presença será, sempre, um fato. 

– Por isso, padre, eu tentei e gostei tanto do resultado, que faço isso durante algumas horas todos os dias. Mas eu tomo meus cuidados. Se minha filha me visse conversando com uma cadeira vazia, ela iria surtar ou me mandar para um hospício.

O sacerdote ficou profundamente emocionado com a história e incentivou o velho João a continuar fazendo aquilo. Então, orou com ele, ungiu-o com óleo e foi embora.

Duas noites depois, a filha telefonou-lhe para avisar que seu pai havia falecido na tarde daquele dia. Ele então perguntou:

– Ele morreu em paz?

– Sim, um pouco antes de eu dar uma saída por volta das 14hs, ele me chamou até o lado da cama, contou-me uma de suas piadas de sempre e me deu um beijo no rosto. Quando voltei da rua uma hora depois, encontrei-o morto. Mas tinha uma coisa estranha, padre. Na verdade, mais do que estranha. Parece que, logo antes de morrer, meu pai inclinou o corpo e pôs a cabeça sobre uma cadeira que estava ao lado da cama.

Aí eu termino de ler essa história e, com lágrimas nos olhos, começo a concluir que no processo de equipar um apartamento novo, a cadeira é mais importante do que a geladeira, o fogão, a TV, o computador… Inclusive, se me virem abraçado nela, gostaria que acreditassem que não estou surtado ou precisando ser levado a um hospício. É a minha fé que está crescendo um pouquinho mais…

Um grande abraço!!!

O trapezista

Ele parecia louco. Juntava-se aos seus companheiros e dava o “start”. Dança aérea! Os voadores pairavam no ar e tudo representava perigo, até o momento em que eram agarrados pelas fortes mãos de seus parceiros.

TrapezistaO extraordinário começa aqui! Antes de ser pego, precisa soltar as mãos daquilo que lhe traz segurança. É necessário desafiar o vazio do espaço. Viver com essa disposição para soltar é um dos maiores desafios que enfrentamos. O grande paradoxo é este: ao soltar, recebemos! Aqueles que tentam evitar todo o risco, os que tentam garantir que seu coração não seja quebrado, terminam num inferno criado por eles mesmos.

“Amar é, antes de tudo, ficar vulnerável… Se você quer, com certeza, manter [seu coração] intacto, então não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente com distrações e pequenos luxos; evite todos os embaraços; tranque-o na segurança do cofre de seu egoísmo. Mas nesse cofre – seguro, escuro, inerte e sem ar – seu coração mudará. Ele não se quebrará! Tornar-se-á inquebrável, impenetrável, irredimível… O único lugar fora do Céu onde você pode ficar absolutamente livre do perigo de amar é o Inferno.” (C.S.Lewis – Os quatro amores)

Certa vez, um trapezista profissional confidenciou: “Todos me aplaudem porque, quando dou aqueles saltos e piruetas, eles acham que sou um herói. Mas o verdadeiro herói é quem me pega. A única coisa que eu preciso fazer é estender as mãos e confiar; confiar que ele vai estar lá para levar-me de volta para cima.”

Assim é a vida de cada cristão. Como trapezistas, soltamos as mãos e esperamos Aquele que sempre estará lá para nos segurar. Com o tempo, aprendemos que o herói é Ele e que não existe sensação mais prazerosa do que voar livremente! Talvez seja por isso que, em Cristo, somos chamados de loucos…

E aí? Vamos soltar as mãos? 

Um grande abraço!!!

 

Novos tempos – um convite à fé

“o que ela [a vida] quer da gente é coragem”

Riobaldo em “Grande Sertão: Veredas” (de João Guimarães Rosa)

O ano de 2015 começou e com ele as reflexões a respeito da vida e suas dificuldades. Alguns questionamentos de quem você e eu somos nos vem à mente e nos aflige o coração. Algumas das dificuldades de 2014 que gostaríamos que estivessem lá ainda insistem em nos acompanhar. Várias decisões aguardam ansiosamente pela sua e pela minha força e vontade de agir. Com muitas e muitas delas não sabemos lidar ao certo até o momento. E, para piorar nossa angústia, algumas das situações já começaram a ocorrer (ou simplesmente continuaram a ocorrer) sem que pudéssemos escolher exatamente o que gostaríamos que fossem feitas delas.

Como lidar com tudo isto? Sentar e chorar? Será…?

Como bons cristãos voltamos nossa atenção agora para nosso manual de vida, a Bíblia. Nela tenho percebido ao longo dos anos o quanto Deus foi presente na vida das pessoas que se relacionaram com ele e o quanto pode estar presente também na minha e na sua. Um capítulo específico lista os “heróis da fé”, Hebreus 11. Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas, de maneira abrangente.

Dentre os exemplos listados gosto bastante das histórias de Jacó, José e de Davi. Jacó tem uma história de conflitos, dentre eles com sua família em casa, consigo mesmo e com Deus, com seu tio após ter ido morar em suas terras. José, o caçula dos onze filhos de Jacó conviveu de perto com a inveja de seus irmãos, quase foi morto por eles e foi então vendido como escravo aos egípcios. Chegou a conquistar a confiança do rei e a ocupar boa posição no palácio real. Sofreu ao não aceitar se deitar com a rainha, foi preso e passou boa parte de sua vida deixado de lado numa cela de prisão. Davi era considerado o pior entre os filhos de seu pai Jessé. Recebeu uma promessa de que seria rei em Israel. Viu de perto a possibilidade da promessa ser cumprida, mas foi obrigado a fugir da fúria de Saul, o então rei. Passou toda sorte de problemas mesmo tendo ciência de sua inteira inocência diante da perseguição que sofrera.

As histórias de Jacó, José e Davi são muito ricas e não teria como serem abordadas num simples post. Fica aqui o convite para que você as leia (Jacó e José em Gênesis, a partir do capítulo 25; e Davi nos primeiro e segundo livros de Samuel). Em todas elas é perceptível o quanto Deus se fez presente. Jacó viveu muito e foi feliz ao abençoar os filhos de José em seu leito de morte. José voltou a ocupar lugar de destaque entre os egípcios e foi considerado o segundo do reino, atrás apenas do próprio Faraó. Davi foi aclamado rei após a morte de Saul, destruiu seus inimigos e teve longo e duradouro reino em Israel. Enquanto viviam as situações que descrevi talvez eles não tivessem noção da ação de Deus, mas eles não deixaram de crer que Ele estivesse cuidando de tudo.

Hoje não sei ao certo o que você tem passado, talvez se sinta como um dos personagens bíblicos citados (ou não). Sei que estou distante de sofrer algo parecido com o que aconteceu a eles, mas vejo em minha vida muitas e muitas dificuldades na tarefa de seguir adiante. Assim como Deus fez na história de todos os heróis da fé, tenho plena convicção de que ele tem feito por você e por mim. Ao olhar para trás já tenho muitos motivos para agradecer a Ele pelo que já houve de bom, tenho certeza que você também. Aqui volto na pergunta que fiz no início: sentar e simplesmente chorar diante dos desafios que se apresentam? Creio que não foi isto que aconteceu nas histórias que comentei.

Meu convite para você hoje e principalmente para mim é que possamos estar de cabeça baixa para orar a Deus e reconhecer que ele tem muito amor por nós e quanto somos frágeis diante de tudo que se apresenta. Convido também a levantar a cabeça e tentar enxergar ao longe o quanto Deus ainda tem a fazer por nós dois. Convido principalmente para que tenhamos fé no seu amor, cuidado e atitudes para conosco.

Os personagens citados acima viram Deus mudar profundamente suas vidas e lhes proporcionar dias muito melhores do que aqueles de dificuldades. Mas a promessa de Deus a eles não era somente aquela, segundo o autor de Hebreus. A promessa de Deus para eles era Jesus. E por este motivo o autor do livro de Hebreus disse que eles nada seriam se não fosse por nós, que recebemos o perdão por meio de Jesus e podemos estar mais pertinho de Deus. Maior promessa hoje a nós é a vida eterna ao lado do Pai, quando toda lágrima será enxugada de nossos rostos e contemplaremos a Deus face a face.

Termino com o desafio: que possamos abrir nossas mentes e enxergar a caminhada das nossas vidas repleta de coragem, de ânimo e de fé nos dias melhores que ainda estão por vir nos novos tempos que agora se iniciam.

Dedico este post a um amigo que tem estado desanimado com os desafios da vida.

Forte abraço e até a próxima terça-feira.

O meio

O povo judeu é chamado de escolhido porque Deus separou esta linhagem para por meio dela abençoar todo o mundo. Ao longo dos séculos esta noção de escolhido foi cada vez mais separando este povo dos demais, em parte por orientação de Deus e certamente por bairrismos e preconceitos.

No início da igreja, após a ressurreição do Cristo, houve finalmente o cumprimento da promessa: outros povos foram alcançados pelo Evangelho.

Notoriamente, isto ocorreu com Cornélio, um centurião romano conhecido – até pelos judeus – como justo. Houve toda uma preparação miraculosa para que isto acontecesse, já que a noção de alcance do Evangelho não era clara até para os líderes da igreja.

Quando finalmente Pedro foi enviado a casa de Cornélio, este já sabia que alguma coisa especial ocorreria. Ele, portanto, teve tempo de se preparar. Assim, no mesmo dia em que Cornélio conheceu o Evangelho, de cara, sua família e seus amigos também puderam ouvi-lo e aceitá-lo.

De cara, o centurião foi meio para que outros conhecessem a Deus, assim como os judeus deveriam ser. Este é o chamado para todos nós. Possamos descobrir a Deus junto com as pessoas próximas, na humildade do recém-nascido na fé, com a curiosidade de uma criança e a sabedoria de um adulto.

O escudo da fé – Armadura de Deus

Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. (Efésios 6:16)

 

Quando Paulo faz a alusão do escudo da fé está pensando em um escudo retangular , medindo 1,2 x 0,75  metros , que cobria quase todo o corpo de um soldado. Ele era projetado especialmente para proteção contra lanças incendiárias. De acordo com o apóstolo , na vida espiritual também sofremos ataques com setas. As setas “inflamadas do maligno”. Mas quais seriam essas setas inflamadas do maligno?

Podemos descrever algumas:

  • Acusações maliciosas que nos trazem falsas culpas.
  • Pensamentos de desobediência , de rebeldia, de medo.
  • Questionamentos sobre nossa real identidade em Cristo (“se tu és o filho de Deus…”)

Como fugir disso?

Fé em Deus! Fé em suas palavras!

“Cada palavra de Deus é comprovadamente pura; ele é um escudo para quem nele se refugia.” (Provérbios 30:5)

A fé toma posse das palavras de Deus! De suas fiéis promessas!

“Por intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça.” (2Pedro 1:4)

As promessas de Deus tem a função de nos tornar participantes da natureza divina. A fé nessas promessas desencadeia esse processo de transformação e servem de escudo contra a setas do maligno!

Quais são as promessas que te guiam? Você tem saído para a rua com o escudo da fé?

O problema do 9 sem o 10 ou do 10 sem o 9

Lendo Efésios me deparo com um dos paradoxos do cristianismo:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
(Efésios 2:8-10)
Se pegarmos o verso 9, podemos dizer: “Somos salvos pela fé! Obras não levam a lugar nenhum! O fruto da obra é orgulho!”
Se pegarmos o verso 10, podemos dizer: “Obras são necessárias! Deus têm preparado obras para mim! Sou um homem de ação e não de contemplação!”
Enfatizar sua vida cristã em somente um dos versos irá trazer problemas para você. Ou uma fé teórica ou obras com o fim em si.
Não há como separar fé e obras! Ambas devem existir! A fé é a razão da obra! A obra é a consequência natural da fé!
Nada melhor que virar o ano podendo nos questionar: Esses versos estão interligados e arraigados em minha vida? Vivo na interdependência deles ou dou prioridade para um dos versos?
Como você se avalia?
Abraço e até a próxima!