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O tesouro e o coração do cristão

Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 

(Mateus 6:21)

Que devemos buscar a Deus acima de todas as coisas (Deuteronômio 6:5) é claro para todo cristão, pelo menos em tese. Que devemos entregar nossas vidas nas mãos de Deus (Salmos 37:5) também é claro. Que o coração é parte da nossa vida a ser entregue ninguém duvida. Por que então temos tanta dificuldade de realmente viver isto?

A lógica natural é que pensemos que devemos controlar nosso coração para que ele esteja direcionado para as coisas de Deus. Mas o que Dele ouvimos é que somos levados ao erro naturalmente e que nosso coração é enganoso, mais que todas as coisas (Jeremias 17:9). Então parte da dificuldade está em não buscar aquilo que o coração deseja e tentar controlá-lo simplesmente. A lógica, ao contrário e segundo Jesus, é ter o foco naquilo que é nosso tesouro e passar a buscar a adoração e este tesouro.

Isto tudo sempre foi um pouco confuso pra mim, e ainda em parte o é! Na prática, deixo de pensar que meu coração deve ser bom o suficiente para, por exemplo, servir ao irmão que necessita de uma ajuda num determinado momento de dificuldade, por mais estranho que possa parecer. Ajudar alguém não é um mal em si, mas se o foco está em agradar o meu “bom coração cristão”, faço aquilo que não deveria, afinal seria fatalmente enganado seguindo este caminho. Por outro lado e ainda no mesmo caso, se tenho como meu tesouro agrada a Deus acima de tudo, tenho naturalmente por certo que devo, entre outras coisas, ajudar o meu próximo necessitado. Então já não o ajudo para cumprir com um plano que é meu, mas sim por fazer parte da construção do Reino de Deus.

Ainda continua confuso, tenho pensado. Que mal há em que eu faça aquilo que meu “bom coração cristão” quer que eu faça desde que agrade a Deus? Além da enganação a que estamos sujeitos, tenho pensado que talvez Deus tenha outros planos melhores do que os do nosso coração pra gente. E se buscamos, na prática, a Deus de todas nossa força, de todo nosso coração e de todo nosso entendimento seria natural que Ele, mais cedo ou mais tarde, passasse a direcionar o que quer que façamos de maneira um tanto quanto clara.

O que permeia nosso “bom coração cristão” por vezes é o que o padrão humano nos diz que é importante, sobre como devemos nos portar, o que devemos e quando devemos comer, qual a maneira adequada de nos vestir e por aí vai. A lógica de Deus não segue a do mundo e o que é tesouro pra Deus definitivamente não é tesouro pro mundo.

Nossa oração, via de regra, é que Deus satisfaça nossos desejos do coração, afinal, todo cristão em tese tem um “bom coração”. Ainda que não o tenha, fazemos este tipo de pedido por puro egoísmo mesmo, consciente ou não. Vejo Deus como um grande amigo e tenho tentado ao longo dos anos aprofundar esta relação de amizade sendo o mais sincero possível em minhas orações e colocando diante Dele o que é desejo meu, inclusive, até mesmo aquilo que tenho aprendido do mundo.

O que tenho tentado viver como desafio de colocar meu tesouro nas mãos de Deus é que ele me direcione para aquilo que não é simplesmente um desejo do meu coração, mas para aquilo que seja necessário para minha humilde colaboração na construção do seu Reino. Isto feito tanto em atos e decisões cotidianas mais simples, como nas mais complexas.

Ainda não sei se tenho atingido a este objetivo. Na verdade tem me batido um frio na barriga quando penso no assunto já por medo de que Deus queira que eu inverta algum valor errôneo e que eu tenha que desagradar ao mundo e principalmente ao meu próprio coração para seguí-lo. Convido você, que acompanhou meu raciocínio até aqui, para que viva o mesmo desafio. Que possamos juntos mudar a lógica e transformar o mundo à nossa volta sendo cristãos que Deus quer que sejamos e não aqueles aos quais nós mesmos temos tentado ser.

Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
Mateus 6:21

A entrega derradeira: coração

Nos últimos dias tive a oportunidade de partilhar de momentos de muita comunhão com muitos dos irmãos em Cristo que mais amo, meus amigos que são parte da Comunidade de Alvo da Mocidade em Belo Horizonte. Neste tempo pude experimentar novamente um tipo de amor que infelizmente não me acompanha no dia-a-dia, aquele que só pode ser partilhado por quem conhece a Cristo. Em meio a este clima pude refletir bastante a respeito da minha vida e do que Deus tem de legal pra mim.

Muita coisa foi dita durante os quatro dias, em especial pelo Adilson Donatelli. A que mais me chamou atenção foi a  história de uma mulher paralítica curada por Cristo. Encontrei o vídeo abaixo do filme que ele fez menção: The Robe, 1953 (“O Manto Sagrado”). A versão é em inglês e as cenas narradas estão do minuto 1:03:42 a 1:15:40.

Senti um golpe profundo quando foi mencionado que a cura da mulher, segundo seu próprio entendimento, não fora física, mas sim do seu coração. Imediatamente pensei no meu espinho na carne,  em quanto dedico atenção a ele quando poderia batalhar pra ficar bem com Deus. Não consegui pensar em mais nada desde então. Como pode ser? Deus deixa a mulher conviver com seu problema e ainda assim ela entende que foi curada? Sinto que estou profundamente distante disto.

O incomodo me fez ver que mesmo após muitos anos andando com Jesus, de pensar que havia entregue tudo quanto tenho, ainda me falta algo… E o que falta, para meu espanto, é só o principal: meu coração. Vivo justificando, colocando a culpa em Deus, nas pessoas do meu passado que me mostraram seu lado ruim, em mim mesmo. Nada disso tem surtido efeito.

Confesso que não fiquei muito empolgado com a ideia de ter que resolver algo tão crítico com Deus. Tenho certeza, no entanto, que os resultados serão excelentes, leve o tempo que levar. Se todos somos seres do mesmo pai e iguais por natureza, creio que cada um também já viveu, vive ou viverá este mesmo dilema da entrega derradeira, deixando nas mãos de Cristo as dores mais profundas da nossa alma, o que mais poderia nos afastar dele.

Que a cura da mulher possa servir de estímulo para que busquemos também nossa cura no amor de Cristo. Que possamos orar um pelo outro em comunidade e que este amor sentido quando juntos possa nossa ajudar a superar esta e todas as outras dificuldades de ser um cristão genuíno. Se tiver alguma experiência legal sobre esta entrega não deixe de dividir com a gente, comente!

Forte abraço!!!

Prometeu e seu abutre

Atualmente tenho me deliciado com um clássico da literatura escrito por Herman Melville: Moby Dick. O livro relata a história de um capitão de um navio baleeiro em sua perseguição insana a um ¨monstro dos mares¨, a baleia branca Moby Dick. Essa perseguição insana se iniciou porque o capitão Acab perdeu sua perna em uma luta contra a grande baleia. Em um momento do livro o autor separa um capítulo para falar sobre o ódio que Acab tinha:

¨Ah, Deus, que tormentos sofre o homem que se consome com seu desejo de vingança. Dorme de mãos cerradas e acorda com as unhas ensaguentadas cravadas nas palmas¨

¨Deus te proteja, velho, pois teus pensamentos deram origem a uma criatura em ti; aquele cujo intenso pensamento o transforma assim em um Prometeu, um abutre pasta eternamente em seu coração e o abutre é a própria criatura por ele criada.¨

Esse texto me fez pensar no grande prejudicado por todo aquele ódio: o próprio velho capitão! Um homem condenado a ter o seu coração sendo eternamente consumido por um abutre que ele mesmo criou, assim como Prometeu na mitologia grega.

Fiquei me perguntando: Quantas vezes não sou condenado, como Prometeu, a ter um abutre consumindo meu coração?

E o mais triste, a condenação é minha! Eu sou o responsável por criar esse abutre!

E eu te pergunto: Como está o seu coração? Existe algum abutre que te consome?

Hoje é dia de destruir abutres! Dia de se libertar dessa condenação que você mesmo se colocou! Dia de perdoar!

¨Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.¨(Efésios 4.32)

Coco hidratado

Desde que passei a ser pai tive novas experiências na minha vida. Uma delas é a de comprar e abrir coco, para que minha filha se delicie com a água. Confesso que é algo trabalhoso para mim! Gasto um bom tempo tentando abrir aquele fruto, no entanto, julgo ser importante para a saúde da minha filha. Ou seja, o esforço vale a pena. Minha mãe conta que a água de coco salvou minha vida quando era pequeno, morava em Belém e fiquei desidratado, até que surgiu a bendita água e me reestabeleceu!

Algumas vezes em que abri o coco fiquei frustrado, pois, depois de grande trabalho de abri-lo , fui tirar a água e saia um filete. Alguns cocos não têm muita água e isso não depende do tamanho: já peguei cocos pequenos com muita água e cocos grandes quase sem água. São cocos pouco hidratados ou muito ressecados.

Creio que todos o seres humanos tem um coco em seu corpo. Esse coco pode ser muito bem hidratado ou extremamente ressecados. Esse coco é o coração! Todos vivemos muito tempo com um grande anseio de hidratarmos nosso coração, procuramos de várias formas enchê-lo, mas não descobrimos a fonte dessa água. Será que existe essa fonte?

Jesus responde: ¨A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.¨ (Ap.21:6b) e ¨Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.¨ (Jo.7:38)

Ele se coloca como a fonte de água viva, é Nele que podemos abastecer nosso coco! Você tem se relacionado com essa fonte? Infelizmente, vejo pessoas que já tiveram seus cocos muito bem hidratados e hoje estão com eles extremamente ressecados, como se não conhecessem a fonte. A relação com Cristo é vital para que nossos corações estejam vivos e sejam doadores de vida.

Assim como sou preocupado com a saúde de minha filha e faço grande esforço para vê-la saudável, nosso Pai não mede esforços para que nosso coração se torne um coração saudável e doador de vida! Não tenha dúvidas que essa água salva vidas!

Como está o seu coração? Hidratado e hidratando ou ressecado e ressecando?