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Em defesa do Aniquilacionismo – 3

Olá meus amigos! Este é nosso terceiro post sobre o tema aniquilacionismo. Se você chegou até aqui sem ler os dois posts anteriores, você pode ler o primeiro aqui e o segundo aqui.  O previsto era que tivéssemos quatro posts sobre o tema, depois deixei para cinco posts, e, por incrível que pareça, este tema termina hoje.  Sim, caros leitores, este será nosso ultimo post sobre o tema.  Então vamos lá caminhar até o fim desta jornada!

São muito numerosos os versículos bíblicos que de fato falam sobre um castigo eterno, em contraposição direta a uma vida eterna, promessa de Deus para os salvos na cruz de Cristo. Para este estudo, vamos pegar um versículo simples, direto e de fácil interpretação. Mateus 25:46.

“E estes irão para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.”

Uma análise rápida com as palavras usadas para a tradução em português deste trecho seria suficiente para garantir um veredicto igualmente rápido de um inferno eterno. Contudo, já que gastamos dois domingos e cerca de 6.000 palavras para chegar a este versículo, acho que vale a pena ir mais a fundo sobre a sua origem. Em grego, língua original do evangelho de Mateus, a expressão equivalente a “castigo eterno” é “kólasin aionion.” Como dito na primeira parte deste estudo , eu não tenho conhecimento de grego, e minha fonte de pesquisa foram escritos do teólogo Basil Atkinson . E foi Basil quem afirmou que o adjetivo “eterno” (aionion) está condicionando o substantivo “castigo” (kólasin) dando a ele uma condição de resultado de uma ação e não propriamente ao processo de castigo. Desta forma, castigo eterno é uma condição deste castigo, e não a sua duração. Castigo eterno é um castigo que não pode ser revertido ou revisto. É um castigo sem escapatória. A utilização grega da palavra “ainion” não é utilizada regularmente para conotar um castigo que dura para sempre, e neste ponto, os até os maiores críticos do aniquilacionismo acabam por concordar. O eterno é um resultado, não um estado. Da mesma forma, a condição de  uma “redenção eterna”, termo encontrado em outros versículos, pode ser facilmente entendida como uma redenção de efeitos eternos, e não como uma ação eterna. Um exemplo pode ser encontrado em Hebreus 9:12, e o termo grego para “eterna redenção” é “aionían lútrosin”. Então, o que fizemos até aqui foi conceituar que a aparição do eterno nos conduz ao efeito, e não a duração do castigo.

A partir de agora, seria muito bom se você pudesse ler os versículos de 7 a 15 do capitulo 20 do livro de Apocalipse. Você também pode fazer isto clicando aqui.

Resolvido o problema do castigo eterno, outro ponto interessante a se notar é que, de certa maneira, o inferno e o lago de fogo do livro de apocalipse não são o mesmo lugar. Então, ainda que no final deste estudo o leitor opte por seguir com sua crença tradicional de sofrimento eterno, seria interessante notar que este sofrimento não se daria no inferno, e sim, no lago de fogo. Esta afirmativa é clara no livro de apocalipse 20:14, de onde tiramos o conceito da segunda morte da semana passada.

“ Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo”.

Ainda que existam várias referencias a fogo e fumaça ligadas ao sofrimento no inferno, o próprio inferno será lançado no lago de fogo, conotando a destruição do inferno, e da própria morte. Logo, se existirá um lugar para onde os condenados no julgamento final irão, ele será o lago de fogo, e não propriamente o inferno. Esta ideia faz muito sentido quando pensamos que o inferno não é eterno no sentido de duração, e apesar de ter procurado pela expressão “inferno eterno” na bíblia, eu não a encontrei. E antes que pensemos que o inferno estará cheio de almas quando for lançado ao lago de fogo, sugiro uma visita ao versículo 13 do mesmo capítulo 20. Lá, vamos descobrir que o inferno e todo qualquer outro lugar existente para quem já passou pela primeira morte será esvaziado para o julgamento. Isto por si só não vale como argumento pró-aniquilacionismo, pois independente do lugar onde haverá o sofrimento, o tema central da discussão é saber se haverá ou não sofrimento eterno, mas achei interessante colocar este ponto para dismistificar um pouco mais a figura do inferno bíblico.

Como meu objetivo não é convencer ninguém a abandonar sua visão clássica, e muito menos ganhar uma discussão teológica, a partir de agora eu vou direto aos pontos onde eu mesmo duvidei do aniquilacionismo. Pode parecer estupidez colocar logo as partes mais complicadas, mas entendo que esta é a única forma para levantarmos um verdadeiro debate. Já aviso que o final pode parecer um pouco fatalista ou abrupto, mas se passarmos pela parte difícil e acharmos sentido no que está escrito,  o leitor poderá acabar este texto acreditando no aniquilacionismo. Vamos lá?

A primeira complicação está pertinho de onde estamos agora. No Apocalipse mesmo. Vamos trabalhar na diferença entre o versículo 10 e o versículo 15 do capítulo 20. Esta é aquela parte onde a bíblia não é explicita, e por isto, esta é uma parte onde o “eu creio” entrará em ação. O que acontece nestes dois versículos é o lançamento de figuras ao lago de fogo. No versículo 10, o diabo é lançado no lago de fogo. No versículo 15, serão lançados os Não Inscritos no Livro da Vida. No versículo 10, descobrimos que o falso profeta e a besta já estão no lago de fogo, e o versículo é maior que o versículo 15 por causa do seu final. E o seu final faz, ao meu ver, muita diferença. Note que o versículo 10 termina dizendo que a estes seres “serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.” Podemos dizer, claramente, que o falso profeta, a besta e diabo sofrerão eternamente. Agora, note no versículo 15. Ele acaba bruscamente. Ele não tem uma referencia direta ao sofrimento daqueles que não estão inscritos no Livro da Vida. Então, eis o dilema! Podemos afirmar categoricamente que o diabo sofrerá eternamente? Sim! Com muita clareza! E podemos afirmar o mesmo para os “não-salvos”? A minha opinião é que não, não podemos afirmar, pois a palavra assim não diz! Ela deixa em aberto. Eis a parte em que cada um pode crer segundo seu estudo, suas orações, suas visões ou segundo seu teólogo favorito. Não existe referencia clara para o que se sucede com os condenados uma vez que estes estejam no lago de fogo. O máximo que podemos fazer aqui é pesquisar outras referencias sobre o destino dos condenados, para tentarmos clarear esta passagem com outras partes da escritura, e é isto que faremos agora.

Para continuar com o dedo na ferida, vamos continuar em Apocalipse. Lá existe um versículo que nos diz o que se sucederá com os adoradores da besta. É de longe o versículo mais complicado, difícil de entender e contextualizar, e poderá ser a base para os defensores do inferno clássico.  No capítulo 14, verso 11, temos:

“E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome.”

Não me abandonem agora dizendo: “Pablo, acabou! Você acabou de confirmar que o sofrimento é eterno!” Pode ser que sim. Se isto te satisfaz, se você leu este versículo e foi tomado pela certeza de que o sofrimento eterno, está tudo bem que você pare por aqui! Só espero que tudo que construímos até aqui tenha de certa forma te ajudado a ficar mais próximo de Deus, ou a entender melhor algumas passagens obscuras e pouco discutidas da escritura. Eu mesmo quase parei por aqui pensando comigo mesmo que não tem como negar este versículo. Mas eu precisei tentar. Eu precisei ir além do que se lia simplesmente, e eu achei algumas coisas interessantes, que gostaria muito de mostrar e escrever para vocês!

Mas eu não posso! Não posso porque tudo que encontrei a partir daqui não foi suficiente para me convencer do contrário. Não posso porque, apesar dos argumentos utilizados pelos teólogos, o versículo 11 é forte demais para ser negado, para ser refutado. E eu tentei! Tentei até poucas horas antes de escrever este texto. Eu poderia por exemplo citar a epístola de Judas, livro de um único capitulo, que inclusive precede o Apocalipse. Podia dizer que no versículo 7 existe uma referencia as cidades de Sodoma e Gomorra sendo destruídas por um fogo descrito como eterno. Depois, eu iria explicar dizendo que se formos aos locais onde estas cidades existiram, não haveria mais fogo queimando, conotando uma analogia com o a fumaça eterna do versículo 11  que citamos acima, mas eu mesmo não acredito mais nisto o suficiente para dize-lo como verdade. Isto não me parece forte o suficiente para seguir acreditando e escrevendo sobre isto. Negar o versículo 11 começou a me parecer uma tentativa desesperada de mudar algo que me causa medo. Para ser sincero, estou feliz e em paz com Deus para não faze-lo. Todos os outros argumentos aniquilacionistas ainda existem por ai, mas acreditem, eles não foram suficientemente fortes para me convencer por todo o tempo. Eles funcionaram bem durante algum tempo, e estou realmente convencido de tudo que escrevi até chegar no versículo 11 do capítulo 14 de Apocalipse.  A partir daí, as coisas não parecem funcionar mais.. não mais como pareciam funcionar antes de iniciar esta longa caminhada até aqui. Pode parecer abruto, mas entre um texto e outro, houve muita meditação da minha parte, e se aceitarem minha linha de pensamento e me derem o direito de formar uma opinião, posso dizer que não é necessário ir atrás deste assunto. Não mais.

Este é um fim melancólico para nosso projeto. Confesso que fiquei mexido e envolvido com ele em níveis que não consigo descrever em palavras. Mas, afinal, fui convencido pela pelo versículo 11 do capitulo 14 de Apocalipse. Para bem ou para o mal, meus queridos amigos, o sofrimento dos não-salvos parece eterno, e me parece mesmo inegável e irrefutável. Contudo, algumas coisas que descobrimos até aqui me deixaram consciente de algumas verdades que, apesar de apenas retóricas, podem ser tomadas como biblicamente possíveis. Entre elas, temos um inferno mais real e menos mítico, e temos a consciência perfeita de que o lago de fogo não é o inferno. No fundo, isto me causa mais medo do que esperança, uma vez que, se o inferno é ruim, o lago de fogo me pareceu ser ainda pior. O pensamento possível é que, sendo no lago de fogo ou no inferno, haverá um sofrimento eterno,  em termos de execução e em termos de duração. Os termos gregos e as traduções diversas de outros versículos que utilizei até aqui me parecem corretas. Os aniquilacionistas realmente foram profundos em buscar uma solução para o dilema, e parte do material que eles produziram faz muito sentido. O que fez sentido, tentei trazer para cena. O que não faz muito sentido, na minha ótica, acabei por deixar de fora, por achar que se trata de um material muito bom, mas que não parece funcionar. A equação não parece fornecer resultados corretos quando o versículo 11 entra em cena.

O que podemos tirar de conclusivo para este estudo não ser de todo perdido é a advertência pare termos mais TEMOR de Deus, e com seu julgamento. Longe de incitar o medo, desejo que o leitor apenas entenda que nossa noção de justiça não é necessariamente a noção da justiça de Deus. Eu comecei este projeto com compaixão pelos não-salvos, talvez tentando formatar o que eu considero justo e buscando biblicamente comprovar o que eu gostaria de crer. Mas vou terminar preocupado com minha própria vida! Eu nunca precisei tanto de Jesus, nunca antes tive tanto receio de pecar como tenho agora, e nunca antes o peso das minhas iniqüidades foi tão claro como é agora. Somente um Deus amoroso poderia se fazer homem para evitar que pessoas pecadoras como eu e você tivéssemos um destino terrível ao fim de nossas vidas. Entender este sofrimento nos faz entender o amor de Deus que quer nos libertar deste destino.  Eu tive um pequeno vislumbre do que aguarda os condenados, e não gostei nada do que vi. Por isto, creio que a urgência do Evangelho é real e tangível, e se você realmente ama a pessoa que está ao seu lado, seja ele seu pai, sua mãe, seus irmãos ou aquele melhor amigo, não perca seu tempo. Ore por ele, converse com ele, fale com ele sobre a palavra de Deus, e leve Jesus até a porta do coração dele. Ele é nossa salvação, nosso bom pastor, nosso caminho até Deus. Fale isto com quem você ama, hoje. Amanhã já pode ser tarde demais

Por fim, finalizo dizendo que nosso motivo para estar perto de Deus não deve nunca ser o medo do lago de fogo, ou o medo do inferno. E pode parecer irônico, mas era exatamente aqui que eu queria chegar quando tentei defender o aniquilacionismo. Eu pretendia terminar dizendo que não devemos ter medo do inferno, e nem devemos escolher Deus por medo do sofrimento eterno. Ia dizer que  se for este o motivo para estarmos com Deus, ainda não havíamos entendido o amor de Deus em sua natureza mais graciosa. Deus não pode ser a melhor escolha. Ele é a ÚNICA escolha que podemos fazer! Então, aniquilando ou não as almas condenadas, Deus continua sendo um Deus amoroso e justo. No fim, a sensação de justiça será completa para todos. Tentei achar respostas humanas para descrever tal justiça, mas isto parece pertencer mais ao campo da fé. Então, tenhamos fé na justiça de Deus, pois ela será como Ele: Perfeita.

Contudo, fiquem alertas, meus irmãos. O peso dos pecados pode condenar os homens  a uma existência inteira em sofrimento. E pior que isto, uma existência inteira longe de Deus. Na única vez que Cristo experimentou a ideia de ficar longe de Deus, Ele suou gotas de sangue.

Que este mesmo Jesus, que nos entende e nos ama,  nos ajude diariamente. E que possamos estar todos no Reino de Deus quando o fim chegar.

Como sempre, nosso campo de comentários está aberto, e minha disposição para discutir o assunto continua igual.

Um abraço a todos e obrigado por sua atenção em todos estes dias!

Ágora* sem cruz

Há uns dias atrás gastei um pouco de tempo vendo alguns debates na Internet entre teólogos e ateus. Já fui um entusiasta desse tipo de debate com disputas acaloradas e torcida dos dois lados. Hoje tenho preguiça. Enquanto via os debates me lembrei de uma passagem inusitada onde Jesus foi convidado a ter um papo com alguns gregos (Jo. 12:20-24). Através de seu discípulo Filipe, que pelo nome tinha vínculos com gregos, foi convidado para um papo filosófico. Provavelmente Jesus seria convidado a deixar de lado aquele pequeno mundo palestino para ampliar suas fronteiras, fazendo seus sermões na ágora de Atenas, onde suas palavras seriam amplificadas mundo afora. Com certeza ele se tornaria o maior filósofo da história!  Dialogaria com as ideias de Sócrates, Platão, Aristóteles e tantos outros.

Mas, diferentemente do esperado, Jesus responde de forma esquisita: “E Jesus lhes respondeu, dizendo: E chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado.Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” (João 12:23-24)

Jesus tinha um propósito claro, nada mudaria seu caminho. Ele abriu mão da ágora em detrimento da cruz. Abriu mão de todo reconhecimento intelectual e filosófico ao escolher o sacrifício, a dor , a humilhação e o amor! Esse é o caminho que Ele deixou para que seus seguidores percorressem, o caminho da cruz e do amor sacrificial! Não sou contra a apologética, entendo sua importância. Muitos são “conquistados” para Cristo através da defesa da fé. Sou contra uma apologética que caminha para o ágora sem passar pela cruz! Não consigo entender a arrogância com que muitos cristãos usam dela  ao invés de escolher o caminho da cruz e do amor sacrificial! A ágora é um local legitimo de discussão, como todos os outros locais esse é mais um onde devemos ter cristãos! É nesse espaço onde ateus, filósofos, intelectuais são ganhos para Cristo. O problema é quando os nossos representantes estão na ágora para ganhar uma disputa, para que a vaidade seja alimentada e não para que Jesus seja glorificado através de uma postura de servo e amor sacrificial! Infelizmente as ágoras estão repletas de cristãos que ainda não compreenderam e, muito menos, caminharam até a cruz!

Que possamos caminhar pelas ágoras do mundo depois de passarmos pela cruz!

Abraço e até a próxima!

 

*Ágora: Ágora era a praça principal na constituição da polis, a cidade grega da Antiguidade clássica. Normalmente era um espaço livre, configurada pela presença de mercados e feiras nos seus limites, envolvido por edifícios de carácter público.É na ágora que o cidadão grego convive com outro, onde decorrem as discussões políticas e os tribunais populares: é, portanto, o espaço da cidadania. (fonte: wikipédia )

Amor e Argumentos

Existem várias justificativas para a fé cristã que podem ser memorizadas, ensaiadas e pronunciadas sem causar efeito. Mas existe uma justificativa diferente: o amor, que por sua essência procura apenas o bem dos outros e está disposto a pagar o alto preço do esquecimento de si mesmo. O amor é um produto difícil de imitar ou falsificar. J.Powell¹

Este trecho pode soar presunçoso: “O Amor é produto exclusivo do cristianismo, compre!!”. Podemos nos trair neste sentido, sendo orgulhosos até de sacrifícios que possamos fazer (veja como eu amo esta pessoa!). Mas não vou falar disso.

Penso mais sobre Apologética*. Não sei se o autor queria dizer isso, mas parece-me que sim. De fato, eu creio em vários pontos históricos, arqueológicos, biológicos, físicos, matemáticos, probabilísticos, sociológicos, filosóficos, antropológicos que podem demonstrar uma profunda coerência e sensatez no cristianismo, no Deus bíblico, em Jesus, etc.

Aliás, um clássico neste assunto (embora seja uma publicação recente) é Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu² , cuja ideia central é que as provas para o cristianismo são tão contundentes que é necessário ter mais fé ainda para não acreditar nele.

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“os cristãos vivem numa busca por argumentos para a fé

que pode nos desviar daquilo que fomos chamados a fazer”

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Não quero desmerecer este trabalho ou menosprezar a sua contribuição para o crescimento e o fortalecimento da Igreja. O próprio autor (ou seria o prologuista?) declara no início do livro seu amor pela apologética, foi lendo um livro deste gênero que ele se tornou cristão. No entanto, eu mesmo era um cético e não precisei de tantos argumentos para me convencer.

Um jovem de quinze pouco sabe a respeito de questões profundas da existência de Deus (estou generalizando, há jovens que sabem muito mas há jovens que se apóiam em jargões impensados, como eu era), mas ainda sim acho que o meu exemplo é válido. Acho que eu não teria amadurecido meu pensamento se não me tivessem apresentado o cristianismo. Eu simplesmente não pensaria mais a respeito e com dezenove vinte e um anos seria agnóstico, baseado nos mesmos velhos e falhos argumentos.

Às vezes os cristãos vivem numa busca por argumentos para a fé que pode nos desviar daquilo que verdadeiramente fomos chamados a fazer. Munido de tantos argumentos, me ensoberbeço, torno-me mais altivo e orgulhoso. Num dia de dicussão com um não-cristão, apresentei vários argumentos, fui meio irônico no meu tom, ridicularizando sua lógica e, no final, pensei: a apologética não me faz um homem mais piedoso.

Nem sei por que pensei nesta palavra, “piedoso”, mas assim foi o meu pensamento. Poderia dizer mais amoroso, de mais amor, uma pessoa melhor, mais virtuoso. Acho que ainda sou imaturo neste aspecto e os argumentos tem esse efeito negativo em mim. Neste dia dei uma desanimada com argumentos para a fé.

Penso que há certa verdade bíblica no que eu disse. De novo, não digo contra a apologética, mas alerto para  um possível tiro no pé que ela representa para mim: O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica.³

Afinal de contas, se eu puder evitar que alguém dê as costas para Jesus por causa de orgulho, por não querer dar o braço a torçer, então eu vou fazer o máximo para isso ocorrer!

Embora não-cristãos possam usar ironia e sarcasmo como armas (muitas vezes não estão contra as ideias mas contra o interlocutor), não acho que isso possa ser usado pelos cristãos. Nunca podemos agir ou encarar que lutamos contra as pessoas, mas sim a seu favor, pelo seu bem. Abaixo trago um exemplo do que disse (embora seja legal e engraçado, não acho aconselhável irmos por esse caminho):

A crença de que não havia nada e então nada aconteceu ao nada e o nada magicamente explodiu por razão nenhuma criando tudo e depois várias coisas magicamente se  rearranjaram por si mesmo por razão qualquer, não importa, tornando-se pedaços autorreprodutores que depois acabarm em dinossauros, Faz perfeito sentido.
Ateísmo - A crença de que não havia nada e então nada aconteceu ao nada e o nada magicamente explodiu por razão nenhuma criando tudo e depois várias coisas magicamente se rearranjaram por si mesmo por razão qualquer, não importa, tornando-se pedaços autorreprodutores que depois acabaram em dinossauros. Faz perfeito sentido.

*Apologética é uma palavra derivada de “apologia” (do grego απολογία, “defesa verbal”) usada para designar a prática da explanação e defesa sistematizadada da fé cristã.

¹ O Segredo do Amor Eterno (eu disse que eu citaria mais esse livro).

² Norman Geisler e Frank Turek. Pode parecer que eu sou contra lerem esse livro, mas eu não sou! Ele é totalemnte excelente, explica muitas coisas muito interessantes, fala sobre lógica, verdade, biologia, fala sobre a Bíblia, Jesus, a existência de Deus, milagres; enfim é bem completo e uma ferramenta muito útil.

³ 1Co 8:1, NVI