O cristão e a Era da Informação: falta de limites

Semana retrasada, comecei uma discussão sobre posicionamentos do cristão frente a revolução tecnológica que estamos vivendo. Naquela semana, discutimos sobre uma atividade ampliada enormemente pelos computadores – a cópia de produtos. Já, semana passada, ponderamos sobre as novas formas de relacionar que surgiram. Para finalizar essa série de posts, hoje vou discutir um pouco a falta de limites – um fenômeno grandemente amplificado pela internet.

Quando digo falta de limites, estou querendo dizer que a internet quebrou os limites físicos que antes enquadravam a sociedade. Isto é, antes, os desvios de uma conduta moralmente aceitável e a exposição a um perigo estavam, essencialmente, relacionados a um local físico.

O perigo estava relacionado aos lugares onde íamos e às pessoas com quem andávamos; para ter acesso a material pornográfico precisávamos nos deslocar para adquirí-lo; para sustentar um vício, precisávamos ir até a fonte onde poderíamos saciá-lo.Esses são apenas alguns exemplos que demonstram que, por bem ou por mal, a distância física era um empecilho para o desenvolvimento livre de possíveis atos imorais ou perigosos.

No entanto, agora, com a internet, não precisamos sair de casa mais para nada, está tudo à distância de um click. Zonas imorais e perigosas não estão mais vinculadas somente a zonas territoriais, elas estão dentro de casa. Não há mais uma limitação física para as nossas atitudes – temos um mundo virtual nos esperando de prontidão.

Já pensou nos seus filhos?

Ao discutir esse post com uns amigos, tentamos imaginar como trataremos essa questão com os nossos filhos. Afinal de contas, nossa geração (nascidos nos anos 80) pegou exatamente a fase de transição de tudo isso: o surgimento dos computadores pessoais e da internet, enquanto que aqueles já nascidos e que ainda vão nascer no século 21 vão crescer em um mundo totalmente interconectado.

Minha infância ocorreu em mundo totalmente offline. Vi um computador somente aos 10 anos, internet aos 13 ou 14. O máximo que poderia conhecer era diretamente proporcional ao que meus pais, meus amigos, minha escola e a televisão poderiam me apresentar. Na época, a televisão era o maior perigo dentro das casas, mas, mesmo assim, possuía no máximo alguns canais.

Nossos filhos, por sua vez, desde cedo, terão acesso a computadores e internet. Isso significa que eles não terão um limite no ato de conhecer – tudo estará disponível a apenas alguns cliques. Mais do que isso, conviverão com um mundo virtual onde poderão viver várias experiências sem sair de casa: não precisarão estar fora de casa para serem assediados por um pedófilo; não precisarão sair de casa para cometer um crime; não precisarão se expor ao insultar alguém; não precisarão ir muito longe para criar um vício.

Sei que esses exemplos que coloquei são bem tendenciosos – as piores situações possíveis. Mas penso que é muito importante pensarmos nisso para nos informarmos melhor e podermos nos preparar para agir bem quando chegar a hora.

Não é preciso viajar ao futuro

Ilustrei essas idéias projetando-nas no futuro, na vida de nossos filhos, tempo em que elas com certeza estarão mais vivas e presentes nas discussões. Mas não precisamos ir muito longe. Podemos ficar aqui em nossa vida mesmo.

Quantos de nós já não nos escondemos atrás da anonimidade da internet para fazer coisas que não fariamos no mundo real? Quantos de nós já não tivemos problemas com pornografia e, como consequência, enxergamos o outro como um mero objeto sexual? Quantos de nós já não ficamos presos a um recurso online a ponto de deixarmos de cumprir nossas responsabilidades offline?

Mais do que apenas nos questionar, precisamos desenvolver soluções práticas para esses problemas. Afinal, cada vez que caimos nesse mundo virtual, acontece um grande estrago em nosso mundo real. Então te pergunto: como colocar limites nessas potencialidades sem limite da internet?

10 comentários sobre “O cristão e a Era da Informação: falta de limites

  1. Boa discussão Mateus! É uma preocupação minha com a Maria Clara e como vou poder educá-la porque tudo é muito acessível coisas boas e ruins. E, na minha vida, tenho muito problema em me deixar levar pela internet e passar mais tempo no computador do que gostaria…
    Como colocar limites é uma pergunta difícil. Vou tentar educar minha filha dentro de princípios cristãos e acho que isso é o que posso fazer de melhor pra ela! E em relação a mim tenho orado e lutado por viver uma vida de verdade com Deus, mas às vezes ainda me pego gastando muito tempo no computador!
    Vou acompanhar a discussão para ver mais opiniões sobre o assunto!
    Esse blog cada dia vem com mais discussões edificantes! Obrigada!

  2. Eu fico de cara com o tanto que a tecnologia mudou na nossa geração porque eu vivi um tempo em que a internet nem era de fato significativa e, anos depois, um tempo em que não imaginamos o mundo sem ela de forma alguma.

    Certamente a educação mudou muito por causa disso e precisaremos de muita sabedoria no lidar com os nossos filhos. Para mim mesmo a intenet já foi muito prejudicial.

  3. Mateus, concordo com você demais! Temos a mesma idade e o contato com essa tecnologia surgiu ao mesmo tempo comigo. Já conheci vários problemas da internet. infelizmente…quanto aos nossos filhos, sugiro que eles vivam sem internet até que tenham condições de discernir o certo do errado. Entender os males e os benefícios…hehe. Sei lá. é tenso. é tecnologia. Está aí. não dá pra andar pra trás!? voltar no tempo? a questão é saber lidar. ir até onde for benéfico, assim como tudo na vida, não!?

    cara, valeu por esses assuntos tão atuais!

  4. Concordo com todos vcs! O problema que vejo é que infelizmente não dá para colocar limites. A internet se baseia exatamente na quebra deles. Pode até se tentar em formas de limitar, mas é impossível limitar e ter convívio social. Existem formas de burlar os limites estabelecidos (softwares de controle dos pais e etc protegem até um certo ponto, mas não tudo). Outro aspecto é: vc pode controlar razoavelmente seu filho na sua casa, mas vc deixará seu filho ir na casa de um amigo. Na casa do amigo, certamente, seu limite não será levado em consideração. Logo, logo, seu filho reinvindicará os meus direitos que o amigo dele na sua casa. Ou seja, eu acho que não há meios efetivos de controle. Gostaria de desinventar o computador e a internet… Tem como desinventá-los? Infelizmente, não… Então a questão que nos resta é a mesma que o Gabana colocou: é saber lidar… E isso é muito complexo: o q é sábio para um talvez não seja para outro. Neste ponto temos que ler a Bíblia procurando entender o que a mensagem de Deus nos diz a respeito. A Bíblia nos instrui em muitas coisas em relação a este tema. Acho que temos que entender melhor o q a Bíblia diz, de fato, sobre isso…

    A internet está viabilizando uma nova torre de Babel no futuro… Os povos juntos construíram a torre em afronta a Deus e, por isso, foram separados por Deus, suas línguas foram confundidas para que não vivessem em afronta direta contra Deus, mas, sim, uns contra os outros. Hoje, essa barreira colocada por Deus está sendo quebrada em uma grande velocidade por causa da mídia globalizada, do computador e da internet… O homem está começando a “falar uma mesma língua”. A comunicação está cada vez mais abrangente.
    “Babilônia” é a palavra grega para a palavra hebraica “Babel”. Sempre que ler a palavra Babilônia na Bíblia, vc pode entender como Babel e vice versa. Se vc fizer isso vc vai entender claramente o que eu disse aqui (se não releia a Bíblia com essas coisas em mente que vc vai entender) -> Caiu! Caiu! A grande Babel! Acho que não tem volta. A tendência é que essas coisas se tonifiquem a cada dia…

  5. Vejo que realmente estamos longe de limitar essas coisas virtuais, a tecnologia chegou ao ponto de eu fazer este comentario de um treco na palma da minha mao. Lembro da primeira vez de pegar em um celular mega pesado. E tenho a confessar que ja deixei comprossos ofline pra ficar na net.

  6. Ei Rato!
    Não tinha lido esse post ainda, achei muito legal a reflexão. É como o Vidigas falou mesmo, antes a gente nem precisava, mas as “necessidades” vão sendo criadas e quando vemos nem sabemos mais viver sem as tais coisas…
    E as revoluções tecnológicas estão cada vez mais rápidas mesmo, dá até medo.
    Acho que quando eu tiver filhos, vou mudar com eles pro meio da Amazônia, em um lugar sem acesso a internet e fico lá até eles crescerem!!! hehe

    Pra complementar: http://budrush.wordpress.com/2008/02/14/diversao-no-futuro/

  7. Gabana, impedir que eles acessem a internet até que tenham discernimento vai ser impossível. No futuro, o mundo vai ser totalmente interconectado. Tudo: sua geladeira vai comunicar com seu fogão, que vai comunicar com seu palm, que vai comunicar com seu computador, que vai comunicar com seu carro, e você poderá comunicar com as pessoas através de tudo isso… É uma visão futurista, mas é para isso que temos caminhado, se você for analisar as novas tecnologias que tem surgido…

    Além do mais, essa solução é um tanto quanto simplista, afinal, nós “adultos” sabemos discernir o certo do errado mas, mesmo assim, isso não é suficiente: erramos e caimos da mesma forma.

    Acho que a solução é de duas uma: ou fazermos igual a Analu e ir vivermos numa tribo desconhecida no meio da Amazônia :) ou caminhar junto aos nossos filhos, com amor, quando eles tiverem descobrindo esses horizontes da internet. Com certeza a primeira opção é a mais fácil! heheh

    Mas, para vivermos a outra opção, acho que um bom começo é lidarmos com o online da mesma forma que lidamos com o offline. Por exemplo, os (bons) pais normalmente já vivem a descoberta do mundo offline junto ao filho perguntando para os mesmos sobre as novidades que eles viveram no dia: “fez algum amiguinho novo? gostou da professora? como foi a aula? e a festinha? o que aprendeu hoje?”. Um bom ponto de partida, então, seria também viver a descoberta do online juntoao filho: “que programas você aprendeu mexer? o que você viu de interessante hoje? com quem você conversou de legal? descobriu algum site novo? e aquele joguinho, já passou daquela fase?” E assim vai…

    Acho que só assim o filho vai sentir confiança para trazer coisas do online para perto dos pais… Do contrário, o filho vai ver o online como algo secreto, que deve ser sempre omitido, afinal, os pais nunca mencionam disso… Temos de ser sábios e aprender a lidar com essa nova realidade!

  8. Sábio, esse Rato… namorar uma psicóloga faz bem, né? hehe
    Mas só um adendo: só vou poder mudar pra Amazônia se até lá ela ainda existir! hehe
    Um problema que eu vejo e que estava até discutindo ontem é a questão da criação de necessidades. 10 anos atrás, ninguém precisava de celular. Hj ninguém vive sem… Vê se eu preciso de um aparelho que ligue meu palm (que eu nem tenho!) à geladeira? Mas tenho certeza de que daqui a 10 anos não vou viver sem ele!!!

  9. O texto podia ter começado com a pergunta que terminou, seguido da sua resposta para o Gabana.

    No final das contas eu acredito que nada muda. Da mesma forma que a tecnologia expõe, ela criará meios para omitir o que consideramos violento. Talvez a partir de uma certa idade você não tenha mais o controle, possivelmente no inicio da adolescência. Mas aí tudo vai depender da educação que você deu para os seus filhos e quanto você é amigo deles, da mesma forma como é hoje.

    Eu quando era muito novo, uns 3 anos, recusei balas de um caixa de supermercado. Meu pai ao lado falou “pode pegar, não tem perigo”. Eu n tinha discernimento para avaliar de quem eu podia ou não aceitar balas, então só confiava nos meus pais. =)

  10. Pingback: Radar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *