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O trapezista

Ele parecia louco. Juntava-se aos seus companheiros e dava o “start”. Dança aérea! Os voadores pairavam no ar e tudo representava perigo, até o momento em que eram agarrados pelas fortes mãos de seus parceiros.

TrapezistaO extraordinário começa aqui! Antes de ser pego, precisa soltar as mãos daquilo que lhe traz segurança. É necessário desafiar o vazio do espaço. Viver com essa disposição para soltar é um dos maiores desafios que enfrentamos. O grande paradoxo é este: ao soltar, recebemos! Aqueles que tentam evitar todo o risco, os que tentam garantir que seu coração não seja quebrado, terminam num inferno criado por eles mesmos.

“Amar é, antes de tudo, ficar vulnerável… Se você quer, com certeza, manter [seu coração] intacto, então não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente com distrações e pequenos luxos; evite todos os embaraços; tranque-o na segurança do cofre de seu egoísmo. Mas nesse cofre – seguro, escuro, inerte e sem ar – seu coração mudará. Ele não se quebrará! Tornar-se-á inquebrável, impenetrável, irredimível… O único lugar fora do Céu onde você pode ficar absolutamente livre do perigo de amar é o Inferno.” (C.S.Lewis – Os quatro amores)

Certa vez, um trapezista profissional confidenciou: “Todos me aplaudem porque, quando dou aqueles saltos e piruetas, eles acham que sou um herói. Mas o verdadeiro herói é quem me pega. A única coisa que eu preciso fazer é estender as mãos e confiar; confiar que ele vai estar lá para levar-me de volta para cima.”

Assim é a vida de cada cristão. Como trapezistas, soltamos as mãos e esperamos Aquele que sempre estará lá para nos segurar. Com o tempo, aprendemos que o herói é Ele e que não existe sensação mais prazerosa do que voar livremente! Talvez seja por isso que, em Cristo, somos chamados de loucos…

E aí? Vamos soltar as mãos? 

Um grande abraço!!!

 

Do protagonista

Somos um grão de areia na história do mundo. Construímos navios, fomos à lua, avançamos na cura de doenças, terminamos um curso universitário, passamos num concurso, temos sucesso na empresa: tudo é mais um grãozinho de areia na história do universo, embora nos pareça muita coisa.

Nos cremos ser muita coisa e de fato fomos criados para ansiar sempre mais, sempre algo melhor. Porém, muitas vezes nos cremos autossuficientes. Independentes. E nos perdemos em nossos monólogos ou em nossos diálogos, sem deixar que participe ativamente aquele que é o ator principal.

Deus é o verdadeiro protagonista da história: da do mundo e da nossa, embora queiramos sempre roubar a cena. No evangelho vemos diversos personagens: Nicodemos, Marta e Maria, Lázaro, os apóstolos, Maria e José… Mas o foco nunca deixa de ser Jesus: os outros aparecem e cumprem a função de que conheçamos mais do caráter dele, do cuidado dele conosco.

Nunca estamos no controle da nossa vida. Melhores são os momentos em que admitimos nossa pequenez, nossa dependência.  Deus é o verdadeiro protagonista e nós como atores principais somos, francamente, um desastre.

Não vou perguntar quem é o protagonista da nossa vida, pois já sabemos a resposta. A pergunta que deixo é a seguinte: temos confiado que esse protagonista está cuidando das cenas, dos scripts e dos cachês? Temos seguido as suas deixas e seus roteiros ou a nossa vida tem se caracterizado mais pela rebeldia e pela vontade de ganhar o papel principal?

Quando falta o chão

Um dia comum. Tudo parece perfeito. Tenho uma casa, uma família, emprego, estudos, comida farta, roupas, amigos e o telefone sempre toca com alguma sugestão de algo legal pra fazer sexta à noite. De repente uma surpresa! É… o real é imprevisível!

Algo de inesperado acontece. Grande ou pequeno, mas sempre forte o suficiente para me tirar do meu precioso lugar. Talvez uma doença minha ou de alguém próximo, uma paixão indesejada martelando o coração, um acidente com algum ente querido, a perda do emprego, um término repentino de relacionamento, um amigo que mudou, etc. Me falta o chão. Fato é perdi a boa sensação de segurança – o mundo não está mais em minhas mãos, não consigo controlar minha mente e meu coração. Variadas sensações passam a ditar meu ritmo de vida. Como voltar à estabilidade? Aliás, havia alguma estabilidade?

A verdade é que grande parte dos meus problemas quanto à surpresa se encontram justamente no fato de ter acreditado que realmente controlo algo. Isto sustenta esta falsa sensação de segurança e a ideia de uma estabilidade impossível de ser furtada de mim. “Nem Deus afunda meu Titanic”, penso no íntimo do meu coração. E se afunda, faço o impossível para levantá-lo novamente, custe o preço e custar e doa em quem doer.

Como proceder diante de tal constatação? Tiago bem nos ensina que não devemos ser presunçosos, antes entregar à sabedoria divina nossos desígnios. Entregar e praticar aquilo que o autor de Hebreus escreve a respeito da fé – o fundamento daquilo que esperamos e a prova do que não vemos. Agora não há um atalho para voltar a me sentir bem. O exercício da fé me ensina a cada dia, cada momento, que o real é mesmo imprevisível e, embora Deus o saiba, não fará com que seja privado destas situações.

Hoje, ao sair de casa pela manhã, disse à minha mãe que cuidasse de sua saúde no decorrer do dia. No início da tarde soube que ela não se cuidou e que passava mal. Que sensação de impotência! Que luta para ter entregue tudo ao Senhor. E você, já passou por algo do tipo? Fique à vontade para compartilhar conosco.

 

Flutuação

Acabo de chegar de uma viagem à Bonito no Mato Grosso do sul. Indico a todos! Mas um passeio me levou a refletir algumas coisas que gostaria de compartilhar com vocês! O passeio se chama flutuação e, no meu caso, foi feito no rio Sucuri. O passeio consiste em descer o rio durante 1 hora admirando toda a riqueza subaquática. Foi uma experiência fantástica. Mas para que ela acontecesse da melhor forma tive que me preparar de duas formas: Me equipando e colocando em prática as orientações do guia.

Flutuação no rio Sucuri

Em termos de equipamento precisei usar 3 acessórios: Uma roupa de mergulho, um colete e um Snorkel. Todos tem sua importância: Sem  roupa o frio me tira o prazer do passeio, sem o colete não consigo flutuar e sem o Snorkel não consigo admirar e nem respirar! Esses itens são obrigatórios para que o passeio seja feito, e é de minha responsabilidade colocá-los e usá-los.

Quanto às recomendações do guia preciso ouvir e colocar em prática para curtir o passeio. Sabe quais são elas? Fique parado, deixe a correnteza te levar. Seus esforços podem atrapalhar a visualização do caminho, pode levantar sujeira. Não pise no chão, não faça movimentos bruscos com o braço … deixe a correnteza te levar e curta.

Quantas vezes não quis mudar o caminho. Quantas vezes não esperneei, sujando toda a água e me impedindo de ver e admirar o caminho! Muitas vezes ouço Deus falando comigo: “Fique parado, deixe a correnteza te levar!”

E você? Como tem vivido? Se deixando levar, equipado com os acessórios ou “bagunçando”o caminho, sem os acessórios necessários?

Coloque os acessórios e vamos flutuar!