O cristão e a Era da Informação: a arte de copiar

Penso que estamos vivendo um momento ímpar na história da humanidade. Estamos em meio a uma revolução – a Revolução da Informação. Um tempo em que, por causa dos benefícios proporcionados pela tecnologia, as relações em geral tem se modificado. Sejam essas relações comerciais, pessoais, governamentais…

No papel de cristãos, carregamos uma grande responsabilidade nesse processo de mudança. Somos embaixadores de um outro reino (IICor5:20) e assim temos o papel de representá-lo em meio a tudo isso. Mais do que representá-lo, somos aqueles que O vivem. Isso implica muita coisa, afinal, muitos dos conceitos Desse reino são eternos, enquanto que os conceitos do mundo estão mudando a todo instante.

Enfim, tenho pensado em várias dessas questões que surgiram junto com essas tecnologias e que são de fundamental importância para nós cristãos. Nesse post, e nos próximos dois, vou colocar esses questionamentos para vocês. Não pretendo fazer uma análise sociológica ou qualquer coisa do tipo dessas mudanças (até porque não tenho conhecimento para isso), quero trazer idéias práticas, que influenciam diretamente o nosso dia a dia.

A Era da Informação

Muitos dizem que estamos saindo da Era Industrial e entrando na Era da Informação. Uma nova era em que a informação está no centro de tudo, de todas as nossas relações e decisões. Uma época em que a informação tornou-se mais valorizada até que bens industriais.

A internet e os computadores com certeza foram grandes forças motrizes dessa transformação toda. Pela internet, a difusão do conhecimento não tem limites: “qualquer um” pode divulgar o que quiser e atingir o mundo todo – sem pagar nada por esse processo de publicação (ela vai pagar por outras coisas, mas não pela permissão de publicar).

Com os inúmeros benefícios dessas tecnologias, surgem também vários problemas. Poderia fazer um post inteiro apenas citando os mesmos, no entanto hoje quero comentar apenas um:  “a arte de copiar” ou, em uma linguagem menos poética :), “a pirataria”. Sim, esse é um tema um tanto quanto polêmico, mas não é por isso que merece ser negligenciado por nós.

Quanto vale seu trabalho?

Muitos sabem que sou adepto do software livre: por exemplo, uso Linux e OpenOffice em detrimento de Windows e MicrosoftOffice, sem citar outros. Essa minha escolha é muito mais que “mais uma ideologia nerd“. Certo é que, em termos desempenho e segurança, o Linux é muito superior ao Windows, mas a principal questão é outra: não tenho R$300 para desembolsar para comprar o Windows e, no entanto, além de ser ilegal, não acho justo simplesmente copiá-lo. Vou explicar meu ponto.

Programação, dependendo do sistema, é algo muito muito complexo. Em termos de programação, posso dizer com segurança, que um sistema operacional é uns dos sistemas mais complexos de se desenvolver. Para você ter uma idéia, estudos estimam que, se uma pessoa sozinha fosse desenvolver o Debian 2.2 (uma versão do linux), a mesma gastaria 14005 anos trabalhando convencionalmente (8 horas por dia, 20 dias por mês). Sendo que, em termos de engenharia de software, o Windows Vista possui o mesmo tamanho do Debian.

Tendo em vista isso, eu te pergunto: você acha justo simplesmente copiar esse software? Ou melhor, mudando a perspectiva da pergunta: você acharia justo trabalhar 14005 anos para, no final, alguém achar legal o seu produto e simplesmente copiá-lo, sem te dar nenhuma recompensa pelo seu trabalho?

Caso ache justo, me fale, quero te contratar! 😀

Custo benefício

Pensando por outra linha de raciocínio,  vou fazer uns cálculos fáceis, considerando a pior hipótese. Suponha uma pessoa que use computador muito pouco. Vou estimar duas horas por semana de uso, ok? Acho esse valor razoável.

Em um ano há 52 semanas, ou seja, 104 horas de uso por ano. Como a pessoa não usa muito o computador, não há desgaste e também não há demanda para novos recursos. Logo, não tem porque a mesma trocar o computador com menos de 5 anos de uso. Com 5 anos de uso, haverão 520 horas de uso.

Um Windows XP Pro (a versão mais avançada do XP) custa R$350. A pergunta é: qual é o custo benefício que esse produto vai te proporcionar? Devemos nos perguntar isso para qualquer produto que iremos comprar. No caso, o tempo de uso é uma boa métrica para calcularmos o benefício do produto. Logo, dividindo o preço do mesmo pelo tempo de uso, obtemos R$0,67 por hora de uso.

Eis que te pergunto: você acha R$0,67/hora caro considerando todos os benefícios que o software vai te trazer nessa uma hora de uso? Veja que, no exemplo, eu considerei a pior hipótese – podem calcular: quanto maior o tempo de uso por semana, melhor é o benefício.

Saia do particular e considere o geral

Enfim, baseei o post no exemplo do sistema operacional, mas a idéia vale para qualquer outro produto: músicas, seriados, filmes, jogos, livros… Isto é, por trás de qualquer produto desses, houve muito tempo gasto por pessoas e não acho justo simplesmente passar por cima desse tempo, se elas colocam um preço no mesmo (sem falar da ilegalidade do fato). E não importa o quanto elas estão ganhando em cima disso, ou que o preço deles está elevado demais – uma injustiça de outrem não justifica a minha e a sua injustiça, temos que ser justos apesar de sermos injustiçados.

Sim. Viver desse modo é difícil. Com absoluta certeza, é muito mais conveniente copiar. Basta abrir seu Limewire e baixar a última música lançada; basta abrir seu BitTorrent e baixar o último episódio daquele seriado; basta pesquisar no Google e baixar o pdf daquele livro… No entanto, se você for olhar bem, há alternativas viáveis para cada uma dessas opções. E, quando falo viável, estou falando da parte financeira, que penso que é a que mais pesa nesses casos.

Até a próxima!

EDIT: Quando falo das alternativas, posso dar alguns exemplos para abrir um pouco o campo de visão. Há muitos produtos alternativos gratuitos e produtos proprietários que já passaram a ser domíno público (ex. Ubuntu, OpenOffice, Domínio Público, álbum dos Beatles, …); também há muitos acordos que disponibilizam a compra do produto em partes (ex. iMúsica, iTunes, …); e também muitas idéias que arranjam alternativas baratas (ex. NetMovies, TrocandoLivros, …). Sem contar que a grande maioria dos produtos é baseado em um direito autoral que permite o compartilhamento do mesmo entre pessoas, ou seja, você pode dividir o custo dele com amigos.

42 comentários sobre “O cristão e a Era da Informação: a arte de copiar

  1. Rato, a leitura desse seu post teMÇo (rs) vai ficar pra amanhã, quando minha cabeça estiver livre de trabalhos intermináveis!
    Sua propaganda já me fez ficar doida pra ler! Bjos!

  2. Acho que esse foi o post mais ousado que eu já li aqui! Inteligente. Muito inteligente. Sem deixar de ser ousado…

  3. se programação é tão complexo assim pq o Linux vc acha de graça, e mesmo as versões pagas são incomparavelmente mto mais baratas que R$300 reais que vc falou.. aliás, quem tem coragem de pagar R$300 reais num S.O. que sempre tem bugs e é o mais vulnerável a ataques de hackers?? Ah, e a Microsoft disponibiliza o Windows 7 gratuitamente para download, e é bem melhor que o Vista. Falou ae e pensa mais um pouco antes de escrever Sr. Eu-sou-contra-a-pirataria!.. deleta as músicas do seu Ipod então!

  4. Viva a pirataria!!! e é óbvio que meu comentário não vai ser aprovado pela “moderação”!! hahaha… internet é isso ae: direito de escolha e liberdade de expressão que as pessoas não tem normalmente!! esses papinhos “cristãos” de “ser justo” não cabem aqui… Seja inteligente! questione mais o porquê das coisas!

  5. Valeu Pedrinho! Essa era minha idéia!

    Alguém, o Linux você acha de graça por causa da ideologia do software livre que está por trás do mesmo…. Sugiro que você leia os artigos da wikipedia que linkei para entender melhor! E, se você já encontrou outras alternativas grátis ao Windows XP e Vista, que bom – no meu texto não digo que as mesmas não existem, se você reler o último parágrafo vai ver que falo justamente o contrário…
    Respeito suas opiniões de “não cristão”, até porque você não tem que viver os mesmo principios que os “cristãos”. Se não fosse cristão com ABSOLUTA certeza não veria problemas na pirataria… Mas você poderia justificar porque o “papinho” de “ser justo” não cabe aqui? O propósito do blog é justamente para a discussão…

    Abraços!

  6. E Alguém, não precisa se esconder não, cara, pode assinar com seu próprio nome. Esse texto é uma opinião minha e não quero nem vou condenar ninguém. Muito pelo contrário, se coloquei ele aqui é pq justamente quero discuti-lo e ouvir opiniões adversas… Quando você não assina com seu próprio nome sua opinião perde muito em credibilidade.

    Abraços

  7. Rato, bastante polêmico. Isso passa muito na minha cabeça. Concordo com grande parte das coisas que vc disse mas acho que existem alternativas. Eu não sei muito sobre computador mas há livros que caíram em domínio público e podem ser usados por quaquer um. Não precisamos necessariamente comprar um clássico por exemplo porque ele não tem mais direitos autorais reservados. E, quanto à música, até onde eu sei, baixar para uso pessoal não é problema. Acho que até alguns artistas apóiam isso. Muita gente boa eu não conheceria se eu não pudesse baixar músicas. É uma forma de divulgação eficiente.

    Quanto ao Alguém, gostaria de falar que vc, seja quem for, é muito bem vindo e seu comentário trouxe discussões importantes e isso é bom para o blog!

  8. Mateus, gostaria de te parabenizar sobretudo pela ousadia. Sim, pirataria é um assunto delicado e pouquíssimo debatido (talvez justamente por ser polêmico).

    Eu, sinceramente, preferiria passar pela vida sem parar para pensar em assuntos como esse que me trariam um certo prejuízo. Mas entendo que evitar certos assuntos por comodidade é ignorância.

    Não acredito que o cristão deve viver cheio de regrinhas e de proibições. Entretanto creio que nossa liberdade é em Cristo, e como “pequenos Cristos” (essa é a definição da palavra cristão, para quem não sabe), temos sim a responsabilidade de pensar sobre nossos atos.

    Nunca havia parado para pensar que “baixar” coisas da internet é um tipo de pirataria.

    Obrigada pelas suas explicações e por ter nos oferecido seu ponto de vista. A meu ver, você o expôs muito bem. Você tornou possível que leigos no assunto “internet” como eu pudessem entender um pouco mais do que está por trás dos arquivos que baixamos.

    Novamente, parabéns pela sua ousadia e por sua bem formulada linha de raciocínio.

    Bjus!

  9. ô rato, como assim? qual é a relação entre uma análise ser sociológica e ser menos real? hehe

    Mas comentando sério agora… Muito legal o post, gostei de ouvir a sua opinião. Essa sua discussão é antiiiiiiiiiga na economia: a questão dos incentivos e das patentes, i.e., se há patentes e as pessoas recebem pelo fruto de pesquisa, programação etc, há mais incentivo pra q elas continuem produzindo. Assim, incentivando as patentes, a produção científica aumentaria. Válido. Mas eis aqui 2 casos em que isso é usado em prol do capital (ficou mto marxista isso, mas eu vou deixar) e em detrimento das pessoas.

    Extrapolando o campo puramente “cibernético”, há dois campos em que essa questão de “direitos autorais” chamam mais a minha atenção: livros e remédios.

    A respeito do primeiro, vc não deve ter que ler muito texto no seu curso, não sei se vc vive isso, mas em qualquer curso mais pra área de humanas, a carga de leitura é gigantesca. Pegar os livros todos ao invés de tirar xerox é impossível . Comprar é impossível (e muitas vezes os livros nem existem pra ser comprados). Inclusive o próprio sistema educacional regulamenta isso, os próprios professores deixam os xerox pros alunos, até mesmo de textos próprios, muitas vezes. E aí? Deixar o conhecimento preso a alguns poucos que têm acesso aos livros ou divulgar?? Eu digo: DIVULGAR!! Senão é impossível…

    Outro caso e esse é o mais gritante de todos… O fato de laboratórios farmacêuticos fazerem FORTUNAS por terem a patente de remédios básicos ou muito importantes para a população, mtas vezes pobres. Sim, houve todo um custo pra pesquisar e chegar naquela fórmula ali… Mas daí usar dessa premissa pra explorar milhares de pessoas sem condição e que muitas vezes morrem por não ter acesso ao remédio…

    Pra mim, o conhecimento tem que ser divulgado mesmo. Por mais que a pessoa pense no retorno econômico ao construir algo, não creio que essa seja a única motivação, o único incentivo e que ela deixaria de produzir. Remuneração justa, sim, mas excessiva e às custas de menor divulgação do conhecimento, pra mim não… Mas sei que um dia posso sofrer os custos de pirataria em algo que eu fizer, né… hehe Mas fazer o que, é a vida. Como vc disse hoje, o mundo tá mudando…
    bom post, adorei a polêmica! acho q vc tb!!! 😀
    bjos!!

  10. ow, ta mt legal seu assunto teMço rato!!
    adorei os comentários, a discussão tá ficando boa!
    eu ainda nao formei minha opinião, to pensando ainda nas coisas q vc me falo ontem e agora vou pensar nos comentários. enquanto isso, escuto rádio! kkk. o mais legal da discussão, no entanto, é o fato de estarmos buscando juntos a verdade, ao invés de simplesmente “querer estar certo”.
    bjo!

  11. Tá bom, o Alguém era eu. Brinks, eu nem sei qual que é o Windows 7 para ter uma opinião sobre ele, mas gostaria de incentivar o Alguém a assinar também, porque nós somos livres para receber críticas desde que não sejam desrespeitosas e discordar não é desrespeitar. Ainda sim, se você não se sente à vontade para se identificar, acho melhor que comente de qualquer jeito porque você enriquece a discussão.

    Quanto ao post, eu concordo que às vezes não estamos dispostos a pagar por produtos quando há disponíveis por um preço de custo, mas como eu não sou louco com filmes e músicas e não acho fora do meu orçamento pagar por alguns softwares, não ligo tanto para este assunto (ou seja, não acho pesado demais dizer que não se deve copiar estes bens).

    No meu curso, a pior parte quanto ao conhecimento são alguns livros que só usamos para consulta ou para uma prova. Às vezes eu tiro xerox porque é mais fácil que ir à biblioteca, mas há vezes em que não há exemplares disponíveis.

    De mais a mais, não acho absurdo o preço de livros pois talvez uma mensalidade do meu curso seria o preço de todos os livros do curso inteiro. Como estudo se pagar por isso diretamente, comprar livros “não é nada”. Ainda sim, procuro comprar livros usados ou pegar emprestado com outras pessoas que não mais os usarão.

    Quanto a músicas na internet, aquele Baixa Hits parece que funciona muito bem, você paga pouco, por músicas individuais. Ou dá também para ouvir no YouTube.

  12. Alguem: se programação é tão complexo assim pq o Linux vc acha de graça, e mesmo as versões pagas são incomparavelmente mto mais baratas que R$300 reais que vc falou..
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    Você acha o linux de graça por causa disso:
    http://www.fsf.org/
    não tem nada a ver com complexidade. O google é muito complexo, e é de graça também. Conheço gente que paga absurdos pra um técnico ir na casa e conectar um cabo usb (um serviço simples). O preço de um serviço obviamente não tem uma relação fixa com a complexidade do mesmo.
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    Alguem: aliás, quem tem coragem de pagar R$300 reais num S.O. que sempre tem bugs e é o mais vulnerável a ataques de hackers??
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    Muita gente tem coragem. O windows tem suas desvantagens, mas é um sistema muito simples de usar, e que domina o mercado a anos. E bugs, todo SO tem.
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    Alguem: Ah, e a Microsoft disponibiliza o Windows 7 gratuitamente para download, e é bem melhor que o Vista.
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    A Microsoft disponibiliza uma versão de teste do windows 7. Ou seja, ela deixa você testar o Windows pra eles, e recolhe os dados que são interessantes pra eles automaticamente. Diretamente do site da microsoft:
    ‘Your PC will automatically and anonymously send our engineers the information they need to verify the fixes and changes they made based on the Windows 7 Beta tests.’ Você já pode comprar o Windows 7 antes de seu real lançamento, através do site da microsoft. Sim, comprar.
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    Alguem: Falou ae e pensa mais um pouco antes de escrever Sr. Eu-sou-contra-a-pirataria!.. deleta as músicas do seu Ipod então!
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    O que o autor do post propos foi exatamente uma reflexão sobre o assunto. Creio que a conclusão que ele chegou foi exatamente essa, ‘vou deletar as músicas do meu ipod’. E sobre pensar antes de escrever… rs.
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    Alguem: Viva a pirataria!!! e é óbvio que meu comentário não vai ser aprovado pela “moderação”!! hahaha… internet é isso ae: direito de escolha e liberdade de expressão que as pessoas não tem normalmente!! esses papinhos “cristãos” de “ser justo” não cabem aqui… Seja inteligente! questione mais o porquê das coisas!
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    Qual é o sentido de ser ter ‘liberdade de expressão’, e ao mesmo tempo expressar a sua opinião escondido? Mas creio que, para quem é cristão, esses ‘papinhos cristãos’ tem que caber em qualquer lugar, inclusive na internet. Sugiro que você questione o porque das coisas também, começando pelo porque desse post :)
    Abraços fraternos

  13. Muito boa a discussão Rato! Parabéns pelo post!

    Concordo muito com que a Ana Luíza falou. E acho que não devemos nos perguntar se temos ou não dinheiro para comprar livros, ou comprar CD´s ou outra coisa original. Devemos nos perguntar se a população brasileira como um todo tem dinheiro para comprá-los. Sinceramente não acho que 95% da população possuem esse poder aquisitivo.

    Para mim, educação e acesso à cultura são um direito, e não bem restrito a poucos. Não sentimos isso na pele, pois creio que a maioria das pessoas que acessa o blog não tem problema de acesso à cultura ou educação. Mas como já falei, 95% da população tem.

    Tive uma aula recentemente na qual o professor falou que enquanto uma criança de 7 anos que estuda na periferia não virar cientista ou engenheiro, o país não vai sair da situação que está. Sei que existem milhares de outros fatores para serem trabalhados, mas não acredito que uma criança da periferia hoje consiga ter acesso a educação (ou seja, livros caríssimos) para conseguir ser cientista ou engenheiro.

    Para mim, é muito mais prioridade que as pessoas tenham acesso à cultura (músicas, filmes, etc) e educação (xerox de livros, etc) do que o lucro de editoras e grandes gravadoras multinacionais serem preservados a níveis elevados.

    Mas é só a minha humilde opinião.

    Abraço

  14. E só completando, quero só falar que acho que devemos ter um pensamento que englobe toda a população, e não só o nosso meio social. E devemos pensar no melhor para a população como um todo. Afinal, além de tudo, são eles que pagam a nossa faculdade.

  15. Isso aí Rato! Bastante polêmica! Gostei do post e vou continuar formando minha opinião com os comentários de todos aqui! É um tema polêmico, mas creio que eu como cristã devo ter uma opinião coerente com minha fé. Não é que eu seja sempre certa, mas procuro lutar pra viver de acordo com princípios. Valeu a todos por comentar, enriquece muito! E as músicas do meu ipod, concordo com o Ganso e o Alex como criminalista já me falou isso: se for pra uso pessoal não é crime, é divulgação do trabalho! Mas também compro CDs pra valorizar o trabalho do artista e gosto de ouvir música no you tube, vou olhar esse site que falaram que a música é barata! Valeu galera! Vou continuar acompanhando as discussões!

  16. Ratolino, muuito doida a discussão, post ousado, gostei de ver! É um assunto difícil e as opniões expressadas aqui me acrescentaram e esclareceram muito!

    Concordo com o Ganso e com a Anavrü!

    É prioridade que as pessoas tenham acesso à cultura e à educação! Uhuul! Abaixo à ditadura!!! (não repara, fiz prova de História do Brasil IV hoje daí empolguei)

  17. Muito difícil o tema Mateus (isso é notado pelos comentários). Não entendo quase nada de computadores, minha ignorância é tanta que quando comprei meu cpu a loja falava que vinha com um windows xp, usei ele 3 anos e descobri (quando minha esposa fez uma atualização)que não era original(agora inclusive tenho um maldito recado todo dia falando que é pirata), portanto não posso opinar sobre softwares. Mas também não entendo sobre legislação específica, até onde sei não há muita regularização de leis na internet. Como falado acima não vejo problema em abaixar música (inclusive já vi vários artistas criticando essa propagandas contra pirataria, dizendo que ganham dinheiro com shows e não com cds).
    Além disso, vejo outras incoerências como o shopping oi, tenho paz para comprar tudo o que tem lá dentro pois é um lugar aberto (e até usado de propaganda) pela prefeitura (que considero uma de minhas autoridades civis), lá eu encontro cds, dvds, jogos e várias outras coisas. Sou contra (pois minha consciência me acusa) comprar de camelô não regularizado, aqueles que ficam te vendendo de olho em fiscais na rua, pronto para pegar sua barraquinha e sair correndo. Acho que a pirataria ajudou em alguns aspectos trazendo preços para baixo (por exemplo, eu não compro cd pirata, prefiro comprar cds originais que aliam preço – de 10 a 15 reais- à qualidade, mas) e fazendo grandes empresas terem que se readequar no mercado e trazendo muitos empregos.
    Mas entendo que é uma questão ética bem complicada e acho muito legal ser aberta para discussão no blog!!
    Abraço a todos!!!!

  18. Que lindo esse assunto!!!!! ele sempre me inquietou! tenho muitas dúvidas!
    nós, como cristãos, nao temos só o nosso ‘sentimento’ (acho bacana/ acho paia) para apoiar nossas opinioes. temos tb a Bíblia e a Constituição (pq nao?). acho q discutir pirataria cai é tb discutir o cumprimento ou nao das leis dos homens. há qm diga q as leis foram formuladas pensando no interesse de uma elite, de empresarios etc. há qm diga q nosso papel é cumprir Rm 13:1-2. uma questao anula a outra? nao acho q o aspecto socio-econômico deva ser ignorado (95% e tal) mas nao deve ser justificativa para a minha postura individual. o fato de eu baixar filmes nao dará aos excluídos do sistema acesso à cultura e educação. a questao é: e eu? e minha vida? quais posturas EU devo tomar diante disso? para qm nao sabe, eu faço arquitetura e precisamos usar mtos programas tipo auto cad. alguns sao de graça (tipo sketch up) mas outros sao mto mto caro! nao estou falando de 350,00 e sim de 10.000 reais! uma prof minha me mandou um e-mail dizendo que “A Autodesk, através da Autodesk Student Community, disponibiliza gratuitamente licenças de versões atualizadas e integrais dos seus softwares para professores e estudantes. O tempo de licença varia de programa para programa, podendo chegar a mais de um ano. Alguns softwares imprimem “versão estudantil” nas bordas das margens das impressões, como é o caso do AutoCAD. Independentemente disto, os softwares devem ser utilizados para fins acadêmicos.” essa solução nao é eterna mas ela existe!!!
    mtas vezes falamos q somos cristãos no mundo e nao do mundo sendo q simplesmente agimos como todo MUNDO sem nenhum senso crítico! eu me importo mto mais com a discussao do q com as respostas. o errado é nao discutir nem pensar sobre o assunto. obrigada, ratonildo!

  19. ah, vale a pena ressaltar q, assim como o homero, eu entendo mto pouco de computador e legislação específica…

  20. quando escrevi o meu post eu vi que estava sendo totalmente apenas preocupado com o meu umbigo, e eu interpretei que o segundo comentário do Ganso foi para mim. Eu concordo com ele, que temos que pensar na população como um todo, mas o meu objetivo era mostrar o meu lado mesmo. Acho que a minha realidade é esta, que eu não penso a fundo nos outros.

    Ao mesmo tempo, como eu só posso decidir o que EU vou fazer e como eu vou ou não gastar o meu dinheiro, considerar apenas a minha situação é válido assim mesmo. (acho que é o que a Ciça disse da postura individual não poder ser justificada pela diferença social existente no país).

    Mas, de novo, pensando agora de uma maneira mais ampla, eu não sei se diria que as gravadoras, a indústria farmacêutica e as editoras ganham rios de dinheiro e isso é injusto. Não sei mesmo. Não sei até que ponto a indústria de medicamentos iria continuar investindo em pesquisa, e assim continuar evoluindo na cura de doenças se não recebecem o que recebem atualmente.

    Afinal, o que move as empresas é a geração de lucro, não a vontade de ajudar. Eu acho que dizer que é contra os enormes lucros de uma empresa é um tanto utopia comunista. E não sei se a cultura (como bem de consumo) é uma prioridade. Acho que não é.

  21. Primeiramente, gostaria de agradecer a colaboração de todos: a discussão está sensacional!

    Guilherme e Tati, não sabia que baixar músicas para uso pessoal era legal! Bom saber disso!

    Mas acho que há uma incoerência em vários dos comentários feitos sobre essa questão legal. Se o sistema legal do país/universidade/cidade permite algo, não quer dizer que esse algo é certo e podemos ficar em paz de fazê-lo. Por exemplo, se o estado liberasse aborto, você se sentiria em paz de abortar, só porque é legal? Pois é. O princípio está acima da legislação. Da mesma forma eu pergunto: só porque a instituição (faculdade/município/estado/pais) legaliza a “cópia”, é certo copiarmos? Temos que pensar nos autores.

    Quanto a questão social da discussão (levantada pela Ana e Guilherme) concordo com a Ciça e com o Vidigal. “nao acho q o aspecto socio-econômico deva ser ignorado (95% e tal) mas nao deve ser justificativa para a minha postura individual. o fato de eu baixar filmes nao dará aos excluídos do sistema acesso à cultura e educação.”

    Aliás, Ciça junto a Carla resumiram praticamente tudo que quis passar com esse post. Não estou preocupado com a conclusão que cada um vai tirar dessas idéias, afinal, cada um tem a sua consciência e um dia vai responder todos seus atos perante Deus (quem sou eu para julgar?). O importante é sairmos do automático e pensarmos…

    Vidigal, o Ganso só fez um comentário, os outros foi o Guilherme da economia..

    Continuem a discussão que está muito legal! Está abrindo minha mente além do que eu imaginava! 😀

  22. Estou gostando da discussão tabém!!!
    Mateus só acho que seu exemplo sobre lei eu não acho que está no mesmo patamar que o de pirataria. Quando se fala em aborto, para mim fica claro que é uma posição claramente contra a vida, com posições claras na Bíblia. Para mim é muito fácil responder o que Jesus faria nessa situação (teria uma posição contra aborto) e não é fácil para mim responder o que Jesus faria com relação a cópias – vejo que essa questão é muito mais complicada de se fechar questão dentro de uma ética cristã do que o aborto. Dentro do seu argumento você deveria falar com o Guilherme e a Tati o mesmo sobre música (mesmo sendo liberado de baixar para uso pessoal, mantenho minha posição de que não é certo) e não: “não sabia que baixar músicas para uso pessoal era legal! Bom saber disso!”
    Mas a discussão continua!!!
    Abraço a todos!

  23. ~Rato, Decidi o q eu penso!
    Antes mesmo de ler o post, na nossa cvsa no msn, eu te falei q nao achava certo a maneira com que os direitos autorais eram explorados. E não acho mesmo. A maioria dos nossos pais e conhecidos e até nós mesmos trabalhamos e recebemos por aquele trabalho naquele tempo. O problema dos direitos autorais é que a coisa é quase sem fim. O trabalho foi feito, o serviço foi pago,às vezes o artista morreu e a população continua pagando. Achei mt legal o q o Ganso falou e concordo com ele.Não tinha pensado por esse lado!!! Concordo tb com a Ana Wrü e com a Tati. Eu não acho injusto não pagar por todas as musicas que eu escuto, mas também acho importante prestigiar. Não sendo ilegal, vou voltar a ouvir as minhas músicas, já que não quero “endossar a injustiça” de cobrar absurdos para levar cultura às pessoas. Mas comprar CD pirata, DVD pirata, aí não! Acho que já foi bem divulgado que esse dinheiro vai para o tráfico de drogas e outras coisas ruins, então, também seria endossar a injustiça.
    Beijo!!

  24. Homero, só sei de uma coisa: quando falo “não sabia que baixar músicas para uso pessoal era legal! Bom saber disso!” não estou dizendo que vou baixar músicas. rs
    Apesar da ambiguidade, estou dizendo puramente e simplesmente oq a frase diz: achei legal ter essa informação em mãos…
    Isso não diz nada a respeito do meu posicionamento sobre baixar ou não músicas, que, aliás, continua o mesmo: continuarei não baixando, a não ser que o autor permita que eu o público o faça…
    Abraços

  25. Fazia parte do meu planejamento pesquisar mais sobre esse assunto no ano de 2009! Esse post veio mesmo a calhar. Em relação às musicas, ultimamente tenho ouvido e lido que os próprios artistas não estão mais condenando o download de suas músicas. Muitos até disponibilizam algumas delas em suas home pages. A verdade é que as gravadoras retém assustadora maioria do lucro trazido pela venda dos cd’s e muitos artistas são contra isso. Mas de qualquer maneira, acho que a idéia do post não era separar o que “pode” e o que “não pode” ser copiado ou compartilhado na internet, e essa também não é minha intenção. O fato é que eu penso muito em coisas como o comentário da Ciça por exemplo. Existem coisas que são muito fora do orçamento de algumas pessoas (Às vezes, até os $350 podem ser fora do orçamento). No caso dela por exemplo, o que ela deveria fazer? Não cursar arquitetura ou algo assim? Penso também no meu curso (Relações Internacionais). A carga de leitura é muito grande e todos os professores disponibilizam xerox de capítulos de livros estrangeiros para podermos ler. Se isso não acontecesse, teriamos sérias dificuldades de achar ou comprar os livros originais em inglês. Porque, não sei o que vocês pensam, mas acho que essa questão de xerox de textoss é a mesma do download de músicas, do software pirata, etc. Acho que o mesmo princípio que uma pessoa usa para um, deveria usar para todos os outros. Abraços a todos!

  26. Faço uso de coisas piratas e tenho de me esforçar para não usar, já consegui ficar livre de alguns hábitos, mas ainda tenho muito para fazer, ou parar de fazer. A falta de informação concreta e o crédito cego que damos à mídia são ruins e nos limitam, seja pelo não uso, seja pelo uso com culpa. Olhei na net e vi que há a Lei nº 10.695/03. Ela diz que é crime quem faz uso com fins lucrativos. Ex.: um site disponibiliza filmes para download e vende espaço de propaganda nele – crime. tentei procurar mais alguma coisa, mas não achei fácil, nem o site do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra Propriedade Intelectual está disponível. Talvez haja alguma lei mais recente sobre o assunto.

  27. Vou colocar um pouco de lenha na fogueira… hehehehe. Isso porque eu não concordo com nenhum dos comentários. Mas, acho que tiveram aspectos relevantes apontados (o Homero ressaltou a hipocrisia do Estado ao criar o shoping Oi e lutar contra a pirataria, a Ana Lu mencionou a impossibilidade de comprar os livros necessários e etc). Gostei também da iniciativa do Rato de lançar o tema para ser discutido. Mas, acho que a questão da pirataria está sendo tratada de forma errada, pois o tema não é complexo, mas muito simples.

    Começaremos do início: O que é pirataria? Pirataria pode ser materializada em um ato mais conhecido por nós como plagio. Pirataria é, por exemplo, atravessar o desenvolvimento do Microsoft Windows, roubar a informação sigilosa da Microsoft antes ou depois de seu lançamento e lançar como se o desenvolvimento do trabalho fosse seu (Ex: Sistema Operacional Marcelinho). Eu estaria dizendo que trabalhei onde, na verdade, não tinha trabalhado e o desenvolvimento do Sistema Operacional foi feito por mim. Estou colocando meu nome e roubando o trabalho de outro. Pirataria é também o embuste, pilhagem, o ato de saquear mercadoria de outro tomando a mercadoria do seu dono para vender em outro lugar. Ex: Entrar em uma loja licenciada da Microsoft roubar seus produtos e vendê-los em outro lugar. Copiar não é pirataria pois não estou dizendo que o sistema operacional da Microsoft foi desenvolvido por mim e nem tampouco estou tomando da Microsoft seus produtos e os vendendo. A pessoa vende uma cópia. A pessoa que está comprando sabe que está comprando uma cópia. Não há nada injusto se a forma de realização for esta.

    Entrando em um ponto talvez bem mais polêmico: Não acho que livros e músicas deveriam ser para ganhar dinheiro. Não eram!!! A exploração comercial em cima de músicas e livros é algo bem recente. Antes da Revolução Industrial a maior parte das músicas eram feitas não para ganhar dinheiro, mas para se distrair, agradar outros, para cerimônias e etc. Os livros não eram escritos para ganhar dinheiro mas porque as pessoas tinham coisas importantes para dizer. Hoje escreve-se para ganhar dinheiro! . De recompensa para o escritor já basta o fato de pessoas lerem o que ele escreveu… Ganhar dinheiro escrevendo livros??? Isso é ridículo! Já tem livros demais escritos… Se alguém quer escrever para ganhar dinheiro eu informo para esta pessoa: Já temos livros demais!!! (Você pode ler 24 horas por dia todos os dias da sua vida que, certamente você não terá lido nem perto de 1% dos registros escritos que existem no mundo). Se vc escreve para ganhar dinheiro, não precisamos do seu livro! Mas, por outro lado, se você acha que tem algo muito importante para escrever, escreva!!! E, não ligue pro dinheiro, pois o que você quer é que as pessoas entendem o que você tem para dizer e não ganhar dinheiro às custas dos outros. Se algum escritor acha ruim pelo fato de alguém ler o que ele escreveu através de um xerox essa pessoa não é um escritor, mas um prostituto da informação (essa expressão é perfeitamente adequada)!

    Com relação ao computador e a internet, vejo o progresso de uma forma completamente diferente. Acho que foram uma grande perda para o homem (apesar de eu gostar muito de computador e de internet). A cada dia que passa deixamos de nos relacionar com as pessoas para ficar mexendo no computador e vivendo uma “vida virtual”. Cada dia mais passamos mais tempo no computador e menos com as pessoas! E dizem que estamos desenvolvendo! Se eu fosse para o campo sozinho, morreria! Não saberia sobreviver sem sem os apetrechos criados pelo homem! Isso é involução! Evolução, ao meu ver, é, a cada dia, depender de menos coisas. E não viver dependendo de um monte de coisas.

    Abram suas bíblias na contracapa e vejam escrito (“Copyright. Direitos Reservados”) Você concorda com isso? As pessoas escreveram, no passado, porque era importante ser escrito, não para ganhar dinheiro. Hoje, pessoas que não escreveram a Bíblia se julgam no direito de explorá-la economicamente. Isso é uma brincadeira! A Bíblia não foi escrita para que outros faturassem em cima dela! Infelizmente, a palavra de Deus, hoje, é um alvo da prostituição da informação!

  28. Que orgulho desse meu primo (Marcelo)! hehe
    Achei sensacional esse último parágrafo… Quanto a essa questão dos lucros, acho q vc tá mais que certo…

    Gostei demais do comentário do Pedrinho, pq ele vive a mesma realidade que eu na questão de leitura de textos por causa do curso (que não é a realidade de um curso de exatas). Eu medi a minha pilha de textos somente desse semestre, somente de 2 matérias: quase 15cm de textos. Pouco, né? hehe Impossível pegar tudo na biblioteca ou comprar todos os livros (caros, raros ou inexistentes, muitas vezes). Não cabe na minha realidade/orçamento/possibilidade comprar tudo, nem que eu quisesse, nem é só por questão de $. Isso mesmo sabendo q estou dentro de um 5% privilegiado da população brasileira.

    Mas, de fato, talvez nossa postura quanto a isso devesse ser “global”, como o pedrinho falou: agir e pensar da mesma forma pra tudo. Se essa lei que o rafa colocou no blog vale pra livros tb, na verdade quem tira xerox de mais de um capítulo dele pra ler não estaria cometendo crime, mas sim a moça do xerox que o tira.

    Nati, “posso te dar o troco em bala?” huahuahua Concordo demais com vc e isso me irrita bastante, como já falei, no caso da indústria farmacêutica, que deixa a galera morrendo vendendo o remédio caro em prol dos lucros deles. Algum lucro, já que o sistema é capitalista, infelizmente tem q ter, mas deixar a galera morrer por falta de remédio… É humano?

  29. Marcelinho, o seu primeiro comentário foi um post a parte. Achei extremamente interessante e muito rico, nunca li uma análise tão diferente da política. Por outro lado, embora eu não me engane achando que a política que trará a salvação para o povo, creio que possamos ter boas democracias como de longe avalio que ocorre em países europeus. Ou seja, a dissimulação, as distorções, etc, mas dado à população uma boa condição.

    Parabéns!

    (vou ler o segundo post depois)

  30. Homero, concordo com sua linha de raciocínio e que, com o aborto, há um posicionamento muito mais claro da Bíblia…. Mas você não falou o principal, que norteia a sua atitude de sentir paz ao comprar no shopping Oi: porque você acha que Jesus compraria material copiado se o governo permitisse? (se você sente paz comprando é porque acha que Jesus também o faria)

    Marcelinho, posso ter usado erroneamente o termo “pirataria” (como você mesmo diz) mas isso não importa muito aqui – a questão é se, como cristãos, é certo ou não copiar…. Nesse ponto você falou que não vê problemas (não seria injustiça), você poderia explicar melhor por que acha isso? E, quanto a questão da verdadeira motivação de se escrever livros e produzir músicas, acho que isso também não interessa muito nessa discussão… Isto é, não importa se as motivações dos produtores estão certas ou erradas, a questão é que eles disponiblizaram um produto e temos uma decisão a ser tomada de como vamos agir frente a esse produto…

    Nati e Ana, acho que vocês estão abordando de forma muito simplista essa questão social. Pelo menos na área de software, a pirataria ocasiona uma inflação de preços, para as empresas não tomarem prejuizo (o Windows no Brasil é desproporcionalmente mais caro que na Europa, por exemplo). Ou seja, não “endossar a injustiça” dos “grandes lucros” versus a “não divulgação de cultura por causa dos mesmos”, na verdade, opera o efeito contrário: copiar o produto ocasiona o aumento de preço do mesmo e assim você está impossibilitando mais ainda que as pessoas de menor renda o obtenham. Ou seja, copiando você também será responsável pela inacessibilidade dos recursos para as pessoas de menor renda e, assim, estará, não somente endossando a injustiça, como também contribuindo para o aumento da mesma.

    E Ana, só para ser chato, não acho que essa questão de remédios entra na discussão de cópias, essa é uma discussão a parte… Isto é, não há como “copiar” um remédio… rs Ainda que concorde com você que é injustiça por parte deles, não temos uma decisão pessoal e diária a ser tomada, como nos outros casos (livros, mídias, programas)…

  31. Mateus vou colocar aqui o que falei sobre a questão de Jesus e a cópia: “não é fácil para mim responder o que Jesus faria com relação a cópias – vejo que essa questão é muito mais complicada de se fechar questão dentro de uma ética cristã do que o aborto”. Portanto, em nenhum momento considerei a questão fechada sobre Jesus ir, por exemplo, no shopping oi. Só disse que a questão é mais complicada para se fechar uma posição do que a do aborto. Quanto ao que ma dá paz, eu sou um homem em busca do certo, mas cheio de erros, defeitos, preconceitos, etc… não tenho como comparar que tudo o que me dá paz é o que Jesus faria, posso estar completamente errado no futuro em uma posição que tenho paz hoje. Ultimamente tenho deixado de fechar tanta questão, tem tantas coisas que tinha tanta certeza no passado e que hoje já não sei… Mas o que mais sonho é alinhar minhas escolhas e atitudes às de Cristo. Só coloquei algumas idéias que tenho sobre o tema, mas confesso que não tenho o embasamento que você tem em uma série de idéias, e , não se surpreenda se, amanhã, mudar minha opinião em uma dessas áreas.
    E, vou por mais lenha na fogueira, se alguns aqui leram o livro Gomorra (que um italiano escreveu sobre a atuação da máfia italiana hj no mundo – ele está , inclusive, ameaçado de morte), vcs vão ver que comprar um tv lcd de 50 polegadas da sony em um shopping tipo BH Shopping, não quer dizer que é original. O mesmo com roupas de alta costura e roupas de marcas!!! Em seu livro ele mostra como a máfia tem atuado no mundo usando a cópia e como eles são donos de shoppings pelo mundo (inclusive 2 no Brasil, que não me lembro qual). Sei que fujo um pouco do assunto, mas é cópia.
    Uma conhecida da Camila estudou anos sobre desenvolvendo uma ração para pássaros e quando ficou pronto foi “copiada”(para não dizer roubada) por uma grande empresa e hj é uma das mais vendidas no mercado e ela não ganhou nada, e aí como faço? Só estou tentando mostrar quanta incoerência e questionar: será que no mundo dos softwares tb não há esse tipo de cópia por parte das grandes empresas? Sou menino!! Não sei de muita coisa e me sinto incapaz de fechar algumas(senão muitas) questões.
    Abraço a todos!

  32. Ok Homero! Compreendo sua resposta perfeitamente (até pq vivo semelhantemente em várias áreas da minha vida)… Só estava inquerindo se você tinha algum embasamento acerca de Jesus para você ter paz nessa questão, afinal, se você tivesse, o mesmo poderia me ajudar nas minhas conclusões.

    Quanto a outra questão levantada, muito bom você ter citado isso, nunca tinha pensando nessa coisas e tirei uma conlusão muito boa!

    Concordo plenamente que muito do que agente acha ser original não é. Mas ai entra numa outra questão: só dá para você fazer o certo sobre aquilo que conhecemos… Por exemplo, não tem como adivinharmos que um TV de plasma no BH shopping é pirata – iremos comprar lá pq queremos fazer o certo, sabemos que em outro lugar é pirata e não queremos sustentar a pirataria desse outro lugar… Só como exemplo, entendeu meu ponto? Minha conclusão é: devo tentar averiguar ao máximo a origem de tudo o que for comprar, de forma a aumentar a minha ciência e fazer a minha parte… Isso dá para fazer! 😀

    E Ana, quanto a questão dos livros/texto na faculdade, não tinha falado pois ainda estava pensando no assunto. Primeiramente, acho que você não pode falar que “vcs de exatas não vivem isso” – apesar de termos menos carga de leitura (óbvio), pelo menos no meu curso, a leitura é muito cara. Isto é, os livros que tenho de bibliografia, em 85% dos casos, são direto no inglês e acho que você sabe o quanto livros importados custam…

    Mas, voltando a questão, sei que ela é muito mais complexa, mas posso dizer, inicialmente, que não acho que os fins justificam os meios. Considerando que Jesus não copiaria, se é válido “copiar” em prol de um bem maior (aprendizado, difusão de cultura e etc); também é válido mentir/matar/roubar para gerar um bem maior (matar uma pessoa para que ela não mate várias / mentir para evitar conflitos / roubar para não deixar que roubem)… Sim… Muito complexo e teMÇo…

    Enfim, cada um com a sua consciência. Mas, sobretudo, seja qual for a sua/minha atitude/decisão, devemos ter sempre em mente que um dia estaremos frente a Deus, só você/eu e Ele… e Ele nos cobrará e julgará por todas as nossas atitudes/decisões de hoje.

  33. Vidigal: Meu comentário sobre política foi no post (In)consciência Eleitoral e consequência ambiental, responderei vc lá, ok?

    Não vejo problema algum no fato de copiar. Portanto, entendo que o cristão pode copiar (Conforme comentei anteriormente, na minha opinião, copiar não é pirataria).

    Por que são vendidos gravadores de CDs se CDs não podem ser copiados? Compro meu gravador de CDs/DVDs para gravar CDs/DVDs e não vejo problemas nisso. Entrei na Blockbuster esses dias e ao lado dos filmes para locação haviam pilhas de CDs e DVDs virgens, fico intrigado com essas contradições…

    O que significa publicar? Ao meu ver, tornar público. Ora, uma requisição de que um material publicado se torna público em “x” anos não seria uma ‘forçação’ de barra? Na minha opinião, quando quarquer pessoa publica qualquer coisa ela torna esta coisa pública e seria um abuso exigir que só viesse a ser domínio público em “x” anos. Quando se publica, na minha opinião, a obra é pública e pode ser lida e copiada por quem quiser. O que não pode, ao meu ver, é o que eu expliquei no meu outro comentário na definição de pirataria.

    Acho que os grandes empresários estão forçando a barra falando que pirataria é copiar. Ao meu ver, pirataria não é e nunca foi isso. Acho um abuso uma acusação dessas (na minha opinião, pirataria não tem nada a ver com copiar). Chamam de cópia de pirataria no intuito de garantir seus monopolios para enriquecimento próprio de forma ilícita (ilícita pois, ao meu ver, o que é crime é restringir a cópia de algo publicado). Ninguém deveria poder restringir o acesso daquilo que é público.

  34. Para refletir: Imagine que ninguém saiba plantar batata. João em um determinado dia entende como é que se faz para plantar batata e o faz com muita alegria. José era muito observador e olha atentamente como João faz para plantar batata. José aprende a plantar batata e começa a plantar com alegria! Quando João percebe que José estava plantando batata conforme ele fazia ele questiona José: “Ei!!! Você não tem permissão para plantar batata! Fui eu que inventei isso!!!!!!” José então responde: “Hipócrita! Desde criança várias das coisas que você aprendeu foi copiando e imitando outros! Quem é vc para impedir que outros copiem as boas coisas que você faz?”

  35. Comentário 4
    A ilustração no meu comentário de número 3 tem um objetivo: demonstrar que copiar não é ruim em sua essência. Dessa forma reitero os argumentos expostos por mim nos 2 primeiros comentários.

  36. O link q a Ana colocou é de extrema relevância para o debate. Acho engraçado a hipocrisia contida nestas frases a seguir retiradas do artigo citado:
    1 – “O importante é permitir acesso ao conhecimento”
    2 – “Isso (…) nada mais é que perpetuar o monopólio sobre o conhecimento e gerar lucros para o mundo desenvolvido…”

    Este artigo embasa os argumentos que venho propondo neste debate. É uma pena notar que apenas buscam isso quando isso influi em algum interesse específico. Esta é a hipocrisia do nosso sistema… Uma vez que as coisas que eles criticam eles também as fazem. Só criticam agora porque é conveniente. Parabéns Ana pela matéria encontrada!

  37. Pingback: O que é o amor?
  38. Queria compartilhar aqui um trecho que sempre me fez pensar muito nesse tipo de assunto! Aí vai:

    Mt 22:15-22
    Então os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra;
    e enviaram-lhe os seus discípulos, juntamente com os herodianos, a dizer; Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.
    Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?
    Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?
    Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário.
    Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição?
    Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
    Ao ouvirem isso, ficaram admirados; e, deixando-o, se retiraram.

    Convido todos a meditar nesses versículos, acho que eles tem relação com o que vem sendo discutido.

    Abraço!

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