Sobre o medo, o pecado e a coragem

Houve um tempo em que eu pensava que o cristianismo me livraria de meus desejos obscuros e pecaminosos. Eu imaginava que ficaria livre de minhas inclinações carnais e que minha luta contra o pecado se tornaria mais simplificada. Imaginava que viver com Cristo fosse se tornar algo como um passeio de barco por águas suaves. Eu não poderia estar mais enganado!

Percebo que parte deste engano esteja presente nos principais críticos do cristianismo. O mundo espera que o cristão seja um ser humano alheio às tentações carnais, e este mesmo mundo se apressa em condenar e criticar os fundamentos de nossa crença quando o cristão se mostra tentado e vitimado pelas mesmas armadilhas de um não-crente. Para o mundo, quando o cristão se mostra humano e pecador, o que fica sob suspeita é sempre Cristo e sua filosofia, e nunca o cristão e sua falta de força para a luta.

É como pensar na coragem, por exemplo. A coragem não é a falta de medo. Muito pelo contrário. O medo é o principal combustível da coragem. Se não houver medo, não existe a possibilidade da coragem surgir, pois coragem é principalmente a motivação para seguir adiante mesmo que tudo indique que devemos parar e nos render ao que quer que nos cause medo.  Logo, quanto mais medo, mais coragem é necessário para seguir adiante.

Neste paralelo, o pecado se parece com o medo. Na vida do cristão sempre haverá luta contra o medo. Sempre seremos tentados por nossa carne, e até o fim de nossa vida devemos lutar contra nossos desejos escuros. Eles estarão logo ali , espreitando e aguardando a melhor hora de nos fazer tropeçar.

O que devemos procurar, até o fim de nossas vidas, é a coragem! Coragem para dizer não quando nossa carne grita sim. Coragem para travar uma batalha dura e árdua contra nós mesmos, todos os dias! Não devemos esperar que milagrosamente nossos desejos se tornem santos e que nossa batalha seja simplificada pela falta de inclinação. Quem espera que isto aconteça corre o risco de se frustar. E corre o risco de cair. O que precisamos fazer é fortalecer nossa vontade, nosso espírito e nosso entendimento. Nos encher de disposição para a luta, e fazer do medo nossa motivação para ter ainda mais coragem.

Irmãos, nós não fomos chamados para sermos destemidos. Fomos chamados para sermos corajosos! Nós não somos imunes às tentações do pecado, nós devemos é lutar contra este  tipo de desejo, corajosamente, diariamente e arduamente.

Que Deus fortaleça nossos ombros.

Um abraço!

2 comentários sobre “Sobre o medo, o pecado e a coragem

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