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Sobre o papo de ir fazer as unhas

O alvoroço era total na cidade. Que delícia encontrar um bode expiatório. Todos de nós gostamos de uma bafafá aqui, um babado acolá. Uma mulher havia se rendido ao desejo e acabou se entregando para um homem que não era seu marido. Um ser humano que buscou felicidade fora da regra.

 A lei era clara: apedrejamento.

É claro que não estamos falando da Fabíola, mas talvez o que ela viveu nesse fim de 2015 tenha sido tão doloroso quanto. Aliás, quantas “pedras” você atirou quando ouviu sobre o flagrante adultério? Cada curtida, cada piada ou vídeo compartilhado, uma pedrada a mais. Já era possível ver o sangue escorrendo pelo corpo adúltero.

Matar com pedras é uma morte simbólica. Permite a todos atirarem parte de sua raiva na pessoa que cometeu o deslize. Um enforcamento só dá esse prazer ao carrasco. Guilhotinar é mecânico. Fuzilar é quase asséptico. Apedrejar é que é gostoso. Posso, pedra após pedra, ir vencendo o mal que eu vejo em mim, mas que o outro exerceu. Apedrejar é exorcizar. Com força, atiro minha pedra e acerto, de preferência, na parte que mais odeio do pecador. Apedrejar revela uma sociedade anônima de ódios com dividendos para todos os investidores.

Mas e se levássemos o caso dessa adúltera a Jesus?

Jesus era parte daquela sociedade anônima. Sua pregação e discurso sobre perdão já incomodava muita gente. A acusação é feita. Jesus parece surdo à acusação e fica escrevendo no chão.

“Quem dentre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra.”(Jo.8:7)

Uma frase bombástica! Apedrejar seria confessar o orgulho de se presumir acima do pecado e da humanidade. A retirada seguiu a ordem cronológica. Primeiro os mais velhos, depois os mais novos. Quanto mais idade, mais memória. Quanto mais tempo de vida, mais remorso e consciência pesada.

Antigamente, era quase que automático reconhecer-se pecador. No nosso século chamado pós moderno, tempo de autoajuda e narcisismo, há poucos pecadores e culpados. A gente quer mesmo é fazer piada e mandar o vídeo pra frente. Aqueles, inclusive, que querem reprimir o nosso momento lúdico de tacar pedras, são tachados de “estraga prazeres”!

E se a gente tacasse pedras neles, também?

Ou você nunca reparou na irônica coincidência do último versículo do capítulo 8 de João?

“Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.”(Jo.8:59)

Vale lembrar que, naquela tarde, as únicas mãos que poderiam ter pegado em pedras permaneceram vazias… O perdão de Deus oportuniza a possibilidade de começar de novo!

Um grande abraço!!!

“Tu és este homem”

E no tempo em que os reis costumavam sair para as batalhas, o ainda jovem Davi decide ficar em casa. Enquanto seus homens lutavam, o rei descansava. Aproveitava o tempo, ocioso. No fim da tarde gostava de caminhar pelo palácio. Visitava os grandes salões, conferia se estava tudo em ordem nos jardins, observava a cidade do terraço.

E numa dessas tardes, com o sol já se pondo, a avistou. Uma bela mulher se banhava em uma casa ali perto. Davi mandou que a chamassem e se deitou com ela. Bate-Seba, a filha de Eliã, esposa de Urias.

Adultério.

Manipulação.

Assassinato.

“Dois homens viviam numa cidade, um era rico e o outro, pobre. O rico possuía muitas ovelhas e bois, mas o pobre nada tinha, senão uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu com ele e com seus filhos. Ela comia junto dele, bebia do seu copo e até dormia em seus braços. Era como uma filha para ele. Certo dia, um viajante chegou à casa do rico, e este não quis pegar uma de suas próprias ovelhas ou do seus bois para preparar-lhe uma refeição. Em vez disso, preparou para o visitante a cordeira que pertencia ao pobre”.
Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: “Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia.
Então, disse Natã a Davi: “Tu és o homem!”.

Ungido rei sobre Israel, livrado das mãos de Saul, presenteado com casas, esposas e riquezas. Não satisfeito, agiu sem misericórdia, sem amor!

Mas, cego pelo pecado, Davi não conseguia enxergar o óbvio. A mancha do delito lhe cobriu os olhos, de forma que o rei não conseguia enxergar e reconhecer a si próprio. Não podia ver a sua podridão. Até que ele teve a atenção chamada: “Tu és o homem!”.

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado. Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei. Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.”

Um rei arrependido. Um rei perdoado.

Histórias absurdas são contadas todos os dias. Corrupção. Violência. Preconceito. Inveja. Vaidade. Julgamentos. Falta de amor. Ficamos chocados, escandalizados e até indignados. Mas o pecados tapa nossos olhos.

Nos afasta de Deus.

Nos afasta de nós mesmos.

Não nos deixa enxergar o óbvio.

Nos leva para um poço cada vez mais profundo.

De lá, talvez, ouçamos de Deus: “Tu és este homem”. E de lá poderemos buscá-Lo, ainda que estraçalhados pelo pecado.

Mais um homem arrependido. Mais um homem perdoado.

“Tu és este homem”?

Referências: 2 Samuel 11:1 a 12:7; Salmos 51: 1- 12.

Fim do adultério

Nessa última terça-feira(27/04), assisti uma reportagem no Jornal Hoje que poderia qualificá-la como hilária. Era a respeito de um projeto de lei que prevê que o amante pague a pensão em caso de divórcio. Você consegue imaginar? Seria como se qualquer relação que fosse prejudicada por um caso extra-conjugal, trouxesse prejuízos para o amante. As opiniões foram engraçadas. Um homem que era o presidente de uma associação de cornos no Nordeste, aprovou a idéia. Disse que os cornos devem ser recompensados. Mas a opinião que mais me chamou a atenção foi a de uma pessoa que havia dito algo mais ou menos assim: “Esse novo projeto é excelente! Creio que isso acabaria com o problema do adultério…”

Que bonito, hein? Vai ter que pagar pensão!!!

Pronto! Foi o suficiente para me fazer pensar… Comecei a fazer alguns questionamentos. A lei que pune o homicídio acabou com o assassinato? A lei que pune o desvio de verbas acabou com a corrupção? A lei que pune o avanço de sinal vermelho acabou com esse tipo de acidente? Poderia essa nova lei acabar com o problema do adultério?

Dou logo a minha opinião: claro que não! A razão talvez seja simples. O fato de haver uma lei, não faz com que o ser humano deixe de cometer aquilo que está arraigado na essência do seu ser. Foi o próprio Jesus quem disse que o que contamina o homem é o que sai de dentro dele. As coisas ruins já estão lá dentro. (Mc.7:20-22)

Além disso, existe o fato de que um novo princípio ou uma nova lei(que é algo muito nobre, por sinal) não fará nenhum sentido para alguém que tenha a vida tão deteriorada. Seria um grande desperdício colocar algo tão valioso num lugar tão impróprio.

“Não se coloca vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.” (Mt.9:14-17)

O que isso significa? Que não precisamos de novos princípios ou novas leis. Precisamos de novos odres.

Preciso de um novo coração!!! E isso, só Ele pode nos dar…

Você consegue imaginar um vinho novo e excelente sendo derramado?

Espero que você pense na importância dos odres, ao invés de olhar apenas para o vinho…

Um grande abraço!