O leão e “a Cabana”

Na última semana tive a oportunidade de assistir dois filmes. Convidei minha filha de 7 anos para assistir o primeiro filme do “Crônicas de Nárnia” (daqui a pouco falarei sobre essa experiência) e tive a oportunidade de assistir a estréia do filme “A cabana”.
Falando primeiramente sobre esse último filme, baseado em um “best seller” mundial. O filme , como o livro, é controverso. Não é meu intuito aqui ficar descrevendo todos os pontos teológicos, até porque não me sinto capaz. Sem me aprofundar, posso questionar e ressaltar…
Ele passa uma visão correta sobre a trindade? creio que não!
Ele pode passar uma visão universalista (ou “reconciliação total”)? Hummm, talvez!
Ele tende a criar sentimentalismo religioso tão comum no meio gospel? Sem dúvida!
Ele peca ao superestimar o papel do homem e subestimar o papel de um Deus juiz e soberano? Sim!

Então você não o indicaria? Sim, eu o indicaria!

“Examinai tudo. Retende o que for bom.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Fico com o conselho de Paulo. Tem coisas boas para reter? Tem!
A forma como mostra a necessidade de perdão e ser perdoado para que a vida siga em frente é um exemplo de algo que pode ser retido. Inclusive o fato de lutar para perdoar aqueles que já passaram pela sua história e não estão mais vivos. O perdão como uma decisão racional e que é seguida, com o tempo, pelo seu sentimento, é algo a ser retido.
Sabe o que me cansa às vezes no meio cristão? Os guardiões da boa doutrina que criticam tudo e todos. Essa atitude é presente na vida daqueles que conhecem (ou julgam conhecer) o “pacote completo” de Deus. Eu perguntaria para essas pessoas, que obra de arte na história da humanidade consegue apresentar Deus? Desafio qualquer um a me apresentar uma obra. Não falta muito para começarmos o “INDEX” da pós modernidade, já teriamos uma grande lista para entrar na fogueira. É tão difícil assistir a um filme, depois sentar com seus amigos e conversar sobre coisas ruins e boas do filme? Sem ter que ser um atalaia da verdade impedindo todos de assistirem, pois você viu e sabe que é do mal. Tendo,inclusive, que pesquisar a vida do autor em sites de fofoca gospel.
O que falar da reconciliação entre pai e filha no fim do filme? o que falar da atitude da esposa? Tem coisas a serem retidas, e são as mais práticas. Aquelas que, muitas vezes, os “Pitbulls” da fé fogem, se escondendo atrás de discussões sem fim sobre a trindade.
Podem causar estragos? Podem! Assim como muitos escritos de Lutero causaram! Mas aprendi, ao longo dos meus anos de ministério, que Deus não precisa ser defendido. Na verdade Ele nos defende, a todo o momento.

Voltando agora para o “Crônicas de Nárnia”… na expectativa que o filme cria sobre a chegada de Aslam, o grande leão, minha filha dizia: “Papai, estou com medo!”. Quando o leão aparece, ela ganha paz, pois ele parece bom. Em certo momento do filme, a feiticeira coloca em dúvida uma promessa do leão, e ele rosna ….de forma agressiva, mais medo! No climax do filme, quando o leão é sacrificado, minha filha diz: “Ah não, que filme chato! Porque o leão tem que morrer. ele é bom!” Na ressurreição e na vitória da guerra, ela demonstrava alegria. E no fim, ao vê-lo caminhar na praia até desaparecer ela diz: “Papai, para onde ele vai?”
Expliquei para ela que a história do Leão era contada em 7 livros, e ela logo disse: “Eu quero ler!” Falei com ela que era muito grande e ela disse: “eu quero!” Peguei o livro, passei para ela, acho que se assustou com o tamanho. Abriu, leu uma página e deixou na cabeceira de sua cama. O que ela vai aprender ali? Um leão que é amável, mas que é soberano. Que é acessível, mas misterioso. Que aparece quando quer e desaparece sem dar satisfações. Que ruge alto pelas injustiças e pelo mal, mas que aceita carinho na juba feito por uma criança. No fim do papo perguntei para ela quem era o leão no nosso mundo e ela respondeu: “Jesus!”
Meu desejo é que ela seja amiga desse leão. Sendo amiga do leão ela vai saber reter o que é bom, sem medo de entrar na cabana. Sabendo que a cabana é pequena demais para todo o tamanho do leão. Tamanho inclusive, que ela nunca vai conseguir dimensionar.

Gosto muito da forma como o C.S.Lewis representou Jesus em Aslam, “o leão não domesticado!”

Esse leão não domesticado não pode ser enjaulado na cabana e nem pelos “guardiões da fé”. Que possamos segui-lo, deitado aos seus pés. Aprendendo com cada rosnado, com cada ensino, com cada batida de seu coração. Para que, dessa forma e por graça de seu poder, possamos ser cada dias mais parecidos com Ele.

Abraço e até a próxima!

Homero Castro

Sobre Homero Castro

Nome: Homero Resende Castro Nasci em 1979 em Belém do Pará, moro em Belo Horizonte desde 1989. Sou formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desde 1999 trabalho como missionário na associação Alvo da mocidade. Eu e minha maravilhosa esposa, Camila temos duas filhinhas lindonas, Helena e Elisa, e uma sapeca cadela chamada Leona.

6 comentários sobre “O leão e “a Cabana”

  1. Muito boa ”crítica”, Homero!

    ”Em Aslam, vemos todos os poderosos paradoxos do Filho encarnado: ele é poderoso, mas gentil, cheio de uma ira justa e rico em compaixão; ele inspira assombro e até terror (POIS NÃO É UM LEÃO DOMESTICADO) e, ainda assim, ele é tão belo quanto é bom. :)
    Sempre que uma personagem entra na presença de Aslam, aprende para sua grande surpresa, que algo pode ser tanto terrível quanto belo, que pode provocar, simultaneamente, sentimentos de medo e alegria. E através da personagem de Aslam, Lewis não apenas nos instrui sobre a natureza do numinoso, mas nos treina a como reagir quando estivermos em sua presença… ”

  2. Homerão…esse texto está demais!! Me emocionei com as emoções e as conclusões da sua pequena…coisa de pai babão né. Que Deus abençoe nossas filhas meu amigo.
    Obrigado por me fazer flutuar hoje.
    abração

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