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O cobertor que não esquentava

O rei Davi estava velho. Os anos o alcançaram. Apesar de o cobrirem com vários cobertores, ele não se aquecia. Até que veio uma sugestão: “Vamos trazer uma jovem donzela que esteja perante o rei e cuide dele. Ela dormirá nos seus braços para que o rei se aqueça.” Acharam uma jovem muito bonita em Israel chamada Abisague. Ela ficou ao lado dele e cuidou do rei, e Davi não teve relações com ela.

Essa é a 1ª história registrada no primeiro livro dos Reis (I Rs.1:1-4). É o registro de um dos momentos da velhice do maior rei da história de Israel. Todos conhecem a história de Davi. Sua biografia é uma das mais longas das Escrituras.

Mas o que será que Deus queria ensinar com esse detalhe da vida de Davi? Pela primeira vez eu me fiz essa pergunta. Não sei se obtive a resposta, mas algumas coisas passaram pela minha cabeça. Reflita comigo!

Seu status de “Rei” não o aquecia. Sua história de sucesso, também não. Seus infinitos recursos (palácio, banquetes, dinheiro, funcionários, cobertores, etc) não eram capazes de evitar o frio. Seus relacionamentos com as diversas mulheres que teve pareciam ter acabado. Seus muitos filhos estavam, cada um, entretido com a própria vida e com os próprios afazeres. Nem sua relação com Deus era suficiente para aquecê-lo, porque é possível ter intimidade com Deus e, ainda assim, sentir frio.

Sabe o que veio ao meu coração lendo essa história?

Que o frio de Davi não era de cobertor ou qualquer coisa do tipo. O frio de Davi era de companhia! Frio de não ter alguém ao lado. Não estou falando de sexo. Você sabe que companhia vai muito além disso.

Assim que a jovem Abisague chegou, o problema do rei foi resolvido. Ela não lhe ofereceu sexo. Ela lhe ofereceu abraço. Deviam ficar de mãos dadas, conversando e rindo juntos até a hora que o sono viesse.

Esse é o “frio” que nos ataca no fim de tudo. “Frio” do abandono, da solidão. “Frio” de morar num belo palácio com um espetacular cobertor, ter bastante dinheiro na conta corrente e um carro muito legal na garagem, mas faltar alguém… Ter tudo, inclusive Deus, mas faltar afeto!

Porque no fim de tudo, é de companhia que seremos aquecidos.

Termino contando-lhes que esse é um dos meus maiores medos! Chegar no fim da vida e me perceber só. Casais que se divorciam. Filhos que colocam seus pais em asilos. Gente que chega no fim da vida e parece não ter amigo nenhum. Nesse sentido, o mundo me assusta, e a única coisa que me enche de esperança é que, em Cristo, os relacionamentos se encharcam de eternidade. Eles duram até que a morte os leve não ao fim, mas para uma dimensão de plenitude. Fora de Cristo, as relações são, todas elas, superficiais e efêmeras. Porque tem muita gente casada e, por incrível que pareça, sentindo “frio”. Tem marido, mas não tem afeto!

Como você tem construído suas relações?

Que Deus nos ajude a nos prepararmos para o “frio” que há de chegar nos últimos dias!

Um grande abraço!!!