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Estudo de Namoro

Nesse último feriado, tivemos estudo de namoro aqui em Brasília. Cerca de 20 jovens reunidos com as Escrituras abertas, desejando discernir como poderíamos agradar a Deus com a nossa sexualidade. Falamos sobre vontade de Deus, pureza moral, namoro, casamento… O assunto é sempre de total interesse para cada jovem que participa do estudo.

Não foi a primeira vez que dei esse estudo. Aqui em Brasília, sim! Mas já havia feito várias vezes em BH com diversos grupos. O que foi novo dessa vez, foi o pensamento que me ocorreu no final do estudo. Houve uma época da minha vida (não muito distante) em que eu duvidei e questionei cada um dos princípios desse estudo. Eu estava incrédulo. Lembro-me do estudo de namoro que aconteceu, por exemplo, no final de 2013 com uma turma em Belo Horizonte, em que eu falava sobre todos estes conteúdos sem acreditar neles! Ninguém sabia disso, mas a sensação é a pior que existe. Eu parecia (ou talvez estava sendo mesmo) um grande hipócrita.

Era uma fase da minha vida em que eu estava em crise. Abandonara algumas convicções. Lembro-me de sentir Deus dizendo coisas do tipo: “Muito legal o estudo, Edu! Porém, estou torcendo para chegar o dia em que você vai voltar a crer em tudo o que está ensinando.”

Deus foi paciente comigo. Ele me esperou voltar. Permitiu que eu vivesse a crise, mas sempre desejou que eu voltasse.

Na crise é sempre assim… Alguns princípios que antes eram inerentes, são abandonados. Ou pelo menos deixados em “stand by” por um tempo.

Foi simplesmente sensacional poder perceber meu coração totalmente mudado diante deste mesmo estudo aqui em Brasília. Ninguém sabia disso, mas a sensação era a melhor que existe.

Quais princípios você já viveu um dia, mas abandonou durante sua caminhada por alguma razão?

Você já sabe pelo quê Deus está torcendo, né?

Um grande abraço!!!

Continue lutando

O papo estava sendo difícil. Havia mais um alguém imerso na crise. Mais um porque muitos, senão todos, são abraçados por ela algum dia. Ela, a crise, quando chega, não avisa que vem. Instala-se sem pedir licença. O coração, nessa hora, é invadido de angústias, dúvidas e torna-se uma instabilidade só. Qualquer movimento é perigoso. E crise, por consenso, é sempre ruim! Alguns até argumentam que ela produz coisas boas, mas a crise em si, não pode ser boa. Seria o mesmo que dizer que o câncer é algo bom porque faz as pessoas darem mais valor à vida. Mas a pior das crises, sem dúvidas, era a que estava conosco à mesa naquela noite de terça-feira. Crise com Deus.

Não sei se você tem familiaridade com essa realidade humana, mas ela é mais comum do que imaginamos. Acredito que o fato de trabalhar com pessoas no ministério, talvez me faça lidar mais de perto com isso. Não é preciso estar com pessoas para entender sobre crise com Deus. Basta olhar para a nossa própria e, para alguns de nós, ela já se manifestou algumas vezes.

Nessa hora, o que fazer? Confiar, alguém dirá. Mas confiar de que jeito, se tudo o que me falta é confiança? É o momento na vida em que todas as coisas cooperam para que você jogue tudo para o alto. O problema é que jogar tudo para o alto tem consequência e, algumas coisas irão, muito provavelmente, se quebrar.

A opção que sobra parece ser de uma confiança cega. Não enxergamos nada, estamos cheios de dúvidas e, ainda assim, confiamos. E não há maneira mais explícita de revelar nossa confiança do que através da obediência.

“Também através dos teus juízos, SENHOR, te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma.” (Is.26:8)

Foi assim que terminou o papo. Sem muitos esclarecimentos. Apenas um pedido, quase um rogo.

“Continue lutando, amigão! Por favor, continue lutando!”

Um grande abraço!!!

Do camarim para o palco

Encontro marcado. A razão é que havia um papo bastante necessário. Papos necessários eram raros entre nós. Sempre que encontrávamos, a amizade e o partilhar a vida fluíam naturalmente. Dessa vez, não!

Almoçamos e o “start” fora dado. Eu comecei a ouvir aquilo que eu nunca imaginara, pelo menos vindo dessa pessoa!

Crise! Eu tô cansado de esconder o que tá acontecendo aqui dentro. Preciso falar! Você e as pessoas, olham para a minha vida e acham que está tudo certo, mas não… Há muita coisa que tenho carregado e que está me fazendo questionar tudo o que eu tenho vivido como cristão!

Estava inaugurado o papo. Alguém que, ao longo dos anos, havia construído (pelo menos para mim) a imagem de um cristão “inabalável”, agora estava em crise. Eu precisava ressignificar a minha imagem, porque o termo “inabalável” já não o descrevia tão bem.

A crise era gigantesca. As perguntas que antes estavam no “camarim do coração”, começaram a se apresentar no “palco da vida”, porque a boca fala do que o camarim tá cheio.

Por que a porta é tão estreita? Por que a vida cristã é um convite para negar o que é natural? Por que tantas privações? Por que são tantos os nossos rituais (Reunião, reunião e mais reunião)? Por que viver com Cristo parece atrapalhar meu plano de carreira? Por que alguns cristãos ficam com um “medinho medíocre” de pensar? Por que ler a Bíblia já não é mais prazeroso? E a tal da volta de Cristo (já são mais de 2000 anos)? Por que a diferença da influência de Jesus no mundo ocidental e no mundo oriental? E o que falar das atrocidades promovidas por Deus no Antigo Testamento? E a influência da cultura naquilo que chamamos de princípios atemporais? Será que daqui a 200 anos, os cristãos da geração futura vão viver exatamente como eu vivo, ou a cultura nos define bem mais do que a gente quer admitir? E esse papo sobre a Grande Comissão e a responsabilidade de anunciar o Evangelho? Se a coisa que eu mais abomino é ser inconveniente com alguém, por que eu preciso lutar para que as pessoas mudem para a “minha” verdade (Porque nós, cristãos, somos aqueles que afirmam que temos a verdade nas mãos)? Por que eu fui abordado na rua por um cristão que resolveu me evangelizar e, ao dizer que eu já era cristão, ele parece não ter dado a mínima para o meu comentário e começou a empurrar o Evangelho goela abaixo? Eu não tive muito tempo para pensar na vida, muito menos vivê-la! Aceitei a Cristo muito novo. E se tudo isso foi uma grande lavagem cerebral?

O papo havia sido realmente necessário! Eu subi na minha moto e não conseguia parar de orar por aquele amigo, enquanto voltava para minha casa.

A sensação era de que uma velha e antiquada estrutura estava sendo completamente rasgada. Aquele meu amigo tão “inabalável” não poderia continuar a mesma pessoa. Porque ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo exige odres novos! Sempre.

“Tô sentindo que o Senhor tem coisas novas para ele, Deus! Ele acha que tudo isso é uma grande lavagem cerebral, mas vai ser maravilhoso brindar com alegria a delícia do bom vinho que vem por aí…”, orava o autor do post, enquanto dirigia sua moto.

Um grande abraço!!!

Esse post é uma singela homenagem ao meu amigo em crise! Eu continuo orando (todo o tempo) pela sua vida, meu jovem! A gente podia comprar taças novas, hein? Hehehehe.

“Cartas a um cristão como eu” #1

Belo Horizonte, 25 de Abril de 2015.

Caro Ed, fiquei feliz em receber a sua correspondência, e mais feliz ainda em perceber em você o interesse de debater sobre as suas dúvidas, angústias e tribulações.

Em primeiro lugar gostaria de lembrar-lhe das palavras do nosso Mestre, quando diz que aquele que ouve a Suas Palavras e as pratica é como um construtor prudente, que edifica sobre a rocha a sua casa, em que vindo ventos, chuvas e tempestades ela permanece de pé. Pelo que sei você conhece a Palavra, conhece o Mestre e sabe o que Ele espera de você. Apegando-se ao que você já ouviu Dele acredito que esta será apenas mais uma das várias tempestades que tormentam a sua fé.

Creio que sua tendência melancólica e nostálgica te atrapalha muito quando se trata das suas crises de fé, que conforme você mesmo disse, são muitas. Pelo que você me escreveu, tudo indica que você deseja reviver as boas fases do passado, enquanto creio que Deus deseja lhe mostrar novas e maravilhosas coisas. “Prossiga para o alvo, rumo ao prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus”.

Quanto aos questionamentos, acredito que eles esbarram de novo no seu temperamento, e mais uma vez lhe digo para estar em alerta. A melancolia lhe deixa cabisbaixo, e a nostalgia te leva a duvidar do presente e do futuro!

Pense comigo: o mundo mudou. Mudou socialmente e culturalmente. Até mesmo dentro da diminuta fatia de tempo em que você confessa a fé cristã houveram mudanças. Sim, em 10 anos muito da nossa cultura e sociedade mudou. Eu e você também mudamos, Ed. E muito! Mas ao longo das eras, das décadas e dos anos duas coisas permanecem intactas: Deus e o Ser Humano.

Deus é imutável, Único. Ele próprio afirma isso nas Escrituras (se bem que alguns colocam em cheque essa ideia, e podemos discutir sobre isso em outra ocasião). O Ser Humano, apesar de todas as diferenças de comportamento, também continua, em seu íntimo, a mesma criatura: criada, amada, decaída e desejosa de estar de novo na presença do Criador. Os anseios,  o cerne, o centro do Ser Humano permanece intacto.

Acho que partindo do pressuposto de que Deus e o Homem são ainda os mesmo podemos responder à sua pergunta. Sim, Jesus Cristo convém à época atual! Ele não perdeu o brilho, a majestade, o sentido e o propósito. Ele continua tanto interessante quanto ESSENCIAL para a alegria e realização humana. Afinal, sem Ele é impossível chegarmos a Deus!

Ao ser humano que continua vivendo em trevas, sem um propósito claro para a sua existência, Ele afirma: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. Ao homem que continua vivendo vazio, com a alma gritando de fome, em uma existência sem sustento e vida, Ele declara: “Eu sou o Pão da Vida; o que vem a mim jamais terá fome; o que crê em mim jamais terá sede”. Ao Ser Humano que se sente solto, desolado em um mundo cheio de perigos, sem alguém que se importe e que lhe cuide, Jesus diz: “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas”. E àquele (no caso, todo) ser humano que busca algo que ainda não conhece afim de satisfazer todos os desejos do seu coração e se encontrar no lugar onde foi criado para estar, o Mestre afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Ed, os títulos de Jesus são atemporais, e não importa em que época estamos, Ele continua sendo o Primogênito de toda a Criação, Aquele pelo qual podemos satisfazer por completo a nossa alma.

Espero que eu tenha lhe ajudado.

Com carinho, Dudu Mitre.

No olho do furacão

Em tempos de crise nossa fé costuma ser colocada à prova.

Quando as coisas não dão certo, quando o destino nos feri com um duro golpe ou quando sentimos fraquejar diante de uma rocha aparentemente intransponível.

Decepcionado, estressado, desfalecido, deprimido.

Quando o que temos é medo e passamos a duvidar de nós mesmos, e Deus parece distante, mudo, dorminhoco, ausente, ou pior, parece inexistente.

Nosso país vive tensão, crise. Milhares de pessoas sem emprego, empresários tensos, à beira da falência. Estamos com medo de caminhar.

Uma das minhas passagens preferidas é Mateus 14:22-33.

“…Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.
E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?…”

Essa passagem é uma das minhas preferidas porque já estive afundado, impotente diante da força do destino. Fracassado, derrotado, decepcionado com Deus.

Tenho convicção que fui reerguido pela mão de Cristo e de sua “igreja orgânica”. Fui resgatado, salvo, renovado em meio às lágrimas. Encontrei-me mais forte e destemido. Confiante no meu Deus e na vida que Ele me deu.

Pedro perdeu o foco. Seus olhos não estavam mais em Cristo e sim, no forte vento, então sentiu medo e duvidou dele mesmo.

Todos nós podemos sentir o vento, mas onde está o seu foco? A sua bíblia encontra-se empoeirada? Os seus joelhos encontram-se dobrados para oração? Onde está o seu coração e a sua esperança?

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” Habacuque (3:17-18)

Cooperador de Cristo.

E quando eu menos esperava…

Essa semana terminei de ler, mais uma vez, o fantástico livro de Jó! A maioria de nós conhece a história. Jó perde praticamente tudo o que tinha: filhos, filhas, posses, saúde… Sua mulher o incentiva a amaldiçoar a Deus e morrer! Ele permanece fiel, mas entra numa crise ao tentar explicar tudo o que havia ocorrido com ele.

Fiquei pensando se, muitas das nossas crises, não se estabelecem pelo fato de querermos explicar algumas coisas que não cabe a nós explicá-las. A deidade humana é tão grande que, quereremos a “onisciência” de Deus! Mas não é sobre isso que quero falar…

Você se recorda, exatamente, do que estava acontecendo na hora em que Deus restaurou toda a sorte de Jó e lhe deu em dobro tudo o que ele tinha?

Vou refrescar a sua memória…

“Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuía.” (Jó 42:10)

Quando Jó resolveu tirar os olhos do seu próprio sofrimento, das suas dores e dos seus dilemas, Deus fez. Quando concentramos nossa atenção nos outros e nos preocupamos com as necessidades deles, podemos estar certos de que nos colocamos no centro da vontade de Deus. E, alicerçados na vontade de Deus, já descobrimos que todas as coisas são boas, perfeitas e agradáveis. É assim, no Reino de Deus!

“Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.” (I Co.10:24)

Aonde você tem fixado os seus olhos?

Que Deus nos ajude a sermos libertos da doença de acharmos que somos o “centro do mundo”! E quando menos esperarmos, Ele derrame um monte de coisa boa sobre nós. Que assim seja!

Grande abraço!!!

A volta

Foram praticamente 4 meses de silêncio. Período importante, de muito crescimento. Eu estava confuso, em meio a crise e tudo o que eu mais desejava era ouvir a voz do Pai. Em meu último post, expressei o desejo de entrar para dentro da minha própria “caverna”. Foi o que fiz.

Tenho novidades trazidas de lá (da caverna). Ao avaliar minhas angústias, meus sofrimentos, minhas lamentações, meus anseios, meus sonhos e as razões mais profundas da minha crise, algo parece ter ficado bastante claro: meu ego é muito maior do que eu imaginava!

Fui conscientizado de que, no dia que entreguei minha vida para Cristo e me tornei cristão, não era Jesus quem estava entrando para a minha história. Eu estava entrando para a história Dele. Em uma, o protagonista da história era eu. Na outra, o protagonista era Cristo. E isso faz total diferença.

Todas as vezes que desejarmos tornar célebre o nosso próprio nome(Gn.11:4), o resultado será confusão, dispersão e crise! Foi assim com a história de Babel. É assim até hoje.

“Todo ser que respira louve ao SENHOR”, diz o último versículo do livro de Salmos. É assim que Deus determinou e é assim que tem de ser. Quando o nome Dele é colocado no seu devido lugar, as crises se dissolvem, a visão desembaça e o espírito fica em paz…

Foi isso que aprendi enquanto estive na caverna.

Saio de lá um pouco mais consciente de quem eu sou e mais consciente de quem Ele é. Talvez isso explique o versículo que não sai da minha cabeça e que luto para guardá-lo pra sempre, também no coração:

“A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.” (Ef.3:8)

Estou de volta, com uma vontade enorme de ser usado por Deus para anunciar as riquezas contidas Nele!

Que venham novos posts, novos desafios e qualquer projeto que me seja dada a oportunidade de anunciar aquilo que é eterno!

Um grande abraço!!!

pra mim, pros outros

Hipocrisia nao é uma palavra nova na historia.

“A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico).”

Hipocrisia é agir e pensar de uma forma, mas publicamente defender outra. Viver por padroes duplos. Faz parte de uma estratégia para manter uma imagem ou poder, algo do qual nao se quer abrir mao.

Nesse momento de crise economica, quanta coisa tem sido defendida por politicos e economistas e passada como “o melhor para a populacao”, “a unica alternativa para o pais”, quando na verdade estao pensando no que é o melhor para o seu bolso ou para a manutencao do seu poder politico. Medidas de corte, de recessao, que acabam com familias, destroem meios de vida, desesperancam os jovens.

Me pego pensando tambem em quantas vezes, na esfera pessoal, também transpareco ser algo que nao sou em prol do que quero aparentar ser. Meu padrao duplo que me faz julgar as pessoas com certos olhos e me avaliar a mim mesma com outros.

Como seria o mundo se vivêssemos pelo que falamos realmente ou se falassemos o que realmente pensamos? Como naquele filme “O Mentiroso”, com o Jim Carrey. Porque sim, se nem quando nos perguntam sem “tudo bem?” respondemos a verdade (a resposta automatica é sempre “tudo bem e você?”), quanto mais nos omitimos e nos escondemos quando os assuntos sao um pouco mais complexos.

Da crise econômica

Muito tem sido dito sobre a crise econômica. Muitos culpam a avareza individual dos banqueiros, dos corretores, dos investidores, dos funcionários das agências de regulação e das agências de avaliação dos ativos… Teriam sido eles avarentos? Não tiveram compaixão para com as pessoas para as quais venderam os ativos? Enganaram seus clientes? Onde estava a sensatez dessas pessoas que ganharam rios e rios de dinheiro e deixaram velhinhos sem aposentadoria, famílias sem casa, jovens sem emprego e com grandes dívidas…?

Sem querer tentar diminuir as coisas e as responsabilidades individuais, mas o mundo em que essas pessoas viviam, as pessoas com quem conviviam, as revistas que liam, as escolas onde estudavam, todos diziam exatamente a mesma coisa: que agindo daquela maneira, procurando aumentar os lucros e fazer o dinheiro rodar estavam favorecendo a si mesmos e aos que estavam a sua volta. Que a “avareza” individual, a busca pelo sucesso pessoal traria sucesso para a sociedade como um todo.

A história nos mostrou que não, que tudo o que fez foi criar mercados mais instáveis e compartilhar as perdas com aqueles mais vulneráveis. Mas antes ninguém se deu conta e mesmo agora muitos se recusam a admitir.

“Diga-me com quem andas e eu direi quem és”: andando naquele meio, era muito fácil ser mais um que jogava o jogo. Aqueles com quem escolhemos nos relacionar, aquilo que resolvemos escutar ou considerar correto tem muita influência no que seremos e em como viveremos nossa vida.

Não é facil ser justo estando na roda dos escarnecedores, mas você pode escolher se afastar dessa roda.

Proibida a entrada de pessoas perfeitas

“A despedida. O beijo. Lágrimas. ‘É melhor eu ir.’ Entra na sala de embarque, sem se importar em conter as lágrimas, que, já longe deles, correm soltas. Uma estranha se compadece e lhe compra uma garrafa de água. ‘Talvez isso te acalme’. Mal sabia que, quando estivesse de volta aquele aeroporto, já não haveria motivo para choro.”

Não, não vou repetir o post anterior. Gostaria de compartilhar com vocês um pouco da minha vida. “Ana, você acha que alguém está interessado?” Hum… Não. Mas acho que vai te interessar sim. Por favor, gaste alguns instantes aqui.

Às vezes nos sentimos sozinhos e engolidos pelos nossos próprios problemas e não nos abrimos com os outros. Pelo simples motivo de que muitas vezes sentimos que estamos sozinhos em um problema e que “ninguém vai me entender”, pelo contrário, “vai me julgar”. Mas não é assim, precisamos tomar consciência de que somos todos pecadores (Rm 3:23) e parar de achar que os cristãos à nossa volta nunca erram. Precisamos procurar os amigos, se abrir, confessar (Tg 5:16), nos fará muito bem! Conversei com uma pessoa recentemente que me apresentou exatamente esse ponto de vista e me partiu o coração pensar que, talvez se eu transparecesse melhor como sou pecadora, como eu erro, como eu faço burradas mesmo sabendo que precisava continuar olhando pra Jesus, essa pessoa tivesse me procurado para conversar mais cedo e talvez quem sabe a história dela pudesse ter sido um pouco diferente.

Todos nós temos as nossas fases de não pertencer a nem um mundo nem a outro. Eu já tive. De nos sentirmos perdidos. Mas eu quero te dizer, amigo, que isso muda. Coragem nesse momento difícil: se você permitir, Deus quer te tirar dessa. Não importa a(s) burrada(s) que você fez (muitas vezes sabendo que era burrada mesmo), as coisas podem melhorar, não se sinta a pior das pessoas. Você sairá dessa uma nova pessoa. Não desista de lutar contra tudo que quer te afastar de Deus, de uma vida nova ao lado dele. “Você sempre será amado“. Permita que Deus lute a batalha por você (porque na verdade só assim “nós” venceremos). Ore com todas as suas forças. Se você não tem forças para orar, peça a um amigo de confiança que ore por você e sei que ele terá o maior prazer.

“Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade? Tal persuasão não provém daquele que os chama. ‘Um pouco de fermento leveda toda a massa.'” (Gl 5:7-9)

Passei por um momento muito difícil no passado e um fragmento do que houve comigo é o trecho citado no início do post. 2008 foi um ano extremamente conturbado, pois coloquei em xeque diversas coisas que eram importantes para mim. Não soube lidar com questionamentos que surgiram e isso se traduziu em uma grande crise pessoal: não queria estar fisicamente longe de tudo aquilo que me confortava , i.e., família e namoro (bobinha eu achando que isso era o que de poderia me confortar completamente). Nesse cenário, a perspectiva do antes tão sonhado intercâmbio que eu iria fazer se tornou um pesadelo.

Mas fui, enfim. Aos trancos e barrancos. Como poderia ter sido melhor se eu tivesse conversado melhor, me aberto com meus amigos! Mas fui e tentei resolver as coisas “por mim mesma”. Aos poucos, Deus tomou a rédea da situação, mesmo sem que eu quisesse muito e as coisas foram mudando. Os novos ares foram benéficos. Deus colocou algumas pessoas muito especiais no meu caminho (Becky Pippert, meus amigos do Brasil e os novos de , GBU, Església de Verdi…) e foi mudando aos poucos sua direção. No processo, me machuquei, me conheci melhor e Deus me reergueu, de forma que estou aí outra vez. 😀

As minhas roomates, Libby (UK) e Rita (Portugal) na Església de Verdi, à qual íamos todos os domingos
Minhas roomates, Libby (UK) fazendo careta e Rita (Portugal) na Església de Verdi, à qual íamos todos os domingos.

Talvez somente com uma reviravolta na sua vida você acorde e as coisas mudem de verdade. Mas não se deixe iludir: as coisas podem mudar. Deus não quer sofrimento para a sua vida. E você não precisa pagar pelo que fez pra que tudo se acerte, há uma pessoa que já pagou por você (Rm5:8). Todos nós temos crises: não se cobre se você não é “perfeito”, como diz o manual. Na vida cristã é proibida a entrada de pessoas perfeitas. “Quem não tem pecado, que atire a primeira pedra” (Jo 8:7). Lembre-se disso nos momentos de crise e não deixe que a culpa te consuma.

Pra encerrar, deixo com vocês um trecho de Fôlego, de Tim Winton. Nesse trecho, uma ex-campeã de esqui frustrada fala a um jovem surfista sobre a adrenalina sentida por eles: “Quando você experimenta uma coisa diferente, uma coisa extraordinária, então é difícil desistir. O negócio toma conta de você. Depois, nada mais faz você se sentir do mesmo jeito” (pg 159). Você, que já experimentou a vida com Deus, sabe a alegria que é. Nada mais que você experimentar te trará aquela mesma sensação. Você sabe que vale a pena. Não desista disso por nada nesse mundo. Não deixe que o que ocorreu de ruim no passado defina o que você será no futuro.

Um abraço a todos vocês.

Esse post é dedicado a uma pessoa muito especial para mim. Ela sabe quem é.