O Evangelho anunciado por Jesus Cristo

Inicialmente cumpre afastar qualquer pretensão que o título aparente reivindicar. Não é este o tratado da pureza evangélica anunciada por Cristo, e nem mesmo tem a  intenção de determinar a perfeita exegese do que fora ensinado pelo carpinteiro de Nazaré.  É senão um estudo comparativo que nasceu da leitura minuciosa dos Evangelhos Sinóticos. Repare que pela transcendência do Jesus apresentado no Evangelho de João, este acaba por ficar alheio a essa definição. Obviamente o estudo em si não traz consigo grandes transformações, e, como temos acompanhado nos textos desbravadores do site, sabemos: de que adianta a teoria se ela não se torna causa modificadora de nossas condutas? Portanto, já é possível apontar o caminho que trilharemos.

Temos ouvido, ao longo de nossas histórias, grandes anunciadores de Jesus, o Messias. São os famosos evangelistas. Embora o Cristo seja parte importante de suas vidas, quando O anunciam o fazem na terceira pessoa. Parece óbvio,  soa, inclusive, ridículo. Não se percebermos que damos mais atenção ao que foi afirmado pelos anunciadores ao invés de atentar para o que foi dito pelo próprio Anunciado. Já explico.

Conhecemos a mensagem redentora de Jesus transmitida, por exemplo, através de Paulo, o qual foi responsável por conduzi-la rumo à Europa. O próprio apóstolo disse certa feita, “a mim foi confiada a pregação do evangelho aos incircuncisos, assim como a Pedro, aos circuncisos” (Gl 2:7). Não está distante do nosso cotidiano todas as assertivas de Paulo acerca de Jesus, sua divindade, vida e obra. Para ilustrar: “Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Cor 15:3/4). Modernamente, temos notícia de outros grandes evangelistas, dentre eles, Billy Graham. Nascido estadunidense em 1918, desde cedo membro das Igrejas Presbiterianas Renovadas, Billy Graham organizou inúmeras cruzadas alcançando audiência direta de quase 210 milhões de pessoas. Geralmente, o foco de suas pregações é “Jesus Cristo como único caminho de salvação”, possui incrível facilidade na exposição da mensagem, inclusive tendo atingido muitas dessas com a simplicidade de seu discurso.

Vejam que seria um tanto estranho o próprio Cristo anunciar-se a si mesmo, no início de sua vida pública, começando por sua morte. Não seria possível dizer, “morri pelos seus pecados, fui sepultado e ressuscitado no terceiro dia”, já que esses eventos não haviam acontecido até o momento. É, portanto, para a nossa reflexão que me detenho ao Evangelho de Mateus. Os dois primeiros capítulos deste livro nos contam a história do nascimento de Jesus, a trajetória de sua família até que Ele se encontra com João Batista para ser batizado. Nesse contexto, João, filho de Zacarias, era a voz do que clama no deserto, preparava a chegada do Libertador e carregava em seu discurso a notícia: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. O profeta mesmo definiu seu batismo como sendo o batismo do arrependimento. Então, tendo sido batizado e apontado pelo próprio Deus como Filho amado em quem Se agradava, foi levado ao deserto para o treinamento anterior ao seu ministério (vocação para desempenhar a tarefa para qual veio). Deu, portanto, início à sua vida pública com a notícia de Mateus 4:17 – “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. Os capítulos que se seguem trazem grande carga moral. Definem os padrões da ética cristã, já que Jesus profere o Sermão do Monte nos lembrando das “obrigações”, a nossa contraprestação no “contrato firmado com Deus”. Não creio nisso, pois o cristianismo é graça. Faço, então, a ressalva, “o cristianismo não é mera filosofia, é, pois, relacionamento com Deus” tal como afirmou Ed René Kivitz.

Apenas alguns capítulos mais tarde, Jesus faz a primeira exigência quanto ao seu caráter, traduzindo “o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8:20). Não havia sequer mencionado quem Era. Até o dado momento a Boa Notícia que estava anunciando era muito parecida com a de João Batista. Reitero. “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. A palavra Evangelho quer dizer boa mensagem, boa nova, enfim, boa notícia. É por esse motivo que os primeiros livros do Novo Testamento têm esse nome, uma vez que trazem a mensagem anunciada por Jesus, ou mesmo, a história detalhada da própria mensagem, a saber, Cristo.

Importante pensarmos no que significa uma boa notícia. Numa conjuntura de opressão política, Jesus veio trazer alento para o povo, anunciando a liberdade, embora esta não fosse política. Portanto, boa notícia. Qual seria a necessidade de se apresentar uma boa nova? Parece que ela se justifica quando estamos com auto-estima baixa. Deprimidos. O Filho de Deus mesmo apontou, “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes”. Quem precisa de uma boa mensagem? Bem, você quer uma boa notícia? Então, “arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”.

Para você, amigo leitor, o que significam essas palavras? O que é arrepender-se? Poderia, então, me dizer como o Reino dos céus está próximo? Essas foram as palavras de Jesus ao iniciar sua obra messiânica. Dê-nos a sua contribuição.

Até breve.

Gabriel Lazarotti

Sobre Gabriel Lazarotti

Redimido pelo amor de Deus. Discípulo de Jesus que segue por este Caminho. Um sincero apreciador da criação. Pretenso poeta todo o tempo, advogado e músico nas horas vagas.

10 comentários sobre “O Evangelho anunciado por Jesus Cristo

  1. Essa é a boa notícia! Este post veio em um bom momento, em meio ao debate com o Ed. A boa notícia é para os desalentados para os doentes. Para os que estão saudáveis, não. Cada dia mais percebo quanto sou deficiente, limitado, pervertido e doente. Cada dia mais a graça de Deus atua em mim. Arrepender é mudar de mente, ou seja, mudar de entendimento. O arrependimento é necessário para o nascer de novo. Se não mudarmos de entendimento e não percebermos o quão somos doentes não somos capazes de nascer de novo. Acho que o Reino de Deus chega, para cada um, assim que ele se arrepende e nasce de novo. No entanto, o Reino de Deus em sua plenitude será apenas na “Nova Jerusalém” narrada em Apocalipse 21.

  2. Essa liberdade, algo que não parava muito para pensar, está me fazendo refletir muito ultimamente!
    É impressionante o quanto podemos ser livres e nos expressar, pois sabemos que Deus, com seu imenso amor, quer que sejamos corajosos o suficiente para levarmos sua palavra!Além disso, percebo a cada dia o quanto preciso Dele, de fato é Ele quem deveria mover minha vida, viver sozinha é praticamente impossivel!
    Gostei tanto do seu post! Hoje posso concluir que a vida cristã não é fácil, mas não a trocaria mais por nada!!!

  3. Legal gente…to gostando! que doido essa definição para arrependimento marcelinho! Obrigado Karina. Bacana vc aqui. Mas me respondam, porque Jesus falou naquele contexto que o Reino dos céus estava próximo? Era proximidade temporal ou geográfica?

  4. Ei Gabana! ADOREI o estadounidense ao invés de americano hehe bem politicamente correto…
    Respondendo à sua pergunta, eu acho que quando ele diz isso em Mt 3:2, 4:10 e 10:7, está se referindo a uma proximidade temporal, i.e., a morte dele. Acho isso pq “o reino dos céus” ou o “reino de Deus” é nada mais nada menos que um espaço onde os céus/Deus é rei e sua vontade é totalmente feita (um reino é porcamente caracterizado pelo espaço em que o rei faz a sua vontade). Para mim, isso começa a se cumprir com poder a partir da morte de Cristo na cruz, proporcionando-nos um caminho até Deus e culminará com o tempo em que viveremos de fato no Reino de Deus, vivendo em tudo a Sua vontade.

  5. Eu concordo com a definição dada pelo Marcelinho de “arrependimento”.

    Uma época eu estava questionando se tinha de fato me arrependido por algumas atitudes do passado e acho que era porque não tinha quanto a elas um sentimento de culpa, aí li em uma livro (“Jesus de Pés Sujos” – Don Everts) uma definição que muito me chamou atenção, e era mais um menos assim “O arrependimento 180 graus – muita gente pensa que se arrepender é ficar prostrado em um cantinho chorando, mas a verdade é que é impossível se arrepender e ficar prostrado ao mesmo tempo”, porque o arrependimento traz libertação e implica em mudança de atitude.

    Quanto à proximidade do Reino dos Céus, eu acho que não arrisco um palpite não… Hehehehe

  6. Boa Gaba!!
    Entendo que o reino está próximo como “ao lado” ou “acessível”, algo que antes era inimaginável àquele povo!
    A boa notícia que posso levar hoje é que o reino continua “acessível” ou “ao lado” de qualquer ser humano e não em um sentido temporal!!
    Mas essa é só uma modesta opinião
    Abraço
    P.S.: Uma dica de leitura densa e pertubadora do tema é encontrada no livro: A conspiração divina de Dallas Willard!

  7. boa homerão! por isso não ousei responder. hehehe. que doidas essas ideias! vou ler esse livro, quem sabe eu nao fale disso em outro post. Acessível?! tão bom se todos entendessem isso….

    Bem, que legal que tenha ficado clara a intenção. abraço

  8. Gabana, com relação a se a questão é geográfica ou temporal vou tentar trazer alguns elementos para clarear.
    O verbo usado é εγγίζω (enguízo). Tem um sentido geográfico ou pessoal nos escritos gregos. Quando usado na Bíblia sempre foi traduzido como uma perspectiva temporal. Ora, existem palavras gregas apropriadas para descrever tempo. Não penso que o verbo supracitado foi escrito com um sentido geográfico ou pessoal em outros textos e apenas na Bíblia ele tenha um sentido exclusivamente temporal.

    “Arrependam-se que o reino dos céus está próximo” não tem um sentido geográfico, nem temporal, mas pessoal.
    Ex: O verbo εγγίζω (enguízo) pode ser usado para se referir à proximidade de parentesco. Ora, um parente próximo tem um sentido geográfico ou temporal? Não é temporal (a questão de ser um parente próximo não varia de acordo com o tempo – seu pai é seu pai hoje e também o é daqui a 10 anos) nem geográfico (não varia de acordo com a localização geográfica do parente – é um parente próximo independente de estar sentado ao meu lado ou morando na China).

    Logo, reino dos céus não está dizendo que está perto geograficamente, nem temporalmente. Devemos lembrar que a mensagem não é efêmera (um dia uma coisa outro dia outra coisa). O reino dos céus está perto ontem, hoje e sempre. O reino dos céus está acessível. Mas não é uma coisa de momento nem de localização. Seria como se ele falasse: Arrependam-se pois o Reino dos céus está de braços abertos (não agora, mas ontem, hoje e sempre – a qualquer momento estará de braços abertos ao que se arrepender). É semelhante ao texto de Ap 3:20 e semelhante à parabola do Filho pródigo.

    Outro fator relevante é que não está escrito: “Arrependam-se! Vocês se aproximam do reino de Deus!”, mas sim “Arrependam-se! O reino dos céus se aproximou de vocês!”

    Outro fator relevante é que no trecho de Mt 3:2, por exemplo, o tempo grego utilizado é o perfeito. O perfeito exprime uma ação já realizada que mantém o seu resultado.
    Exemplos:
    1 – O homem pecou -> ação realizada no passado, mas o ato de pecar expresso no perfeito significa que pecou (ação no passado) e está afastado de Deus (o resultado se mantém)
    2 – O reino de Deus chegou -> ação realizada no passado, mas o ato de chegar expresso no perfeito significa que ele chegou (ação no passado) e está ao seu lado (o resultado se mantém)

    Ou seja o sentido do trecho seria “Arrependam-se! O reino de Deus chegou (ação no passado) e está acessível (o resultado se mantém)” (Lembre-se: perspectiva pessoal, não é temporal, nem geográfica)

  9. Homero, não tinha lido o seu comentário quando escrevi… Mas, de qualquer forma, meu comentário concorda com o seu. Escrevemos a mesma idéia. Achei legal!
    Um abraço!!

  10. Boa Gabana! Gostei muito do texto e dos comentários. Aprendi sobre a proximidade do Reino de Deus como ele estando acessível a nós! Então vamos nos aproximar mais dele a cada dia!
    Bjo!

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