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Cartas a um cristão como eu #4

Belo Horizonte, 22 de Agosto de 2015

Ed, meu amigo, a simplicidade da sua última correspondência foi de um  valor indescritível. Afinal de contas, por mais que eu escolha as palavras mais belas e persuasivas, a minha autoridade para falar das coisas espirituais são nulas. Você me pediu que lhe mostrasse ou apontasse, nas Escrituras, algo que comprovasse aquilo que discutimos da última vez, e imediatamente eu me lembrei de um episódio em que Jesus ensinou a Simão, o Fariseu, o valor e o benefício do arrependimento e de se obter perdão.

Vamos a Lucas, capítulo 7, versos 36 a 50.

“E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.
Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.
E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre.
Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?
E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem.
E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.
E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados.
E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?
E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.”

A passagem é complexa e possui muitos elementos, mas quero me apegar ao que eu ofereci destaque acima. Jesus não está se referindo à quantidade ou qualidade do pecado neste texto. Ambos, o fariseu e a mulher, assim como toda a humanidade, são igualmente pecadores e estão igualmente em débito com o Pai. Na minha opinião aqui Jesus fala sobre a disposição do coração do pecador em reconhecer o seu pecado e procurar perdão. Sendo assim, o homem que devia 500 dinheiros seria aquele tipo de pessoa  não esconde do Pai os seus pecados, que se abre, se rasga diante do Criador, afim de obter o perdão total, enquanto o homem que devia ao senhor 50 dinheiros seria aquele tipo de sujeito que esconde a sua condição de rebeldia pecaminosa, afim que não o conheçam. Pode ser que este até se confesse pecador, mas a superficialidade da confissão e do arrependimento são suas marcas registradas.

Jesus argumenta a favor do ponto de vista que eu citei logo em seguida, quando coloca em comparação a postura do fariseu e a postura da mulher. Aquele, “devedor de 50 dinheiros”, quando posto diante do Criador não demonstrou nenhuma atitude de humilde arrependimento pela sua condição pecaminosa; ela por outro lado, “devedora de 500 dinheiros”, diante da presença do Perfeito só conseguia olhar para dentro e ver a sua imperfeição, se derramando em lágrimas e tristeza.

Aquele, pouco perdoado. Não por que Jesus lhe oferecera menos perdão, mas por que ele próprio não o buscou; ela, por sua vez, muito perdoada, pois a sua postura era de humilde reconhecimento e arrependimento da sua condição de pecadora.

Aquele, pouco amou, pois pouco perdão recebera; ela, por sua vez, viu crescer no seu coração um amor imenso por Aquele que a limpou de toda a sua culpa.

Aquele jantou com Jesus, mas não experimentou com Ele intimidade; ela, por sua vez, voltou pra casa muito mais próxima do Criador.

Acho que esse trecho nos mostra como o perdão sempre nos aproxima Daquele que se aproximou para nos perdoar e nos amar. Espero que tenha feito algum sentido para você, Ed.

Um abraço, Dudú Mitre.

Cartas a um cristão como eu #3

Belo Horizonte, 08 de Agosto de 2015

Caro Ed, desta vez quem teve que lidar com a demora em responder foi você, não é mesmo? Me perdoe a falha. O ritmo agitado e a negligência com o uso do meu tempo me fizeram protelar muito (o pedido de perdão fictício foi a minha maneira de pedir perdão ao leitor pela minha atual negligência em vos escrever aqui no blog.) Mas aqui estamos, e temos bastante a conversar. Tanto que não creio que este assunto se encerrará com poucas correspondências…

Falávamos sobre a liberdade que existe no perdão divino e da nossa constante necessidade em depender dele, uma vez que a nossa ignorância e teimosia em escolher pelo pecado é também constante. Bom, a questão levantada por você é pertinente, mas não verdadeira, na minha opinião. Não se levarmos em conta os conceitos de GRAÇA e AMOR.

Por graça entendemos do favor imerecido do Único  que pode nos livrar da condenação do pecado. Por amor vamos considerar a escolha deliberada e eterna do Único que pode nos tratar com graça de fazê-lo dia após dia, chamando o auge desta escolha de cruz. São conceitos rasos para a complexidade dos termos, mas vamos partir deste ponto.

O perdão não pode ser considerado obsoleto se considerado à luz destas duas palavras. O pecador, de antemão amado, encontra graça a cada vez que cai, se arrepende e busca ao Pai. A graça aponta para a cruz, e a cruz o lembra do amor. E o amor, como disse Paulo, jamais acaba. Antes, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.” Eu até entendo o seu sentimento e os seus questionamentos. Pensando de maneira humana é realmente um abuso o que fazemos. A repetição do erro e do pedido de perdão pode parecer manipulação, hipocrisia e até mesmo artimanha para se viver de forma libertina e deliberada. Creio que isso de fato possa acontecer, mas veja bem, o enganador nunca corrompe a graça e o amor, apenas engana a si mesmo e à sua própria consciência. Mas o pecador arrependido vive o paradoxo de experimentar, ainda que repetidas vezes, um movimento que se torna inédito da parte de Deus, o perdão que se renova e  que nasce da graça e do amor. Analisando sob a perspectiva divina não existe manipulação e nem abuso, existe a escolha deliberada e o favor imerecido de um Pai para com todos os filhos  que caem em si e que se mostram arrependidos dos seus atos.

Agora, vamos tomar novamente os conceito de graça e amor que escrevi acima. Observe como a ação deles move o ser humano. Do pecado ao arrependimento, do arrependimento à graça, que faz lembrar o amor e que nos leva para a cruz, e daquele ponto em diante experimentamos liberdade, até que pecamos de novo, e tudo se repete. Bom, eu não diria que se trate de um ciclo. Escolha um ponto em um círculo, caminhe com ele por toda a extensão do limite do mesmo e você chegará ao mesmo lugar, e será eternamente assim. Prefiro comparar este movimento do amor e da graça a uma espiral, que caminha sempre adiante, num movimento aparentemente cíclico, mas que está em constante evolução. Ser perdoado é sempre progredir, e nunca regredir ou continuar estagnado. Sempre avançamos para a cruz quando experimentamos do favor divino, e por mais que pareça que vamos acabar no mesmo ponto de antes, depender do perdão constante de Deus e busca-lo com arrependimento é esquecer das coisas que para trás ficaram e progredir para o Alvo, rumo ao prêmio da soberana vocação.

Não compreendemos a mente e o coração de Deus, Ed. É impossível. Mas saiba que de alguma forma maluca e maravilhosa Ele está sempre pronto para nos redimir, ainda que os erros sejam repetidos por diversas vezes. E não só isso, Ele faz com que essa constante dependência do Seu perdão seja um ganho para nós. Não fuja do perdão divino, Ed. Abrace-o e agarra-o quantas vezes forem necessárias, pois Deus o tratará com graça e amor quantas vezes forem necessárias.

Espero, de coração, que tudo isso tenha feito algum sentido.

Com carinho, Dudú Mitre.

É impossível

“Os que já viram a luz, provaram o sabor dos céus, foram parte da obra do Espírito Santo, experimentaram pessoalmente a absoluta bondade da Palavra de Deus e os poderes que se manifestaram em nós e, ainda assim, com desprezo, viraram as costas para tudo isso e lavaram as mãos – bem, eles não podem começar tudo de novo, como se nada tivesse acontecido. É impossível, porque crucificaram Jesus outra vez. Eles o repudiaram em público. A terra ressecada que recebe a chuva produz colheita farta, pois o lavrador que a cultiva tem a aprovação de Deus. Mas, se produz ervas daninhas e espinhos, o mais provável é que ela seja amaldiçoada. Campos assim são queimados, não produzem colheita.” (Hebreus 6:4-8)

Você conhece pessoas que uma vez foram iluminadas?

Pessoas que provaram o dom celestial?

Conhece gente que se tornou participante do Espírito Santo?

Alguém que tenha provado a boa Palavra de Deus?

Conhece pessoas que, DEPOIS DE TUDO ISSO, caíram?

“Sim”, diz o autor aos hebreus! É impossível renová-los para arrependimento! Eles crucificaram Jesus de novo e expuseram o Filho de Deus à vergonha.

Seria possível Jesus ser crucificado mais de uma vez?

Conhece pessoas que poderiam me explicar esse texto da Escritura?

Mesmo diante da assumida ignorância, meu clamor não é, primariamente, por entendimento. Clamo, antes de tudo, por misericórdia! E também não sei explicar porquê…

Um grande abraço!

 

Cinzas

A Bíblia está repleta de passagens que usam as cinzas como um ritual. Vemos em Jó, Ester, Jonas e vários outros livros…

“Por isso menosprezo a mim mesmo
e me arrependo no pó e na cinza”.  (Jó 42:6)

cinza

Cinzas são as sobras daquilo que foi destruído pelo fogo.  Ao longo da vida passamos por várias situações que funcionam como fogo em nossa história. Deus quer destruir aquilo (ou aquele) que temos construído sozinhos.  Infelizmente o homem não consegue construir muita coisa sem a presença de seu amado criador. Ele quer fazer parte, mas quer começar tudo das fundações. Que o fundamento esteja alicerçado na Rocha, que esteja firme. Mas para isso precisamos desconstruir. Transformar em cinzas hábitos, atitudes e vida mal construída.

As cinzas precisam, necessariamente , fazer parte da vida de um cristão.

E que não seja somente em uma quarta feira no ano!

Que possamos contribuir com Deus para que o nosso eu doente se torne cinza e que uma nova obra de arte surja.

Abraço e até a próxima

“Tu és este homem”

E no tempo em que os reis costumavam sair para as batalhas, o ainda jovem Davi decide ficar em casa. Enquanto seus homens lutavam, o rei descansava. Aproveitava o tempo, ocioso. No fim da tarde gostava de caminhar pelo palácio. Visitava os grandes salões, conferia se estava tudo em ordem nos jardins, observava a cidade do terraço.

E numa dessas tardes, com o sol já se pondo, a avistou. Uma bela mulher se banhava em uma casa ali perto. Davi mandou que a chamassem e se deitou com ela. Bate-Seba, a filha de Eliã, esposa de Urias.

Adultério.

Manipulação.

Assassinato.

“Dois homens viviam numa cidade, um era rico e o outro, pobre. O rico possuía muitas ovelhas e bois, mas o pobre nada tinha, senão uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu com ele e com seus filhos. Ela comia junto dele, bebia do seu copo e até dormia em seus braços. Era como uma filha para ele. Certo dia, um viajante chegou à casa do rico, e este não quis pegar uma de suas próprias ovelhas ou do seus bois para preparar-lhe uma refeição. Em vez disso, preparou para o visitante a cordeira que pertencia ao pobre”.
Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: “Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia.
Então, disse Natã a Davi: “Tu és o homem!”.

Ungido rei sobre Israel, livrado das mãos de Saul, presenteado com casas, esposas e riquezas. Não satisfeito, agiu sem misericórdia, sem amor!

Mas, cego pelo pecado, Davi não conseguia enxergar o óbvio. A mancha do delito lhe cobriu os olhos, de forma que o rei não conseguia enxergar e reconhecer a si próprio. Não podia ver a sua podridão. Até que ele teve a atenção chamada: “Tu és o homem!”.

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.”

Um rei arrependido. Um rei perdoado.

Histórias absurdas são contadas todos os dias. Corrupção. Violência. Preconceito. Inveja. Vaidade. Julgamentos. Falta de amor. Ficamos chocados, escandalizados e até indignados. Mas o pecados tapa nossos olhos.

Nos afasta de Deus.

Nos afasta de nós mesmos.

Não nos deixa enxergar o óbvio.

Nos leva para um poço cada vez mais profundo.

De lá, talvez, ouçamos de Deus: “Tu és este homem”. E de lá poderemos buscá-Lo, ainda que estraçalhados pelo pecado.

Mais um homem arrependido. Mais um homem perdoado.

“Tu és este homem”?

Referências: 2 Samuel 11:1 a 12:7; Salmos 51: 1- 12.

Quando o problema não é pecar…

arrependimentoO discurso era de uma pessoa arrependida! Palavras carregadas de tristeza afirmavam o desejo de voltar atrás… As lágrimas regavam o tom de um coração que experimentara o pecado e que, por isso, estava mal! Foi assim o papo que tive numa terça-feira à noite, dentro do meu carro… Imagine que a pessoa que conversava comigo, resolvesse procurar João Batista, afirmando estar arrependida e desejando ser batizada por ele no rio Jordão. As palavras iriam ser assim:

“Raça de serpente! O que você pretende, rastejando até o rio? Acha que um pouco de água nessa pele de cobra vai fazer alguma diferença? É a sua vida que precisa de mudar, não a sua pele! E não pense que você pode melhorar sua situação afirmando que é uma pessoa cristã. Ser uma pessoa cristã não ajuda, nesse caso. Muitas pessoas são cristãs, mas até as pedras podem se tornar cristãs, se Deus assim desejar. O que conta mesmo é a vida e a sua, não registra frutos dignos de arrependimento!” (Mt.3:7-9 – [Bíblia A Mensagem])

Você já presenciou “simulacros” de arrependimento? Gente que diz estar arrependida, mas continua no pecado?

As Escrituras revelam a condenação enérgica de Deus para todo e qualquer tipo de pseudo-metanóia. O Reino de Deus é vida que os olhos podem ver! Palavra + Atitude, Discurso + Conduta! Até porque, de boas intenções, o inferno tá lotado…

Em Juízes 10, o povo de Israel volta a fazer o que era mau perante o Senhor! Pecado! Preste atenção no processo:

“Então os filhos de Israel clamaram ao SENHOR, dizendo: Contra ti havemos pecado, porque deixamos o nosso Deus e servimos aos baalins.” (v.10)

“Vós me deixastes a mim e servistes a outros deuses, pelo que não vos livrarei mais. Ide e clamai aos deuses que escolhestes; eles que vos livrem no tempo do vosso aperto.” (vv.13-14)

Já imaginou a cena? O povo clama por socorro e Deus diz: “Procurem os seus deuses e não a mim…”

Sabe qual foi a razão de Deus ter dito “não”? Acompanhe comigo:

“Mas os filhos de Israel disseram ao SENHOR: Temos pecado; faze-nos tudo quanto te parecer bem; porém, livra-nos ainda esta vez, te rogamos. E tiraram os deuses alheios do meio de si e serviram ao SENHOR; então, já não pôde ele reter a sua compaixão por causa da desgraça de Israel.” (Jz.10:15-16)

Apesar do discurso de arrependimento e do pedido de socorro, os deuses alheios ainda estavam no meio deles. “Simulacro” de arrependimento! Pseudo-metanóia!

Os resquícios do pecado sempre colocarão em cheque o arrependimento!

Quem se arrepende apenas com o discurso, apresenta “lampejos” de arrependimento. Lampejo de arrependimento é o mesmo que remorso. A consciência fica pesada em razão da besteira feita e só… Tipo Judas!

“Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos…” (Mt.27:3)

Qual é o produto final dos seus pecados: remorso ou arrependimento?

Que você e eu possamos produzir frutos dignos de arrependimento e que nós eliminemos todos e quaisquer resquícios dos pecados que estiverem entre nós!

E que Deus não consiga reter sua compaixão por mim e por você… Assim seja!

Grande abraço!!!

 

“Desça depressa”

Me encanta a forma como Jesus se encontra com um baixinho excluído em Lucas 19. Para quem não sabe o seu nome é Zaqueu e ele era excluído por ser um cobrador de imposto corrupto. A gana desse homem em conhecer Jesus é impressionante; não conseguido adentrar no meio da multidão ele escolhe uma árvore para subir e aguardar Jesus passar por ali. Ele só não esperava o que ocorreria em seguida. Ao passar embaixo da árvore Jesus olha para cima, vê aquela cena engraçada e diz: “Zaqueu desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje.”
Sinto que esse é o encontro de todo homem e mulher com Cristo. Todos temos algum (ou alguns) problema com aceitação, todos nos sentimos (por diversas vezes) excluídos. Além disso, todos, sem exceção, estamos no alto, nos apegamos a qualquer coisa para estar sobre os outros. Muitas coisas podem servir como árvores em nossas vidas: profissão, diplomas, relacionamentos, poder, habilidades, conhecimento, dinheiro…etc. Subimos nessas “árvores” do mundo dos espertos esperando que elas nos sustentem. Com elas o nosso orgulho aparece e o nosso salvador, assim como os outros, se torna pequeno.
É interessante que Jesus chama Zaqueu para o chão, para a realidade e essa realidade ao lado de Cristo traz alegria àquele homem (V.6). E a obediência ao “desça depressa¨ trouxe arrependimento, frutos de arrependimento (V.8) e salvação (V.9) não só a ele como a toda sua casa.
Quantas vezes não subi (e continuo subindo) em árvores na minha vida. O orgulho me leva a acreditar que pequenas árvores me projetarão para perto do céu e isso me faz enxergar-me maior do que sou e enxergar o próximo e o meu salvador bem menores do que são. Jesus ainda continua se encontrando comigo e me chamando a descer para a realidade e se convidando a entra em minha casa para me trazer alegria, arrependimento e salvação.
Que possamos atender esse chamado!
Grande abraço!