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Tem lugar?

Em João 8 vemos uma discussão de Jesus com homens que haviam sido despertados para um crença inicial em Jesus. O papo segue de forma direta e dura entre Jesus e eles. O que está em jogo? A filiação ao invés da escravidão. Jesus estava chamando aqueles homens a se tornarem filhos ao invés de escravos. Me parece que a reação foi de se sentirem ofendidos, pois tinham grande orgulho de sua história de liberdade. Jesus não recua, e diz que a liberdade não estava na história deles mas no fato do Filho (ou seja , Ele mesmo) trazer libertação. Eles precisavam de deixar de lado sua história, sua religiosidade, todas as situações em que poderiam bater no peito para se gabarem. Eles precisavam se entregar para um relacionamento libertador com o Filho. Nesse momento Jesus dá o diagnóstico do problema: “… porque em vocês não há lugar para a minha palavra” (V.37b).
O coração e a mente deles estavam cheias de outras palavras…
suas histórias de vida…
Seus jargões religiosos…
Filosofias…
hábitos…
cultura…
Talvez todas essas “palavras” falaram mais alto que a palavra de Jesus. E isso fez com que uma crença inicial fosse morta ainda na concepção.
Com toda a sinceridade… a palavra de Jesus tem lugar em sua vida?
Que palavra tem tido lugar em sua mente? Filósofos, artistas , amigo popular , presidente do seu time de futebol, psicólogos …
Tem lugar para as palavras de quem te conhece e te ama como ninguém?

Tem lugar?

Abraço e até a próxima

Pais da Igreja – Gregório de Nissa

Gregório, irmão de Basílio (sobre quem falei no último post), nascido por volta de 335. Se tornou bispo de Nissa e um importante teólogo da Igreja. Foi protagonista do Concílio de Constantinopla que, em 381, definiu a divindade do Espírito Santo. Não sabemos a data de sua morte, mas durante a vida deixou uma marca muito forte na Igreja. Talvez o ensino mais forte dele como teólogo seja: “não desperdiçar a vida em coisas vãs, mas encontrar a luz que permite discernir o que é verdadeiramente útil.”

Encontrou essa luz em Cristo e ensinava muito sobre o fato de nos tornarmos como nosso Senhor e Salvador.  Para ele, a realização do homem consiste na santidade, em uma vida vivida no encontro com Deus, nos ajudando a refletir a luz para os outros e para o mundo. Essa vida de tornar-se semelhante a Cristo era atingida através do amor, do conhecimento e da prática das virtudes.  No entanto, esse processo não é obra nossa, mas o resultado do agir gracioso de Deus. Portanto, segundo ele, “não se trata de conhecer algo de Deus, mas de possuir em si a Deus.”

Esse é o verdadeiro caminho, o verdadeiro milagre … Deus em nós!

Quantas vezes tentei, como minhas próprias forças e meus dons, ser mais parecido a Cristo! Tenho pena das vezes em que cai na armadilha da religião humana (aquela que me chama a negar a graça e me leva a tentar ser meu próprio salvador). Como esse mecanismo religioso ainda atua em mim. Como é difícil compreender a graça e confiar que o Deus em mim é quem continua me salvando e me fazendo uma pessoa mais parecida com Cristo.

Como vai a santidade em sua vida? Quem é o verdadeiro agente de transformação do seu ser?

 

Abraço e até a próxima!

 

Pais da Igreja – Clemente de Alexandria

Mais um grego que se tornou cristão e difundiu o evangelho em meio a filosofia. Nasceu em Atenas e, ainda jovem, foi para Alexandria, onde aperfeiçoou o diálogo entre fé e razão no seio da tradição cristã.  Durante uma perseguição (202-203), se refugiou em Cesareia, onde morreu em 215.

Deixou três importantes escritos, seus escritos demonstram a sua preocupação.  Esses escritos talvez constitua uma trilogia do crescimento e amadurecimento cristão. Primeiramente o “Protréptico”, termo que significa exortação. Nesse escrito temos uma exortação do autor para aqueles que estão iniciando e buscando o caminho da fé. Segundo ele, Jesus é o nosso maior exortador rumo a verdade, e a própria verdade.

A seguida temos o “Pedagogo”, isto é , o educador. Livro destinado para aqueles que já estão no caminho e precisam serem ensinados a respeito da vida. Mais uma vez temos Jesus como o grande educador.

Por fim, o “Estrômata”, palavra grega que significa tapeçaria. Que são um conjunto de ensinamentos mais profundos da vida, tendo Jesus como o grande mestre. É a arte de unir o conhecimento fragmentado sobre a vida.

Exortação para o inicio da caminhada…

Educação para a caminhada …

Entender a vida como uma tapeçaria, conseguir enxergar a obra em meio aos pequenos fios…

Em que fase de vida você está?

Você tem, em Cristo, seu exortador, seu educador, seu tapeceiro?

Que possamos questionar nosso crescimento, nosso amadurecimento , tendo como ponto de partida Clemente!

Abraço e até a próxima!

No olho do furacão

Em tempos de crise nossa fé costuma ser colocada à prova.

Quando as coisas não dão certo, quando o destino nos feri com um duro golpe ou quando sentimos fraquejar diante de uma rocha aparentemente intransponível.

Decepcionado, estressado, desfalecido, deprimido.

Quando o que temos é medo e passamos a duvidar de nós mesmos, e Deus parece distante, mudo, dorminhoco, ausente, ou pior, parece inexistente.

Nosso país vive tensão, crise. Milhares de pessoas sem emprego, empresários tensos, à beira da falência. Estamos com medo de caminhar.

Uma das minhas passagens preferidas é Mateus 14:22-33.

“…Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.
E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?…”

Essa passagem é uma das minhas preferidas porque já estive afundado, impotente diante da força do destino. Fracassado, derrotado, decepcionado com Deus.

Tenho convicção que fui reerguido pela mão de Cristo e de sua “igreja orgânica”. Fui resgatado, salvo, renovado em meio às lágrimas. Encontrei-me mais forte e destemido. Confiante no meu Deus e na vida que Ele me deu.

Pedro perdeu o foco. Seus olhos não estavam mais em Cristo e sim, no forte vento, então sentiu medo e duvidou dele mesmo.

Todos nós podemos sentir o vento, mas onde está o seu foco? A sua bíblia encontra-se empoeirada? Os seus joelhos encontram-se dobrados para oração? Onde está o seu coração e a sua esperança?

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” Habacuque (3:17-18)

Cooperador de Cristo.