Uma resposta ao amigo brasiliense

Dias atrás, escrevi um texto a respeito da dinâmica política de nosso país. Em seguida, o meu grande amigo Eduardo Victor publicou um comentário com suas objeções ao meu texto. Tivemos boas conversas privadas a partir dele, regadas a amor e desejo sincero de compreender um ao outro. Edu e eu andamos juntos há pelo menos 13 anos, portanto, não poderia ser diferente.

Seria muito importante indicar que faço uso da tradição cristã reformada – especialmente a vertente de Abraham Kuyper, Herman Dooyeeweerd e, alguma coisa, de Francis Schaeffer – para o diálogo que proponho entre cultura e cristianismo bíblico.

Contudo, não quero alongar-me nesses pontos. Existe alguma coisa no comentário do Edu que me retira o desejo de respondê-lo contrapondo-o e acaba por dirigir-me a interagir com ele de outra maneira.

O Peso de Glória (C. S. Lewis)
“Tanto vocês quanto eu precisamos do sortilégio mais forte que se possa encontrar para nos despertar do mau encantamento dessa mundanidade que se abateu sobre nós há quase um século. Quase toda nossa formação foi direcionada para silenciar essa voz interior reprimida e persistente; quase todas as nossas filosofias contemporâneas foram concebidas para nos convencer de que o bem do homem deve ser encontrado nessa terra. E é de chamar atenção que as próprias filosofias de Progresso e de Evolução Criativa guardam um relutante testemunho da verdade de que nosso objetivo está em outro lugar que não é este aqui. Quando essas filosofias tentam convencê-los de que esta terra não é o seu lar, notem como fazem isso. Começam tentando persuadi-los de que a terra pode transformar-se em céu, dando-lhes assim uma amostra grátis muito pálida para acalmar sua sensação de exílio na terra tal como ela é (…) Por fim, com medo de que seu anseio pelo transtemporal desperte e estrague tudo, essas filosofias usam de qualquer retórica que lhes venha a mão para manter-lhes afastada da mente a lembrança de que, mesmo se toda a felicidade que elas prometem pudesse ocorrer ao homem na terra, cada geração a perderia com a morte, incluindo a última de todas as gerações.”

Colossenses 3:1-4
“Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória.”

A vida tal como experimentamos hoje nesse corpo mortal é por um instante. Existem muitas coisas que devem ser feitas nesse momento da eternidade, mas ainda mais importante é fixar nosso olhar para a Nova Jerusalém e ligar o nosso coração na Esperança que há no Cristo ressurreto.

Obrigado, Du, pela oportunidade de dizer sem receio o maior desejo do meu coração.
Abraços do amigo de Belo Horizonte.

Gabriel Lazarotti

Sobre Gabriel Lazarotti

Redimido pelo amor de Deus. Discípulo de Jesus que segue por este Caminho. Um sincero apreciador da criação. Pretenso poeta todo o tempo, advogado e músico nas horas vagas.

2 comentários sobre “Uma resposta ao amigo brasiliense

  1. A gente já se convenceu que é um baita desafio encontrar alguns equilíbrios que estão imersos nos paradoxos da vida cristã. Esse é mais um deles! Pensar naquilo que é do alto, mantendo os olhos fixos no céu e ao mesmo tempo, lembrar-se do conselho dos dois varões que estavam vestidos de branco: “… por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir.” (At.1:11)

    As Escrituras parecem nos convidar para o equilíbrio e sua maneira de enxergar o Reino de Deus sempre me faz pensar em como tenho experimentando isso na minha vida. Sou grato a Deus pelas nossas diferenças e pelo amor que temos um pelo outro. Que a multiforme graça e sabedoria de Deus sempre encontrem lugar na nossa amizade, Gaba.

    Bjo grande e obrigado pela homenagem!!

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