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Não deu tempo de bolar um título!

Insônia… O sono bate, o corpo pede descanso. Todos os pré requisitos são sabaticamente cumpridos mas o mais importante não acontece: as pálpebras não se mantêm fechadas. A mente  não entra em repouso.

E aí começa a sabatina… Vai ao banheiro, volta para a cama. Bebe um copo d’água, volta para a cama. Fala com Deus, na esperança de que o repouso do coração leve ao sono profundo,  mas isso também não funciona. Assiste um episódio da série que precisa ser colocada em dia, lê um capítulo do livro que está sobre a cabeceira e… Nada! Enquanto isso a mente se prende ao despertador, programado para as 08:00 da manhã, uma vez que a lista de atividades que precisam ser cumpridas no dia seguinte é grande. Chega uma hora em que a noite cansa. O vazio do silêncio e a falta de perspectiva em conseguir passar por ela dormindo fazem com que o coração se torne ansioso. Já sem muito o que fazer se espera pela manhã, pelo momento em que o despertador vai tocar e que o silêncio e a solidão da noite interminável finalmente terão fim e darão lugar à tão produtiva manhã de sábado!

Faz lembrar o salmista, quando diz: “A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pela manhã, mais do que aqueles que guardam pela manhã.” Salmos 130:6

Enfim, o som do despertador! E aí vem a contradição…

O dedo desliza sobre a tela do celular, mas não com a intenção de desligá-lo, e sim de ativar a função soneca. A preguiça de sair do aconchego sob medida do colchão toma conta. 10, 15, 40 minutos… E grande parte da tão esperada manhã já se foi quando finalmente cria-se a coragem de colocar os pés pra fora da cama.

E então o mesmo coração que anseia pelo Senhor durante a noite sem fim é o coração que, obstinado a pecar, se enrola no pecado, “deita e rola” nos seus próprios prazeres quando a Manhã chega, quando a Manhã o chama.

Não sei quanto tempo já perdi com essa contraditória condição espiritual de desejar a Manhã e protelar para vivê-La, mas tenho certeza que foi muito!

Mas enfim, não tenho mais tempo… Enrolei muito na cama! Estou atrasado e preciso ir! Infelizmente quando isso acontece algumas coisas não ficam como deveriam.. Alguns textos ficam sem final, ou até mesmo sem o título!

Meu pequeno professor

Ontem foi um dia atípico. Uma lesão no tornozelo na pelada da noite anterior e uma noite muito mal dormida por conta das fortes dores me levaram, logo de manhã, até o pronto socorro. Eu sabia que a última coisa que eu tinha era hora para voltar. Enquanto aguardava na fila do atendimento, várias emoções e sensações tomavam conta de mim. A curiosidade de saber o estado do paciente que era trazido pela ambulância, a compaixão sentida pelos enfermos jogados pelos corredores, sem nenhuma companhia, os calafrios que corriam o meu corpo cada vez que eu me deparava com alguma cena mais forte, o mal estar gerado pelo forte cheiro que aquela multidão de pessoas deixava pelos corredores do hospital. Mas sem dúvida alguma o sentimento que me acompanhou desde a minha chegada até o momento do atendimento foi a ansiedade. Esperava ansioso o momento em que meu nome seria anunciado e que eu me encontraria com o doutor para a minha consulta. Não foi nenhuma novidade para mim, já que esta poderia ser considerada uma marca registrada da minha personalidade. As minhas unhas dão testemunho disto!

Enquanto aguardava, uma pessoinha me chamou a atenção. Tratava-se de uma criança muito simpática, que ao longo do dia e graças às diversas filas que tivemos de enfrentar, descobri que se chamava Gabriel. Gabriel tinha 4 anos de idade, e estava com a mãozinha machucada. A julgar pela intensidade do hematoma e pelo inchaço da mão direita do garoto, com certeza a dor era forte. Mas não parecia! Gabriel estava se divertindo profundamente ali. Uma alegria que chegava a incomodar, pelo simples fato de que não havia nenhum motivo aparente para ela existir. Passamos quatro horas juntos na fila de espera, e neste meio tempo, o garoto inventou diversas maneiras de se entreter. Brincava de pular os azulejos do chão do hospital, contava para todos como havia se machucado, conversava com as pessoas sobre as suas enfermidades, escalava a sua mãe que, sentada, pedia em vão que o menino se aquietasse. Chegou até a acariciar o meu pé machucado, atitude que me comoveu profundamente! Enquanto isso, eu murmurava, me irritava e ficava ainda mais ansioso a cada vez que um nome que não fosse o meu era chamado!

Um contraste imenso, explicitado no momento em que fomos chamados pelo médico. A enfermeira gritou: “Eduardo Martins Machado Mitre”, e o meu coração respondeu, junto com a minha expressão de desagrado: “Finalmente!!!”. Logo depois, a mesma enfermeira faz a chamada: “Gabriel de Jesus”, e o menino, num salto, e com um grande sorriso no rosto, grita: “Sou eu mamãe, Gabriel!”.

Ontem, Gabriel me ensinou que a ansiedade rouba toda a alegria, a mágica e as maravilhas da espera. Me ensinou que as unhas ruídas podem dar lugar a uma paz divertida. Me mostrou que o murmúrio pode ser substituído por expressões espontâneas de alegria, e que uma mão quebrada ou um tornozelo torcido não se comparam ao gozo de poder desfrutar de uma vida feliz. Gabriel me ensinou que a ansiedade destrói a paz interior, e que o melhor que temos a fazer é esperarmos contentes a manifestação do Médico das Almas.

“A ansiedade do coração deixa o homem abatido…” Provérbios 12:25a

“Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.” Salmos 27:14

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” 1Pedro 5:7

Espero que esteja tudo bem com a sua mãozinha, amigo Gabriel!

Prazer de necessidade

Nada melhor do que aquela sensação gostosa de desfrutar de um copo de água quando se está sedento, de uma refeição após prolongado jejum forçado e de tantas outras coisas. O que seria ela? Na verdade não é ela, mas sim ele, o prazer!

Imagino que Deus o tenha nos dado para que nos sintamos bem ao realizar algo que seja fundamental para a manutenção saudável de nossas vidas. Imagine se a atividade sexual não fosse prazerosa. Com certeza a reprodução da espécie estaria prejudicada.

Creio que aquele que não se permite regozijar com o prazer é indiferente às situações por que passa e corre o risco de fazer com que suas atividades corriqueiras se tornem enfadonhas e monótonas. Acredito também que Deus tenha feito do prazer um elemento da felicidade. Não a própria felicidade, mas um componente dela – algo que torna nossa vida mais agradável. O prazer, segundo penso, não tem valor em si mesmo, e se mal usufruído pode ser extremamente perigoso!

O prazer não controlado requer todo o tempo que seja feito um ídolo a quem nos curvamos em adoração. Juntamente com ele, Deus nos deu o livre arbítrio e a liberdade de escolher a quantidade de prazer que buscaremos no nosso dia-a-dia. Como lidar bem com o prazer, afinal?

O filósofo André Comte Sponville, embora ateu declarado, nos fornece uma boa sugestão. Em seu Tratado das Grandes Virtudes, ele apresenta o prazer aliado à virtude que chama de temperança. Para ele, a temperança é desfrutar do prazer com liberdade e moderação.

Liberdade porque o indivíduo não permite ser feito escravo por ele. E aqui lembramos o apóstolo Paulo (1 Coríntios 6:12), que nos diz que tudo lhe era permitido, mas nem tudo lhe convinha. Diz ainda que era livre para desfrutar de todas as coisas, mas que não se deixaria dominar por nenhuma delas.

Quanto à moderação, se não observada, há o perigo da insaciabilidade. Quanto mais temos, mais queremos. Porque o prazer, apesar de bom, não nos fornece a completude experimentada no Espírito. Assim, corremos o risco de entrar no ciclo vicioso de buscar prazer para sentir prazer. E neste ponto faço uma ressalva quanto à confusão com a felicidade – muitas vezes estamos ansiosos por algo que nos aflige e passamos a buscar no prazer uma maneira de lidar com a questão. Como exemplo, seria a serotonina do chocolate para as mulheres em fase de TPM elevada a uma alta potência.

Enfrento, como todo ser humano, muita dificuldade em ser temperante. Sinto muito prazer ao me relacionar, mas se descuido passo tempo de mais com os amigos na Internet, ou andando de um lado para outro com minha turma. Em nome do prazer, estou sujeito a negligenciar várias obrigações para regozijar de “só mais cinco minutos” da minha cama pela manhã. E você, o que tem a me dizer sobre sua relação com o prazer?

Com este post pretendo não encerrar o assunto, mas dar continuidade ao que já escrevi sobre felicidade e que pode ser lido nos links abaixo.

Felicidade versus prazer

O empecilho à felicidade

Água viva

links de referência:

http://estadonoetico.blogspot.com/2008/06/temperana-ontem-e-hoje.html

http://www.pensandoonline.com/2010/11/temperanca.html#comment-form