O Deus que ri

Certa vez, li em um livro de Augusto Cury uma interessante interpretação acerca da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Muitas idéias podem ser retiradas deste texto, mas esta me despertou especial atenção por sua simplicidade.

O fato é narrado por todos os evangelistas. Jesus pede para que seus discípulos preparassem um jumentinho que ainda não havia sido montado. Ao entrar em Jerusalém, uma multidão o aguardava com ramos de árvores e expressões de júbilo. Alguns estendiam suas próprias vestes pelo caminho. A cidade inteira se alvoroçou. Certamente, o momento de maior “reconhecimento” de Jesus quando vivo.

Curioso pensar na motivação de Cristo para a escolha de sua montaria. Creio que o entendimento desta passagem está no cumprimento de profecias. Mas talvez haja algo além. Imagino Jesus também como um cara bem humorado. E como deve ter sido cômica a cena! Toda uma cidade que se comprimia, gritava e balançava galhos de árvores para ver um homem em cima de um jumentinho. Pelas ruas a multidão gritando “Hosana nas maiores alturas”, se equilibrando nas pontas dos dedos para ver uma celebridade que… decidiu montar em um animalzinho franzino. Os pés de Jesus provavelmente arrastavam-se no chão ou pior, talvez precisasse até levantá-los para que isso não ocorresse. Seria como se um presidente ou um ator famoso qualquer que, ao desfilar por uma cidade que o aguardava ansiosamente, decidisse acenar para a multidão de um Fiat 147 conversível. Imagino uma gargalhada gostosa nascendo na boca de Cristo.

Passamos também por momentos de grande “reconhecimento” em que pessoas nos aguardam com ramos e nos dizem palavras que massageiam o ego. E nossa atitude é escolher a melhor roupa, preparar um bom discurso e negar com falsa modéstia todos os elogios dispensados. Isto porque ansiamos loucamente por palavras que nos afirmam como se nosso conceito de nós mesmos dependesse da opinião de outrem, de palmas ofertadas. E se assim é, que contribuamos de alguma forma, para que este conceito alheio seja elevado! Cristo resolveu rir, porém. Sabia que muitas daquelas pessoas que esticavam suas roupas para que ele passasse seriam também aquelas enraivecidas a pedir por sua crucificação. Tanto uma quanto outra ocasião não foi capaz de afetar seu conceito de si mesmo. Por saber exatamente quem era foi capaz de montar em um jumento anão e de pedir a Deus misericórdia para seus acusadores. E você? Aonde tem depositado o seu auto-conceito?

3 comentários sobre “O Deus que ri

  1. Adoro pensar em Jesus bem-humorado!! A risada Dele me inspira…..me transmite paz e tranquilidade!
    Adorei o post Ganso!!!

  2. Legal, Ganso… Ainda não tinha lido o seu post quando escrevi o meu de hoje, acho que fomos na mesma linha essa semana…
    Nunca tinha pensado na idéia do jumentinho como um fiat 147. É muito verdade mesmo!!
    Bjos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *