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Meditações no silêncio

Especulo que para compreender sobre o deus com que se relaciona é necessário dar atenção aos próprios sentimentos.

Conceitualmente, creio, não seremos muito divergentes. Se perguntados sobre quem é Deus e quais seus atributos, acredito que diremos coisas bem semelhantes. É contudo verdade que ao me direcionar a Ele meus sentimentos revelem pressupostos insondáveis sobre os quais me apoio, os quais serão bastante diferentes do que prego ou penso.

Por que a diferença entre o pensar e o sentir? E qual o mais verdadeiro?

Ora, creio que ambos são verdadeiros e igualmente relevantes, se bem compreendidos.

Se o pensar pode ser questionado pois pode ser confrontado com a revelação divina, os sentimentos não precisam ser julgados corretos para serem verdadeiros. Eles estão ali. Eles não atestam a verdade externa, não mostram quem é Deus. Eles mostram nossa visão humana de um deus, a qual acreditamos ser verdadeira.

Precisamos calibrar nossa visão, confrontar nosso sentir com o nosso pensar. Estou me sentindo culpado por essa e essa razão. “Deus me cobra, Deus exige…”. Estou bem, não tenho pecado ultimamente “Sou merecedor de bençãos, Deus me aceita…”. Será que algum dos dois é verdade? Sabemos que não! Mas por que tão frequentemente sentimos assim? Se sabemos que Deus nos ama como somos, por que precisamos de tantas e tantas coisas para nos sentirmos bem e aceitos? Beleza, magreza, riqueza, ostentação de bens, de amigos e de felicidade…

Não tenho respostas para isso, mas a incoerência é clara em minha vida!

Possamos ser transformados pelas verdades eternas que aprendemos em Cristo. Sejamos libertos e vivamos a vida plena.

O Impostor; Na Média

O Impostor que Vive em Mim é o nome de um livro do autor Brennan Manning cuja ideias e cujo conceito principal foi uma das que mais me marcou na caminhada que se iniciou em Janeiro de 2004.

[Aí se vão dez anos]

Recentemente, tentando descrever o que me marcou a respeito do Impostor disse, com meu discurso frequentemente fragmentado:

“O Brennan Manning já passou por tanta coisa [já foi monge, já serviu os pobres no interior da França, já foi franciscano,  já foi alcoólatra, já passou seis meses numa caverna do deserto de Zaragosa, entre outros] e se tronou alguém tão ‘santo’, e tão profundo que é como se tivesse chegado ‘lá’, lá onde nós tentamos chegar. E de lá ele olha para si e se vê como tão pecador, ou até mais, e relata isso, com a autoridade ‘de quem chegou lá'”.

Mas, como seria mais pecador, passando por tudo isso? Ora, talvez justamente pelo tudo isso. Pois, afinal, quem passou por tudo isso não pode ser alguém tão simples e pecador como um cristão medíocre que talvez a maioria de nós seja (aliás, pensando que medíocre quer dizer meio, mediando, talvez por definição a maioria de nós seja mesmo medíocre, certamente).

E, na verdade, ele revela as vaidades pessoais do chegar lá, razão pela qual me vejo em meus pequenos, minúsculo, mínimos “lás” e os troféus que ostento com calculada humildade e piedade.

O post de hoje, por exemplo. Vamos falar metalinguísticamente no mais instantâneo escrever.

São neste momento meio dia e quinze.

Acordei sem saber se o post deste sábado era o meu.

Tinha tanto para fazer e não tive meu tempo especial com Deus.

Priorizei fazer algumas coisas no computador. Culpado mas tão desorganizado…

Não queira publicar aqui antes destas coisas. Cogitei não publicar e na verdade não sabia se era meu sábado.

Entrei no Outras Fronteiras para ver se no sábado passado havia publicações. Sim, havia. Meu parceiro de dia da semana esteve presente.

Mas eis que surge um fato novo. Após ele, só mais uma publicação. E já há dois dias.

Mas eu não! Não sou medíocre – não sou como os outros, na média. Sou um pouquinho melhor. Mais compromissado, mais pontual. Piedosamente escreverei meu post sem olhar para os outros, se estão assíduos ou não. Não vim para julgar.

Sou a madre Tereza no alto da minha piedade.

Então,  meus amigos, recebam como meu presente do dia a revelação do impostor que vive hoje em mim.

E vejam como fui tão aberto e me confessei publicamente!

Mea culpa mea maxima culpa.