Palavras desperdiçadas

Segundo Vygotsky (um teórico do desenvolvimento humano), a relação do homem com o mundo é indireta e mediada por símbolos, sendo que a língua é o principal deles. Ou seja, para interagirmos com o mundo que nos cerca, as palavras são preciosas, são o instrumento mais importante que nós, seres humanos, possuímos para nos relacionarmos.

Palavras

Curioso é como tantas vezes fazemos um mau uso desse instrumento e geramos mal estar para todos os lados: para mim, para você e para a comunidade que nos cerca. As palavras podem ser usadas tanto a nosso favor quanto contra, tanto para acrescentar coisas boas aos relacionamentos quanto para espalhar, causar atritos e desunião.

Quando fazemos um mal uso das palavras? Quando mentimos, causamos intrigas, fofocamos, falamos mal de alguém, entre outros. Além disso, a Bíblia já nos alerta sobre o perigo de falar muito – o perigo de desperdiçar palavras. Sabemos que quem controla a sua língua é sensato (Pv 1o:19) e que a língua é um pequeno órgão do corpo que é capaz de fazer grandes estragos na vida das pessoas (Tg 3: 5,6).

As vezes alguém diz algo que toca em um ponto que me angustia de tal forma que saio desperdiçando e espalhando palavras por todas as partes. Depois, não consigo mais recolher essas palavras e acaba sobrando um resto que contamina a mim e a todos a minha volta.

Com essas minhas experiências, aprendi que, ao desperdiçarmos, não enxergamos o outro. Como somos seres relacionais, não há como vivermos bem sem que o outro esteja bem, assim, o maior prejudicado pelo nosso próprio desperdício, acaba sendo nós mesmos.

7 comentários sobre “Palavras desperdiçadas

  1. oi carlinha!! Este tema é realmente importante e sempre será atual. Agora estamos estudando Tiago nas reuniões do Mangabeiras e neste livro a uso da língua é uma constante e me marcou profundamente desde a primeira vez que estudamos, ainda na casa do Rato.
    Além disso, a imagem ficou ótima, acho que retrata muito da realidade e do que você falou. De uma certa forma, vemos as pessoas muito baseado no que elas mesmas falam.
    Seus conhecimentos de psicologia também são enriquecedores, valeu!

  2. Muito legal o post, Carlinha… a maior prova de tudo o que vc disse está no próprio post… Ele está bastante curto (é que eu já li alguns posts do blog que eram kilométricos…) e extremamente profundo… Acho até que vc não desperdiçou nenhuma palavra, sabia?
    Concordo com o Vidigal sobre a importância desse tema e lendo o post, me lembrei de que alguém um dia me disse: “Enquanto você não pronuncia nenhuma palavra, você é o senhor dessa palavra… No momento em que você pronuncia, é como se você estivesse liberando a palavra que antes era sua escrava para ser, a partir de agora, a sua senhora…”
    Seria ouvir alguém dizer aquele velho discurso: “Eu nunca vou fazer isso…”

    Era preferível ter pensado, do que ter falado… Daí a vergonha se torna menor, não é mesmo?

    “…estou pronto a ir ter contigo, tanto para a prisão como para a morte.” (Lc.22:32)

    O resultado está registrado exatemente 30 versículos depois: “Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.” (Lc.22:62)

    Às vezes, percebo em menos de 30 versículos, o quanto tenho desperdiçado minhas palavras, Carlinha…

    Valeu pela reflexão… Ficou muito legal…

  3. dudu, eu tava falando essa semana com a Alê sobre um pouco do que você escreveu. Às vezes fazemos compromissos que não eram nem de longe necessários… e porque falamos temos que cumprir. Então é melhor pensar muito bem antes de falar alguma coisa porque a gente se compromete com aquilo né. Acho que há um versículo em Pv que fala sobre isso, além daquela história do cara que fez o voto de sacrificar a primeira criatura que ele visse e deu no que deu…

  4. eu tenho pensado sobre isso nos últimos tempos também;

    no meu ambiente de trabalho o pessoal fala bastante sobre outras pessoas, algumas coisas são relevantes para eu saber onde estou inserida né, mas outras são fofoca mesmo, e o certo mesmo seria nem escutar.. algumas pessoas de lá também falam besteira o dia inteiro, e, quando eu me dei por mim, já estava até fazendo alguns comentários a respeito… às vezes é perigoso que, para socializar quando estamos num lugar novo e tal, falemos só por falar, coisas que poderiam jamais ser ditas e não fariam nenhuma falta

    hoje, por exemplo, estávamos conferindo uma lista e eu vi um nome meio bizarro lá e interrompi a atividade para fazer um comentário criticando… não precisa

    quanto ao Senhor, a gente pode ver que toda palavra que sai de Sua boca tem algum propósito: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” (Isaías 55:11)

  5. Carla,
    A post ficou ótimo viu?
    Amo o contraponto cristão ao velho “cuide de você mesmo” no final voce faluo que nao há como vivermos bem sem que o outro esteja bem, eu acho essa idéia fascinante e tão verdadeira!
    Preciso aprender a cuidar melhor do que sai da minha boca…

  6. É isso ae, sempre achei que a base de qualquer relacionamento, inclusive o nosso com Deus é comunicação e perdão. Para haver comunicação muitas vezes precisamos das palavras, acho que é o jeito que mais usamos. Aí é uma porcaria quando desperdiçamos algumas delas nos comunicando mal.

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