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O cuidado com a arca (Parte 1)

“Mande fundir quatro argolas de ouro para ela e prenda-as em seus quatro pés, com duas argolas de um lado e duas do outro.
Depois faça varas de madeira de acácia, revista-as de ouro
e coloque-as nas argolas laterais da arca, para que possa ser carregada.
As varas permanecerão nas argolas da arca; não devem ser retiradas.”
Êxodo 25:12-15

A arca era a representação da presença de Deus. Esses versos acima nos mostram os cuidados com a movimentação dela, e nos ensina muito. Precisamos entender que a arca é móvel. A urgência de movimento é visto na preocupação de Deus em colocar 4 argolas em suas extremidades. Para alguns pais da Igreja, esse pedido representava a necessidade da presença de Deus se deslocar pelos 4 cantos do mundo. O evangelho exige mobilidade, urgência, movimento!

Mas como seria carregada?

Através de varas de madeira de acácia, revestidas de ouro. Homens e mulheres corajosos e perseverantes que carregam a arca. As varas não tem significado e nem propósito senão pelo fato de carregar a arca. As varas “não devem ser retiradas” das argolas. Homens e mulheres que carregam o evangelho (como essas varas) devem estar encaixados aos 4 cantos do mundo, levando o que há de mais precioso para a humanidade: a presença de Deus!

Como você se avalia como uma “vara de carregar arca”?

Abraço a até a próxima!

O meio

O povo judeu é chamado de escolhido porque Deus separou esta linhagem para por meio dela abençoar todo o mundo. Ao longo dos séculos esta noção de escolhido foi cada vez mais separando este povo dos demais, em parte por orientação de Deus e certamente por bairrismos e preconceitos.

No início da igreja, após a ressurreição do Cristo, houve finalmente o cumprimento da promessa: outros povos foram alcançados pelo Evangelho.

Notoriamente, isto ocorreu com Cornélio, um centurião romano conhecido – até pelos judeus – como justo. Houve toda uma preparação miraculosa para que isto acontecesse, já que a noção de alcance do Evangelho não era clara até para os líderes da igreja.

Quando finalmente Pedro foi enviado a casa de Cornélio, este já sabia que alguma coisa especial ocorreria. Ele, portanto, teve tempo de se preparar. Assim, no mesmo dia em que Cornélio conheceu o Evangelho, de cara, sua família e seus amigos também puderam ouvi-lo e aceitá-lo.

De cara, o centurião foi meio para que outros conhecessem a Deus, assim como os judeus deveriam ser. Este é o chamado para todos nós. Possamos descobrir a Deus junto com as pessoas próximas, na humildade do recém-nascido na fé, com a curiosidade de uma criança e a sabedoria de um adulto.

O Reino de Deus

Jesus veio ao mundo para pregar as boas novas do Reino de Deus (Lc 4:43). Mas o que seria este tal Reino de que ele tanto falava?

No imaginário judaico era algo como o reino de Salomão ou de Davi – cheio de esplendor, de conquistas sobre outros povos, de fartura e no qual fossem explorados por nenhuma outra potência (Lc 14:15). Algo como uma retomada do poder político sobre a própria nação, dominada pelos romanos há algum tempo à época de Jesus.

No pensamento de muitos atualmente o Reino de Deus é um espaço físico com natureza exuberante, onde todos vestem branco, não há noite e que só conheceremos após a morte. A primeira opção mostrou-se errônea há quase dois mil anos e a segunda, permita-me discordar de quem pensa assim, também mostra-se equivocada.

Ao ler o evangelho de Lucas, fica claro que Jesus descrevia um Reino metafísico que seria conhecido do mundo após seu sacrifício na cruz. Um reino em que seria dos pobres (Lc 6:20). Um reino que já existia (Lc 7:28), mas que ao mesmo tempo era uma boa nova (Lc 8:1). Cercado de mistério (Lc 8:10), que deveria ser anunciado (Lc 9:2), um reino sobre o qual Jesus ensinava (Lc 9:11). Que estava próximo dos que eram contemporâneos a Jesus (Lc 9:27) e que não abria espaço para dúvida quanto a ser parte ou não (Lc 9:62) após um convite do Mestre. Um reino que chegava através de Jesus (Lc 11:20) após João (Lc 16:16) e que deveria ser buscado acima de comida, bebida ou qualquer outra preocupação desta vida (Lc 12:31). Que começaria muito pequeno e seria muito grande, como a semente de um grão de mostarda e sua árvore (Lc 13:18). Que cresceria como fermento em uma massa (Lc 13:20). Um reino de porta estreita e difícil acesso (Lc 13:28), em especial aos ricos (Lc 18:24). Que seria e é dedicado aos que desejam perder sua vida (Lc 17:33), um reino acessível a pessoas semelhantes às criancinhas (Lc 18:16), que exigia e exige renuncia e que também recompensa (Lc 18:29). Um reino invisível (Lc 17:20) que seria ocupado não só por Israel, mas por pessoas de todas as partes do mundo (Lc 13:29). Que uma vez conhecido, deve ser multiplicado pelos que dele usufruem (Lc 19:11). Um reino, enfim, aguardado por muitos (Lc 23:51) e que foi cumprido na morte e ressurreição de Jesus (Lc 22:16).

Este reino, segundo creio, é uma opção ao mundo em relação ao mal. Uma nova chance à humanidade de manter um relacionamento com Deus. Isto se mostrou possível por meio do pagamento do Pecado por Jesus na cruz e sua posterior ressurreição. Se minhas ideias estiverem certas, vivo neste reino há algum tempo e já tenho algo dele para lhe contar.

O Reino de Deus na Terra é formado pela comunhão de pessoas que lutam para viver os propósitos divinos. Nele não há espaço para falta, porque sempre que estou em necessidade sou ajudado pelos o compartilham comigo(At 2:42-47). Não há também lugar para preocupações intermináveis, pois buscando as coisas de Deus o restante me tem sido acrescentado (Mt 6:33). É um espaço definitivamente aberto a todos, porque não fui nenhum tipo de santo antes de nele entrar (Mt 21:31). É algo minimamente organizado, onde devo cumprir com duas regras básicas – amar e amar (Mc 12:34). Não é lugar de teoria, mas sim de vida prática (1Co 4:20) e por isto gosto dele. É o Reio que não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). É um reino em que há constante luta contra outro reinado que há no mundo há muitos e muitos milênios e por isto, difícil de se vivido.

Como fazer parte então de um reino que se mostra tão interessante? A resposta de Jesus em João 3 a Nicodêmos foi para que ele nascesse de novo. Este é meu desejo para você que leu até aqui, mas que ainda não conhece esta vida.

Não quero deixar de observar que nosso conhecimento da plenitude do Reino de Deus está reservado para depois daquilo que a Bíblia chama de juízo. O que gostaria de escrever hoje é que esta era, de uma forma ou de outra, já começou e está acessível a todos através da vida cristã genuinamente vivida. Reconheço que é complicado vivenciar o Reino de Deus se outros dele não partilham à nossa volta. Sou grato ao Pai por ter esta oportunidade.

Gostaria de terminar este pequeno estudo com uma reflexão. Se há um reino, o pressuposto básico é de que há um rei e súditos, e os súditos via de regra se sujeitam ao rei. Quem ocupa qual lugar na sua relação com Deus hoje?

Forte abraço.