Rivotril

Pela segunda noite seguida não conseguia pregar o olho. Cansado de tentar dormir, levantou-se, ruminando. O que provocava aquilo? Como pudera chegar a este estágio? Será que alguma hora conseguiria dormir? Como seria o desempenho no trabalho se no dia anterior já esteve vegetando?

As perguntas somavam-se às que já o tirava o sono, de modo que a própria insônia começou a ser motivo para ela. Tomou um chá de camomila, viu o remédio para dormir encarando-o. Pensou nos benefícios, contrapôs os malefícios. Afinal de contas precisava trabalhar. Para trabalhar precisava dormir. Para dormir…

E dormiu.

Passou uma semana. Terminou a cartela. Twitou para desencanar. Afinal de contas agora já havia um tempo… e a falta do remédio preocupou-o também. Será que estava ficando viciado? Ora não tinha tempo para ficar doente. E muito menos tempo para não dormir. Coisas para fazer é que não faltavam. E usou a insônia para pelo menos produzir mais.

No dia seguinte o sono acumulado – pensou – se encarregaria de engatilhar a noite. Nada feito. E agora tinha certeza de que precisava de ajuda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *