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Jeito cauteloso

Quem me conhece sabe. Sou um cara tranquilo, de jeito cauteloso. Não gosto de conflitos. Fujo deles. Não sei se é possível pecar por tamanha tranquilidade. Talvez já tenha cometido tal delito. O Edu é um cara calmo, paciente, equilibrado. Isso é o que já ouvi sobre mim. Outro dia uma pessoa muito querida anunciou: “Nossa, tem anos que eu te conheço e eu não me lembro de ter visto você nervoso ou bravo.”

Isso é muito legal, por um lado. Esse jeito de ser também traz consigo seus aspectos negativos. Passividade. Indecisão. Medo. Desconfiança… E por aí vai.

Agora imagine Deus tendo de lidar comigo. Sabendo que eu sou assim. Tendo que levar em consideração a minha “lentidão” quase que inerente ao meu temperamento. Agora imagine o trabalho de Deus pra me convencer de uma decisão realmente grande. Pra me fazer entender que meu tempo em BH havia chegado ao fim e que, agora, o desafio atendia pelo nome de Brasília.

Resolvi contar nesse post, um dos dias marcantes desse processo. Eu estava numa cidadezinha distante. São Francisco do Glória. 4 dias de “deserto”. Um tempo pra estar no alto da “montanha”. Eu precisava buscar a Deus. Ouvir sua voz. Sair da rotina louca da cidade era vital. Foi exatamente o que eu fiz.

Debrucei-me sobre as Escrituras. Gastei muito tempo em oração. Pensava, escrevia, fazia perguntas a Deus. Estava em jejum. No meio desse contexto, um pensamento começa a inundar minha mente. Deus parecia trazer à minha memória um texto das Escrituras. Havia bastante tempo que eu não lia o livro de Gênesis. “O SENHOR tem certeza, Deus?”, foi o que perguntava. Abri a Bíblia e reli o texto. Um versículo. Nada mais do que um versículo.

“Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda foi aumentado grandemente; e o SENHOR te abençoou por meu trabalho. Agora, pois, quando hei de trabalhar também por minha casa?” (Gn.30:30)

Essas foram as palavras de Jacó para o seu tio Labão. Palavras honestas e que revelam um anseio no coração do patriarca. “Deus tem abençoado sua casa, tio. E Ele tem usado a minha vida pra fazer isso! Agora, porém, habita em mim um desejo enorme de construir a minha própria casa, a minha história.”

Meu coração queimava. “É isso mesmo que estou entendendo, Deus?”

Meu tempo em BH estava no fim. Havia sido maravilhoso tudo o que vivi aqui. Deus (por absoluta misericórdia) usara minha vida. Sobrara apenas um anseio. Alçar voo. Uma nova casa, uma nova história, um novo ministério…

Tudo com muita paciência. Deus foi cauteloso. Já havia quase um ano que eu orava por isso!

Quer saber qual foi a maior descoberta?

Deus me conhece. Deus me ama. Deus levou em consideração a maneira como o processo deveria acontecer no meu coração.

E eu comecei a suspeitar que o meu jeito cauteloso, talvez tenha sido herdado do próprio Deus.

Um amor que se revela assim, de jeito cauteloso.

Um grande abraço!!!