Quando falta o chão

Um dia comum. Tudo parece perfeito. Tenho uma casa, uma família, emprego, estudos, comida farta, roupas, amigos e o telefone sempre toca com alguma sugestão de algo legal pra fazer sexta à noite. De repente uma surpresa! É… o real é imprevisível!

Algo de inesperado acontece. Grande ou pequeno, mas sempre forte o suficiente para me tirar do meu precioso lugar. Talvez uma doença minha ou de alguém próximo, uma paixão indesejada martelando o coração, um acidente com algum ente querido, a perda do emprego, um término repentino de relacionamento, um amigo que mudou, etc. Me falta o chão. Fato é perdi a boa sensação de segurança – o mundo não está mais em minhas mãos, não consigo controlar minha mente e meu coração. Variadas sensações passam a ditar meu ritmo de vida. Como voltar à estabilidade? Aliás, havia alguma estabilidade?

A verdade é que grande parte dos meus problemas quanto à surpresa se encontram justamente no fato de ter acreditado que realmente controlo algo. Isto sustenta esta falsa sensação de segurança e a ideia de uma estabilidade impossível de ser furtada de mim. “Nem Deus afunda meu Titanic”, penso no íntimo do meu coração. E se afunda, faço o impossível para levantá-lo novamente, custe o preço e custar e doa em quem doer.

Como proceder diante de tal constatação? Tiago bem nos ensina que não devemos ser presunçosos, antes entregar à sabedoria divina nossos desígnios. Entregar e praticar aquilo que o autor de Hebreus escreve a respeito da fé – o fundamento daquilo que esperamos e a prova do que não vemos. Agora não há um atalho para voltar a me sentir bem. O exercício da fé me ensina a cada dia, cada momento, que o real é mesmo imprevisível e, embora Deus o saiba, não fará com que seja privado destas situações.

Hoje, ao sair de casa pela manhã, disse à minha mãe que cuidasse de sua saúde no decorrer do dia. No início da tarde soube que ela não se cuidou e que passava mal. Que sensação de impotência! Que luta para ter entregue tudo ao Senhor. E você, já passou por algo do tipo? Fique à vontade para compartilhar conosco.

 

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

4 comentários sobre “Quando falta o chão

  1. Essa sensação ocorre muitas vezes comigo, Rafa…

    Sempre me lembro do salmista:

    “Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado.”

    A descoberta da instabilidade daquilo que chamamos de prosperidade é o que faz faltar nosso chão…

    Grande abraço, amigão!

  2. É rafa, a vida esta sempre nos tirando o chão.. e concordo quando vc diz: “A verdade é que grande parte dos meus problemas quanto à surpresa se encontram justamente no fato de ter acreditado que realmente controlo algo.” Sempre sou levada a me lembrar que n controlo nada..bjus

  3. Sim, Rafa, acontece muito comigo…
    E é muito ruim a sensação de descobrir que não estou no controle

    Na contramão disso é boa, de uma forma muita mais intensa, a sensação de aceitar que Deus está no controle.

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