Os mornos

Deus me deu a graça de ter amigos-irmãos ao meu lado. Com eles, minha caminhada fica mais leve, sincera e desafiadora. Sou muito grata por ter pessoas que me repreendam e me ajudem a enxergar Jesus em tudo. Sou grata por sempre ser lembrada de quem eu sou e quem eu devo ser. Sou muito grata por ter amigos que me ensinam como devo enxergar a vida, e quero hoje dividir com vocês o que me faz tão bem.

Com vocês, minha tão querida amiga, Nanda Faúla:

Eles, aos poucos, começam a priorizar outras coisas… As orações não são tão urgentes; afinal, Deus faz independente de qualquer coisa não é?! Meditar e conhecer Sua Palavra já não é mais tão transformador ou essencial; afinal, já leram muito, fizeram estudos demais; ficou monótono e repetitivo…

Sutilmente, o dinheiro se transforma na grande necessidade da vida. O trabalho, antes uma forma de servir ao próximo, se torna o sentido da vida, a maior porcentagem de toda a realização pessoal. A vida amorosa vira a grande urgência do momento, independente de como e com quem será vivida. As amizades profundas e edificantes não têm mais prioridade; eles nunca têm tempo para isso. Já os amigos do mundo, e até mesmo alguns “cristãos”, ganham cada vez mais espaço na superficialidade da vida, nas baladas e curtições. Apresentar Cristo aos que não são Dele? Não, “o campo ainda não está pronto para a colheita”. Ele nunca fica!

Muito mais importante do que ler o que a Palavra diz é ler o que a Universidade manda, o que a literatura mostra, o que os especialistas dizem. A Bíblia é incompleta e às vezes muito radical. Cortar o olho que o leva a pecar? Perder o mundo? Negar-se? Não foi bem isso o que Jesus quis dizer. Aliás, nunca se deve interpreta-lo ao pé da letra; “o legalismo passou; estamos na ‘graça’, somos ‘livres’ em Cristo”. É melhor apenas lembrar que Deus é amor, sem descobrir Nele o que esse tal de amor significa. Já que tudo pode, apenas preferem esquecer que nem tudo convêm.

E o mal? O diabo? É inofensivo; eles têm o Espirito Santo. Mas ouvi-lo? Isso é espiritualizar demais as coisas. É melhor apagá-lo um pouquinho. Aliás, bom mesmo é viver o “um pouquinho”. Um pouquinho de cobiça ninguém vê, um pouquinho de vaidade não faz mal, um pouquinho de egoísmo é necessário, um pouquinho de pecado não mata ninguém.

Confessar-se? Não! É melhor fingir que nada aconteceu. Passam por cima de um sentimentozinho de inveja, daquela vontadezinha de ser superior, da ingratidão comum, do egoísmo de colocar seus interesses acima dos de quem está ao lado. Ignoram aquele mentirinha “necessária”, aquela pessoa que até hoje não perdoaram. Aqueles vários momentos de hipersensibilidade a críticas em vez de escutar a Sabedoria, o pensamento sutil de terem cansado de fazer o ministério – “estou de férias!”… Eles têm suas justificativas sempre. Aquele porre de semana passada já passou! Aquele dia na internet vendo coisas inúteis, alimentando o ócio e a preguiça… Os vários meses sem doar… “Nem penso mais nisso”! Aquela maniazinha de tratar o outro como sua posse, de sutilmente alimentar relacionamentos pra ver se a auto-estima aumenta; de comprar ou comer loucamente para ver se a ansiedade passa…

Os cristãos que vivem o contrário dessa vida são legalistas, radicais demais, espiritualizam tudo; precisam ser mais livres. Vivem pensando nos outros e não cuidam de si mesmos. “Não, não quero essa vida para mim!”

É uma pena que no meio cristão existam muito mais mornos do que quentes. Que a igreja tenha perdido a noção subversiva e radical do chamado cristão e, por isso, perdido seu potencial de impactar e servir o mundo. É lamentável que tantos fiquem em cima do muro como se essa fosse a melhor posição. É uma pena os mornos se esquecerem de que quando Jesus disse estar batendo à porta, ele falava para cristãos que haviam deixado a radicalidade do “andar como ele andou”.

Mais do que isso, é uma pena que eu seja tantas vezes assim!

É uma pena que eu deturpe a bela ideia de liberdade e graça, escondendo a falta de luta para ser uma cristã genuína e ajudar outros a serem; escondendo o medo da total entrega e consagração; de ser uma discípula autêntica e radical; de ser uma adoradora em espírito e verdade como o Pai busca; de ser, cada dia mais, VERDADEIRAMENTE cristã.

“Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” Ap 3:16

A SOLUÇÃO: “Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” Ap 3:19-20

7 comentários sobre “Os mornos

  1. Tenso me identificar com alguns pontos desse texto e ver como preciso de buscar mais uma vida cristã verdadeira… Não te conheço, xará, mas acho que vc foi muito abençoada como profeta para alertar a mim e, com certeza, a mais pessoas sobre o risco de viver em hipocrisia! Deus é digno de muito mais!! Que Ele nos dê graça para honrá-Lo diariamente.

  2. Comentamos isso, ontem, no estudo Nanda, sobre como estamos “engolindo sapos” e, sutilmente, aceitando as coisas que Jesus sempre disse que não seriam as essenciais…
    Obrigado pelas palavras, Nanda e Quel. Fiquem no Pai!!!

  3. Obrigada queridos!!!
    Xará, que bom que vc pôde se identificar e se avaliar, e que eu pude ser usada por Deus, essas ideias me tocam muito tb, é muito difícil não viver na hipocrisia e ter uma fé realmente genuína. Que Ele nos dê mesmo essa graça de honrá-lo dia após dia, essa seria uma grande graça que poderíamos receber e q eu gostaria imensamente de receber. Que bom que para cada momento que não vivemos isso temos a maior graça de todas, a da cruz e da possibilidade do arrependimento genuíno!!! Bjs

  4. Se um dia a gente começar a nos tornarmos mornos, daremos uma “chacoalhada” um no outro, certo Nandowisk?

    Muito legal e pesado o seu post!

    Bjos!!!

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