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O Muro de Inimizade

O capítulo 2 de Efésios traz a nós um resumo robusto da mensagem do Evangelho. Estudando o texto durante esta semana pude observar uma estrutura dele emergindo.

De um lado, o homem:

  • Morte (v.1 e 5)
  • Pecados (v.1)
  • Merecedores da ira (v.3)

Do outro, Deus:

  • Vida e ressurreição (v.5 e 6)
  • Graça (v. 7)
  • Bondade (v.7)

No meio, um muro de inimizade (v.14).

Mas Jesus, a pedra angular (v.20) destrói o muro.

Vemos que o processo que se passa para a criação de uma passagem por entre o muro é a morte: Jesus com a sua carne, na cruz, anula a condenação da Lei. (v.15-16) Vemos que na verdade a lei não foi anulada de forma absoluta: ela foi cumprida, porém não nos “merecedores da ira”. Jesus morreu, ou seja, pagou, em nosso lugar.

É feita uma analogia com os gentios (não-judeus) e os judeus. Através de Cristo, outro muro de inimizade é quebrado: judeus e gentios não são mais separados, ambos podem ter acesso às promessas de Deus de salvação. (v. 12 e 13)

Este capítulo também é famoso pela ênfase no processo de salvação. Não poderíamos nós mesmos quebrar o muro pois a lei deveria ser cumprida. Sendo devedores, não havia obras que pudessem nos ser creditadas como algo que nos traria próximos de Deus.

Assim, as obras não são aquilo que nos salvam (v. 9) e sim consequência natural deste evento (v.10).

Por fim, é mostrado a união de uma nova humanidade em Cristo, em seu corpo. Podemos dizer que entre os outros, entre Deus e conosco,

Ele é a nossa paz

Almoço Substancial

Numa sexta-feira comum almoçando um PF na lanchonete mais próxima do trabalho. Almoço trivial, os colegas de sempre. Um assunto vai levando ao outro. Filmes levam a twitter, twitter leva a Luciano Huck, Luciano Huck leva a Kaká. E pronto. Estamos falando de Deus.

Inicialmente são faladas as coisas rasas do assunto, que a pessoa não precisa de se expôr para dizer. Coisas comuns desse nível de profundidade: Igrejas evangélicas lucram.

Aí passamos pelas ressalvas – as que você pensou que não viriam – um evangélico sensato aqui (mas que dá 10%), uma igreja séria ali (uma) e pronto, estamos prontos pra próxima.

Próximo nível: o que acreditamos. Nem todos se pronunciam agora. Em geral há na roda um que faz a sua própria religião pegando coisas de cada uma. Pois, afinal, “todas no fundo querem dizer a mesma coisa” e “um chama de Alá, o outro de Jesus, o outro de Buda”. Há aquele que era católico mas bastaram duas aulas sobre a Idade Média e não é mais. Os do interior em geral permanecem católicos, apesar de tudo, até aqui. Eventualmente haverá um que perguntará a cada um no que acredita. Aí saberemos onde todos estão posicionados.

Eu? Bom, espero estar orando nesta hora e não tentar expôr meus argumentos científicos que provam por A + B que eles tem que acreditar em Deus. Isso com arrogância e ironia.

Espero dizer, se alguém me perguntar, que eu era agnóstico e que hoje sou cristão. Se alguém se interessar entrarei em detalhes. Não sei se estou certo em agir assim. Não sei mais o que me move. Sei que o almoço foi substancial. Profundo mesmo. Deu coisa pra pensar.

Possamos ter amor por aqueles que não conhecem a verdade. Possamos querer iluminá-los com Jesus e não engasgá-los ou constragê-los. Possamos orar por suas vidas. Pedir pela ação do Espírito. Servi-los diariamente. Meditar em suas palavras sobre sua experiência com Deus e tentar aprender.

Deus nos ajude.

Quando digo que sou cristão
Não estou gritando “sou salvo”
Mas sussurrando “estou perdido”
“E por isso escolhi este caminho”

Tribos

No livro de Efésios Paulo trabalha de forma sistemática um grande desafio de Deus aos homens: O desafio de trocar o antigo pelo novo. Uma nova vida (capítulo 2:1-10), uma nova humanidade (capítulo 2: 11-22), uma nova comunidade (capítulo 5:15-21), uma nova família (capítulo 5:22- 6:4). Gostaria de compartilhar sobre uma nova humanidade.

Vivemos em um mundo totalmente fragmentado, o homem pós-moderno busca pequenos grupos com os quais se identificam para descobrir nessa dinâmica social as “verdades” que servem para eles. Vemos, principalmente entre os jovens, o surgimento das chamadas tribos. Essas tribos se formam, criam leis próprias, vestimentas próprias, gírias (ou dialetos de acordo com os racionais) e acabam se fechando. Quando se fecham começam a definir mecanismos de defesas para sua sobrevivência e passam a ter outras tribos como adversárias. Esse tipo de atitude acaba gerando um grande muro de inimizade entre tribos, entre pessoas. Esse muro de inimizade é muito claro quando se pratica violência explicita contra outros grupos (ex.:neo-nazistas espancando homossexuais ou negros), mas ele é menos claro em grupos que inconscientemente praticam a indiferença, o gelo.

Fico triste de pensar que a tribo cristã (amplamente dividida por razões estúpidas na maioria das vezes) acaba se fechando também e se esquecendo a oração de Jesus em João 17: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do maligno.”(v.15). Tentamos viver em bolhas, sem contato com os impuros, nos fechando com nossas práticas, gírias e hábitos.

Na época em que Paulo escreveu esse livro existia duas grandes tribos: Os judeus e os gentios. Todos que não estavam entre os judeus eram os impuros gentios e isso trazia uma grande divisão na região (e porque não no mundo da época, já que os judeus estavam espalhados por ele).Paulo fala que Cristo veio para destruir o muro de inimizade entre essas tribos: “Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade”(Ef.2:14). Esse verso é verdadeiro! Me lembro de participar de um acampamento onde o evangelho seria proclamado para jovens que não tinham relação com Cristo. Eu era um dos responsáveis pela viagem e, quando vi a turma chegando pensei: “vamos ter problemas!” Durante uma semana teremos pagodeiros, discípulos de Bob Marley e punks convivendo em uma fazenda. Mas aquela semana foi marcante e maravilhosa, principalmente quando vi uma jovem (líder das punks e que tinha levado uma boneca com uns 15 piercings pelo corpo) aceitar Jesus e orar com uma pagodeira de carteirinha. Naquela hora vi que Cristo ainda continua derrubando muros de inimizade pelo mundo. Creio que temos a função, como seus seguidores, de desconstruirmos muros e construirmos pontes que levem as pessoas de qualquer tribo a conhecer seu verdadeiro criador!  Ao invés de nos fechar em uma enorme tribo deveríamos ser enviados às tribos de todo o mundo para construir essas pontes e apresentar um amor que vale a pena!

Você contribui com a construção de muros ou pontes? O que te impede de sair de sua zona de conforto e ser enviado para uma tribo?

Amor e Argumentos

Existem várias justificativas para a fé cristã que podem ser memorizadas, ensaiadas e pronunciadas sem causar efeito. Mas existe uma justificativa diferente: o amor, que por sua essência procura apenas o bem dos outros e está disposto a pagar o alto preço do esquecimento de si mesmo. O amor é um produto difícil de imitar ou falsificar. J.Powell¹

Este trecho pode soar presunçoso: “O Amor é produto exclusivo do cristianismo, compre!!”. Podemos nos trair neste sentido, sendo orgulhosos até de sacrifícios que possamos fazer (veja como eu amo esta pessoa!). Mas não vou falar disso.

Penso mais sobre Apologética*. Não sei se o autor queria dizer isso, mas parece-me que sim. De fato, eu creio em vários pontos históricos, arqueológicos, biológicos, físicos, matemáticos, probabilísticos, sociológicos, filosóficos, antropológicos que podem demonstrar uma profunda coerência e sensatez no cristianismo, no Deus bíblico, em Jesus, etc.

Aliás, um clássico neste assunto (embora seja uma publicação recente) é Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu² , cuja ideia central é que as provas para o cristianismo são tão contundentes que é necessário ter mais fé ainda para não acreditar nele.

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“os cristãos vivem numa busca por argumentos para a fé

que pode nos desviar daquilo que fomos chamados a fazer”

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Não quero desmerecer este trabalho ou menosprezar a sua contribuição para o crescimento e o fortalecimento da Igreja. O próprio autor (ou seria o prologuista?) declara no início do livro seu amor pela apologética, foi lendo um livro deste gênero que ele se tornou cristão. No entanto, eu mesmo era um cético e não precisei de tantos argumentos para me convencer.

Um jovem de quinze pouco sabe a respeito de questões profundas da existência de Deus (estou generalizando, há jovens que sabem muito mas há jovens que se apóiam em jargões impensados, como eu era), mas ainda sim acho que o meu exemplo é válido. Acho que eu não teria amadurecido meu pensamento se não me tivessem apresentado o cristianismo. Eu simplesmente não pensaria mais a respeito e com dezenove vinte e um anos seria agnóstico, baseado nos mesmos velhos e falhos argumentos.

Às vezes os cristãos vivem numa busca por argumentos para a fé que pode nos desviar daquilo que verdadeiramente fomos chamados a fazer. Munido de tantos argumentos, me ensoberbeço, torno-me mais altivo e orgulhoso. Num dia de dicussão com um não-cristão, apresentei vários argumentos, fui meio irônico no meu tom, ridicularizando sua lógica e, no final, pensei: a apologética não me faz um homem mais piedoso.

Nem sei por que pensei nesta palavra, “piedoso”, mas assim foi o meu pensamento. Poderia dizer mais amoroso, de mais amor, uma pessoa melhor, mais virtuoso. Acho que ainda sou imaturo neste aspecto e os argumentos tem esse efeito negativo em mim. Neste dia dei uma desanimada com argumentos para a fé.

Penso que há certa verdade bíblica no que eu disse. De novo, não digo contra a apologética, mas alerto para  um possível tiro no pé que ela representa para mim: O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica.³

Afinal de contas, se eu puder evitar que alguém dê as costas para Jesus por causa de orgulho, por não querer dar o braço a torçer, então eu vou fazer o máximo para isso ocorrer!

Embora não-cristãos possam usar ironia e sarcasmo como armas (muitas vezes não estão contra as ideias mas contra o interlocutor), não acho que isso possa ser usado pelos cristãos. Nunca podemos agir ou encarar que lutamos contra as pessoas, mas sim a seu favor, pelo seu bem. Abaixo trago um exemplo do que disse (embora seja legal e engraçado, não acho aconselhável irmos por esse caminho):

A crença de que não havia nada e então nada aconteceu ao nada e o nada magicamente explodiu por razão nenhuma criando tudo e depois várias coisas magicamente se  rearranjaram por si mesmo por razão qualquer, não importa, tornando-se pedaços autorreprodutores que depois acabarm em dinossauros, Faz perfeito sentido.
Ateísmo - A crença de que não havia nada e então nada aconteceu ao nada e o nada magicamente explodiu por razão nenhuma criando tudo e depois várias coisas magicamente se rearranjaram por si mesmo por razão qualquer, não importa, tornando-se pedaços autorreprodutores que depois acabaram em dinossauros. Faz perfeito sentido.

*Apologética é uma palavra derivada de “apologia” (do grego απολογία, “defesa verbal”) usada para designar a prática da explanação e defesa sistematizadada da fé cristã.

¹ O Segredo do Amor Eterno (eu disse que eu citaria mais esse livro).

² Norman Geisler e Frank Turek. Pode parecer que eu sou contra lerem esse livro, mas eu não sou! Ele é totalemnte excelente, explica muitas coisas muito interessantes, fala sobre lógica, verdade, biologia, fala sobre a Bíblia, Jesus, a existência de Deus, milagres; enfim é bem completo e uma ferramenta muito útil.

³ 1Co 8:1, NVI