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Sobre espadas e cálice

“‘Sim, o que está escrito a meu respeito está para se cumprir’
Os discípulos disseram: ‘Vê, Senhor, aqui estão duas espadas.’
‘É o suficiente!’, respondeu ele.” Lucas 22:37-38

Pedro ouviu isso logo antes de Jesus ser preso. Essas palavras talvez tenham levado ele a dar uma demonstração clara de zelo sem conhecimento. Naquela noite a vida de Pedro passou por muitas situações. Ele cometeu todos os erros possíveis (eu também cometeria!): Não aceitou o que Jesus lhe disse sobre negação, adormeceu a invés de orar, falou quando deveria ouvir… e… puxou a espada! Queria lutar contra o inimigo errado, usando a arma errada , com a motivação errada e com o resultado frustrante.
Em dias de discussões políticas sobre um “estado cristão”, onde as minorias deveriam se curvar a esse estado, é sempre bom lembrar que enquanto Pedro carregava a espada, Jesus carregava o cálice!
Quem deve se curvar a quem (obrigado, Lengo, por me lembra disso)?
O que o cristão deve ter em mãos?
É triste quando cristãos bem intencionados tomam a espada para “defender” o Senhor Jesus Cristo. Ele censura essa defesa e se entrega na cruz.

P.S.: Texto em homenagem ao meu amigo Lengo, apesar das diferenças e provocações, é muito bom poder lutar para seguir Jesus ao seu lado!
Abraço e até a próxima

Os dois jardins

“Ó vós que passais, vinde ver;
o homem roubou o fruto, mas eu devo subir na árvore;
a árvore de vida para todos, menos para mim:
‘Já houve dor como a minha?'”.
(George Herbert)

No início, um jardim e uma ordem. Adão e Eva tinham muita liberdade e uma única ordem: “Obedeçam- me acerca da árvore e viverão.”
Obedeçam e eu os abençoarei, mas eles desobedeceram. Esse talvez seja o protótipo de todas as suas ordens à humanidade.
Séculos mais tarde, um outro jardim e um segundo Adão (ICo15:45), e uma nova ordem. De “não coma do fruto” para “beba do cálice”. De “cuidado com a árvore do centro” para “se entregue naquele madeiro que será o centro da história”. Ao invés de “obedeçam e viverão”, a promessa “obedeça-me no madeiro e eu o esmagarei”. No lugar da desobediência, obediência.
Naquela noite, Jesus sentiu o cheiro do liquido transbordante do cálice. Talvez Deus o tenha feito dar as primeiras goladas para ajudá-lo a antever o que estava por vir. “Você beberá … esse copo de desgraça e desolação … Você o beberá até a última gota”. (Ez.23:32-34). “Você que bebeu da mão do Senhor o cálice da ira dele, você que engoliu, até a última gota, da taça que faz os homens cambalearem.”(Is.51:17).
Por isso a agonia
Por isso o suor
Por isso a tristeza
Mas, por fim, a oração “seja feita a tua vontade”

Mais que uma obediência passiva (se entregar na cruz), uma obediência ativa (caminhar, obstinadamente, em direção ao madeiro)

Você compreende tamanho amor?
Você compreende tamanha obediência?

Abraço e até a próxima!

Que cálice tem bebido?

 “Assim diz o Soberano, o Senhor:
“Você beberá do copo de sua irmã,
copo grande e fundo;
ele causará riso e zombaria,
de tão grande que é.

 Você será dominada pela embriaguez
e pela tristeza,
com esse copo de desgraça
e desolação,
o copo de sua irmã Samaria.

Você o beberá,
engolindo até a última gota;” (Ezequiel 23:32-34)

A sede da alma é inerente ao ser humano! Temos sede e buscamos o que beber. Vários copos são postos à nossa frente…. o que você tem bebido?

Ezequiel alerta o povo sobre o copo que tem sido oferecido a eles : o copo de Samaria. “Copo grande e fundo”. Que causa “riso e zombaria”, “embriaguez e tristeza”, “desgraça e desolação”.

O profeta fecha com a seguinte sentença: “Você o beberá, engolindo até a última gota.”

Copo grande e fundo, que enche mas não sacia, que seduz e destrói.

Jesus oferece um outro cálice, cálice nada sedutor… mas o único que traz sobriedade, vitalidade e saciedade. Cálice de sangue e água. Sacrifício e vida.

Não há discípulo que não será questionado por Cristo: “Podem vocês beber o cálice que eu vou beber?” (mt.20:22)

E para o verdadeiro discípulo não há outra bebida: “certamente vocês beberão do meu cálice…” (mt.20:23)

Qual cálice você tem escolhido beber?

Abraço e até a próxima

O Homem que bebeu do cálice *

– ¨Deus, o Senhor não entende! A vida é muito complicada, o pecado é aterrador, o mundo é frio. Problemas em todas as áreas. Parece que o mundo se volta contra a minha existência! É fácil ficar desse lado, com todo o Seu poder, em uma realidade totalmente boa e que faz a sua vontade! Me desculpa Deus, mas, às vezes, acho que o Senhor é sarcástico! Olhando aí de cima, sem compreender o que vivo aqui embaixo. Pessoas do meu convívio são volúveis, ora se aproximam, ora se tornam competidores. Dependendo da situação estão comigo, em outras, se voltam contra. Ainda tenho os amigos. Mas os amigos também me traíram, em momentos que precisavam deles, sei que por fraqueza deles, mas é duro conviver com isso. Tenho um Estado que, quando necessito, não me atende. Só consigo ver injustiças e corrupção. Na saúde (O Senhor não sabe o que é uma fila do SUS!), na justiça, no salário mínimo, nos altos impostos. Ah! Me resta a tua Igreja, mas infelizmente, dentro dela, já fui condenado e julgado. Sem tudo isso só tenho o Senhor, e, várias vezes me sinto desamparado até por Ti! Essa é a minha vida! O Senhor não compreende!!!!¨

-¨Meu querido, você se lembra quando estive com vocês? Como um homem? Você se lembra da minha última semana entre vocês? Você se lembra do povo, que queria me tornar rei e, em alguns dias, me mandou para a cruz? Você se lembra dos meus amigos mais íntimos, que dormiam enquanto deviam vigiar? Que me negaram na frente de pessoas? Você se lembra de um Estado que lavou suas mãos frente a minha causa? E a Igreja, aquela mesma que Eu trouxe à existência, que não me reconheceu em sua alta cúpula e instigou a minha condenação por cruz! Você se lembra da minha frase naquela cruz, ao sentir o peso do pecado: ¨Por que me desamparaste?¨ Eu conheço seus anseios, eu vive os seus conflitos, eu vivi no mundo sem luz. Eu Sou Deus de forma plena, mas  Eu fui Homem de forma plena! Eu bebi do seu cálice! E agora te convido a beber do meu!¨

Abraço e até a próxima!

* Esse título é um empréstimo de uma música sensacional da banda Sujeito à Reboque. Confesso que o texto não chega aos pés da letra da música, mas não encontrei título melhor para o que gostaria de compartilhar.