Quando morcegos eram aves

Eu estava no meio da palestra no Acampamento de Carnaval desse ano e o assunto era “As Escrituras”. Enquanto falava com empolgação sobre o livro escrito por Deus, eu soltei a informação de que a Bíblia afirmava que o morcego é uma ave.

“Das aves, estas abominareis… a cegonha, a garça, a poupa e o morcego.” (Lv.11:13-19)

morcego Pra quê? Fui abordado por vários jovens incomodados e questionadores: “Como a Bíblia cometeria esse equívoco? Ela não é inerrante?” 

“Responda aí, Eduardo! Você não fica afirmando que a Bíblia é perfeita?”

Pois bem, vamos às respostas!

1°) A Bíblia não é um compêndio de ciências. É uma carta de Deus para a humanidade. Por não ser um tratado científico, a Bíblia faz categorizações científicas genéricas. O morcego é classificado como ave porque, assim como as aves, ele voa e tem tamanho parecido com a maioria delas. Se não soubéssemos que ele é um mamífero, seria um tanto quanto lógico chamá-lo de ave.

2°) A ciência moderna tem sistemas de classificação diferentes dos sistemas antigos. Para um hebreu dos tempos bíblicos, tratar o morcego como ave não era nenhum equívoco. As descrições modernas é que trouxeram classificações mais específicas e, assim, o morcego foi para o grupo dos mamíferos e não das aves.

3°) Ave, em hebraico é “Ôwph” e é utilizada para se referir a um animal ou ‘que possui asas’ ou ‘que possui penas’. O termo ‘ave’ poderia ser mencionado também como ‘voador’. Portanto, dizer que o morcego era uma ave, biblicamente não está errado. (PS: O morcego é o único mamífero que voa.)

4°) A classificação de Lineu (pai da taxonomia moderna) ainda não estava disponível na época em que foram escritos os livros de Levítico e Deuteronômio e a definição científica do que era um ‘pássaro’ não existia. A classificação dos animais era feita por função ou forma. A categoria de voadores incluía pássaros, morcegos e certos insetos.

5°) Na ciência, o que é verdade hoje, amanhã “cai por terra” e é substituído por alguma nova descoberta. A classificação dos seres vivos é arbitrária e volúvel, tendo em vista que a própria ciência é volúvel. Aristóteles, por exemplo, classificou os animais de maneira genérica, de acordo com o seu habitat: aquáticos, terrestres e voadores. Ele deveria ser considerado um grande mentiroso por causa disso ou é mais fácil reconhecer a arbitrariedade e a volubilidade da ciência? 

No velho continente, a União Europeia classifica a cenoura como fruta, sabia?

Se daqui a 300 anos o avestruz e o falcão tiverem uma classificação alterada, nossos descendentes rirão de qualquer texto que tivermos escrito, chamando estes animais de aves.

Fiquem tranquilos, jovens! Num mundo onde até o Batman é confundido com o morcego, as Escrituras continuam soberanamente inquestionáveis e totalmente dignas de confiança!

Eu aguardo o dia em que muitos cristãos vão escolher parar de “morcegar” e começarão a estudar as Escrituras profundamente.

Um grande abraço!!!

Eduardo Victor

Sobre Eduardo Victor

Mineiro de Belo Horizonte, 33 anos, cristão e missionário em Alvo da Mocidade. Apaixonado pelas Escrituras, tornei-me um sonhador quando descobri que Deus pode nos surpreender com as coisas mais simples e inusitadas desta vida...

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