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Longe de casa há mais de uma semana

Não haveria título mais sugestivo para o post de hoje.

Os dias têm sido intensos.

Meu coração anda longe da monotonia.

Melhor que seja assim. A vida tende ao tédio.

A minha, porém, tem sido encharcada de sonhos, novidades e emoções.

Tudo isso tem feito surgir uma necessidade. A mais nobre dentre elas.

Preciso buscar a Deus. Colocar meu coração diante Dele.

Ontem pela manhã, orei pedindo que a voz de Deus invadisse meu ser. Tomasse meus pensamentos, minhas dúvidas, meus medos, meus sonhos e alinhasse tudo!

Enquanto refletia sobre a saudade de Belo Horizonte, pensei na minha casa. Percebi que estava longe há mais de uma semana. Ouvi a voz me perguntando: “Casa? Mas aonde você mora? A minha presença não havia definido isso há muito tempo atrás?”

Lágrimas. Muitas lágrimas. Eu não estava longe de casa. Eu estava longe de Belo Horizonte.

“Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo.” (Salmo 27:4)

Longe de casa, eu fico, sempre que me afasto de Deus e me distancio da Casa do Pai.

Não haveria título menos sugestivo para o post de hoje!

Porque se tem algo que eu não tenho experimentando, é distância do Pai…

Graças à Deus! E que assim seja, para sempre!

E você, mora aonde???

Um grande abraço!!!

 

Carta a um amigo distante

Belo Horizonte, 09/02/2010

Rafael Santos, servo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, ao amigo que hoje se encontra distante. Graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Dou graça ao meu Deus sempre que me lembro de você e da nossa amizade. Deus sabe o amor que sinto por você e da falta que me faz todo o tempo em que a vida tem me pregado peças, bem como nas minhas novas alegrias.

Hoje escrevo com lágrimas nos olhos lembrado de tudo quanto já vivemos juntos, até mesmo antes de termos conhecido o Caminho. Tenho muitos motivos para agradecer a Deus por você existir e por ele ter permitido que andássemos juntos na nossa profissão de fé.

Escrevo-lhe para primeiro pedir notícias, também porque antes que pudesse perguntar como estava você se foi. Quero, junto de Deus, saber o que lhe aconteceu para que deixasse de seguir o Caminho, se é que deixou, como foi e porque não meu contou. Escrevo para perguntar se ainda somos irmãos e se ainda temos em comum aquele mesmo amor que outrora nos unia.

Sempre quando me vem à memória sua vida tenho orado junto ao Pai para pedir que não se esqueça de você, antes o continue tendo em alta estima, com aquele mesmo cuidado que a gente sabe que Ele tem mesmo quando não o reconheçamos.

Minha falha memória me traz à mente nossos primeiros passos caminhando com Ele. Desde os tempos naquele campo verde, às descobertas de novo padrão e principalmente de nossa esperança de uma nova vida. Com dificuldades escrevo lembrando da nossa cumplicidade até mesmo nos momentos em que não queríamos viver o que nos era ensinado. Lembro-me também da nossa luta por tentar memorizar as escrituras a caminho da casa de nosso mestre para o estudo delas aos domingos pela manhã. Você, melhor que qualquer outro, sabe de tudo quanto se passou comigo desde aquela época e quanta coisa mudou. Só você sabe aquilo que vivia e que ninguém acreditaria se não fosse tão próximo de mim.

Ainda hoje luto, com desafios maiores, tentando memorizar não versículos, mas livros inteiros das Escrituras. Tenho amor pela vida, até para ajudar os que ainda não viveram o que vivemos. Espero, no entanto, a cada dia com maior expectativa aquilo que há guardado para nós num futuro que não sabemos quando virá.

Exorto-lhe para que volte a viver junto ao Pai. Não sei se tem respeitado princípios bíblicos, mas de toda forma quero lhe lembrar de que eles são uma proteção de nosso Senhor à nossa carne animal que só age segundo seus próprios desejos. Admoesto-lhe para que se arrependa de algo que lhe cause incomodo e lhe provoque, não permitindo que se esqueça Daquele com quem viveu por anos e anos. Cuide para que as vãs filosofias não o façam presa.

Todos que um dia estiveram conosco sempre se preocupam sinceramente com você. Eles não só se preocupam como também torcem para que tudo lhe vá bem naquilo que tem escolhido. Lembro-lhe que se quiser  plantar rosas que vá à terra fofa e não ao frio gelo, muito menos à rocha – lugares que deixam a terra imprópria ao plantio. Enviei-lhe agricultores dessa terra e você não lhes respondeu. Não torno a os enviar para não forçar nada, só reafirmo que estão lá à sua disposição.

Continuo a orar ao nosso querido Senhor que tanto tem nos amado para que sua graça permaneça sobre você e ainda voltemos a caminhar juntos aquele Caminho que um dia conhecemos. Não escrevo mais porque as palavras, por mais numerosas que sejam, jamais serão capazes de descrever quanto sinto sua falta, quanto quero continuar a caminhar contigo e, principalmente, quanto nosso Senhor ainda o ama e lhe aguarda. No nome de Cristo, que o Pai desse amor lhe guarde hoje e sempre, amém e amém.

Sinceramente, seu amigo.

Todos nós temos um amigo que caminhou com a gente um tempo e deixou de lado a fé. Talvez até mais de um amigo.