Radar

Ela acorda e liga o som. Toma banho. Vai tomar café e o rádio está religiosamente ligado na Itatiaia. Entra no carro e liga a CBN, pra ir pra faculdade já informada das notícias. Chega à faculdade, aula. Na hora de estudar, porquê não uma música? Ajuda a concentrar. Almoço. Tarde, computador e uma musiquinha ao fundo pra fazer aquele trabalho. Academia e mais som alto pra ajudar no ânimo. Casa, TV. Dormir. Silêncio? Não, ainda agitação interna. Também, pudera. Ainda que parada, por dentro ela não parou.

Tive uma experiência bastante interessante com uma música da Britney atualmente. Radar, não sei se vocês já ouviram. Mas a minha primeira reação à música foi: que música horrível (nada contra!). Mas não é que hoje me peguei cantarolando a mesma?

Não sei se vocês já perceberam como funciona o processo de lançar uma música pop nas rádios. Primeiro você escuta uma música e pensa: que coisa horrível. Da segunda vez, a mesma coisa, mas já não é tanto choque. Na terceira já passa batido. Na quarta você já nem percebe. Na quinta, está cantarolando umas partes. Na sexta já sabe de cor. Na sétima você gosta. Na oitava é a sua favorita. Lá pra décima vez, você já está ligando pra rádio e pedindo pra tocarem a sua música! Formação de necessidades: te dizem tanto que você precisa gostar de algo, que você não pode viver sem a última versão do Ipod Nano 1900Gb, que fumando esse cigarro você será um grande esportista e terá todas as mulheres do mundo, insistem tantas vezes e de maneiras tão sedutoras que acabamos acreditando.

Somos muito influenciáveis e acho que precisamos estar conscientes que a todo momento estão tentando criar necessidades em nós. Vivíamos sem Ipod, celular ou internet, mas hoje muita gente ganha muito dinheiro em cima dessas ditas necessidades nossas. Claro, algumas facilitam muito a nossa vida, mas foram necessidades criadas e sem as mesmas nós também poderíamos viver (apesar de parecer impossível hoje viver sem celular, por exemplo). Pode parecer um pouco hipócrita da minha parte dizer essas coisas, dado que estou escrevendo do meu notebook, usando a internet. Mas o que quero dizer é que precisamos ter consciência do que usamos (e de que somos usados pelas coisas também, num certo processo de reificação) e de que “temos uma vida” sem elas. E que estão querendo nos pressionar e nos vender coisas a todo o tempo, mesmo que seja somente uma idéia. Saber dizer não quando for necessário.

Nosso tempo é cada vez mais escasso. Tempo de silêncio então, esquece… Preenchemos todo o tempo que tínhamos com outras coisas. Assim como queriam que fizéssemos.

Como tem sido nosso interior? Calmo? Agitado? O quão temos sido afetado pelo ritmo e pelos interesses externos na nossa vida? Como você percebe isso no seu dia-a-dia? Eu orei por “calmaria interna”, concentração e foco num passado recente, para me livrar um pouco da pressão e do ritmo acelerado, buscando viver o que de fato importava e foi muito legal ver Deus agindo e me ajudando a superar um pouco dessa “correria”. Mas ainda tenho um longo caminho pela frente.

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

10 comentários sobre “Radar

  1. Muito bom Analu! Acho que comentei muitas poucas vezes aqui mas como o Gabana falou no no seu último post, acho importante estar sempre comentando, então deixe-me ver o que consigo dizer!

    Muito legal a idéia que você colocou, me vejo muitas vezes como uma pessoa assim! Eu acordo ouvindo musica, chego da aula e vou tocar violão ou ouvir musica também e não para… Uma hora estou no computador, na televisão, etc. É claro que existem coisas muito “necessária” para se fazer com a tacnologia, como disse o Mateus nos posts anteriores, como você mesma colocou.

    Realmente algumas necessidades são criadas por nós, e hoje parecem coisas impossíveis de se “deixar”. As vezes essas necessidades acabam fazendo mal para nós, de certa forma.
    Pensando nessa idéia de fazer mal, acredito que ao nos ligarmos com toda essa tecnologia e até mesmo com as coisas do mundo de hoje, acabamos nos “desligando” de nós mesmos! Passamos o dia todo ocupados com todas essas coisas a quando vemos nosso dia já acabou!
    Será que ao fazer isso não deixamos de priorizar algumas coisas como Deus?? Não ficamos ocupados demais para ler, orar, ou até mesmo pensar em nossa vidas?? Vejo isso como uma coisa para se pensar muito!

    A algum tempo isso tem sido um grande obstáculo na minha vida e tenho me superado cada vez mais e crescido! E tenho certeza que ao pensar nessas coisas todas estou crescendo ainda mais!

    Uma última idéia que queria compartilhar é que o tempo realmente tem se tornado cada vez mais escasso na minha vida, e as vezes é dificil parar para pensar nas coisas que nos trazem alegria! Isso me faz lembrar de uma coisa dita pela minha irmã em seu Blog! (ttp://amenodizer.blogspot.com/2009/09/uma-imagem-nem-sempre-vale-por-mil.html)
    As vezes, nem toda a tecnologia pode nos trazer um momento ameno de felicidade do que estar com nosso amigos!

    Acho que já escrevi demais né… Espero ter colocado alguma idéias legais aqui e um boa discursão também!

  2. vruuuuuuuuuuuuuuu =]
    Realmente, é mt doido pensar nisso… acho q nunca parei pra pensar na idéia de “paz/silêncio interior”… o tempo inteiro tendo necessidade de ouvir musicas e talz… mas é engraçado como que Deus cuida mesmo q agt nao repare especificamente, pq to estudando pro vestibular e há umas semanas tava um bucado estressado, correndo demais pra estudar e meu tempo com Deus nem tava mt doido. Então tenho sentido a necessidade de ter mais tempo de qualidade com Deus e , claro, isso veio dEle e tenho tido tempos com muita quietude e silencio e tem sido mt bom!
    Valeu pelas idéias doidas ai Ana Vru! Bom poder passar a enxergar coisas novas e lutar pra vivê-las!
    abraços!

  3. Lucas! Adorei seu comentário! Pois é, temos que ser sábios pra não deixar isso ser a nossa vida e não deixar que essas coisas virem vícios e nos controlem. O que é um risco grande hoje em dia. Precisamos ter sabedoria pra dizer não quando for necessário… Legal o blog da sua irmã!! Entrei lá pelo link que vc deixou… bjos!

    Oi amiiiiiiga me axuuuuuda! Que bom que vc gostou!! :)

    Ricardo! Legal vc ter compartilhado essa experiência conosco… Boa sorte em conciliar as coisas na vida, espero que vc SEMPRE tome as decisões certas… Pq daqui pra frente vai ficando cada vez pior hehe

  4. Ana, to lendo um livro exatamente sobre isto: “Vida silenciosa” – Thomas Merton. Parece ser bom. Reflexões interessantes! É também um desafio para mim…

  5. Ei Guilherme! Parece que tem mta gente lendo livros sobre esse tema ultimamente… Legal, não conheço esse não!

  6. E além desse ponto que vc ressaltou da agitação interior, vejo um igualmente ruim: as pessoas estão cada vez mais ouvindo músicas sozinhas com esses dispositivos portáteis e fechando-se ainda mais dentro dos seus fones, dentro do seu mundo, sem se relacionar…

    Esses dpos ´problemas são mtos ruins, por isso que há dois anos atrás eu desenvolvi a teoria “O mp3/ipod é a pior invenção da humanidade” 😀

  7. Também lembro da teoria do Rato haoihaiooiahoiahio

    Se deixar eu ouço música o dia todo e já delimitei pra mim alguns horários permitidos e outros em que “não posso”. Preciso confessar que durmo com o rádio ligado… mas não ouço mta porcaria em rádio normal mais, tenho 1300 mp3 no cel.

    Sei lá, acho que de vez em quando a música não deixa minha mente ficar pensando besteira, meio que distrai.

    bjo, vru.

  8. é… entendo, Rafa… às vezes a música nos impede de pensar bobagem, mas tb às vezes nos impede de pensar…

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