O pandemônio da pandemia

Carpe diem? Quase isso…

Na segunda-feira, fui a um hospital devido a problemas respiratórios que sempre teimam em aparecer na época de frio. Me espantou a quantidade de gente usando máscaras lá dentro, buscando prevenir-se da gripe H1N1. Ok, claramente é válido tentarmos nos proteger dessa doença, porém o frenesi que foi criado em torno da mesma é indescutivelmente desproporcional aos seus efeitos, se consideramos outros males que nos acometem no Brasil: a dengue mata mais, a febre amarela também. Ainda matam muito doenças que podem ser evitadas com o uso de mosquiteiros ou evitando deixar água parada, i.e., são ações muito baratas! A doença de chagas também, que inclusive matou meu avô paterno. Até a gripe comum mata mais que a H1N1: matou 17 pessoas por dia ano passado em São Paulo. Por quê escolheram falar tanto dessa? Pode ser por ser ela nova e ter um quê de desconhecida, de aleatória. Não escolhe classe social ou anos de estudo, é transmitida a todos e o “pior”: quem está mais sujeito a ela é justamente quem mais viaja, i.e., quem tem mais dinheiro. E que tem muita gente ficando milionário com essa história, isso tem…

Deixo com vocês um vídeo, Operação Pandemia. Paciência, há legendas em português. Podem falar que esse vídeo é teoria da conspiração, mas pra mim, teoria da conspiração mesmo é o pânico que a mídia instaurou em relação a esse vírus no mundo. Há coisas mais importantes que essa paranóia.

Sim, todos vamos morrer um dia, desculpe contar o fim do filme (e aqui não estou desqualificando qualquer medida de saúde pública ou de aumento da longevidade populacional), mas bom seria se tivéssemos de fato a consciência de que tudo pode acabar hoje. Agora.

Assim se pega gripe suína
Assim se pega gripe suína

Então, se vc estivesse com gripe suína agora e tivesse 1 semana de vida, o que você gostaria de fazer? Eu já me peguei pensando nessas coisas, de tanto que escuto falar dessa gripe. Quais seriam as coisas de fato necessárias que você fizesse? Por que você não as está fazendo agora, se são tão importantes?

Li em algum lugar que só estamos prontos a viver a vida se tivermos a consciência de que podemos perdê-la a qualquer momento.

E não é que é verdade?

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

10 comentários sobre “O pandemônio da pandemia

  1. Já pensei nessas coisas que você falou no fim do texto. Acho que morreria feliz se isso acontecesse hoje. Não que eu tenha alcançado tudo que espero da vida, mas estou tranquilo de que tenho lutado com o máximo de força hoje, dentro das minhas limitações, para que isso aconteça um dia, se é que vai acontecer!

  2. Nossa, amigo, oxalá eu pudesse dizer o mesmo. Preciso mudar muito na minha forma de viver, de enxergar as coisas. Mas creio já estar iniciando o processo…

  3. Eminente amiga desbravadora, com a devida vênia, gostaria, em mais uma oportunidade, discordar de v. ex. acerca da gripe suína. haha zuano. Aqui, depois vc me conta em quais dados vc se baseou pra fazer essas comparações? Se a mídia tá fazendo um grande escarcéu disso tudo, seria impossível passar dados confiáveis. Lembre que a maioria é contraditória. Ex, me parece óbvio que o “digníssimo” Governador de MG esteja escondendo dados. Médicos, grávidas, jovens morrem a todo o momento e esse Sr. esperou até que a primeira morte ocorresse no DF para anunciar um maior numero de finados em MG. O brasil ja lidera as mortes no mundo. Então, o que quero dizer é que não se pode confiar em nenhum dado. Nem ao menos comparar. Acho importante fazer a ressalva e dizer q é desconhecido e merece cuidado. Enfim, a ideia da sua reflexão não foi essa. O que vc realmente quis dizer me impressionou e tem o maior significado. Acho que não teria feito mtas das coisas de que gostaria se acaso morresse hoje. Alias, não teria sido o homem que Deus quer q eu seja. Há mto a caminhar! valeu Ana

  4. Tenho a tendência a ser cético com teorias da conspiração, uma coisa me chama atenção: Cadê a dengue? Em janeiro-abril não ouvi nada a respeito será que de um ano para o outro erradicamos o problema? ou a mídia tinha uma gripe mais “interessante” para trabalhar? Quanto à vida luto para viver “em dia”, pronto para perdê-la a qualquer momento, mas tenho dificuldades para viver plenamente dessa forma como meu grande exemplo e amigo Rafael Santtos!!!
    Abraço

  5. Bom vers, Rafa! 😀
    Gabana, lá vem vc discordar! haha Mas é verdade, temos que ter “medo do desconhecido” nesse sentido, é uma doença nova, desconhecida mesmo. Mas a minha indagação nem é tanto pelos dados (lembre-se de que essa info de que o Brasil supera os EUA em número de mortes foi liberada depois que eu postei hehe), mas pelo enfoque mesmo, como o Homero disse: quando ainda havia poucas mortes no mundo, fez-se um escarcéu sobre a doença, todos tentando combater, parar, sendo que há muitas doenças endêmicas que não são divulgadas da mesma forma e continuam matando, como sempre mataram. Pq a preferência pela gripe suína? Temos a dengue, febre amarela etc que poderiam ser combatidas muito mais facilmente que a suína e não o são, ainda sofremos com esse problema.
    Sobre os dados, realmente não dá pra confiar: conheço uma pessoa que teve gripe, febre, todos os sintomas, mas não fez o exame. Se ele teve mesmo gripe suína, ele não sabe. Pode ter sido, mas não vai pras estatísticas…

  6. O final do seu texto me faz lembrar de um poema do Chico Buarque; “O velho”: “O velho sem conselhos / De joelhos / De partida / Carrega com certeza / Todo o peso / Da sua vida / […] / Me diga agora / O que é que eu digo ao povo / O que é que tem de novo / Pra deixar / Nada / Só a caminhada
    / Longa, pra nenhum lugar”. Esse é apenas um trecho, mas o poema para mim denota bem a vida de um velho que nunca “teve a consciência de que poderia perder a vida a qualquer momento”. E, apesar de o poema não ser cristão, me mostra um nítido contraste entre uma vida em que “foi tudo escrito em vão” e uma caminhada nada vã, cujo ponto de chegada é a eternidade… Gostei muito do seu post!

  7. Muito legal, Aline!
    O Chico tem a manha mesmo! :)
    Que a nossa caminhada não seja “longa pra nenhum lugar”…
    bjos!

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