Quebrando rótulos

“Fulana? É uma fofoqueira.

Cicrano? É um gay.

A Madre Teresa? É uma santa.

O Eike Batista? É um ambicioso.

Meu chefe? É um incompetente.

O Mozart? Era um gênio.”

Já reparou como reduzimos as pessoas a um aspecto de sua personalidade, isso quando não exageramos (ou até mesmo inventamos) o próprio rótulo que damos a elas? Deixamos de tentar compreender as pessoas antes mesmo de conhecê-las, reduzimos uma pessoa como um todo a um aspecto (verdadeiro ou não) e preferimos falar mal a tentar enxergar outro ponto de vista.

Isso por se mesmo já seria um problema, não fosse que fazemos exatamente a mesma coisa com Deus. Nós também tentamos reduzir Deus aos nossos conceitos e “enquadrá-lo” na nossa visão de como Ele deveria ser ou como fomos ensinados que ele é (Note-se que usar Deus como pretexto pra disciplinar os outros acaba passando a mensagem de um Deus de medo, um Deus carrasco).

Fala a verdade: o Deus que imaginamos muitas vezes nunca é digno de confiança, adoração, louvor, reverência ou gratidão. Embora digamos que não e que “Deus é amor”, agimos conosco e com os outros como se Deus fosse um de ódio, de julgamento, de discriminação. A perda da transcendência, do relacionamento verdadeiro com Deus e da chama que arde – em parte em decorrência dessa visão errônea – tem deixado um rastro de cristãos desconfiados, cínicos e revoltados contra um Deus “mimado” e uma porção de cristãos arrogantes e cheios de julgamento (e com o coração igualmente amargo) que se dizem donos da verdade divina.

Assim como precisamos quebrar nossos rótulos em relação às pessoas, talvez seja a hora também de quebrar nossos paradigmas quanto a Deus, buscar dentro de nós mesmos os rótulos que nós demos a Ele.

Buscar uma relação verdadeira com aquele que é sim um Deus de amor e é muito mais do que qualquer rótulo que qualquer dia possa ser inventado para tentar restringi-lo.

(Inspirado em “Confiança Cega”, Brennan Manning)

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

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