O nosso e o deles

“- Sabia que eu vou fazer intercâmbio?
– Não, pra onde você vai?
-Tô indo pra Europa!!”

Tive algumas experiências recentemente de intercâmbio com outros estudantes latino-americanos e afirmo que a experiência mudou muito a minha visão de “integração latino-americana”. Pra começar, não conhecemos nada dos nossos vizinhos e parece às vezes que estamos isolados por causa do idioma.

Me espanta que muitas vezes saibamos mais dos que são tão diferentes de nós, enquanto estaríamos ganhando muito mais conhecendo os que são similares à gente, enfrentam os mesmos problemas, encontram soluções que poderiam ser replicadas em outros lugares. Quantos de nós conhecemos mais da Europa e dos EUA, de sua história, política, economia, do que da história nossa, da América Latina. Eu acho que isso é uma vergonha: antes de olhar pra fora, temos que olhar pra dentro. É muito rica a experiência de conhecer culturas tão similares, tão diferentes e tão ricas quanto a nossa: literatura, comida, costumes, festa, arquitetura, idioma, gírias, tudo…

Da mesma forma, quando pensamos no cristianismo que vivemos, quão rico seria para nós conhecer como vivem outros cristãos que não os estado-unidenses (que é o que nos chega, na maioria das vezes, pelos livros): cristãos mexicanos, chineses, angolanos… E não querer imitar um modelo eclesiástico ou espiritual que às vezes não é o mais adequado para nossa cultura: para questões “formais”/ não-doutrinárias, não existe certo ou errado.

ana.oliveira

Sobre ana.oliveira

Ana Luíza, 21, é filha única e já fez intercâmbio. Atualmente estuda Economia na UFMG e é bolsista da Associação Democracia Ativa (dispondo de muita fofoca política pra contar ;]). Adora ler, viajar e aprender línguas. Participa de Alvo da Mocidade desde 2001, estando atualmente na Comunidade. É cristã e simpatiza com o marxismo.

Um comentário sobre “O nosso e o deles

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *