Sob autoridade

Gosto de imaginar ele assim. Homem de frases curtas, cuidadosamente construídas. Rosto sólido exibindo marcas de expressão profundas abaixo do nariz e por entre as sombrancelhas.

Naquele dia, subia o monte garantindo a segurança de alguns ladrões condenados e um tal perturbador social. Como sempre, nada fora do planejado. E nem precisava dizer muita coisa. Seus soldados já sabiam o que fazer. Chicotes, pregos, murros e algumas piadinhas ingênuas.

Algo, porém, fugia do planejado. Não se tratavam dos terremotos que se seguiriam ou do véu rasgado no santuário. O sobrenatural era apenas mais um detalhe coadjuvante. Intrigava-se o centurião com o inocente que se declarava culpado. Com o sofrimento calado, o perdão derramado a cada algoz. O que dizer da promessa de vida oferecida de um semi-morto a outro?

Não houve semblante duro demais que não permitisse o escorrer de lágrimas. Nem tampouco autoridade que não permitisse joelhos dobrados. Os lábios se contorciam em vão para segurar as palavras: “verdadeiramente este era o Filho de Deus.”

6 comentários sobre “Sob autoridade

  1. verdadeiramente.
    o que mais me toca em Jesus, realmente, não é o sobrenatural, mas o seu caráter.

  2. Muito legal pensar no centurião dessa forma. É bom lembrar, também, que ninguém é tão duro que não possa se quebrar diante do amor de Deus.

    As vezes olho para algumas pessoas e penso que é “impossível”, que “nem adianta tentar” falar de Cristo com ela por causa de sua personalidade ou coração duro. A partir de hoje vou me lembrar do centurião e ir sem medo.

    Abraços

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