“Por que me abandonaste?”

Continuando a seqüência das idéias nessa nova semana temática, gostaria de retomar o que foi escrito nos últimos dias e introduzir algumas idéias novas. Vejamos:

O Gabriel quis nos mostrar como está a situação do mundo hoje. Você pode dizer, com sinceridade de coração, que ao olhar pra fora da janela e observar o mundo, está satisfeito com o que vê? Miséria, guerra, exploração, violência, competição, superficialidade, egoísmo, falta de respeito, desigualdade? O Gabriel focou na questão do conhecimento, uma ferramenta tão central do nosso cotidiano que pode ser diariamente usada como arma de dominação ou até mesmo – paradoxalmente – nos afastando da verdade. E por que será que o mundo está assim? Você tem um palpite?

O Guilherme quis nos mostrar que, na verdade, tudo isso que vemos aí fora está na verdade dentro de nós mesmos: a luta, a busca pelo espaço individual, a ganância. Olhe para dentro de você mesmo e reflita sinceramente: seu caráter corresponde ao ideal de perfeição que você mesmo tem? E se comparado a uma figura como Deus? Você usa as oportunidades que tem sempre em prol dos outros ou mesmo que de leve o foco está em você? Digo da minha vida: não sou perfeita, nunca fui, sou na verdade uma pecadora (Pecado é o que me fere, fere aos outros e fere a Deus, me distanciando de todos eles). Vejo em mim mesma muito do que eu abomino nos políticos, nos capitalistas, nos ladrões: eu também roubo, exploro e agrido. E nisso, infelizmente, sou completamente diferente de Deus, que é perfeito, santo e justo. Por isso Deus parece às vezes tão distante… Nós somos verdadeiramente muito diferentes de Deus, por colocarmos a nós mesmos no centro de nossas vidas e esquecermos do papel central que Deus deve ter. E isso desencadeia diversos comportamentos na nossa vida que são conseqüência desse primeiro: é O pecado que se desdobra em diversos outros “menores“.

Mas e aí? Eu não quero ficar longe de Deus! Eu não quero ter um caráter tão diferente do dele! Antes de você pensar nisso, amigo, Deus já tinha pensado: Jesus. Esse mocinho judeu é único, como nos mostrou o Rafael. Logos. Ele é o próprio Deus, feito homem. Com as necessidades de homem como comer ou dormir, mas sem a falha do homem, qual seja, o pecado. Os discípulos de Jesus andaram com Ele por três anos e não encontraram nele falha alguma: se você andasse comigo 5 minutos, veria uma porção. E não só o caráter de Jesus nos mostra quem Ele é, mas também seus “poderes supernaturais”: curou doentes, transformou água em vinho, multiplicou o pão, parou a tempestade, enfim, podemos continuar a lista aqui… Pensando no que você conhece sobre a vida de Jesus, você concorda que Ele foi um cara sem pecado?

Mas aí você diz: ok. Jesus foi um cara sem pecado e eu tenho pecado. Jesus então é um exemplo a ser imitado e ponto final? Não, a história não é bem essa. Jesus é também um exemplo a ser imitado, mas a obra dele é ainda mais ampla. Ao estudar o Antigo e o Novo Testamento (que formam a Bíblia), percebemos que a morte (física e espiritual) são conseqüências do pecado. Deus não nos criou para sermos seres finitos, limitados e distantes dele, mas pelas nossas opções acabamos vivendo assim. Ou você pergunta a Deus se cada passo que você dá é certo ou errado e tem certeza de que cada escolha sua é a melhor opção? O pecado pesa, gera culpa, aprisiona. Você sabe como se sente mal ao lembrar do fato X ou Y que sabe que não deveria ter feito. Tenta esconder, mas o fato ainda está lá.

Por favor não entenda que quando eu digo que a morte é conseqüência do pecado (na verdade a Bíblia diz isso em Romanos 6:23) estou dizendo que os que morrem mais cedo pecaram mais que os outros, mas sim que como seres pecadores e finitos, a morte é inevitável: física (da morte mesmo) e espiritual (do vazio, da tristeza, da culpa, da solidão).

Mas nós podemos nos livrar da culpa e da morte espiritual e nos aproximarmos de Deus: na figura desse Cristo, que, ao morrer na cruz, morreu sem ter motivo. Se Ele não tinha pecado, por que Ele morreu? Morreu sem ter pecados, sem ter pelo que pagar. No entanto, naquele momento Ele sente o peso do mundo e fala aquela célebre frase: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (E não é assim que nos sentimos muitas vezes, abandonados por Deus e pelo resto do mundo?). Por que Jesus se sente distante de Deus? Porque naquele momento Ele estava carregando o meu pecado, o seu e o de toda a humanidade. Por isso diz-se da morte redentora de Cristo: Ele morre não pelos pecados dele, pois não os tinha, mas paga em sua morte os nossos. E a partir daí se abrem novas possibilidades de proximidade com Deus, de caminhada, de rompimento da barreira que antes nos separava. Tudo isso nos é entregue de bandeja: de nossa parte nos resta compreender e abraçar essa oportunidade.

A ação dele já foi feita, cerca de 2000 anos atrás. Era necessário que houvesse esse pagamento que nos limpasse, através do qual poderíamos nos apresentar diante de Deus como pessoas limpas do pecado. Deus não pode simplesmente fechar os olhos, não pode ser injusto e relevar todos os nossos atos. Mas ele mesmo, em seu amor, providencia o pagamento que nos limpa do pecado. Agora cabe a você refletir sobre essa série de acontecimentos e pensar: Isso faz sentido? Qual é a importância do que Jesus fez para a minha vida? Você entende verdadeiramente o que Ele fez por você e qual é a nova chance que nos é dada através dele?

Eu entendi, faz quase 9 anos, e decidi abraçar o que Jesus ver por mim e viver como discípula dele. E posso te garantir que valeu a pena e eu não trocaria isso por nada no mundo. Te desafio a pensar nessas idéias. Quem sabe Deus não quer te dizer algo especial no dia de hoje?

Amanhã o Homero vai falar sobre o que aconteceu com Jesus, como Ele supera a morte física e quais as conseqüências desse fato para as nossas vidas. Continue acompanhando o desenrolar dos fatos! A história que queremos contar ainda não acabou!

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

18 comentários sobre ““Por que me abandonaste?”

  1. “Pecado é o que me fere, fere aos outros e fere a Deus, me distanciando de todos eles”
    Como me ver livre disso se não for por alguém que não vive isso???
    Ótimo texto.
    Estou ansioso pelos próximos dias.

    bjo.

  2. “Quem sabe Deus não quer te dizer algo especial no dia de hoje?”
    Todos os dias ele tem algo a nos dizer, mas nem sempre lhe damos oportunidade de dizer. Particularmente fiquei muito contente com o Post, acho que foi uma oportunidade de pensar em algumas coisas e até mesmo de ouvir.
    E acho que isso tudo não só faz sentido como é a coisa mais importante, porque ele simplesmente nos fez viver, ele é o cara mais importante de nossas vidas, e a chance que ele nos deu é incomparável! Mas porque nem sempre somos agradecidos por isso?

    Enfim, diferentemente dos outros Posts comentei muito “pouco” e acho que já estava ficando pouco tedioso… Mas gostei muito do Post! Estou ansioso pelos próximos dias!

  3. “Porém o povo de Sião diz: ‘O SENHOR me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim’. Então disse o Senhor: ‘Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.’ Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim.”

    Isaías 49: 14-16

  4. Como já havia dito, muito claro e bem escrito Ana! Obrigado pela restrospectiva também. Esclarecedora.

  5. Ana, muito bom texto. Obrigado por me fazer lembrar que um dia eu entendi todas essas coisas. Com certeza dava murro em ponta de faca antes de reconhecer que somente Jesus e a sua perfeição poderia mexer com a minha vida.

  6. Oi Ana, parabéns pelo texto!

    Li uma matéria interessantíssima na revista The New Yorker sobre as tentativas de entender quem e o que fez Jesus. Acho que vale a pena você ler. O autor tem uma visão liberal, humanista, nem de fé, nem de todo cético. Aqui o link: http://www.newyorker.com/arts/critics/atlarge/2010/05/24/100524crat_atlarge_gopnik

    Espero que esteja tudo ótimo aí em Campinas. Aqui em Berlim, muito trabalho, mas feliz!

    Bjs,

    Bruno B.

  7. Oi pessoal!
    Primeiro preciso dizer que o tema é bastante complexo e é difícil colocá-lo no papel sem escrever um post gigantesco. Dialogar sobre essas coisas é muito mais fácil.
    @Lucas: Então, creio o mesmo que vc, que todos os dias Deus quer nos mostrar coisas novas… Precisamos ficar abertos e sensíveis para escutar o que é!
    @Meninos do Blog: Obrigada aos três pelos posts anteriores! 😀
    @Bruno: bom te ver por aqui!! Que bom que vc gostou do texto… Legal, aproveita muito aí em Berlim! Também estou ralando nesse lado aqui do atlântico… 😀 Vou ler o texto, obrigada pelo link!
    Bjos

  8. Parabéns por tamanha clareza, Ana!

    Realmente, vejo que na minha vida sinto o peso da “cruz”
    quando me distancio de Jesus.
    No entanto, é maravilhoso olhar para trás
    e ver que Ele ainda continua de braços abertos!

  9. “Peso da palavra do SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias. ‘Eu vos tenho amado’, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? (…)” Ml 1:1,2

    Lembrei-me da palestra que o Adilson deu na Comunidade sobre o profeta Malaquias. No início do livro de Malaquias mostra Deus falando o quanto nos ama, e, mais do que isso, que nos ama desde a Criação, antes mesmo de nascermos. E nós, sempre questionando, como “crianças” sem lugar, gritamos a Ele, “como assim nos tem amado? Onde o Senhor está? Não sinto esse amor! Porque me abandonaste?”
    É, sempre assim…..pq a gnt demora tanto pra entender o amor de Deus e seguir o seu chamado? Todos os dias Ele nos chama pra perto Dele (não sei pq, pra te falar a verdade…rs.). Obrigada Senhor, por não desistir de nós! =) Fl 1:6

    Obrigada Ana pelo post!!! Gostei muito!! Realmente é um tema difícil de colocar no papel, mas vc escreveu tão delicadamente que quando acabou estava pedindo mais!! rs. bjinho
    P.S. muito bom te ver por aqui Maisa querida!!!

  10. Gente, obrigada pelas contribuições.
    @Luma: “Todos os dias Ele nos chama pra perto Dele (não sei pq, pra te falar a verdade…rs.). Obrigada Senhor, por não desistir de nós! =) Fl 1:6” hahaha ótimo, Luma… Mas é verdade, devemos ser mto gratos a Deus!
    @Maísa: É verdade. É impressionante o quanto Ele nos ama e vai continuar nos amando, mesmo que nós não correspondamos.
    @Deyvid e Larissão: mto bom ver vcs por aqui!

  11. P.S. agora q eu vi que coloquei a referência errada no meu comentário. Não é Fl, nem existe isso, é Fp, de Filipenses!!! Fp 1:6 Foi mal!!!!

  12. “Vejo em mim mesma muito do que eu abomino nos políticos, nos capitalistas, nos ladrões”
    Não sou diferente de você não!

    Gostei muito.

  13. Tem Filemon! Mas sem problemas, obrigada pelo versículo!
    Pessoal, ficamos alegres de que possa ter sido útil!
    bjos

  14. “Senhor, meu Deus e amigo, eu Te pergunto: Porque sou assim tão diferente do resto da Humanidade?”
    Se houver algum Teólogo no site que possa me ajudar a compreender o meu Espírito, ficarei eternamente agradecido.
    Obrigado e Amém !
    Carlson Ripoll Gomes. (Nascido em 16 de Julho de 1954, em Niterói/RJ)
    O amigo de Deus.
    08/09/2010

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