Profetas Modernos

Um problema cada vez mais comum no meio cristão é a terceirização da relação com Deus. Muitos cristãos deixam que sua relação com Deus seja intermediada por sacerdotes, presbíteros e até  pelos modernos e autointitulados “Profetas de Deus”, deixando de lado a leitura e a oração para se engajarem fortemente apenas em cultos, seminários e palestras. Basicamente, o cristão deixa de procurar a Deus diretamente, deixa de se relacionar com intimidade com nosso Criador e passa a ouvir e dar crédito apenas às experiências que outros cristãos, normalmente de posição de liderança,  têm com Deus.

Vejamos o que Moisés acha disto:

Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” Dt 18:22

No trecho selecionado do livro de Deuteronômio,  Moisés declara uma regra para que um profeta seja levado a sério: o que ele proferisse deveria se cumprir. Caso contrário, aquele profeta não era digno de crédito. Moisés ainda alerta para um pecado perigoso entre os profetas: a soberba! Talvez o fato de falar em nome de Deus, e de liderar pessoas, leve alguns homens a se colocarem em patamar superior, louvando a si mesmo em lugar de louvar a Deus.  Este é um dos perigos de se tornar alguém influente no meio cristão. Ser profeta não é fácil.

Notem que esta relação de falar/acontecer nos parece clara, mas deixa em aberto um problema levemente mais crônico do tipo: basta apenas prever o futuro para ser considerado um profeta? A simples adivinhação e futurologia basta para consagrar um homem como profeta do Deus Altíssimo? Esta suposição é perigosa pois, afastados outros critérios de seleção, qualquer adivinho, sendo ele charlatão ou não, poderia ser considerado alguém que fala em nome de Deus. Então, como saberemos se aquele profeta é digno de ser ouvido?

O próprio Moisés nos responde:

“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.” Dt 13:1-3

Notem como um profeta precisa de dois passos para ter crédito. Primeiro, deve acertar previsões, e segundo, deve conduzir seus ouvintes sempre ao serviço do Deus verdadeiro. A primeira parte é mais simples, basta aguardar o desenrolar dos fatos para constatar a veracidade. Mas o segundo envolve mais responsabilidade. Envolve conhecer Deus e distinguir se o profeta fala ou não a respeito Dele. E neste caso, muito claramente, precisamos conhecer a Deus. Precisamos saber se o profeta à quem damos crédito está nos conduzindo para o caminho da verdade.

No tempo de Moisés, os profetas eram os homens encarregados de trazer a palavra de Deus. Acredito que o dom de profecia ainda seja um dom ativo dentro do corpo de Cristo. Acredito que líderes, pastores e palestrantes possam sim trazer uma palavra de Deus para suas comunidades. Mas também acredito que este dom carece de muita disciplina e muito cuidado em sua utilização e interpretação.

Você já colocou o profeta à quem você escuta nestes filtros?

Se não conhecemos a Deus, não adianta termos profetas, pois não saberemos distinguir os falsos dos verdadeiros. Primeiro, conheça a Deus e aos seus mandamentos, para depois julgar os ditos “profetas” que insistem em prever seus caminhos e traçar seus passos e ações.  Não terceirize sua relação com Deus.  Escute-O em seu coração,  e saberá escolher à quem você deve escutar.

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Mt 24:24

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