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Do absurdo à obediência – #5 solitude

Hoje abro espaço para um grande amigo e companheiro de Outras Fronteiras, Rafael Freitas. Ele me acompanha desde os primeiros passos na vida com Deus, em 2002.  Desde então tem me ensinado com suas palavras e sua vida o que é ser seguidor de Jesus. Pedi a ele que escrevesse para a série de posts sobre disciplinas espirituais, sobre solitude, e ele nos brinda com este texto simples e profundo que segue abaixo. Boa leitura!

Um homem cansado, exausto e perseguido.  Assim estava Elias, após vencer uma grande guerra contra os profetas de Baal. Não conseguia ter sossego, pois seus inimigos (Acabe e jezabel) eram implacáveis perseguidores do Profeta de Deus.

É neste contexto que Deus pede que Elias se retire para o monte Horebe, onde teriam um encontro de amigos. E a bíblia narra o momento em que Elias percebe que Deus havia falado.

1 Rs 19.9-13

Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto.Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve o murmúrio de uma brisa suave…E uma voz lhe perguntou: “O que você está fazendo aqui, Elias? 

Não no vento.

Não no terremoto.

Não no fogo.

A voz do Senhor numa brisa suave, que alguns acreditam ser o próprio silêncio. Este mesmo, que temos tanta dificuldade em experimentar. Estamos cansados, exaustos, pressionados. E esperamos a manifestação de Deus em meio a tanto barulho.

Um absurdo! Vidas absurdamente barulhentas!

Na palavra absurdo, encontramos a palavra latina “surdus” que quer dizer “surdo”. Quando porém experimentamos a brisa suave, nos retiramos para o silêncio, aprendemos a obedecer a Deus. Sabe porque? Porque a palavra “obediencia” vem da palavra latina “audire”, que quer dizer “ouvir”.

Sabe o que Deus tentou fazer com Elias?

Tentou fazê-lo mudar de um momento de sobrecarga, preocupações e ocupações barulhentas, para um momento de espaço interior disponível para ouvir a Deus e seguir suas orientações. Do absurdo à obediência, da surdez aos ouvidos atentos à brisa suave.

Que seus ouvidos o conduzam à obediência! E que você fique surdo apenas para o absurdo.

Abraços

Os demais textos da série podem ser lidos aqui: leituraoraçãomeditação e memorização.

Disciplinas espirituais – #4 memorização

A memorização consiste em gravar na mente versículos e passagens bíblicas. Não é decorar, porque decorar pressupõe algo de grande volume, mas guardado por pouco tempo. Mas por que memorizar se o texto está disponível todo o tempo na Bíblia para consulta? Listo dois motivos que considero importantes:

  1. Porque edifica a nós mesmos. Está escrito para termos o pensamento nas coisas que são do Alto. Ter a Bíblia na memória é uma excelente forma de fazê-lo.
  2. Porque edifica a Igreja. Quando se vai exortar ou admoestar alguém é melhor falar do que é certamente bíblico do que falar frases soltas da mente.

Aprendi que é melhor memorizar passagens inteiras do que apenas versículos. O cuidado que se deve ter com isto é o de não memorizar textos fora de contextos, e dar uma interpretação equivocada ao que está escrito na Bíblia. Teríamos, se assim fosse, um resultado diferente do que se busca.  Memorizar um texto inteiro ajuda, inclusive, no entendimento do que foi memorizado.

Vários são os métodos que podem ser utilizados para memorização. Existem aplicativos para celulares e tablets. Outros preferem o tradicional lembrete anotado em um pedaço de papel e colocado junto ao celular ou no bolso, de maneira que possa ser visto várias vezes ao longo do dia. Eu gosto de escrever várias vezes o texto como maneira de memorizar.

Não tenho muitas passagens guardadas em mente. Tenho um grande desafio que já dura alguns anos – memorizar toda a carta de Filipenses. Consegui ir até o versículo 11 do capítulo 2, mas a tarefa anda um pouco devagar já tem um tempo. Sinto que não tenho memorizado mais por não acreditar na real importância que a memorização tem. Com isto, acabo priorizando outras atividades no dia-a-dia e não dedico tempo necessário para o progresso na memorização.

Deixo o link na versão android e versão iOS para um aplicativo que já usei e pareceu bom à época. Se você tiver uma tática ou algo interessante a respeito não deixe de acrescentar nos comentários.

Este post faz parte da série sobre disciplinas espirituais e você pode ler os textos nos links leituraoração meditação.

A ideia de escrever este post é me desafiar e desafiar você a memorizar passagens bíblicas e, com isto, auxiliar no nosso crescimento espiritual. Hoje oro a Deus para que nos ajude neste desafio.

Forte abraço!

Disciplinas espirituais #2 – oração

A oração é uma conversa com Deus a respeito daquilo que estamos fazendo juntos.

Dallas Willard

Na última terça-feira iniciei uma série de posts sobre disciplinas espirituais e a relação com Deus através delas. Escrevi sobre leitura. Hoje dou continuidade escrevendo sobre oração.

Aprendi que a oração, junto à leitura, é o pilar do relacionamento com Deus. Se com a leitura conhecemos a Deus, com a oração nos fazemos conhecidos por ele. Nos colocamos com nossos pedidos egoístas, com nossa compaixão pelo outro através da intercessão, somos gratos e glorificamos a Deus.

high-five
Isto é um high five que você faz com Deus ao orar, não o símbolo de oração nos teclados de smartphones.

Durante parte da minha caminhada com Cristo questionei sobre a necessidade de orar a um Deus onisciente. “Se ele já sabe, por que orar?”. Descobri logo depois que a oração é permitir que Deus trabalhe na minha vida e participar deste trabalho junto com ele. “Mas se ele já sabe de tudo e ainda tenho pedido para que ele cuide, por que nem todas as minhas orações são aceitas?”. Fui ensinado pelo amigo Selmão que Deus não é o responsável pelo mal que há no mundo, que desde a queda da humanidade pelo Pecado tudo tende ao caos e que Deus tem trabalhado pelas pessoas e pelo seu bem, apesar do mal. Tem ainda outra questão envolvida nesses pedidos sem resposta. Meu amigo Martins brinca ao dizer que Deus tem quarto respostas básicas aos nossos pedidos: “Sim”, ” não”, “espere um pouco” e “você está me’ zuando’, né?”. Concordo com ele que há pedidos que aparentam espiritualidade profunda e que na verdade escondem exigências egoístas dirigidas a Deus. Reconheço, ainda, que não sei tudo sobre o assunto e que para mim há pedidos sem respostas em que o aparente silêncio de Deus é incompreensível. Nesses casos eu simplesmente continuo a orar.

Por algum tempo acreditei que era minha oração que fazia com que Deus agisse naquilo pelo qual orava. Mudei de visão com a resposta do Dallas Willard que coloquei no início do post: quando oro concordo com Deus a respeito de algo que ele já vai fazer. É muita prepotência crer que Deus vive parado em estado de inércia e só se coloca em movimento em função dos meus pedidos. Orar é ter o privilégio de tentar entender o que Deus faz e perceber esta ação dele no nosso cotidiano. Ação esta que poderia passar despercebido.

Tenho por hábito orar pela manhã. Penso que assim começo meu dia pelo que há de mais importante nele, minha relação com Deus. E entrego em suas mãos tudo o que poderia me deixar angustiado ao longo do dia. Com a paz que excede todo entendimento tenho forças para encarar as batalhas do dia que se seguirá. Confesso que tenho dificuldade com sono. Muitas vezes acordo já na hora de ir para o trabalho e não consigo ter o tempo de oração com a qualidade que gostaria de ter. Como enfrento a mesma dificuldade pela noite ao deitar, prefiro manter o tempo pela manhã. São muitas coisas pelas quais orar caso esteja realmente interessado em contar tudo o que se passa na minha mente e no meu coração para Deus. Assim, aprendi que dividir em assuntos é uma ótima maneira de orar por tudo sempre é com tempo razoável para cada uma delas. Meu critério de divisão são as prioridades da minha vida pelos dias da semana. Na segunda-feira oro pela relação com Deus, na terça pela família, na quarta pelo trabalho, na quinta pela minha namorada, na sexta pelo ministério que quero ter com Deus e pessoas, no sábado pelos amigos e domingo tenho oração livre. Não que seja livre somente domingo. Em outros dias da semana também oro livremente, mas procuro lembrar destas prioridades e orar por elas. A divisão ajuda muito, mas traz em si um perigo. É necessária disciplina. Caso deixe de orar algum dia da semana por alguma prioridade, só oraria por ela na outra semana e ficaria 15 dias sem conversar com Deus sobre aquilo, o que para meus padrões é muito tempo.

Concluo com meu pedido de oração: que Deus nos ajude nas nossas dificuldades em orar.
Deixo o link do post da semana passada sobre leitura e um post antigo que escrevi sobre oração.

Disciplinas espirituais #1 – leitura

Começo hoje uma série de posts sobre disciplinas espirituais aqui no blog. Aprendi no início da minha caminhada com Cristo que as disciplinas são maneiras pelo meio das quais posso estabelecer e aprofundar minha relação com Deus. Por meio da oração, leitura, estudo da Bíblia, solitude, memorização de versículos e passagens, escrita, jejum e o que mais for considerado disciplina espiritual acrescenta nesta agradável tarefa de tentar me tornar mais amigo de Deus. A ideia da série de posts não é escrever tratados sobre o assunto. Alinhado com o tema do Blog, quero sair um pouco da correria do dia-a-dia e compartilhar o que tenho pensado, vivido e sonhado a respeito da minha relação com Deus. Hoje, para começar, quero falar de leitura da Bíblia.

leitura_biblia

A leitura da Bíblia é o meio pelo qual busco conhecer i) quem é Deus; ii) o que ele quer de mim; e iii) o que ele tem para mim. Quando leio a respeito de como os patriarcas do Antigo Testamento se relacionaram com Deus, quando vejo os desígnios dele para seu povo, ou quando vejo a relação dele com Jesus, por exemplo, tenho para o modo como Deus pensa. Por meio das instruções dadas, sobretudo por Jesus, passo a saber para qual caminho devo tentar levar meu coração e minhas atitudes. Quando estou mal, por meio da leitura, sei quem é Deus e o que ele pensa sobre minha salvação (dentro dos seus conceitos). A leitura é o canal de comunicação com o qual melhor consigo ouvir a Deus no cotidiano.

Durante boa parte da minha vida cristã entendi que a leitura ideal era a de cinco capítulos diários. Poucos foram os tempos em que consegui atingir e manter constante esta meta. O que era para ser algo prazeroso acabava por se tornar um peso para mim. Com o tempo as coisas foram mudando. Hoje fico feliz com três capítulos por dia. Hoje, porque já tiveram fases em que um simples capítulo diário já era o bastante para me fazer próximo de Deus. Há pouco tempo descobri que uma amiga minha que tem uma relação muito profunda com Cristo passa por períodos em que lê apenas dois versículos por dia. De maneira contrária, tenho outro amigo que não conseguia aprofundar a relação com Deus por meio da leitura porque lia dez ou mais capítulos num único dia, o que para ele era algo ruim. Não há um padrão a ser seguido. A leitura, aprendi, deve ser feita da maneira como parecer melhor ao leitor.

Apesar da sua importância para minha relação com Deus, ainda não consigo ler todos os dias. A preguiça tem me acompanhado ao longo dos anos. Minha meta para este ano é me manter constante naquilo que estiver planejado.

E você, como vê as disciplinas espirituais? O que acha delas? Como é sua leitura? Compartilhe conosco!

Por fim, disponibilizo neste link um plano de acompanhamento de leitura da Bíblia para quem deseja lê-la por inteiro. Este plano foi elaborado pelo meu amigo Doug (Davidson Guimarães) e tem ajudado muito. Para incluir nova leitura basta clicar em “salvar leitura” e preencher os campos.