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Sobre espadas e cálice

“‘Sim, o que está escrito a meu respeito está para se cumprir’
Os discípulos disseram: ‘Vê, Senhor, aqui estão duas espadas.’
‘É o suficiente!’, respondeu ele.” Lucas 22:37-38

Pedro ouviu isso logo antes de Jesus ser preso. Essas palavras talvez tenham levado ele a dar uma demonstração clara de zelo sem conhecimento. Naquela noite a vida de Pedro passou por muitas situações. Ele cometeu todos os erros possíveis (eu também cometeria!): Não aceitou o que Jesus lhe disse sobre negação, adormeceu a invés de orar, falou quando deveria ouvir… e… puxou a espada! Queria lutar contra o inimigo errado, usando a arma errada , com a motivação errada e com o resultado frustrante.
Em dias de discussões políticas sobre um “estado cristão”, onde as minorias deveriam se curvar a esse estado, é sempre bom lembrar que enquanto Pedro carregava a espada, Jesus carregava o cálice!
Quem deve se curvar a quem (obrigado, Lengo, por me lembra disso)?
O que o cristão deve ter em mãos?
É triste quando cristãos bem intencionados tomam a espada para “defender” o Senhor Jesus Cristo. Ele censura essa defesa e se entrega na cruz.

P.S.: Texto em homenagem ao meu amigo Lengo, apesar das diferenças e provocações, é muito bom poder lutar para seguir Jesus ao seu lado!
Abraço e até a próxima

Férias em BH

Estou de férias em BH. Cheguei na segunda-feira e tenho tentado aproveitar o tempo. Quando você deixa pra trás todas as suas raízes, qualquer oportunidade de estar junto é um privilégio. Apesar da saudade e de tudo que me torna nostálgico sobre BH, sinto meu coração em Brasília. Em Cristo, a geografia tem pouca relevância. O que conta mesmo são as pessoas. Jesus morreu por elas, não por lugares. Além disso, o que continua (e continuará para sempre) encantador são os princípios e valores que descubro em Cristo. Eles estão para além do local, da época e da cultura. E os princípios, para serem partilhados e assimilados, não exigem necessariamente intimidade entre aquele que ensina e aquele que aprende. O exemplo foi do casamento que compareci na última terça-feira. Uma amiga da Ana Luisa, minha namorada, estava se casando. O celebrante era um tal de João, amigo dos noivos. Ele não era padre, nem pastor. Era um amigo íntimo que havia sido convidado para celebrar aquela união. No final da celebração, eu estava impressionado e com um enorme desejo de parabenizar o João pelas palavras proferidas.

Ele usou um texto bastante difícil na celebração. Mateus 19. Papo de Jesus com os fariseus e com seus discípulos. O assunto era a questão do divórcio. Quem é que escolhe falar sobre divórcio numa celebração de matrimônio? Tal ousadia já havia sido suficiente para me cativar. Como se não bastasse, a explanação foi sensacional. Poderia descrever nesse post cada tópico tratado no casamento. Sabe quando você escuta alguém e a vontade é que ela não pare de falar?

O que quero repartir com vocês foi a frase mais impactante do João em todo o casamento:

“O amor há de julgar se as nossas relações são divinas ou não!”

As palavras eram pesadas para uma cerimônia que tinha a alegria como ingrediente básico. Mas o João havia sido enfático. Disse que o amor iria questionar todas as nossas relações. Se eram de Deus ou não. Ele frisou que as palavras de Jesus são: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt.19:6)

Se foi Deus quem ajuntou, o amor ajuntou. Porque Deus é amor. E o amor é para os fortes. Para aqueles que dão conta de lidar com ele. As Escrituras dizem que o amor é mais forte do que a sepultura e as muitas águas não podem apagá-lo. (Ct.8:6-7)

O amor usa o tempo para questionar quão divinas são as nossas relações.

O João disse que alguns de nós, depois de um tempo, terão de confessar: “Eu não fui capaz de amar! Não dei conta. Assumo minha fraqueza e confesso que optei pelo divórcio.”

O que é o divórcio, senão a admissão pública da nossa incapacidade de amar?

A conclusão do post não poderia ser outra. Se eu tivesse que adivinhar o que você está pensando nesse exato momento, diria que tudo isso é pesado demais.

Não sei se te consola, mas você não é o único (a) que achou pesado demais esse discurso.

“Se essas são as implicações, não convém casar.”(v.10), disseram os discípulos.

A resposta de Jesus foi imediata: “Nem todos são aptos para receber esse conceito, mas apenas aqueles a quem é dado… Quem é apto para o admitir, admita.” (vv.11-12)

Porque o dia da cerimônia é lindo, mas é o dia a dia que revela a força daqueles que juram amor eterno no altar. Porque o amor não se engana com os discursos, mas conhece a dureza dos nossos corações.

O amor não está ajuntando pessoas para um dia de celebração. O amor está ajuntando pessoas para construírem história.

Assim disse o João, quer dizer, Jesus. Eu estava diante de um princípio. A vida era só perguntas sobre o amor e a minha aptidão para tal conceito. Nessa hora, não importava mais se eu estava em Brasília ou em BH.

Um grande abraço!!!

 

 

 

E quem duvida que Deus é bom?

Um ano se passou. Ainda lembro dos detalhes daquela terça-feira. Coração alegre, eufórico. “É hoje que eu vou começar a namorar a Ana Luisa, Deus?” Era difícil de acreditar… Para quem sabia que o coração também hospedava seus traumas, um novo relacionamento era a certeza de que a sorte estava sendo restaurada. “Deus, parece absurdo, mas eu estou gostando dela… Quem iria imaginar que isso aconteceria novamente comigo? E o mais legal é que eu olhava para ela e também reconhecia um sorriso que, além de lindo, era contagiante, envolvente e revelava reciprocidade. Não deu outra!

Ficamos como quem sonha… Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo. Aqueles que nos viam e conheciam um pouco das nossas histórias diziam: “Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles!” E nós corroborávamos com tais palavras: “Sim! Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.”

O clima no alto da cidade era esse. Perfume no ar, coração acelerado e lágrimas nos olhos… Era a hora de fazer o pedido! “Ana Luisa, você me permite lutar muito para te fazer feliz?” Aquele “sim” foi dito, sucedido por um beijo doce de quem eu não fazia ideia de quão fantástica era. (PS: quem conhece o coração da Ana Luisa, sabe do que eu estou falando!) Demos as mãos, oramos e entregamos aquele namoro nas mãos de Deus.

Completamos nossos primeiros 365 dias juntos! Um ano de uma história que evidencia a bondade e o cuidado do nosso Papai do céu. A Ana Luisa é um presente Dele na minha vida. Já ouvi a explicação de que quando Deus nos dá algo que não merecemos, o nome disso é graça. Então, tá explicado! Sei que não mereço, mas descobri que a graça não leva em conta nossos méritos.

O desejo é continuar olhando para a cruz, para que o sonho continue ganhando vida e para que Ele me ensine o que significa “morrer” por aquela a quem amo.

“A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do SENHOR, a esposa prudente.” (Pv.19:14)

Deus sabe qual tem sido a minha oração…

Que o amor tenha vida longa e que ele sempre seja motivo de celebração!

Um grande abraço!!!

Post dedicado à Ana Luisa Pos dos Reis. Minha vida é bem melhor com você do meu lado.

Afinal de contas, o que é a Graça?

Um dos conceitos mais sublimes do cristianismo é “Graça”. Em diversos sermões, pregações, em livros, em conversas, em comentários bíblicos e em todo o universo cristão a chamada Graça está sempre presente, sendo analisada, discutida ou servindo de base para outros estudos. Aqui mesmo no Outras Fronteiras nós encontraremos diversos textos que versam sobre este tema. Mas será que nós sabemos de fato o que é a Graça?

Para entendermos melhor o que é a Graça, vamos pegar os versículos 8 e 9 da carta aos Efésios, em seu capítulo 2. Foi o mesmo texto utilizado por nosso amigo Gabriel em seu texto do dia 12 , aqui no blog , e você pode ler o post aqui .  Ela diz assim:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Podemos, de cara, fazer três afirmações sobre a graça. Primeiro: A Graça é que nos salva. Segundo: Ela não é fruto de nenhuma atitude do ser humano, nem pode ser por nós produzida ou conduzida. E terceiro: Ela é um Dom de Deus.

Percebemos então que a Graça não é um conceito singular. Ela é plural, e é justamente na sua pluralidade que Deus revela um pouco mais de seu caráter. A Graça é um presente que recebemos de nosso Pai, de formar imerecida. Este presente, além de conduzir para a salvação, nos permite viver de uma forma que agrade à Deus.

“Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade.”  Hb 12:28

Percebem como a Graça é sublime? Deus, sem olhar nosso merecimento, nos chama para perto de Dele. Além de nos chamar, ele nos fornece tudo que precisamos para atender ao Seu chamado e tudo que precisamos para viver como homens que foram chamados. Isto é a Graça! É um dom sublime de um Deus que quer viver com seus filhos. Como seus filhos não apresentam em si mesmos absolutamente nenhuma condição de atender ao Seu chamado, o próprio Deus nos fornece estas condições.

Desta forma podemos dizer que a Graça é a forma incontestável que Deus usa, diariamente, para nos mostrar Seu amor. Por esta Graça nós somos chamados, por esta Graça nós devemos viver e por esta Graça seremos salvos.

Você já aceitou a Graça em sua vida? Ou ainda tenta individualmente ser “bom o suficiente” para viver com Deus?

Um abraço!

Do que a gente precisa para ser feliz?

Nasceu num vilarejo obscuro. Lugarzinho sem perspectiva de que a vida traria algum impacto na sociedade. Trabalhava com o pai. Sua cultura dizia que qualquer pessoa que não ensinasse um ofício ao filho, era como se estivesse o ensinado a roubar. Foi para a carpintaria e lá ficou até os 30 anos. Depois, durante três anos, foi um pregador itinerante.

Nunca escreveu um livro. Nunca ocupou uma posição de autoridade. Não foi para a universidade. Nunca visitou uma cidade grande. Nunca viajou a lugares mais distantes que 320km do lugar onde nasceu. Não fez nenhuma dessas coisas que, em geral, acompanham a grandeza. Não tinha credenciais, exceto a si mesmo.

Tinha apenas 33 anos quando a onda da opinião pública se voltou contra ele. Os amigos fugiram. Um deles o negou e outro, o traiu. Foi escarnecido e julgado. Colocaram-no numa cruz entre dois ladrões.

Enquanto estava à beira da morte, os executores sortearam suas vestes, a única propriedade que tinha nesta terra. Quando morreu, foi posto em um sepulcro emprestado, graças à compaixão de um amigo. Era, por assim dizer, daqueles que não tinha onde cair morto.

Mais de vinte séculos já se passaram, e hoje Ele é a figura central da raça humana. Todos os exércitos que já marcharam, todas as esquadras que já navegaram, todos os parlamentares que já deliberaram, todos os reis que já reinaram, tudo isso junto não conseguiu afetar a vida do homem nesta terra tanto quanto essa única vida.

Em tempos de crise, de sofrimento e de muita desconfiança para com o ser humano, apresento-lhes Jesus!

Ele é a minha esperança. É a cura para as minhas feridas.

Ele nunca me decepcionou, me iludiu, me fez ter argumentos pra não mais andar com Ele.

Tudo que fez, tem feito e vai fazer, até o fim, é me amar. E a vida com Ele não tem fim…

Coração constrangido, lágrimas nos olhos, joelhos no chão! É assim que termino esse post, por ter plena convicção de que, enquanto escrevo, Ele está exatamente aqui do meu lado. Mais vivo do que nunca. Encharcado de amor. Totalmente singular, totalmente Jesus!

Um grande abraço!!!

Cartas a um cristão como eu #4

Belo Horizonte, 22 de Agosto de 2015

Ed, meu amigo, a simplicidade da sua última correspondência foi de um  valor indescritível. Afinal de contas, por mais que eu escolha as palavras mais belas e persuasivas, a minha autoridade para falar das coisas espirituais são nulas. Você me pediu que lhe mostrasse ou apontasse, nas Escrituras, algo que comprovasse aquilo que discutimos da última vez, e imediatamente eu me lembrei de um episódio em que Jesus ensinou a Simão, o Fariseu, o valor e o benefício do arrependimento e de se obter perdão.

Vamos a Lucas, capítulo 7, versos 36 a 50.

“E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.
Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.
E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre.
Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?
E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem.
E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.
E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados.
E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?
E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.”

A passagem é complexa e possui muitos elementos, mas quero me apegar ao que eu ofereci destaque acima. Jesus não está se referindo à quantidade ou qualidade do pecado neste texto. Ambos, o fariseu e a mulher, assim como toda a humanidade, são igualmente pecadores e estão igualmente em débito com o Pai. Na minha opinião aqui Jesus fala sobre a disposição do coração do pecador em reconhecer o seu pecado e procurar perdão. Sendo assim, o homem que devia 500 dinheiros seria aquele tipo de pessoa  não esconde do Pai os seus pecados, que se abre, se rasga diante do Criador, afim de obter o perdão total, enquanto o homem que devia ao senhor 50 dinheiros seria aquele tipo de sujeito que esconde a sua condição de rebeldia pecaminosa, afim que não o conheçam. Pode ser que este até se confesse pecador, mas a superficialidade da confissão e do arrependimento são suas marcas registradas.

Jesus argumenta a favor do ponto de vista que eu citei logo em seguida, quando coloca em comparação a postura do fariseu e a postura da mulher. Aquele, “devedor de 50 dinheiros”, quando posto diante do Criador não demonstrou nenhuma atitude de humilde arrependimento pela sua condição pecaminosa; ela por outro lado, “devedora de 500 dinheiros”, diante da presença do Perfeito só conseguia olhar para dentro e ver a sua imperfeição, se derramando em lágrimas e tristeza.

Aquele, pouco perdoado. Não por que Jesus lhe oferecera menos perdão, mas por que ele próprio não o buscou; ela, por sua vez, muito perdoada, pois a sua postura era de humilde reconhecimento e arrependimento da sua condição de pecadora.

Aquele, pouco amou, pois pouco perdão recebera; ela, por sua vez, viu crescer no seu coração um amor imenso por Aquele que a limpou de toda a sua culpa.

Aquele jantou com Jesus, mas não experimentou com Ele intimidade; ela, por sua vez, voltou pra casa muito mais próxima do Criador.

Acho que esse trecho nos mostra como o perdão sempre nos aproxima Daquele que se aproximou para nos perdoar e nos amar. Espero que tenha feito algum sentido para você, Ed.

Um abraço, Dudú Mitre.

Cartas a um cristão como eu #3

Belo Horizonte, 08 de Agosto de 2015

Caro Ed, desta vez quem teve que lidar com a demora em responder foi você, não é mesmo? Me perdoe a falha. O ritmo agitado e a negligência com o uso do meu tempo me fizeram protelar muito (o pedido de perdão fictício foi a minha maneira de pedir perdão ao leitor pela minha atual negligência em vos escrever aqui no blog.) Mas aqui estamos, e temos bastante a conversar. Tanto que não creio que este assunto se encerrará com poucas correspondências…

Falávamos sobre a liberdade que existe no perdão divino e da nossa constante necessidade em depender dele, uma vez que a nossa ignorância e teimosia em escolher pelo pecado é também constante. Bom, a questão levantada por você é pertinente, mas não verdadeira, na minha opinião. Não se levarmos em conta os conceitos de GRAÇA e AMOR.

Por graça entendemos do favor imerecido do Único  que pode nos livrar da condenação do pecado. Por amor vamos considerar a escolha deliberada e eterna do Único que pode nos tratar com graça de fazê-lo dia após dia, chamando o auge desta escolha de cruz. São conceitos rasos para a complexidade dos termos, mas vamos partir deste ponto.

O perdão não pode ser considerado obsoleto se considerado à luz destas duas palavras. O pecador, de antemão amado, encontra graça a cada vez que cai, se arrepende e busca ao Pai. A graça aponta para a cruz, e a cruz o lembra do amor. E o amor, como disse Paulo, jamais acaba. Antes, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta.” Eu até entendo o seu sentimento e os seus questionamentos. Pensando de maneira humana é realmente um abuso o que fazemos. A repetição do erro e do pedido de perdão pode parecer manipulação, hipocrisia e até mesmo artimanha para se viver de forma libertina e deliberada. Creio que isso de fato possa acontecer, mas veja bem, o enganador nunca corrompe a graça e o amor, apenas engana a si mesmo e à sua própria consciência. Mas o pecador arrependido vive o paradoxo de experimentar, ainda que repetidas vezes, um movimento que se torna inédito da parte de Deus, o perdão que se renova e  que nasce da graça e do amor. Analisando sob a perspectiva divina não existe manipulação e nem abuso, existe a escolha deliberada e o favor imerecido de um Pai para com todos os filhos  que caem em si e que se mostram arrependidos dos seus atos.

Agora, vamos tomar novamente os conceito de graça e amor que escrevi acima. Observe como a ação deles move o ser humano. Do pecado ao arrependimento, do arrependimento à graça, que faz lembrar o amor e que nos leva para a cruz, e daquele ponto em diante experimentamos liberdade, até que pecamos de novo, e tudo se repete. Bom, eu não diria que se trate de um ciclo. Escolha um ponto em um círculo, caminhe com ele por toda a extensão do limite do mesmo e você chegará ao mesmo lugar, e será eternamente assim. Prefiro comparar este movimento do amor e da graça a uma espiral, que caminha sempre adiante, num movimento aparentemente cíclico, mas que está em constante evolução. Ser perdoado é sempre progredir, e nunca regredir ou continuar estagnado. Sempre avançamos para a cruz quando experimentamos do favor divino, e por mais que pareça que vamos acabar no mesmo ponto de antes, depender do perdão constante de Deus e busca-lo com arrependimento é esquecer das coisas que para trás ficaram e progredir para o Alvo, rumo ao prêmio da soberana vocação.

Não compreendemos a mente e o coração de Deus, Ed. É impossível. Mas saiba que de alguma forma maluca e maravilhosa Ele está sempre pronto para nos redimir, ainda que os erros sejam repetidos por diversas vezes. E não só isso, Ele faz com que essa constante dependência do Seu perdão seja um ganho para nós. Não fuja do perdão divino, Ed. Abrace-o e agarra-o quantas vezes forem necessárias, pois Deus o tratará com graça e amor quantas vezes forem necessárias.

Espero, de coração, que tudo isso tenha feito algum sentido.

Com carinho, Dudú Mitre.

Pais da Igreja – Basílio

Um homem chamado de luzeiro da Igreja de sua época. Reverenciado pela Igreja do Oriente e do Ocidente. O que podemos aprender com Basílio?

Nascido em 330 , em uma família profundamente cristã. Somente depois da juventude é que se volta para a fé, em profundo arrependimento e constatando o desperdício da vida em vaidades: “Um dia, como que acordando de um sono profundo, voltei-me para a admirável luz da verdade do Evangelho… e chorei sobre a minha vida miserável.”

Foi ordenado sacerdote e, em 370, se tornou bispo da Capadócia, atual Turquia. Seu ponto mais forte foi o equilíbrio e a intensidade  com que viveu seu chamado. Se aproximou do monaquismo para se aprofundar no silêncio, meditação, oração e estudo. Ao mesmo tempo, entendia que precisava cuidar do próximo, lançou as bases para a Ideia de hospitais, tudo motivado pela caridade e  amor ao próximo.  Se voltou para a caridade, sem se perder nas obras sociais como o fim em si, mas como reflexo da sólida fé e amor a Cristo.

Conseguia aliar oração, liturgia, missão e caridade. Ao mesmo tempo em que se opunha aos hereges que negavam Cristo e o Espírito Santo como Deus. Trabalhou muito para consolidar a doutrina da trindade.

Sem dúvida um homem que desenvolveu um ministério multiforme, de forma fiel e amorosa. Dessa forma o vejo como uma luz para os dias atuais também. Dias em que a Igreja instrumentaliza e compartimentaliza suas funções e o serviço de seus fiéis. Precisamos de cristãos , que assim como Basílio, sejam “generalistas” , façam de tudo, tendo como motivação o amor ao próximo e o amor a Cristo. Homens e mulheres prontos a darem suas vidas e não migalhas…

Basílio desenvolveu todo seu ministério e deixou todo seu exemplo em um prazo de 9 anos , pois, ainda com 49 anos, é chamado para o seu verdadeiro lar, ao lado da  trindade.

“Apóstolo e ministro de Cristo, dispensador dos mistérios de Deus, arauto do reino , modelo e regra de piedade, olho do corpo da Igreja , pastor das ovelhas de Cristo, médico piedoso, pai e sustento, cooperador de Deus, agricultor de Deus, construtor do templo de Deus” (Basílio, traçado por ele mesmo)

Quem é você? Como você tem levado sua vida?

 

Abraço e até a próxima!

Cartas a um cristão como eu #2

Belo Horizonte, 20 de Junho de 2015.

Querido Ed, fiquei muito feliz em receber a sua correspondência. Admito que achei que os nossos diálogos teriam fim naquela ocasião, uma vez que mais de um mês se passou e eu não tive nenhum tipo de resposta sua. Várias coisas se passaram pela minha cabeça, mas recebendo notícias dos seus amigos cheguei a conclusão de que provavelmente você estivesse fugindo. Não de mim, uma vez que não apresento ameaças a ninguém, mas do rumo que a nossa conversa estava tomando. Não lhe julgo, pois sei que em tempos de crise pessoal e moral, pensar na própria vida e ter um amigo abusado que lhe toque as feridas não é nem um pouco confortável.

Quanto á fuga, permita-me apontar uma verdade: uma pessoa não pode fugir e aprender ao mesmo tempo. Ela precisa permanecer algum tempo para tirar lições que façam algum sentido e que produzam alguma coisa. Ora, não há nada anormal em se passar por uma crise. O coração humano, inclinado para o pecado, nos faz cair com frequência naquilo que sabemos estar longe da vontade do nosso Pai. Mas veja, cada uma dessas quedas pode ser uma escola! Me lembro do “Peregrino”, na obra de John Bunyan, quando se depara com dois leões dorminhocos à beira da estrada que levava à Cidade Celestial e conclui: “voltar (ou fugir) é ir de encontro à morte certa; prosseguir é apenas temer a morte, mas com a vida eterna em perspectiva. Avante, pois!”. Não tenho mais o que falar sobre isto, e espero que você entenda que o meu tom não é de juízo, mas de exortação.

Agora, quanto ao que você me escreveu, digo que se trata de um aprimoramento pelo qual todo cristão deve passar. Você não é o único que, como você mesmo me escreveu, “maquina o mal e o pratica com uma facilidade gigantesca”. Desconheço um irmão que não tenha vivido a tensão entre a carne e o Espírito, a tensão entre o querer satisfazer seus desejos e o desejo de satisfazer a sua alma no Criador. As afirmações do Apóstolo Paulo são, nesse sentido, reveladoras e muito pesadas: “Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim”. Apesar de livres do poder do pecado por causa do sacrifício do Filho de Deus, ele ainda nos influencia grandemente. Saber lidar com essa tensão é um ponto fundamental na caminhada cristã. Paulo clama aos céus: “Miserável homem que sou! Quem me libertará deste corpo sujeito à morte?”, e conclui de forma fantástica: “Graças a Deus por Cristo Jesus”.

Existe grande liberdade em Cristo Jesus. Liberdade trazida pelo perdão da cruz, pelo perdão que nasceu do amor. O pecado é real, é forte. Nos manipula e influencia. Nos seduz e nos faz escolher por ele. E sim, ele é muito mais poderoso do que nós. Mas o amor, o perfeito amor com que Jesus Cristo nos amou, este cobre uma multidão de pecados. E a liberdade oferecida por esse amor nos possibilita experimentar o perdão a cada vez que fazemos o que não queremos, a cada vez que maquinamos o mal e o cumprimos com uma facilidade gigantesca.

Você está perdoado, Ed!

Com carinho, Dudú Mitre.

Ps:. as citações de Paulo a que me referi se encontram no livro de Romanos, no capítulo 7, com fragmentos dos versículos 18 a 25.

Renovando Votos de Casamento

Hoje completa exatamente um ano do meu casamento. Por este motivo, vou deixar publicado aqui os votos que fiz para a minha esposa. Além de ser uma homenagem a ela por me aturar neste ano que passou, fica como uma renovação dos votos e um lembrete para todos os maridos da grande responsabilidade de amar suas esposas como Cristo amou a Igreja.

” O que, de fato, assusta os homens? O que causa, na alma humana, a sensação de agonia?  Será a morte, cruel mensageira da finitude humana e finalizadora de assuntos inacabados? Será o escuro, ausência completa de luz e solo fértil para  a imaginação? Ou será a fome,  vazio do estômago que corrói a alma?

Pensemos, minha amada.  Quando estamos vivos a morte não se encontra, e quando ela esta presente, somos nós que já nos fomos. O escuro é facilmente vencido pela fé, ou por uma lanterna. E a fome pode ser aplacada por um simples pedaço de pão.

De fato, o maior inimigo do homem é a solidão.  Estar sozinho não é natural ao ser humano.  Até Salomão disto sabia! “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. “

Sabe que o isto quer dizer?  Que a partir de agora, deste momento mágico que estamos vivendo,  você não precisa mais ter medo. De nada. Nem da morte, nem do escuro, nem da fome,  e muito menos da solidão. A partir de hoje, seremos um só espírito.  Se um cair, o outro o levanta. Dormindo juntos, nos aquecemos do frio. E se alguém quiser prevalecer contra um, nós dois resistiremos.

A partir de hoje, somos um cordão de três dobras. E sendo três dobras, eu assumo uma grande responsabilidade, que pretendo cumprir com a ajuda do Espirito Santo.

Fidelidade, estar ao seu lado na saúde e na doença, te amar e te respeitar, até o último dia de nossas vidas?  Farei isto com prazer. Mas eu quero mais! Quero, no dia do acerto de contas, no dia da volta do nosso Salvador, olhar dentro dos olhos de Deus e ouvir: Bem vindo ao seu lar, meu filho. E que bom que você trouxe sua esposa e seus filhos junto com você.

Hoje, tiro você da casa do seu pai  com a promessa de te levar para a casa do nosso Pai eterno.  Hoje, assumo o compromisso de te ajudar a ser a mulher que Deus quer que você seja. E enquanto isto, entre uma coisa e outras, seremos felizes.  E completos, pois eu agora estarei ao seu lado, para  sempre, até a consumação dos séculos.

Seja bem vinda ao meu sonho. Eu te amo! ”