O cristão e a Era da Informação: relacionamentos digitais

Nesse post, continuarei nossa conversa sobre o cristão na Era da Informação. Se você ainda não leu o primeiro post, sobre a “arte de copiar”, não deixe de ler e colocar suas idéias – a discussão está incrível.

Como disse na introdução daquele post, estamos vivendo em um momento único da humanidade: um momento de revolução. Revolução pois a forma com que as pessoas se relacionam com o mundo ao seu redor tem se modificado bastante devido às tecnologias que estão presentes no nosso dia a dia.

Em especial, posso citar os nossos relacionamentos pessoais. Eles, com absoluta certeza, foram bastante afetados por essa revolução, afinal, a tecnologia trouxe consigo inúmeras facilidades de comunicação como celular, email e skype. Ferramentas como essas tornaram-se tão importantes no nosso cotidiano que é difícil imaginarmos sem elas.

Entretanto, nem tudo são flores e vejo que muitas situações perigosas surgiram junto a essas facilidades. Creio que essas situações sejam muito relevantes à vista da importância dos relacionamentos em nossa vida e, por isso, vou falar um pouco sobre elas, se é que você me permite.

1. Impessoalidade

A situação que acho mais perigosa é a perda de pessoalidade. Não telefonamos mais para desejar felicitações, mandamos scrap. Não telefonamos mais para compartilhar fatos da vida, mandamos SMS ou email. Esses são apenas dois exemplos cotidianos que mostram como a impessoalidade está “batendo na nossa porta”.

Preocupo-me muito com a impessoalidade pois nosso Deus é um Deus extremamente pessoal e devemos imitá-lo em nossas relações. Fico imaginando como Deus reagiria se compartilhasse minha vida com Ele apenas por cartas ou mensagens digitadas. Acho que Ele não gostaria muito.

Quanto amor estamos deixando de demonstrar? Quanta profundidade de relacionamento estamos deixando de desenvolver?

2. Displicência

O segundo grande perigo que vejo é a displicência. O relacionamento digital nos dá a liberdade de nos relacionar de forma assíncrona: não precisamos responder a mensagem imediatamente pois o remetente não sabe quando teremos acesso a mesma.

Isso, por um lado, é bom, pois nos dá a liberdade de planejarmos quando vamos responder um estímulo. Mas, por outro lado, é muito ruim, pois, por trás de cada mensagem pessoal, há uma expectativa e, se demoro a responder a mensagem mais do que a expectativa pode suportar, haverá frustação. E frustação  é uma das piores sensações para a manutenção de um relacionamento saudável.

Além disso,  deixar alguém esperando por uma resposta sem dar nenhum aviso é uma extrema falta de amor. Para mim, isso é similar a ignorar alguém, em uma conversa normal. Você gostaria que alguém simplesmente te ignorasse em uma conversa normal, após você ter comentado ou perguntado algo?

Falo tudo isso por experiência própria. Já tive várias experiências muito ruins de ficar “no vácuo”, bem como causei vários conflitos por esquecer de responder mensagens. Hoje, tenho uma regra para evitar ao máximo esses pequenos deslizes por minha parte: se realmente não der para responder na hora, respondo um “Já li sua mensagem. Respondo assim que puder.” para a pessoa não ficar na expectativa imaginando se eu recebi ou não.

3. Falhas de comunicação

O terceiro grande perigo que vejo são as falhas de comunicação. Se conversas faladas já possuem esse problema, temos que tomar cuidado redobrado com mensagens textuais.

Textos não mostram expressões faciais e estão sujeitos a interpretações. Nos relacionamentos digitais, esses fatores são ainda agravados, uma vez que estamos quase sempre correndo (assim não cuidamos no modo que escrevemos) e também porque não estaremos junto à pessoa quando ela ler o texto (para solucionar qualquer desentendimento).

O que eu aprendi com minha experiência é que não vale a pena tentar resolver pendências por internet. Houve qualquer problema/falha de comunicação? Ligue ou converse pessoalmente. Não tente retificar nada por email, a tendência é só piorar a situação.

Enfim, apesar das imensas facilidades que ganhamos com a internet e outras tecnologias é preciso cuidar muito para não perdermos naquilo que mais importa: os relacionamentos.

E você, possui alguma dica, consideração ou reflexão envolvendo esses relacionamentos digitais? Não deixe de comentá-la!

Até a próxima!

14 comentários sobre “O cristão e a Era da Informação: relacionamentos digitais

  1. Fala Ratolino!! mto doido o post!! Sem noção o tanto que é mais doido o encontro pessoal com uma pessoa… Viva os almoços semanais!!!

    ow eu cheguei a ler o outro post, preciso pensar mais a respeito, em breve comentarei la…

    abraço ratolino

  2. Esqueci de falar… engraçado, as pessoas que mais tenho me encontrado pessoalmente sao as que mais tenho aprofundado uma amizade, coincidencia???
    Talvez telefones, emails, sms e etc demonstram a tal superficialidade do mundo atual…valeu pelo post!!
    abraço!!

  3. Ei Rato! Muito legal o post!
    Acho também que a tecnologia faz as pessoas ficarem mais distantes, às vezes manterem só ciberneticamente os relacionamentos, mas com certeza tem um lado bom (que vc deve ver tb, senão não faria computação hehe), que é o de aproximar pessoas que antes não poderiam ter contato, como pessoas geograficamente distantes uma da outra. É muito bom poder ter a facilidade de conversar ao vivo com meus amigos que moram do outro lado do oceano. Por isso fico meio receosa com essa parte: “A situação que acho mais perigosa é a perda de pessoalidade. Não telefonamos mais para desejar felicitações, mandamos scrap. Não telefonamos mais para compartilhar fatos da vida, mandamos SMS ou email. Esses são apenas dois exemplos cotidianos que mostram como a impessoalidade está “batendo na nossa porta”.”

    Ah, e outra coisa: acho que essas reflexões que você tem colocado não servem só pros cristãos (falo isso pelo título), mas também para todas as pessoas que passam por aqui!

    bjos!

  4. Uma experiência legal: eu conheci a Cristo através de conversas com um amigo, e o nosso meio principal de comunicação sempre foi o messenger!

  5. Tudo depende do objetivo e da quantidade de tempo gasto com esses relacionamentos digitais…

    Já falei de Cristo várias vezes via msn, skype, email… só falta no twitter (hahahaha), com pessoas que eu nunca conheci pessoalmente e ficaria muito difícil lgar ($$) com uma frequencia legal. Nisso concordo com a Ana.

    Pra profundidade, realmente não tem como… acho que até por telefone é complicado, o melhor mesmo é o encontro pessoal!

  6. Boa Mateus!! Apesar de não ser um grande cibernético e ver vários benefícios nessa nova era, consigo enxergar em minha vida algumas dessas situações colocadas por você. Sugiro, para aqueles que gostam do tema, que assistam ao filme (desenho) “Wall-e”, que mostra o futuro dessa relações cibernéticas!

  7. Rato, concordo com vc em todos os aspectos. Essas foram, sem dúvidas, consequências desastrosas do desenvolvimento do computador e da internet. Cada vez mais as pessoas se tornando mais individualista. Há alguns anos o computador era ainda objeto de uso da família (1 por casa). Hoje, isso já mudou, é objeto de uso pessoal (em muitos lugares há 1 por pessoa) e a tendência é só intensificar esse processo.

    Eu, pessoalmente, não gosto de conversar pelo computador. Nem pelo telefone. Geralmente ligo para as pessoas, converso um pouco e marco de encontrar pessoalmente. O computador, na minha opinião, foi uma das invenções que mais facilitou a execução de tarefas exaustivas, encurtou distâncias e que mais prejudicou a vida das pessoas.

    Vou fazer um pedido aqui: Coloquei algumas questões a ser debatidas no post “a arte de copiar” e em outros posts mais antigos e parece que ninguém se propôs a debater. Gostaria de propôr que ao invés de falarmos “Gostei do post, parabens!” (não tem problema se quiser fazer isso tb, porque de fato os posts estão mesmo muito bons) nos propusessemos mais a debater as questões. Só queria lembrar uma coisa: Qual é o objetivo do blog?

    1 – Ler os posts e falar: “Que bonito!!!”

    2 – Debater as questões propostas nos posts?

    Tenho certeza que a resposta é “2”. Dessa forma queria pedir para acessarem os posts mais antigos e que foram abandonados em pontos importantes do debate sem que trabalhassemos melhor o tema. Assim, proponho que haja um debate nos outros posts e neste daqui.

    Um abraço!!

  8. Então, a parte da displicência é um fato inegável! Odeio não ser respondido e quem anda comigo no dia-a-dia sabe disso!
    Toda vez que preciso fazer algo por escrito sou interpretado mal. Tenho até certo receio em escrever aqui no blog e não ser entendido! A prática tem me mostrado que conversas pessoais são insubstituíveis.

    muito bom poder pensar nisso tudo!

  9. Penso que a tecnologia levando à superficialidade de relacionamentos é como o cumprimento do esfriar do amor, característica do fim dos tempos.

    O tema é muito atual e a capa da veja desta semana é justamente que o Brasil é o país que mais está em sites de relacionamento, acho que 80% dos brasileiros on-line. A própria veja diz: “o círculo de amigos próximos diminui, enquanto o de contatos virtuais aumenta. Orkut, Twitter, Facebook não aplacam a solidão, dizem os estudiosos” –> interessante isso, “dizem os estudiosos”

    Quanto a à dificuldade de se escrever tudo, isso é muito verdade e temos que ter sabedoria quanto aos temas “tratáveis” pela rede.

    Valeu, cara, abraço.

  10. Ana e Daniel, concordo inteiramente com vocês. O que eu coloquei no post, não sei se deixei claro isso, só vale numa análise comparativa… Isto é, se existe a possibilidade de uso de outros meios mais pessoais além da internet para a sua situação, com certeza eles serão melhores e acho que devemos prezar pelo uso deles.

    Mas isso não quer dizer que a internet é ruim e não serve para nada – há ocasiões em que ela é milagrosa e muito bem vinda, construindo pontes que outros meios não conseguiriam contruir – a exemplo do caso citado pela Ana, de se comunicar com amigos transoceânicos.

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