O sêder de Pessach – parte 1

Como estamos no mês da Páscoa vou tentar falar um pouco da páscoa dentro dos ricos costumes judaicos. Gostaria de recriar a refeição que Jesus e seus discípulos tiveram naquela primeira noite de festas, noite que ficou conhecida como a última ceia! Para isso vou dividi-la em dois posts, tamanha a riqueza de símbolos e significados. O “sêder de Pessach” ou  “ordem de passagem” é uma cerimônia colocada por Deus para que o povo nunca se esquecesse de sua libertação do maior império da época! É uma refeição carregada de ritual e Deus orientou os judeus sobre como deveriam programar a noite (para maiores detalhes leia Êxodo 12).

Ao longo da refeição havia uma explicação sobre os alimentos que simbolicamente recontam a libertação de Israel. No início há o momento do Kadesh (santificação) e Urchatz (limpeza – lavar as mãos). Depois disso é oferecido ervas amargas, que simbolizavam a amargura que os israelitas experimentavam quando eram escravos no Egito. As ervas eram mergulhadas em água com sal, que representava as lágrimas do povo. Além disso, é servido um purê de maça cuja aparência lembra a argamassa que os israelitas usavam para fabricar os tijolos usados nas construções que eram obrigados a construir.

Fico me perguntando: por que um Deus fazia tanta questão de que o povo recordasse o momento de escravidão? Momento em que Deus se calou e eles viveram por conta própria. Em minha opinião, acho que esse é um exercício muito importante. Diminuiria meus problemas com arrogância e intolerância se, constantemente, me lembrasse de quem era quando estava  na escravidão do pecado, silenciando Deus em minha vida e dando ouvidos somente ao meu ego! Preciso me recordar da amargura dessa vida, das lágrimas dessa vida para que não me esqueça do poder e amor do meu grande Deus. Se não tenho isso claro em minha memória acabo fazendo como o próprio povo judeu, resmungando por estar no deserto e desejando voltar para a escravidão do Egito. Se não tenho isso claro, qualquer percalço pelo caminho de homem livre pode me fazer deixar de ser contente e desejar a escravidão do pecado.

Mas o que é legal é que o “sêder de Pessach” não termina na memória das coisas ruins da história do povo. Em seguida é servido um ovo (o ovo da páscoa teria a mesma ideia) para lembrar ao povo o novo começo de Israel. Da mesma forma essa é a nossa esperança! A páscoa nos diz que morremos para a escravidão e passamos por um novos nascimento e nova vida em Cristo!

Termino a primeira parte dessas ideias com a certeza de um novo nascimento e de uma nova vida em Cristo. A amargura e lágrimas de um passado de escravidão do pecado continua em minha memória, não para trazer culpa ou remorso e sim a lembrança do poder e amor de Deus e a lembrança da superioridade dessa vida de liberdade e paz sobre a passada!

Que possamos viver com as raízes amargas em nossa memória e com o ovo em nosso coração!

Abraço e continua…

Homero Castro

Sobre Homero Castro

Nome: Homero Resende Castro Nasci em 1979 em Belém do Pará, moro em Belo Horizonte desde 1989. Sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1999 trabalho como missionário na associação Alvo da mocidade. Eu e minha maravilhosa esposa, Camila temos duas filhinhas lindonas, Helena e Elisa, e uma sapeca cadela chamada Leona.

4 comentários sobre “O sêder de Pessach – parte 1

  1. ”Que possamos viver com as raízes amargas em nossa memória e com o ovo em nosso coração!” Amém!
    Muito bom o post Homerão!

  2. “Diminuiria meus problemas com arrogância e intolerância se, constantemente, me lembrasse de quem era quando estava na escravidão do pecado, silenciando Deus em minha vida e dando ouvidos somente ao meu ego!”

    muito bom Homero!

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