Arquivo da tag: caráter

Folhas

Já sabemos que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A Bíblia é um livro que deseja mudar o nome das pessoas. De Abrão para Abraão, de Sarai para Sara, de Jacó para Israel, de Levi para Mateus, de Simão para Pedro, de Saulo para Paulo e assim vai. Mudar o nome significa desviar a pessoa dos seus próprios fundamentos; é uma prerrogativa de Deus. No Apocalipse, àqueles que são chamados de vencedores, será dado um amuleto branco, no qual está registrado um nome novo, que ninguém conhece a não ser aquele que o recebe. (Ap.2:17)

Descobriremos, por fim, a nossa verdadeira identidade. Será interrompida a grande interrogação que nos atormentara ao longo de toda a vida: “Quem sou eu realmente?”

Esse é o nosso maior dilema e nossa maior luta. Ser conduzido à minha verdadeira identidade dói. É um processo que envolve mudança de caráter. O mais comum, nessa hora, é fugir.  É o que a maioria faz. Fugir traz alívio, porém interrompe a transformação. Faço questão de lembrar que a escolha é sempre nossa.

Foi exatamente isso que me fez chorar na semana passada. As lágrimas revelavam a distância entre o Eduardo e o meu novo nome. Entre quem eu sou e quem Deus quer que eu seja. Pensei até em terminar meu namoro. Fuga. Tudo que se levanta em minha direção e tem a pretensão de moldar meu caráter, fica sub judice. Excluo isso da minha vida ou escolho a mudança de caráter? Tudo gira em torno disso, amigos leitores.

Alguns trocam de igreja. “Tenho sentido que meu ministério é outro…”

Alguns mudam os amigos. Porque, convenhamos! É bem mais fácil estar com aqueles que não nos conhecem profundamente. “Quão maravilhosas são as pessoas que não conhecemos muito bem”, dizia o saudoso Ariano Suassuna.

Alguns começam um casamento novo. “Eu estava infeliz com ela e não acho que Deus queria isso…”

Alguns abandonam a caminhada com Jesus. Existe alguém que pretende transformar meu caráter mais do que Jesus? Esfriar-se na fé é mais fácil e alguns sabem do que estou falando.

Os argumentos é que são incríveis. Gente se dizendo injustiçada, gente racionalizando pecado, gente afirmando que conhece mais a graça de Deus do que você…

Folhas. Aquilo que é usado para esconder a realidade. Nossas vidas estão cheias delas. Folhas e mais folhas. O Adão estava escondido atrás das folhas no jardim do Éden. Foi com elas (as de figueira, no caso) que ele tentou esconder sua vergonha. O Zaqueu estava escondido atrás das folhas de um sicômoro. Deus foi buscá-los. Ele quis que os dois saíssem de detrás das folhas.

E você? Vai optar pelo alívio ilusório de quem fica escondido atrás das folhas ou vai escolher pela nobre e dolorosa transformação do seu caráter?

Eu já fiz a minha escolha e minha namorada sabe disso.

Um grande abraço!!!

 

Quando morrer é preciso

Frustrações? Já tive muitas. A gente cria expectativas todo o tempo, né? Incredulidade? Companhia quase sempre presente. Tenho dificuldades de confiar em Deus. Crises? Algumas. Já passei por fases onde tive que ressignificar tudo o que eu acreditava. Pecados? São como as hemácias no meu sangue. Presentes todo o tempo. Algumas vezes, a quantidade é tão grande que eu não entendo como Deus não resolveu acabar com a minha vida. Decepções? Perdi a conta de quantas tive. Eu já descobri que o nosso coração pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor. Brigas com Deus? Várias. Sinto vergonha de lembrar que já o ofendi como se Ele fosse alguém insignificante.

Se eu quero trocar de vida? De maneira alguma!

Se eu quero abandonar a fé? Nunca!

Descobri que se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, ficará só. Mas, se o grão morrer, produzirá muito fruto. (Jo.12:24)

Que o meu velho homem continue morrendo, bem como suas manias e hábitos. Porque entre o Eduardo e o caráter de Cristo, existe um longo e doloroso processo de lapidação.

Porque nesse caso, morrer é preciso…

Como você tem permitido que Deus molde o teu caráter?

Um grande abraço!!!

O que os romanos fizeram com meu caráter

Nestas férias fiz um mochilão pela Europa. De todos os lugares que visitei, em Roma tive a melhor experiência: clima bom, belas paisagens, muita história e cultura, ótima comida. Mas os romanos… PÉSSIMA GENTE!! Acho que nesta cidade, mesmo tendo ficado uma semana, nunca fui bem tratado pelas pessoas, no máximo elas foram um pouco legais e, no mínimo, descaradamente estúpidas.

Audrey Hepburn saboreia um gelato na Piazza de Spagna no filme "Roman Holidays" (A Princesa e o Plebeu)

Resumindo, o ditado “Em Roma, aja como os romanos” parecia-me dizer: “rebaixe-se ao nível deles”. E eu, justamente eu, amante das palavras de John Powell, eu que escrevi aqui que não devemos deixar que o outro determine o modo como vamos agir, eu que sou calmo e controlado, já estava quase trocando o “ator, não reator” pelo “devolva na mesma moeda”.

Em poucas palavras: me tiraram do sério de verdade.

Uma vez numa sorveteria foram tão impacientes que depois fiquei imaginando maneiras de retribuir o favor e várias vezes vislumbrei-me jogando minha casquinha no chão da loja por mero desaforo. Sim, a experiência na Caput Mundi estava me transformando.

Entendi então o que era, de fato, ser o cliente atencioso do jornaleiro mal-humorado. Acho que no Brasil sou em geral bem atendido e bem tratado sempre que, quando, eventualmente há uma exceção esta é fácil de ser superada ou relevada. Os romanos me deram uma prova de fogo e confesso que não sei dizer ainda quais foram os resultados: se me senti pisado demais e tornei-me menos paciente ou se posso dizer que hoje tenho um caráter melhor e que sou mais livre ainda para ser o ator.

Não sei dizer bem claro, o que foi que os romanos fizeram com meu caráter e, na verdade, acho que o certo não seria culpá-los e a mim somente. Sou, ironicamente, porém, um pouco grato pelo treinamento intensivo e involuntário.

Tenho que terminar da mesma forma que o post-irmão (Ator e Não Reator): Quando insultado, não respondia com insultos e quando sofria não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente.

Possamos cada vez mais ser como Jesus.

Nota: Deve haver romanos legais e tudo mais e toda generalização é burra. Só que eu não vi nenhum. Agora falando sério: não gosto de preconceito, acho que outra pessoa poderá ter outra experiência com o povo de lá, igual tivemos ótima experiência com os parisienses, ao contrário de todo estereótipo e expectativa.