Peter Pan – Trauma

Peter Llewelyn Davies, este é o nome do verdadeiro Peter Pan. Ele foi descoberto pelo dramaturgo Sir James Matthew Barrie na Londres do início do Século XX. Era o filho mais novo de uma viúva que tinha sob seus cuidados ainda outros três filhos. Diferente dos irmãos, Peter não era dos mais entusiastas com brincadeiras de crianças e com a vida de um modo geral. As coisas começaram a mudar após ter conhecido o Sir James, ou simplesmente “Tio James” ou “Tio Jim”, como era chamado por ele e seus irmãos.

Sir James chegou na vida do garoto sem querer, num dia qualquer de passeio e reflexões no Kensington Garden, após mais uma estréia fracassada de uma de suas peças teatrais. À procura de um novo enredo, o autor encontra-se com a família e passa, de certa forma, a fazer parte dela. O pequeno Peter é tanto quanto resistente no início, mas acaba por ceder aos convites de Barrie para deixar a imaginação o levar a lugares distantes da realidade e do medo. James incentiva o garoto o presenteando com um caderno em que pudesse escrever suas ideias. O apoio foi forte o suficiente para motivar Peter a montar sua primeira peça. Infelizmente a apresentação surpresa para James e Sylvia Davies (mãe de Peter) não chega ao final por ela passar mal durante o espetáculo encenado por Peter e seus irmãos. Os motivos da desconfiança de Peter são expostos neste momento, quando se vê diante da mesma situação que tirara seu pai de sua presença, quando da sua morte. A revolta toma conta do pequeno garoto e o Tio Jim aparece neste momento com suas experiências de vida e uma palavra de conforto.

O tema central desta história é o trauma que leva ao medo – medo da morte, medo de deixar a imaginação solta e perder as rédeas da situação e da vida. Quem nunca teve medo da morte de um ente querido? Quem tem o controle deste tipo de situação? Ao se deixar envolver, voltava à memória de Peter que ele havia combinado com seu pai de pescar em duas semanas, mas seu pai não resistiu sequer dois dias antes de vir a falecer. Fuga da realidade nunca foi maneira de solucionar nenhum tipo de situação, mas viver sob tensão também é um sacrifício muito alto, ainda mais se levarmos em consideração o fato de não haver alteração alguma no resultado final das situações da vida.

É muito ruim se sentir enganado pela vida. Nós nos permitimos um pouquinho de felicidade e vem a tragédia e nos ataca. Ed René Kivitiz assim define, interpretando o eclesiastes:

A desgraça sempre acha um jeito de bater à nossa porta. Quando ela chega, não se limita a trazer sofrimento, mas aproveita a viagem para jogar na cara um desaforo: “isto é para você saber que não vale a pena viver, pois o mundo não faz sentido, tudo não passa de um absurdo.

Muitas vezes me vejo no lugar do pequeno Peter e tenho medo de desfrutar um pouco mais de um momento de alegria porque, afinal, minha mãe, já com a saúde um tanto quanto debilitada, a qualquer momento vai ter alguma complicação e teremos de levá-la à emergência de um hospital. Graças a Deus isto não acontece, após ter conhecido a Cristo tenho entregue meu coração e minha preocupação a seus cuidados. Que coisas ruins vão acontecer, é um fato. A liberdade de saber que Deus está no comando é que faz a diferença. O pequeno garoto não conhecia isto e por este motivo talvez tivesse tanto o que querer se resguardar.

Uma tristeza aqui, outra ali, e logo endureço meu coração, tal como Peter o fez.  O convite do dramaturgo foi para que Peter vivesse mais, se permitisse um pouco mais de felicidade em meio às tristezas da vida. O convite de Deus para nossas vidas é o mesmo, deixar o trauma de lado e vislumbrar com outros olhos a realidade à nossa frente. Minha oração hoje é para perceber este convite do Pai e conseguir me entregar cada vez mais para ter a liberdade de poder viver a vida plena que Ele me prometeu.

Na próxima semana, “Peter Pan – O Menino Se Foi”. Até lá.

Rafael Santtos

Sobre Rafael Santtos

Rafael Santos, Belo Horizonte, 18 de abril de 1984, cristão desde 2012, sonhador, aventureiro, sanguíneo, exortador. E deseja dividir um pouco do que pensa através do Outras Fronteiras.

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