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No Tabor tanto quanto no Calvário

É um grande aprendizado ver o quanto Jesus honrou e glorificou o Pai. A relação é nitidamente sólida, ela não dependia de circunstâncias da vida. É impressionante como vemos hoje relações superficiais com o Pai. Relações que dependem das circunstâncias. Deus é o Senhor quando convém. Eu amo a Deus quando sinto Ele atuando favoravelmente em minha vida. Fica a questão: será que minha relação com Deus é consistente? Existe tanto na alegria como no sofrimento? Ou eu dependo de circunstâncias boas para amá-lO?

Jesus amou Deus no monte Tabor, onde foi transfigurado (Lucas 9), onde foi glorificado, honrado. Naquela noite Deus se fez fortemente presente na vida de Jesus como Pai! Mas Jesus O amou também no calvário, momento de grande sofrimento, dor e silêncio.

Como é a sua relação com Deus? Depende unicamente do monte Tabor ou se mantêm intensa em qualquer momento, em qualquer “monte”? Que as experiências no  monte Tabor, não nos leve a buscá-lO por circunstâncias mas sim, simplesmente, por amor!

Abraço e até a próxima!

Elogios – A Soberba

Quando alguém me critica, posso me defender; contra elogios porém, sou indefeso. S. Freud

Ouvi recentemente um cristão dizer que durante um tempo pensava que não deveria elogiar as pessoas pois sempre que ouvia ele mesmo um elogio, se orgulhava muito, portanto deveria ajudar os outros.

Lembrei-me na hora de (juro que um dia citarei outros livros) O Segredo do Amor Eterno. Já falei muitas vezes deste livro, mas ainda não disse a minha história com ele.

Logo que me tornei cristão, em 2003, li Mais Que Um Carpinteiro, uma obra sobre a realidade messiânica do nazareno. No final eu já estava: Tá bom, já me convenci, para de mostrar por a mais b até z que Jesus é O Cara! – leiam se tiverem alguma dúvida. Quer dizer, dúvida todos nós temos até depois de meia década de vida cristã, mas se você precisa daquele empurrãozinho inicial, não só Mais Que Um Carpinteiro, mas também Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (que também já citei em post anterior) e outras obras poderão te ajudar.

Bom, mas depois deste livro peguei não sei por que cargas d’água o tal Segredo do Amor Eterno para ler. Naquela época eu estava vivendo um tanto de coisa nova, estava me relacionando de uma maneira que eu até então não conhecia, estava num grupo de alto nível de aceitação, começava a fazer amigos e estava muito empolgado com aquilo tudo, mas ao mesmo tempo a vida em comunidade me trazia alguns problemas com os quais eu não tivera tanto contato, eu era muito invejoso e ciumento.

O livro vai falando muito de autoaceitação e autoestima, ele diz que uma necessidade básica do ser humano

é um profundo e verdadeiro amor pela própria pessoa que resulta em um sentido interior de celebração: “É bom ser eu mesmo… estou muito feliz por ser eu!”

Palavras fortes quando você não está OK com você mesmo. Mas não para por aí. O que direi a seguir me tocou de forma semelhante a quando você encosta num espelho d’água, e de fato ainda hoje sinto as ondas emanando daquele evento. Ainda sim, no geral o livro foi pesado demais e ele me remetia a coisas que me faziam sofrer, principalmente por causa dos meus problemas de aceitação, de inveja, de ciúmes, tanto que abandonei a sua leitura. Só neste ano que eu peguei ele emprestado de novo (aliás, ainda não devolvi, que vergonha!) e, meu amigo, bom, basta dizer que eu cito ele em todos os posts.

ondas na água

A passagem é a seguinte:

“O egoísmo está enraizado nessa falta básica de amor por si mesma… o narcisismo, como o egoísmo, é uma supercompensação pela falta de autoestima… A pessoa não ama os outros e nem a si própria”

Temos aqui uma questão sobre a qual cada um de nós deve refletir em silêncio. Quais são meus verdadeiros sentimentos? Quando ouço um elogio a alguém, por que digo: “Não conte a ele. Pode subir-lhe à cabeça”? Por que não quero que os outros estejam felizes com eles mesmos? Não quero que “isso” lhe suba à cabeça. O que é “isso” que não quero na cabeça de meu irmão ou irmã? Se uma pessoa se alegra com seu sucesso, por que a acuso imediatamente de estar se gabando?

Por que me tornei um guardião tão zeloso de sua humildade? Por que isso me preocupa tanto?

Não sei se você se identificou com a passagem mas este trecho, bem como diversos outros do John Powell parecem ser dirigidos especificamente para várias situações exatas na minha mente. Digo: ele está falando sobre aquela vez que fulano apresentou uma música e eu gostei mas também não achei AQUELAS COISAS igual todo mundo ficou falando não… sinceramente, acho que o povo exagerou. Aquelas ideias eu mesmo já tive, só achei tão evidentes que nem precisava citar. Ou então: OK, ele é engraçado. Mas também não é ASSIM não. E por aí vai.

Quero muito continuar com as ideias de Elogios, mas por hoje a minha pergunta é: você tem elogiado as pessoas? Sim, não, por quê? Desde quando li o trecho acima, passei a deixar com a outra pessoa a tarefa de lidar com o orgulho dela.

Espero que ler este texto possa ser tão impactante para você quanto foi pra mim.

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Pobre Freud! Não sei o contexto de sua fala, a qual ouvi pela primeira vez através da Alê. Pesquisei a origem na internet e achei apenas o livro linkado no seu nome. Talvez o sentido da frase no seu contexto seja outro, mas aqui acho que ele se ecaixou como uma luva, não acham?