O insustentável preconceito do ser (I)

“Foi mal, não sabíamos que ele era índio, achamos que era só um mendigo” (1997, quando jovens de Brasília queimaram o índio Galdino)

“Foi mal, não sabíamos que eram pai e filho, achamos que era um casal gay” (2011, quando homens mutilaram pai e filho, achando que eram um casal gay)

Me corta o coração ver quão preconceituosa é a nossa sociedade brasileira. Matar índio não pode, mas matar mendigo pode. Espancar pai e filho não pode, mas espancar gay pode. Isso justifica alguma coisa?

O pior aqui é que ultrapassaram a linha da agressão verbal ou moral para a agressão física, chegando a mutilar ou mesmo matar aquele que é “diferenciado”. Violência contra algum grupos específico nunca é justificável, seja ela realizada pelo próprio Estado ou por particulares.

Poucos meses atrás, soubemos do caso do metrô em Higienópolis: moradores do chique bairro de tradição judaica de São Paulo não queriam que ali fosse construída uma estação de metrô por medo das pessoas “diferenciadas” que poderiam aparecer por ali. Como ousariam as pobres empregadas domésticas das dondocas quererem formas de transporte mais dignas até seu trabalho? Como ousar desrespeitar a sagrada ordem de que a cidade foi feita pros carros e só se locomove quem tem dinheiro para comprá-los?

Enquanto continuarmos vendo no pobre, na doméstica, no flanelinha, no índio, no gay, no negro aquele que é diferente e que “não merece respirar o mesmo ar que eu”, nunca vamos ver que todos têm (ou deveriam ter) os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Mas é muito fácil e confortável continuar no nosso mundinho de classe média e fingir que nada disso é conosco, continuar fazendo os comentários classistas de sempre, continuar defendendo as posições “da elite” de sempre ou daquilo que supostamente é bom e tradicional.

Nós, como sociedade, somos assim: preconceituosos.

Deixo com vocês um vídeo que, a meu ver, resume bem quem somos e como pensamos como sociedade brasileira.

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

2 comentários sobre “O insustentável preconceito do ser (I)

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