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Começando a entender

“Amar alguém é dizer-lhe: Tu não morrerás jamais!”

(Gabriel Marcel)

Estávamos numa reunião de segunda-feira. Estudávamos sobre esperança. De repente, alguém citou essa frase. Silêncio. Reflexão. Daí, outro alguém interrompeu a ausência de palavras e disse: “Nossa! Essa frase é muito profunda…”

Minha vontade era interromper o estudo e dizer: “Alguém me explique essa frase!”

Significa dizer que ninguém ama? Afinal, todos morreremos (sem exceção), certo?

Existe alguma possibilidade de alguém não experimentar a morte?

Sim!

Mas como? 

Jesus!

Então essa frase tem a ver com Jesus? 

Sim!

Mas a frase não está falando sobre amor?

Sim!

Ah, tá! Acho que estou começando a entender…

Bom saber que está começando a entender! Melhor ainda será o dia que você vai começar a amar…

Um grande abraço!!!

 

Feliz Páscoa

“E ele morreu por todos, para que os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”(II Co.5:15)

cristo

 

Porque a Páscoa nunca teve nada a ver com chocolate… Ela sempre teve tudo a ver com sangue!

Sangue que evidencia o maior amor do mundo!

Para quem você tem vivido: para si mesmo ou para aquele que por você morreu e ressuscitou?

Feliz Páscoa e um grande abraço!!!

“Idade suficiente para amar…”

“Olhei para você e vi que já tinha idade suficiente para amar; então estendi a minha capa sobre você e cobri a sua nudez.” Ezequiel 16:8

Amor, algo tão maravilhoso e algo tão destrutivo! Amar é se jogar… se desnudar perante o próximo . O problema é que esse processo de nos desnudar diante dos próximos nos traz frustração, decepção, traumas…

Em meio ao mundo frio e impessoal, somos feridos e o que fazemos? Nos jogamos ainda mais, com um amor próprio cada vez menor, criando mecanismos de indiferença e “remédios” que não trazem cura.

No entanto, o anseio pela intimidade é sedento. Nos encontramos nús, desvalorizados e inseguros.

De um lado a implacável sede humana, que nos leva ao se jogar na próxima aventura. De outro, as feridas e traumas das buscas passadas, que nos levam ao mundo da insegurança, mecanismo de defesa e solidão.

No momento onde nos encontramos no deserto, desnudados, inseguros, desvalorizados, sedentos, solitários… vemos Aquele que , de forma misericordiosa,  lança a capa sobre nós.

No ato de lançar a capa nos sentimos protegidos, valorizados e amados. Não há como amar de forma sadia sem estar coberto ou debaixo da capa do nosso querido Deus.

O verso nos ensina que Deus nos observa, avalia o tempo (idade suficiente) e age, lançando a capa.

O amor do mundo não lança capa, ele destrói.

O amor de Deus lança capa, protege e sacia… nos ensinando a lançar capa sobre outros.

Abraço a até a próxima.

*Esse post  é dedicado a minha querida esposa. Hoje completamos 10 anos de casado. Há mais de 20 anos Deus lançou a capa sobre mim, há 10 tenho o privilégio de ter 2 capas sendo lançada sobre mim!

Minha linda, me sinto seguro, amado e satisfeito com o seu amor que se aperfeiçoa no amor do Pai! Te amo mais hoje do que há dez anos!!!!

Não havia esperança

Não havia nada de novo naquela proposta. Porque, embora o local fosse diverso, os personagens eram os mesmos. A maldade praticada durante a semana repetia-se no final de semana. Pergunta, então, o coração aflito: em que consistia a mencionada maldade?

O esquecimento, a indiferença e a distância eram as piores armas e foram reiteradamente usadas naquele período. Você pode ter certeza que é possível estar sozinho mesmo cercado por 400 pessoas. E o coração sem esperança pergunta, então: qual era a razão da maldade? Como ilustre agente e hoje observador distante percebo que era o mal não refletido. O mal pelo mal.

O desespero acometido. A busca por outro cômodo, apenas um cômodo que pudesse libertar das correntes e vergonhas visíveis, mas não só. O coração desesperado gritava: Liberte-me das algemas interiores!

Num piscar de olhos: teofania ou um enviado? Não se sabe. Mas os poucos segundos de duração produziram resultados para a eternidade.

No lugar de sombra, luz. No lugar de sofrimento, alegria. Nos rostos repetidos, novas figuras. No lugar do mal, amor. No lugar da dúvida, fé. No lugar do vazio, esperança.

Tudo fez-se novo e o novo era Jesus Cristo.

O seu encontro com o Criador por meio de Jesus pode não ter sido tão espetaculoso, mas ele é o seu encontro e por isso é muito especial. Reviva esse dia ou essa fase em sua memória. Não deixe esquecido o que te deu ar para respirar, o que renovou e consolidou para sempre a sua esperança.

Eu te amo!

Quem nunca ouviu essa expressão? Quem nunca disse isso pra alguém?

O amor está intimamente vinculado a ignorância. Ao dizer que amamos, o risco é gigantesco de estarmos enganados e pretendo explicar a razão disso. Exatamente por causa disso, a expressão “Eu te amo” tem sido tão banalizada! Existem, pelo menos, 4 ignorâncias quando o assunto é o amor:

1) Ignorância a respeito de si mesmo: quem sou eu?

2) Ignorância a respeito do outro: quem é este (a) que acredito amar?

3) Ignorância a respeito do que é o amor: eu entendo o que é o amor?

4) Ignorância a respeito do fim que chegaremos amando: qual é o resultado do amor?

Se há uma dimensão da vida aonde o auto-engano se manifesta com tamanha intensidade, é na dimensão do amor e dos romances!

O início das relações são intensas, repletas de juras de amor, onde os amantes estão em êxtase (palavra grega que significa “ficar fora de si”)! O problema é que esse êxtase não dura para sempre.

“O prometer apaixonado engana, mas não mente. A melhor maneira de enganar o outro, consiste em estar auto-enganado. O amante e seu amor, formam um par perfeito. O apelo da paixão é mais forte do que eles. Ambos acreditam sinceramente um no outro e em si mesmos. Oferta e procura. O enganar do amante é conveniente porque ele, auto-enganado, engana sem precisar enganar. Ele diz a verdade e a verdade é o seu dom de iludir. O objeto do amor (justiça seja feita) até que esboça alguma dúvida: ‘Sim, mas e depois? O que será de nós dois? O seu amor é tão fugaz e enganador…’ A vontade de acreditar que estamos amando e sendo amados é mais forte do que o medo.” (Eduardo Gianetti)

Há verdades que mentem! As juras de amor são verdades que mentem!

Quem nunca ouviu ou cedeu a expressões do tipo:Eu juro, meu amor! Agora é pra valer!“, “Você tem que acreditar em mim…“, “Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida…?

“Pinta-se o amor sempre menino, pois ainda que sobreviva ao tempo, nunca chega a idade de uso da razão. Usar de razão e amar são coisas que não se ajuntam. A alma de um menino, o que vem a ser? Uma vontade com afetos e um entendimento sem uso. Tal é o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma. Porém, o primeiro rendido é o entendimento. Ninguém teve a vontade febricitante, que não tivesse o entendimento frenético. Nunca houve enfermidade no coração que não houvesse fraqueza no juízo. E como o primeiro efeito ou a última disposição do amor é cegar o entendimento, daqui vem que aquilo que vulgarmente chamamos de amor, tem mais partes de ignorância. E quantas partes tem de ignorância, tantas lhe falta de amor. Quem ama porque conhece, é amante. Quem ama porque ignora, é estúpido. Assim como a ignorância na ofensa diminui o delito, assim, no amor, diminui o merecimento. Quem, ignorando, ofendeu, em rigor, não é delinquente. Quem, ignorando, amou, em rigor, não é amante.” (Padre Antônio Vieira)

Palavras de amor que são ‘fogo de palha’ e ‘chuvas de verão’…

Atiramo-nos um ao outro, porque, ignorantes. Mas quando vamos tomando consciência daquilo que ignorávamos, quando vamos discernindo o outro, quando vou tomando consciência de mim mesmo, quando começo a questionar a qualidade daquela relação que chamei de relação de amor, quando começo a entender o preço daquele relacionamento, quando o véu vai sendo retirado, quando a poeira baixa, quando os pés voltam ao chão e se diz, no popular, ‘caiu a ficha’, então, todas as certezas do amor começam a entrar em cheque. Abraçam as dúvidas. Porque o amor, era o amor que tu me tinhas e o anel que tu me deste, era vidro e se quebrou.

Estudiosos dizem que o amor não dura mais do que 70 dias ou 32 cópulas. O que vier primeiro. Depois vem o cotidiano, a rotina. Depois de nove e meia semanas de amor, vem o tédio, a monotonia. Nessa hora, começamos a olhar para o lado, flertando (ainda que inconscientes) com as possibilidades e com os assédios de terceiros. Antes, só tínhamos olhos para aquele (a) a quem dissemos amar. Agora, as coisas não são como eram antes…

Quais são as respostas de Deus para todas essas afirmações? O amor é mesmo o status daqueles que estão auto-enganados? 

Lanço, à partir de hoje, uma pequena sequência de posts intitulada “Eu te amo!”, onde discutiremos todas essas questões. Proponho uma conversa madura e saudável sobre o amor, porque falar sobre o amor, nunca é demais!

Até sexta-feira que vem! Grande abraço!

Deus está morto

De tempos em tempos surge um fenômeno no meio gospel. O último, sem dúvidas, foi o filme “Deus não está morto”. Logo de cara digo que não gostei do filme. Não gostei da produção, enredo fraco, atores medianos e um clima de mercado gospel do início ao fim. A forma como trata a diversidade cultural e social é “bizzaramente” arrogante. Fico imaginando um chinês ou um muçulmano vendo esse filme e ficando chateado, da mesma forma como vejo pessoas cristãs chateadas quando vemos a Globo generalizar negativamente a figura do religioso.

Mas, em meio a tantas críticas, queria focar em um fato que percebo há um bom tempo. A forma como a defesa da fé é permeada de ódio e ressentimento. Me perdoe, mas não vejo amor na figura do solitário personagem principal. Vejo uma disputa vaidosa entre um professor (uma caricatura aumentada e quase desumana de um ateu) e um cristão. Discussões simplistas, respostas ainda mais simplistas e um clima de querer vencer a disputa.

Mas, se ficasse somente nisso estava bom. O que me deixa mais perplexo é a reação de quem assiste. Parece uma luta de boxe. A cada muro no estômago do professor, vários cristãos em suas casas ou cinemas batendo palmas, ou comentando: “levou! Safado! Bem feito!” O que sinto é que os religiosos cristãos estão esperando ajudas externas (como a desse filme) para acreditar que tudo isso vale a pena. E, enquanto isso, fica se remoendo de ressentimento.

E eu me pergunto: onde está a cultura do serviço? Onde estão as vidas tocando vidas? Onde está a verdade encarnada? Onde estão as atitudes de amor sacrificante? Onde está a cultura da aceitação? São essas coisas que tem cheiro de evangelho! Ah, mas isso não vende muito no mercado gospel!

Creio que apocalipse 3:20 volta com toda a força na Igreja gospel contemporânea, pois a festa está bonita, moderna e cheia… mas esqueceram o motivo do lado de fora. Infelizmente tenho encontrado com inúmeros cristãos ateus…. aqueles que professam Deus aos domingos, mas vivem como se O mesmo estivesse morto!

Grande abraço e até a próxima!

 

 

O jardim do amor

“tendo ingressado no jardim do amor,

Deparei-me com algo inusitado :

Haviam construído uma capela

No meio,  onde eu brincava no gramado.

E ela estava fechada ; ‘tu não podes’

Era a legenda sobre a porta escrita.

Voltei-me então para o jardim do amor,

Onde crescia tanta flor bonita,

E recoberto o vi de sepulturas

E lousas sepulcrais, em vez de flores ;

E em vestes negras  e hediondas os padres  faziam rondas,

E atavam com nó  espinhoso meus desejos e meu gozo. ”

William Blake

O que me protege?

“… que o teu amor e a tua verdade sempre me protejam.” (salmo 40:11b)

Como assim?

Amor?

Verdade?

O que me protege é o poder! Sou filho do Rei!

E assim, nossa igreja míope caminha …

Se pensarmos bem, o amor me protege de me entregar de corpo e alma aos falsos amantes, que prometem plenitude mas devoram a alma (sejam pessoas, sejam coisas). Já sou amado, e isso basta!

A verdade me guia pelo caminho do acerto, mesmo que seja bem estreito, mesmo que encontre minha cruz, mesmo que sofra. A verdade me impede de entrar nas rodovias bem sinalizadas e confortáveis do mundo da sedução e engano.

VERDADE E AMOR

AMOR E VERDADE

Que essa dupla sempre me proteja!

 

Grande abraço e até a próxima!

Imerecido

Imerecido. Se alguma palavra o define, é esta, visto que a condição do homem não o torna nenhum pouco digno de recebê-lo. Digo isto pensando não apenas no que é eterno, imenso, como quando o recebemos do Alto, em resposta às misericórdias naturais Dele, mas no que é corriqueiro: um gesto de compaixão, um presente, uma lembrança delicada ou uma palavra de perdão. Por ser imerecido, quando surpreendidos com ele, as reações explodem em uma mistura de sentimentos: vergonha, alegria, espanto, constrangimento. Ele consola o ferido, disciplina o pecador, acompanha o solitário, restaura relações, traz alegria e paz àquele que disto se esvai pela culpa.

E é paradoxalmente, como se o merecêssemos, que ele se apresenta a nós diariamente, através de pessoas comuns, que o doam por um dia o terem recebido, também imerecidamente. Quando não em obra e em verdade, em língua ou palavra, sendo aquele muito mais eficaz do que este. Manifestações diárias e espontâneas, que nos fazem lembrar daquela que foi eterna: o Deus que se fez homem, que se deu por nós. Que nos fazem lembrar que, assim como Ele, devemos vivê-lo de todo o coração, alma, força e entendimento, oferecendo-o ao próximo, bem como o seu Inventor o fez.

Não ouso definir o amor, mas uma coisa sei: se amamos ou se, imerecidamente, somos amados, “é porque Ele nos amou primeiro”.

Pedro, Jesus e eu – a história da nossa amizade

O discípulo de Jesus com o qual mais me identifico é Pedro. Talvez pelas falas sem pensar, talvez pela maneira impulsiva como demonstrou amor por Jesus, não sei… Sempre que leio suas histórias na Bíblia penso que teria agido de maneira semelhante à dele na ocasião.

Pedro chama a atenção logo no início dos evangelhos por ser pescador profissional e obedecer ao comando de Jesus de lançar redes ao mar novamente após uma noite inteira de pescaria frustrada. Durante toda a história do ministério de Jesus ele continua se destacando entre as linhas da Bíblia com suas falas apressadas, como por exemplo quando o repreende por dizer que não deveria sofrer e morrer. Mas Pedro não surpreende só por bobagens, é dele uma das falas mais presentes e estimulantes da minha vida cristã: “pra quem iremos, Senhor. Tu tens a palavra da vida eterna” (Jo 6:68) ao reconhecer Jesus como único caminho.

Apesar dos três anos andando ao lado de Jesus, às vésperas da morte dele, uma fala soa um tanto quanto estranha: “tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lucas 22:32). Como assim? Pedro viu o próprio Jesus tão de perto por tanto tempo, fazendo e acontecendo, e não havia se convertido ainda? Não! E as três vezes que o negou quando pressionado faz crer que ele realmente parecia não conhecê-lo.

Mas Jesus já sabia disto e creio eu ser esta a motivação de uma fala presente num dos versículos mais bonitos da Bíblia na minha singela opinião. Quando Maria Madalena, Maria (mãe do Tiago) e Salomé foram ao túmulo visitar Jesus morto não o encontraram. O anjo que estava sentado no lugar de Jesus disse que ele havia ressuscitado e falou para que elas dissessem aos discípulos e a Pedro que eles o encontrariam na Galileia (Marcos 16:7). O perdão ficou ainda mais claro na fala do anjo.

Jesus, do lugar onde estava na história, conseguia ver bem o que se passava à sua volta. Ele sabia o que estava no coração de cada uma das pessoas que cruzaram seu caminho. E viu o quanto Pedro almejava ser visto ao lado do Rei de Israel, nos moldes como julgava o discípulo que seria. Sabia (tanto que disse que aconteceria) que Pedro iria negá-lo três vezes apesar das suas muitas declarações de amor. Por outro lado, deve ter visto o quanto ele o amava. Após a ressurreição, numa praia como no início, quando se conheceram, Jesus convida Pedro para que se responsabilizasse por suas ovelhas. Antes ele o questiona por três vezes que tipo de amor seria aquele. Pedro, de forma brilhante, lhe responde que ele sabia como o amava, cheio de erros, mas qual o tamanho daquele amor.

Identifico-me com Pedro não só nas falas impulsivas, mas também nas dificuldades para seguir Jesus todo o tempo. Por isto gosto tanto das passagens bíblicas em que ele aparece. São momentos de transparência e de demonstração do amor de Jesus por ele, apesar dos pesares. Assim como Jesus aceitou aquele pescador rude, creio que também me aceita. A pergunta acima de como Pedro não havia recebido Jesus após três anos andando ao lado dele encontra resposta quando olho para minha vida. Após longos 12 anos como cristão ainda sinto a necessidade de recebê-lo tal como na primeira vez que ouvi falar do seu amor por mim. Assim como Pedro errou feio andando tão próximo do próprio Cristo, vejo o quanto peco mesmo tendo vivido aventuras tão loucas ao lado do meu amigo Salvador durante todo este tempo. Assim como Jesus sabia do pecador que Pedro era e o amou, creio que tem feito comigo hoje e agora.

Este post é para você, que começou a andar com Jesus, mas que ainda não o recebeu, para que pense seriamente neste assunto. Pedro e eu somos testemunhas de quanto vale a pena. Este post é principalmente para você, que andou todo este tempo com Jesus, para que se lembre de recebê-lo. Este post é para mim mesmo, para me lembrar todo dia do amor de Jesus, aquele demonstrado a Pedro.

Se não conhece bem a história de Pedro e Jesus deixo também a sugestão de ler os quatro evangelhos, o livro de Atos e as cartas escritas por Pedro, são todos livros muito ricos.