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Papo ruim

A noite tinha tudo pra ser especial. Noite de festa. Eles iriam comer juntos. Eram inúmeros os motivos para que celebrassem. Havia história e intimidade entre eles. Muitos queriam participar daquela ocasião, mas os convidados eram parte de um grupo extremamente seleto.

A surpresa da noite ficou por conta da atitude de Jesus. Ele se levanta e, plenamente consciente de quem ele era, começa a se despir e ajoelha-se diante de cada discípulo. Bacia e toalha nas mãos. Todos os pés ficaram limpos.

Após um discurso épico sobre a atitude de servir, o rosto de cada discípulo estava radiante. Que noite fantástica! Tudo estava espetacularmente maravilhoso, apesar do jeito surpreendente de Jesus. Até que de repente…

“… Um de vocês vai me trair.” (Jo.13:21)

“Ihhh, Jesus! Que papo ruim é esse? Papo sobre traição. Claro que não! Vamos mudar de assunto… Isso vai estragar o clima dessa noite!”

Algum discípulo poderia ter dito.

Já reparou como a verdade tem a capacidade de “azedar” um ambiente?

O clima havia mudado completamente. Alguns perderam o apetite. Outros esperavam Jesus dizer que aquela havia sido apenas uma brincadeira.

“Vocês acham que eu iria enganar vocês e dizer depois que era somente uma brincadeira?” (Pv.26:18-19)

Aquela afirmação era séria demais para que fosse usada como uma simples brincadeira. Eles se entreolhavam.

“Quem seria capaz de tamanho absurdo?”

Como não tinham ideia da resposta, Pedro fez sinal para João, como quem diz: “Pergunte a ele quem é o traidor!”

A resposta veio sem hesitação. O pedaço de pão molhado foi dado a Judas Iscariotes, conforme a explicação dada por Jesus. Judas se levantou e foi fazer o que já havia maquinado em seu coração. Era noite.

A verdade fez o papo ruim! O assunto proposto por Jesus era traição naquela que é chamada, ironicamente, de santa ceia. Talvez ela ganhara status de santidade depois que Judas saiu.

Mas o que era preferível? Deparar-se com a dureza da verdade ou permanecer abraçado à ilusão da mentira?

Jesus não tinha a menor dúvida.

“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.” (Pv.27:5-6)

Noite memorável.

De Jesus vieram as feridas. Totalmente leais, porque feitas por Aquele que ama. Verdade explícita.

De Judas veio o beijo. Totalmente enganoso, porque continha o “hálito”de quem odeia. Senha combinada com os guardas. 

Depois de um tempo, a gente começa a adjetivar os momentos de exposição à verdade não como papos ruins, mas difíceis. Porque ruim mesmo, seria tentar fazer parecer que tava tudo bem.

Um grande abraço!!!

 

 

 

2 Coisas que o pai aprende com a filha sobre o “Pai”

Tenho uma filha com um pouco mais de dois anos, ela se chama Helena. Tenho consciência da responsabilidade de ensiná-la uma série de coisas, mas não tinha tanta consciência do quanto aprenderia com ela. Ultimamente tenho aprendido duas coisas que gostaria de compartilhar com vocês.

1º: O Pai que beija feridas:

Helena aprendeu que quando acontecer algum acidente onde ela se machuque precisa de recorrer ao pai com rostinho de choro. O pai tem a função de beijar a ferida, machucado (ou o pseudo machucado rsrsrs) para que aquele “sofrimento” termine.  no início eu me achegava a ela para beijá-la, hoje ela já chega, apontando o dedinho e dizendo: “dodói!” Fiquei pensando na magia que existe nesse processo, como a dor é aliviada pelo beijo do pai, e tenho certeza que isso ocorre ainda hoje em minha vida. Como preciso do Pai no momento de dor! Como preciso de sua atenção, de seu consolo, de seu beijo! As feridas não deixam de existir, a dor pode continuar, mas a certeza do beijo do Pai é um grande refrigério! Fico triste de pensar em tantos filhos que se distanciaram do Pai e não tem ninguém para beijá-los nos momentos em que as feridas se abrem! Nesse momento nem dinheiro, nem poder, nem drogas e nem vícios substituem os lábios do Pai! Não há melhor coisa do que desfrutar do beijo do Pai!

“Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (Cânticos 1:2)

 

A filha que ensina o pai à respeito do Pai

2º: O Pai que ensina orar:

Ontem a noite tive a oportunidade de orar com minha filha ao “papai do céu”. Agora ela está começando a diferenciar entre o “papai” o “papai noel” e o “papai do céu”. Mas enquanto fazia uma oração de agradecimento simples e ela repetia me veio à mente como não sei orar e como preciso do Pai para me ensinar a orar. Oramos o seguinte: “Papai do céu, obrigado pela mamãe, pelo papai, pela escolinha, pelos amigos, pelas vovós, pelo vovô, pelos titios e titias e pelo papa. Amém”  Ela repetiu tudo, foi papa (tomar mamadeira) e dormir um sono tranquilo. Como vi que não sei orar! Preciso que o Pai coloque as palavras em meu coração! E preciso aprender a descansar (dormir um sono tranquilo) após a conversa com o Pai.

“Se em algum momento nos cansamos de esperar, o Espírito de Deus está ao nosso lado, nos dando aquela força. Se não sabemos como orar, não importa. Ele ora em nós e por nós, utilizando nossos suspiros sem palavras, nossos gemidos de dor.” (Romanos 8:26 – Versão “A mensagem”)

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)

Que possamos desfrutar uma intimidade inocente e infantil com o Pai que beija feridas e ensina orar!

Abraço e até a próxima!