Novo dia-a-dia

Resolvi aproveitar melhor o tempo. Busquei então na biblioteca tudo o que já planejava há muito ler. Páginas sem fim sobre quase tudo. Escolhi também a melhor gravata e fui atrás de um emprego que enchesse meus dias e um pouquinho da conta no banco. Aprendi que não se deve gastar tudo aquilo que se ganha e estudei as melhores formas de poupar. Sonhei grandes projetos. Li livros sobre investimentos e empreendedorismo que me ensinaram os atalhos para meu primeiro milhão. As rádios de música do carro também mudaram. Deram lugar às de noticiário de economia e política que acrescentaram novos termos ao vocabulário e novos assuntos nas rodas de bate-papo. Aprendi ainda a reclamar do trânsito e das obras de melhoria dele.

Resolvi aproveitar melhor o tempo. E acabei esquecendo. De como seria acordar sem o despertador. Do gosto da cama e da rede. De uma conversa sem hora marcada que surge espontânea em qualquer lugar. Perderam-se também na memória as piadas bobas que sempre arrancavam algum sorriso e evitavam a falta de jeito. Esquecido ficou o violão sem corda no canto do quarto. O cochilo da tarde, a pelada de última hora, a comida da casa da avó.

Resolvi aproveitar melhor o tempo. Resolvi levar a vida a sério.   

10 comentários sobre “Novo dia-a-dia

  1. Guilherme, seu post veio como uma facada hoje! Rs!! Ando pensando muito nas últimas semanas sobre maneiras melhor de organizar meu tempo (e as minhas finanças tb, “Aprendi que não se deve gastar tudo aquilo que se ganha..”), e ando bem contrariada com as perdas que identificam com o 2º parágrafo tb. Preciso muuuito da graça de Deus para conseguir alcançar um equilíbrio!

  2. haha sou meio eu (mas é mais o rato, o investidor da turma, eu admito!! haha)
    muito legal esse tema, logo logo virá um post meu sobre o assunto…
    mas é impressionante como a gente, de criança, aproveita muito mais a vida, para pra pensar em coisas mais “bobas”, aproveitar a companhia das pessoas… mas a gente cresce e vira bobo mesmo…
    bjos!

  3. huahau coitado dos dois!
    Eu desafio ambos a colocar no papel o dia-a-dia e ver quem se encaixa mais na idéia do post. Apesar de que não tenho o costume de perder :D, essa eu perco fácil!

    Estou com esse estigma ppor causa do descontrole que tive de julho a agosto. Confesso que durante esse período estava bem pior do que o post descreve. Somente somando os dias que fiquei sem durmir dá uma semana, sem contar os outros excessos.

    Mas quem estava perto de mim nos dois ultimos semestre sabe que eu estava disposto a encontrar para sair praticamente 24×7. Era só avisar. E agora já estou restaurando o meu equilibrio.

    Para terminar, só uma pergunta: quantos créditos vocês estão fazendo na faculdade esse semestre? Ah. Pois eu estou fazendo 16. Sendo que o normal para eu formar “normalmente” seria por volta dos 28. E isso simplesmente porque não acho que formar normalmente valha a pena, se tiver que viver estressado e deixar de viver o resto.

    E é exatamente por isso que eu discordo da sua frase, Rafael – não acho que esse é o dia-a-dia de todo mundo que passou da metade do curso na faculdade. Pelo menos, não o meu (apesar de ter tido aquele desvio rs).

  4. relendo meu comentário me ocorreu que o mesmo possa ter parecido agressivo, mas não se enganem: é que a palavra escrita é muito mais fria do que a falada.
    não fiquei boladão nem nada, muito pelo contrário, estava e estou super de boa – mas achei necessáiro esclarecer alguns pontos da minha vida que vem sendo mal entendidos, e mesmo assim repetidos, já há algumas semanas…

    além disso, é claro, ganhei mais uma discussão contra o Rafael e Analubh, e isso não tem preço! 😀

  5. prefiro o gabana ganhando a discussão que o rato!
    e respondendo à sua pergunta, faço 12 créditos. ok, tem os 17 da monografia, portanto, 29. mas semestre que vem farei 0 créditos na economia na ufmg, se te serve de consolo… hehe

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