Olho mágico

O que me separou, posto cordão com o mundo. Um olho perneta, dum vidro que aumenta e aponta pra diante, fazendo desmanchar as periferias.  Naquela superioridade toda de quem festeja o ver sem ser visto, respirando-se em auto-deidade as misérias de um mundo por detrás da porta. Pelo convencimento próprio de ser possível misturar e entender na segurança de casa.

O meu olho mágico; que cega pela propriedade de ver. Dizendo de suas magias em enxergar quando bem assim entender, fazendo desaparecer o que não se coloque exatamente ali diante. Permitindo os cartesianismos de sofá, a elaboração das soluções perfeitas dos problemas insinuados ao olho de vidro.

Mas como são belos os pés daqueles outros. Dos sujos de pó, castigados em pele morta e dura. Daqueles que desconhecem olho mágico, quiçá prescindem o enxergar.

Às ideias de domingo do amigo Homero.

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