Rotina

Segunda-feira, primeiras horas da manhã. O despertador do celular toca, João acorda um pouco assustado. Desliga logo o despertador do tablet para não ouvir seu barulho irritante. O motorista da empresa de transporte liga, ele atende e diz que já vai descer. Entra no carro com destino a Confins, assim como na semana anterior. Lá, despeço-se do motorista e caminha em direção à fila para o despacho de bagagem. Não vai para a fila do “cliente fidelidade” porque todo mundo que voa no primeiro horário de segunda tem este atendimento “prioritário” e a outra fila sempre está menor. A atendente pergunta “qual destino, senhor?”, ele responde e logo ela completa “documento, por favor?”. Apresenta. E confere: “meu fidelidade está pontuado?”. Ela lhe pede o número e responde que sim. Ao final ela deseja “boa viagem”. (Esta semana para seu espanto, ela soltou um “boa viagem, Joãozinho!”, toda íntima). Arrasta-se com sono até a sala de embarque. Vai direto ao segundo rapaz na porta. Ele sempre está disponível enquanto seu colega segue atendendo à fila de sonolentos. Na fila do raio-x descalça os sapatos de segurança para não apitar – eles tem biqueira de aço. Passa da porta. Calçado novamente vai para a lanchonete tomar o café da manhã. Sempre pega o lanche e caminha em direção ao avião. Dorme um sono profundo até o destino final, qualquer que seja. No desembarque quase sempre um senhor à espera com uma plaquinha na mão com seu nome. E sugere que pode carregar sua bagagem. Ele responde que “não, pode deixar, está tranquilo”. Entra no carro e faz o questionário-de-segunda-de-manhã sobre o que o senhor sabe da empresa onde vai trabalhar, do hotel em que vai ficar hospedado e alguns detalhes da cidade (onde pode correr e onde comer à noite, por exemplo). Segunda-feira = rotina.

João trabalho viajando e a cada semana está, via de regra, num lugar diferente, com pessoas diferentes, numa empresa com ramo de atividade diferente. Ainda assim há uma rotina.

Algumas pessoas conseguem lidar muito bem com estas repetições de fatos através dos dias. Outras não. Acho que nosso personagem se enquadra neste segundo tipo. No começo de algo novo ele procura um pouco de estabilidade em que possa se firmar. Após encontrar, começa a observar que tudo é a mesma coisa. Se não tem uma novidade, algo diferente, logo se cansa.

Assim como segundas-feiras pela manhã são enfadonhas para ele, a leitura da bíblia e os tempos de oração também tendem a ser. Que fazer para conseguir manter o ritmo? Criatividade? Não sabemos! Há alguns anos ele cultiva o hábito de tentar estar com Deus durante todo o tempo do dia (orações curtas e leitura dos versículos dos grupos do whatsapp são os instrumentos favoritos). Isto ainda não seria suficiente para que ele sinta que tem priorizado seu relacionamento com Jesus. João só se sente em paz comigo mesmo após ter sentado quieto no seu quarto (ainda que) por cinco minutos para ler e orar. Sozinho, sem barulho, sem distrações.

Pois é, mais de uma década após ter iniciado suas tentativas de tempos diários com Deus (com qualidade) nosso amigo João ainda não encontrou o ideal. Ele passa por fases boas em que um capítulo por dia e dois minutos de oração são suficientes para notar Deus mais próximo. Em outros momentos, no entanto, ainda que eu lute, deixa de procurar Deus um dia, dois dias e quando percebe já faz uma semana, talvez duas, que não tem o tempo que gostaria.

João compartilha conosco suas dificuldades. Sabemos que ele não está só nesta batalha, então usa o espaço deste post para pedir sua contribuição para que sua experiência o acrescente. E não só a ele, para que auxilie a outros que, como ele, tem dificuldade de manter a rotina de relacionamento diário com Deus por meio das disciplinas espirituais.

Forte abraço, até a próxima!

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

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