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Deus… Palpável?

Desde o meio do ano passado faço parte de um Núcleo de alunos na UFMG que presta serviços a empresas incubadas. Um dos pontos mais significativos dessa organização é o perfil de participantes e aquilo que chamamos de “cultura interna” e que notamos que é importante fortalecer e preservar.

Pensando sobre o assunto cheguei a algumas conclusões: precisávamos definir o que seria aquela cultura, precisávamos de representações gráficas, ilustrações, dias para celebrar alguns aspectos culturais, etc.

Precisávamos de alguma forma tornar aquilo tudo mais palpável. Assim, discutimos coisas sobre o Dia do Feedback, formalização dos valores do Núcleo e um Manual de Boas Práticas.

A necessidade de criar no mundo material o mundo abstrato não é, aliás, nova. A Bíblia nos mostra diversas situações em que os homens precisavam de algum referencial material e “mágico”.

Rob Bell nos lembra na introdução do livro Deus e Sexo da história de Jacó em “determinado lugar” que se tornou Betel, a Casa de Deus. Ele, por iniciativa própria, marca o lugar onde dormira e sonhara com Deus com uma pedra que serve de memorial por muitos anos.

O Antigo Testamento passa e muitos são exemplos da materialização do invisível: Moisés tira as sandálias na terra sagrada próxima à Sarça Ardente, Deus instrui o povo na contrução da Arca do Testamento, o Tabernáculo, o Templo com todos os seus detalhes e utensílios e por aí vai, surgem os feriados, os Sábados do Senhor.

O ser humano precisa tanto desta materialidade que Deus estabelece limites claros para isto, proibindo a confeção e adoração de ídolos como se fossem poderosos por si mesmo.

E com o desenrolar da história humana tivemos a maior de todas as materializações: Aquele que estava com Deus e era Deus tornou-se carne e viveu entre nós. Desta vez não se tratava de uma representação, um paradigma ou interpretação de algo não-palpável. Não: o imaterial passara a ser tangível.

Jesus morreu e depois seu corpo físico foi ressurreto, o que significa dizer que, de fato pôde ser tocado novamente, e o foi, pelo célebre incrédulo de nome Tomé.

Antes porém de subir aos céus, na bem verdade antes mesmo de ter morrido ele nos deixou uma última representação material e ainda assim não-sacra daquele que vive eternamente.

Um símbolo da morte, da carne, do sangue, do amor. Da ressurreição, da glória e do poder. Da singela comunhão.

Deus conosco. Nós com nossos irmãos.