O ribeiro de Besor

Fico imaginando Davi e sua tropa voltando de uma guerra, depois de 3 dias de viagem , chegarem, cansados, em sua vila totalmente destruída. Isso aconteceu e é narrado em I Samuel 30. Davi ainda não era rei, muito pelo contrário, era perseguido pelo rei Saul. Essa perseguição o levou a viver no meio do maior inimigo de Israel; os filisteus. Ele poderia viver com seu bando de 600 homens e seus familiares em Ziclague, região dos filisteus. Mas Davi não esperava viver uma de suas maiores angustias nesse período, seus homens até cogitaram apedreja-lo (v.6). Afinal de contas, como o grande líder da tropa permitiu que suas mulheres e filhos fossem levados enquanto estavam em guerra.

Davi se ¨reanimou no Senhor¨ (v.6), pegou sua tropa e foi em busca dos malfeitores e de suas famílias mantidas escravas. No começo da caminhada o cansaço pesa e 200 dos 600 homens não aguentam prosseguir. O local onde eles param é conhecido como ¨ribeiro de Besor¨ (v.9). É nesse lugar onde os ¨retardatários¨ param,  descansam, se alimentam , são curados e  recuperam energia. Outros foram por eles, lutarem por suas famílias. Os retardatários não serviam para nada, não contribuiriam em nada com a vitória do dia seguinte.

Foto do ribeiro de Besor

Quando voltaram com suas famílias salvas e os inimigos derrotados, alguns dos que foram, começaram a espalhar que não dividiriam os despojos da guerra (tudo o que tinham conseguido com pilhagens nos seus inimigos) com aqueles que ficaram no ribeiro de Besor. Nada mais justo!!!! Eles não fizeram nada e ainda tiveram suas famílias de volta! Com certeza todos concordariam com a decisão!

Davi não concorda! Em uma atitude que antecede a graça do evangelho, Davi os saudou cordialmente (v.21) e dividiu tudo em partes iguais (v.24). A graça do Gólgota presente em uma pequena história do Antigo Testamento. Davi escolhe pela graça em detrimento do mérito. Creio que Davi já havia recebido muito sem fazer nada, ele entendia de graça por sentir e viver com Deus lutando por ele. Ele sabia quem era O verdadeiro guerreiro que cruzava o Besor em todos os momentos de sua vida para lutar por ele.

Se eu for muito coerente e sincero comigo chego à conclusão que sempre vivi no ribeiro de Besor, assim com disse Paulo em I Co.4:7 : ¨Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?¨

É no ribeiro de Besor que sou apascentado pelo meu Pastor, onde recebo comida, sou curado, me hidrato, ouço Sua voz e me sinto seguro. O problema é quando me junto com outros para julgar os retardatários, me esquecendo que também o sou.

Um abraço diretamente do ribeiro de Besor e até a semana que vem!

Homero Castro

Sobre Homero Castro

Nome: Homero Resende Castro Nasci em 1979 em Belém do Pará, moro em Belo Horizonte desde 1989. Sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1999 trabalho como missionário na associação Alvo da mocidade. Eu e minha maravilhosa esposa, Camila temos duas filhinhas lindonas, Helena e Elisa, e uma sapeca cadela chamada Leona.

6 comentários sobre “O ribeiro de Besor

  1. Muito legal, Homero. Quantas vezes eu não sou como esses guerreiros, que lutam pra não dividir com os outros, enquanto na verdade nada do que eu tenho é meu por mérito, mas me foi dado por Deus. Muitas vezes não enxergo que eu mesma estou nesse ribeiro e fico julgando os outros.
    Muito interessante, não lembrava desse trecho.

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